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Wednesday, October 4, 2017

Oh senhoras (?) por favor...depois não se queixem! (Basic Bit*hes, Parte I)


Cada vez mais,  fico admirada (e em alguns casos, envergonhada) com certas coisas que leio para aí, escritas por raparigas casadoiras ou esposas entre os vinte e muitos, trinta e picos. E pergunto-me para que ideia de casamento é que estas meninas foram educadas...

A supermodel Miranda Kerr fez cair o Carmo e a Trindade quando há umas semanas disse que as mulheres devem ser femininas e fazer por agradar aos olhos do marido. A sensata beldade segue o conselho da sua avó, que sempre a avisou que os homens são seres visuais. Logo,  uma mulher deve fazer um esforço para estar linda quando a cara metade chega a casa: pôr um vestido sexy ou um robe de seda e um bocadinho de maquilhagem (podem ler os seus conselhos aqui na íntegra).




E (para horror e ultraje das emancipadinhas de serviço) a modelo empreendedora, independente e podre de rica, que também criou a sua própria linha de cosmética, acrescentou que em trabalho é toda decidida, assertiva e mandona se for preciso; mas que em casa gosta de relaxar, cozinhar como uma chef, assumir uma postura mais gentil e feminina e permitir que o marido ( o multi milionário fundador do Snapchat) "vista as calças" e se sinta no seu papel masculino e poderoso.



 "É um bom equilíbrio" diz ela. De resto, Miranda é cá das minhas: não acredita que uma mulher deva tomar a iniciativa, correr atrás e tirar ao homem o prazer da conquista. Defende que os homens gostam de se sentir respeitados e as mulheres, acarinhadas.

"Não façam tudo por um homem. Se ele estiver interessado, vai querer fazer coisas por vocês". 

 É claro que estou completamente de acordo com Miranda: uma mulher realmente poderosa não tem medo de permitir ao homem guiar a dança, ao sabor da Mãe Natureza. E em troca do esforço dele para a conquistar, ela faz o esforço para agradar. Elementar. Amor com amor se paga.




Pois nem preciso de vos dizer que as reacções que se seguiram nas redes sociais da vida foram perfeitamente incendiárias!

Não faltaram jovens mulheres casadas (e outras que gostariam de estar casadas mas não conseguem encontrar um homem bom/segurar homem algum, não sabem elas porquê...) a dizer coisas do tipo: "só me faltava essa! Que grande canseira!  ou "quem me ama tem de me amar de fato de treino e toda desarranjada!" e ainda "é fácil falar para uma modelo rica que ganha a vida a parecer uma boneca insuflável e tem criados para lhe tratar de tudo!".




Houve ainda quem apontasse que a boa da Miranda, que sabe tanto, não conseguiu conservar o primeiro marido, Orlando Bloom.

 Bom, não sabemos o que se passou; mas não só o ex deve ter algum respeito por ela (já divorciado até chegou a bater em Justin Bieber para a defender, recordam-se?) como se calhar, só se calhar, foi ela que quis alguém com uma postura mais tradicional. Afinal, Orlando Bloom, depois do divórcio, andou a namorar com a feminazi das feminazis, Katy Perry. E o segundo marido é tão bem apessoado como ele e mais alpha male. Além de ultra milionário, o que, não precisando ela de mais dinheiro, pesa na balança social  em termos de grau de alfa macheza. Adiante.




É óbvio que também apareceram mulheres ajuizadas a dar-lhes respostas do tipo "chegar do emprego e não mudar logo para roupa de andar por casa nem tirar a maquilhagem não é exactamente física quântica" ou "um esforçozinho não mata ninguém. Eu gosto de estar bonita não só por ele, mas por mim" . Mas o tom geral nos comentários foi o "venha a nós" o desleixo, a preguiça e toda uma atitude de desafio

Desafio contra quem, ou contra quê? Nem elas sabem, mas tenho a certeza que só funciona contra elas próprias...


Parece que o mulherio de hoje (ou certo mulherio) quer tudo sem dar nada em troca. Estas meninas querem ser elogiadas pela beleza sem tomarem os mínimos cuidados com o físico e a toilette, e querem arranjar/ conservar um bom marido enquanto se comportam orgulhosamente como destravadas ou desesperadas em solteiras...e como generalas e biscas se eventualmente casam.

 Resumindo: não querem ser "wife material", não querem ser boas esposas, mas querem um óptimo marido?

*Pausa para sorriso maquiavélico, encolher de ombros incrédulo, revirar de olhos e face palm*


Criaturas do Senhor: não dá, não funciona!



Mas perguntarão vocês, porquê dar ao post o subtítulo "basic b***ches"? 

Simples: o  conceito de "basic b*tch"  banalizou-se na cultura pop para definir uma rapariguinha fútil,  cabeça de vento, instruída mas sem grande cultura nem bom gosto, que adopta todas as tendências do momento sem pensar se lhe vão bem, que só ouve e lê o que é comercial, que compra todas as ideias superficiais que os media lhe impingem. 




Em suma, uma alma sem referências, nem refinamento,  nem personalidade, que mal arranha a superfície. Creio bem que o termo se aplica lindamente à noção que muitas mulheres hoje têm acerca do seu papel num relacionamento: querem o "boneco" e o status de casadas perante a sociedade; mas só superficialmente, sem sacrifícios, sem trabalho. Adoptam, sem pensar e nos aspectos mais importantes das suas vidas, o que meia dúzia de jornalistas amarguradas com a vida lhes impingem nas revistas femininas e sites feministas. Num bovarismo desbragado, acham que tudo lhes é devido. Esperam ser tratadas como princesas quando se comportam como peixeiras (sem ofensa às peixeiras que se fartam de trabalhar e muitas serão óptimas esposas). São, em suma, básicas. Mas acham-se o máximo, pensam que merecem tudo,  exigem ser vistas como jóias raras e preciosas. 


 OK, continuem a acreditar nisso- que a Miranda lá está contente, bem casada, mimada e irritantemente feliz. 

 Nota: continuaremos a analisar este "fenómeno" por outros ângulos na segunda parte deste post, porque é muita "basiquice" junta para dizer tudo num só!



Monday, October 2, 2017

A diplomática distância de um braço



Há dias o senhor meu marido disse-me muito admirado, vendo que eu tinha encerrado cordialmente uma pequena "guerra fria" com uma pessoa amiga que se mostrou falsa: só essa paciência! Fosse comigo, mandava esse (a) infeliz a uma certa parte e bloqueava e acabou!

Ele é muito mais intempestivo e "pão-pão-queijo-queijo" do que eu, talvez por ser homem. 


Quando corta com alguém é de vez, declaradamente, e não há apelos que valham. Já eu, se o caso não é grave, dou uma tacadita, uma alfinetada apenas para a criatura perceber que não me enganou; a pessoa eventualmente manda outra piadita, gaba-se um bocadinho dos seus feitos, justifica-se toda, põe-se nos bicos dos pés só para não desandar muito ferida no seu orgulho... e fica tudo na paz do Senhor sem danos a contabilizar. 

É possível assentar duas bofetadas de luva branca sem esborrachar os brios do oponente: afinal, poucas coisas espoletam inimizades escusadas como uma humilhação das grandes. Até os Romanos só levavam o inimigo em parada pública se ele fosse teimoso e atrevido durante demasiado tempo. 

Maquiavel recomendava que,  face à necessidade de atacar/vingar-se de/ ofender alguém, a razia  devia ser feita de tal forma que o inimigo nunca mais estivesse em condições de dar o troco - ideia terrível, mas eficaz!

No entanto há que deixar os actos de esborrachar, de deitar por terra e as descascas de alto a baixo, as humilhações completas, o armar de barracas e o descobrir de carecas público para aquelas pessoas realmente malvadas que é preciso parar quanto antes. E esses casos são raros...

Lá dizia esse siciliano sapientíssimo do Cardeal Mazarin, génio político e protegido de Richelieu (com quem terá aprendido um par de coisas): Se triunfares sobre um adversário, não cedas à tentação de o insultar excessivamente. 

Isto porque a vida me ensinou que às vezes não vale a pena encher tudo de pólvora nem de vinagre; na maioria das situações, é escusado tentar matar um mosquito com um martelo pneumático: um humilde e silencioso mata-moscas de plástico faz o truque. 

 Ainda que se deixe confiar na pessoa e que já não nos convenha ser amigos dela, podemos sempre ser amigáveis desde que a sua presença não represente risco. Isto não significa ser neutro como a Suiça ou engolir ofensas- retirar-lhe a intimidade mas dar-lhe o desconto que se dá aos tolos é apenas uma forma de evitar vendettas de parte a parte,  entrar numa espiral "zangam-se as comadres, sabem-se as verdades" ou causar ofensas que não têm qualquer utilidade. É sermos um bocadinho políticos. Ou ter fair play

Abraham Lincoln dizia que a melhor forma de nos livrarmos de um inimigo é transformá-lo num amigo. Eu acredito que a melhor forma de nos livrarmos de um falso amigo é despromovê-lo a "relações amigáveis".

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