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Friday, October 13, 2017

Há pessoas que só respeitam quem as trata mal. É incrível.



Aprendi com a minha família e com a Bíblia- e mais tarde, a ler Maquiavel, Sun Tzu, Mazzarin e outros estrategas - que raramente é preciso ser mau para chegarmos onde queremos. A diplomacia, a gentileza, a bondade, a calma, a paciência e a discrição 
levam-nos mais longe do que uma atitude prepotente de "quero, posso e mando" e do que atalhos desonestos, que têm sempre prazo de validade (veja-se o nosso amigo Sócrates). 

Juntando a essas características a ética de trabalho, o trabalho árduo e o entusiasmo, não há nada que não se consiga fazer.




O tempo confirmou-me essa ideia:  as pessoas mais bem sucedidas com quem tenho privado são o vivo exemplo disso. Quanto mais próximas do topo, mais bondosas e amáveis costumam ser. É nos quadros intermédios que costumam estar os serzinhos insuportáveis: competentes e empenhados q.b ( ou obcecados)  para subirem até certo ponto, mas demasiado impossíveis de aturar para que alguém no seu perfeito juízo os deixe ascender a altos voos ou manter-se lá. Ninguém respeita os brutos.




 O uso da veemência, da força ou mesmo da assertividade deve ser reservado como recurso expressivo para quando já não se vai lá com serenidade, papas e bolos. O bem sempre que possível, o mal sempre que necessário (ou apenas se for mesmo necessário). Ou como dizia o outro, caminha em paz mas leva um cajado bem grande na mão! Lá por uma pessoa ter ética, não quer dizer que seja pateta. Ou como a avozinha me repetia sempre "Deus Nosso Senhor também não gosta que a gente seja palerma!".


E não me tenho dado mal com a abordagem...




No entanto, há sempre alminhas que parecem ter alergia à honestidade e à gentileza: ou seja, quando lidam com gente de bem (mesmo que se tenham dado mal com quem se comporta do modo oposto) em vez de ficarem aliviadas, todas contentes de encontrarem pessoas de confiança, e de as estimarem para não as perderem, decidem abusar. Entram em modo "se me dão o dedo, eu quero o  braço todo". 


E tratam de lidar com os bons como lidavam com os maus- ou pior ainda, pensando que podem porque quem é bom não reclama nem retalia. 




Na cabeça destes entes, bom = a trouxa.  Na sua óptica, só é gentil quem é demasiado cobarde para ser mau; só é honesto quem não tem lata  para ser matreiro; só é educado quem não possui coragem para fazer exigências ou para dar respostas tortas.

Não lhes passa pela ideia que alguém possa ser bom, ser honrado, agir discretamente, fazer pouco barulho, querer o bem de todos e ter palavra, não porque se deixa intimidar ou porque não tem alternativa, mas por simples escolha sua, por hábito de berço e por natureza de carácter. Tomam os outros por idiotas: não lhes ocorre que as pessoas lhes topem os esquemas perfeitamente, apenas prefiram não o demonstrar para evitar um confronto aberto e darem a volta à questão de uma forma airosa. Podemos ser ardilosos e não sermos umas bestas.





Para criaturas assim, as pessoas boas são demasiado boas para ser verdade, logo há que tratá-las com a mesma sem cerimónia que se dedica às pessoas más.

E é mesmo isso que fazem, porque se calhar nunca aprenderam aquela frase de S. Francisco de Sales''Nada é tão forte como a gentileza 
e nada é tão suave como a verdadeira força".

Coitados, só entendem a linguagem da má criação e da trapaça (ou em casos extremos, a linguagem do banano e da bolacha).





O lado positivo disso (já que é impossível evitar totalmente tropeçar em criaturas que só respeitam quem é tão bruto como eles ou pior) é que por vezes, passar por menos esperto do que se é na realidade dá imenso jeito. E ter paciência de Santo, também. Quando os espertalhões julgam que o "bonzinho" não vai fazer nada, que se vai deixar pisar à vontade, já ele, de saco cheio e irremediavelmente roto mas nas suas calmas, metido consigo, preparou uma estratégia para lhes tirar o tapete. 

Quando dão por ela já é tarde; espalham-se ao comprido, sai-lhes o tiro pela culatra, o bonzinho segue alegremente com a sua vida deixando-os na mão e os chicos-espertos têm de voltar a lidar com pessoas que não prestam, que é para aprenderem. O calado vence tudo, era outra frase que a avó me repetia vezes sem conta. 

E isto não é ser sonso, é ser estratégico.

Thursday, October 12, 2017

Divisão de tarefas: as mulheres e a "carga mental"




Por norma e por princípio, costumo estar no mais completo e assumido desacordo com os exageros feministas. Por vários motivos lógicos ( este texto excelente que encontrei explica tudo) mas sobretudo porque quem engole essa cassete se dedica a debater histericamente problemas imaginários em vez de incidir nas questões que realmente afligem as mulheres por esse mundo fora.



Porém, no meio de tanta tinta desperdiçada em artigos patetas sobre "papéis de género" há um assunto que tenho vindo a encontrar mencionado aqui e ali, e que importa assumir que existe: a sobrecarga mental que cai sobre as mulheres no que toca à gestão da casa.





Isto porque não é que os homens não ajudem (vamos partir do princípio que ajudam e já voltamos a isso mais adiante).

 É que há uma diferença entre "ajudar" e "fazer a sua parte" ou entre "cooperar" e ser pró-activo. Esse ângulo subtil tem aparecido nos média aqui e ali: esta crónica de Paulo Farinha relata um exemplo disso em primeira mão e até mesmo publicações Católicas se têm debruçado sobre ele


"O fenómeno da carga mental consiste em pensar sem parar nas coisas que há para fazer, antes mesmo de delegá-las. É pensar em todo o trabalho quase  invisível que faz um ambiente doméstico funcionar, como a preocupação porque logo vai acabar o papel higiénico e é preciso colocá-lo na lista de compras, o medo de se esquecer de marcar consulta médica, lembrar-se de comprar as passagens para as férias…
Para poder dedicar-se a estas coisas, ou inclusive para delegá-las, primeiro é preciso pensar nelas (...) geralmente é só a mulher que tem que pensar em tudo, já que o marido se coloca em atitude passiva e é preciso pedir-lhe para fazer as coisas”.



É certo partir do princípio que, nos dias que correm, um casal em que marido e mulher tenham carreiras fora de casa se vê obrigado a dividir tarefas. E que muitos homens, tendo vivido sozinhos, são óptimos cozinheiros e "donos de casa".

Depois, eu não serei a típica dona de casa de primeira viagem, desorientada com as alegrias domésticas: dificilmente encontrarão alguém mais antiquada do que eu no toca à imagem da mulher que cozinha bem (e que tira alegria disso) que faz por ter a casa organizada e confortável e que adora mimar a cara metade.

Recebi desde muito nova esses valores: não importa o quanto um homem ajude, não importa se a esposa tem governanta e mulher a dias: supervisionar e orientar é um trabalho minucioso que precisa de jeitinho feminino. Os homens adoram ser apaparicados e as mulheres (as do meu tempo e do meio em que cresci e me movi, pelo menos) gostam de apaparicar. Nada de errado nisso.  Igualmente, sou toda a favor da liberdade (ou mesmo do cenário ideal) de a mulher, se a família tiver meios para se dar a esse luxo, ficar em casa a cuidar dos filhos, ou trabalhar apenas em part time. Principalmente se tiver algum rendimento próprio, porque nunca se sabe o futuro e em todo o caso, é sempre melhor contar com autonomia nos gastos quotidianos.


No entanto, ser tradicional não significa ignorar a tal sobrecarga psicológica que está associada aos afazeres domésticos!




Assim como um homem saber cozinhar e limpar não implica, necessariamente, que o fará ao ritmo necessário para uma vida a dois e/ou com filhos.

 A dinâmica de um casal é diferente de viver em casa dos pais, ou para si mesmo (a) e exige uma adaptação que nem sempre é suave.






 Cenários à parte (independentemente do perfil social, com mais desafogo ou menos, com ou sem pessoal doméstico para ajudar e com mais ou menos apoio da família alargada ) a realidade para a maioria dos casais entre os 20 e muitos e os 40 e poucos é ambos trabalharem fora e (hipoteticamente) dividirem as tarefas em casa.

A palavra corrente é que ainda há muito a evoluir nesse sentido. Para mim, partilhar tarefas é uma conclusão meramente lógica. Se nos anos 1950 a mulher ficava em casa o dia todo enquanto o marido trabalhava para pagar as contas, o justo é que cuidasse do lar e dos filhos. Se hoje os dois têm iguais responsabilidades fora de casa, o justo é que dividam as responsabilidades domésticas como adultos conscientes.







Porém , ainda admitindo que isto acontece - que o marido dá a papinha ao bebé, que aspira a casa, que vai às compras, que sabe cozinhar e faz tudo como manda o figurino sem achar que está a fazer um favor em limpar o que sujou- a verdade é que os homens tendem a um certo comodismo. 

Ou seja, até ajudam...mas esperam que lhes digam o que fazer. E às vezes ficam muito admirados por a mulher refilar que isto ou aquilo não está feito.








"Mas então - resmungam eles- custa alguma coisa
 pedir-me para lavar a  louça/ pôr o lixo fora/ levar o cão à rua?".

Ou ainda "mas está aborrecida porquê? Se ela não me disse para fazer isto ou aquilo!"

E não esqueçamos a mania de fazer as coisas, sim senhor, mas apenas ao seu próprio ritmo, quando bem lhes parece, e não quando a necessidade surge, vulgo: "eu já disse que aspirava/limpava e trato disso daqui a bocado/amanhã de manhã".

Ou seja, mesmo no nosso mundo supostamente igualitário, a biologia ataca e o homem tende a ataques de criancice, querendo ser mimado como se a mulher estivesse em casa a tempo inteiro ou, pelo menos, esperando ser orientado naquilo que é preciso. O pior é que planear, decidir, escolher, representa metade do esforço que é preciso para realizar as ditas tarefas. Estabelecer a lista das coisas para fazer, lembrar a cara metade de as levar a cabo e verificar se foram feitas é um trabalho em si mesmo - e um trabalho exaustivo, que faz a mente feminina funcionar como um ábaco o dia todo. Supostamente, eles tendem "a deixar-se levar a partir do momento em que começam uma vida a dois




O que a longo prazo acaba por se tornar opressivo, deixar a  mulher à beira de um ataque de nervos/fanico/esgotamento e na melhor das hipóteses, fazer com que ela caia na tentação de ralhar e murmurar. Muitas mulheres anseiam - por exemplo- pela hora de regressar ao trabalho a full time depois da licença de parto, porque já não podem ver roupa e louça à frente!


O remédio para tal "mini flagelo" reside na comunicação diária, verbal e não verbal; mas também em as mulheres adoptarem uma atitude mais relaxada, não querendo tudo na perfeição e deixando que as consequências/ actos falem mais alto do que muito palavreado. 


Ou seja, primeiro há que chegar a acordo quanto a  quem faz o quê, mesmo que seja em modo "fake it ´till you make it" - assumindo que o acordo poderá não resultar na perfeição ao início.



Segundo, abandonando a atitude "nunca peças a um homem para fazer o trabalho de uma mulher". Se o marido não desempenha as tarefas tão bem como se gostaria, ou na ordem/ritmo que seria de desejar, paciência; é melhor do que nada e só a prática leva à perfeição. 

 Terceiro, é preciso encarar a questão com bom humor. Rir dos desastres é o melhor remédio!  Há dias, regressava eu com o meu mais que tudo do supermercado e dei-lhe à escolha: ou ele tratava da louça e eu arrumava as compras, ou vice versa. Ele, que detesta vivamente a louça mas gosta ainda menos de andar no tétris com o frigorífico e os armários, (apesar de ser muito mais alto e de ter muitíssimo mais jeito do que eu para isso, diga-se de passagem) lá se conformou com o pior dos dois males e pôs-se a lavar os pratos, não deixando de atirar um chiste à bonita forma como as mercearias iam ficar organizadas... devolvi-lhe a graçola e lá continuámos. Mas como desde que o mundo é mundo os homens não sabem fazer nada sozinhos, sempre me ia pedindo que lhe chegasse isto ou aquilo ou tirasse mais aqueloutro da frente.




É claro que eu, impaciente e cheia de sono depois de um dia  caótico, resmunguei se quando eu lavava a louça, por acaso lhe pedia que limpasse o espaço para eu poder trabalhar...e disse que se desembaraçasse porque eu ainda nem tinha descalçado as botas!

Pois não se ficou e desatou a imitar-me, nos seguintes termos:

"Olhem para mim, pobre de mim, sou uma infeliz, sou uma desgraçada...ai de mim, que vou morrer calçada!".


É óbvio que desatámos a rir e acabou ali a má disposição.





 E por fim, em quarto, é vital saber realmente delegar e confiar; por muito que doa deixar a casa menos impecável! Ausentar-se  quando necessário sem preparar tudo, ou deixar por fazer aquilo que de todo não pôde ser acabado, sem sentir culpa, tem mais poder do que muito sermão. Bem dizem os ingleses: aquilo que não pôde ser feito, não era tão importante como isso.






Afinal, como prega o povo, ou há moralidade ou preguiçam todos. Não ter peúgas enroladinhas na gaveta 
 uma vez por festa (e ter de as ir "pescar" ao cesto da roupa lavada pela manhã) ou encontrar a casa num rodilho quando chega, em vez do cenário aconchegante a que se habituou, não mata ninguém - mas terá decerto mais efeito num homem do que pedidos, censuras e ameaças. 

Por vezes é preciso combater uma atitude desfasada dos tempos com outra atitude à moda antiga: ou seja, aplicando o remédio da minha santa avozinha... dar-lhes o desconto que se dá às criancinhas e mostrar, como se mostra às mesmas criancinhas, que as atitudes mandrionas têm por consequência o desconforto.

Wednesday, October 11, 2017

Uma história sem heróis que anda nos jornais: a serigaita, o mauzão e os pais




A serigaita e o seu "Príncipe" de uma noite só


Hoje trago-vos uma estorieta sem jeito nenhum que a imprensa badalou nos últimos dias com grande entusiasmo e comiseração para com a pobre rapariguinha enganada. Espantou-me que nenhum jornal usasse o mínimo de espírito crítico para relatar o caso e que ninguém - a não ser meia dúzia de comentadores anónimos- tirasse daí a menor lição de moral.  Enquanto as mulheres continuarem a  ser tratadas como pobres criancinhas ingénuas, mesmo quando são vítimas apenas da sua pouca esperteza e falta de dignidade, mal estamos.

Regra número um para a felicidade amorosa e o equilíbrio de uma rapariga: não ser uma serigaita oferecida, por mais que as "migas", as Cosmopolitans e as Capazes da vida insistam que isso é o máximo. 

Regra número dois: se essa rapariga tiver mesmo, mas mesmo, de ser uma doidivanas porque não o pode evitar, porque enfim, é genético e a educação não ajudou, ao menos que não seja uma serigaita oferecida e trouxa

Ou seja, uma serigaita  ingénua,  romântica *e* burrinha que confunde pândega com romance e engate com relacionamento sério- ou como o caminho para um relacionamento sério. É que não há nada mais patético. Para os homens as duas coisas não caminham juntas e fora raríssimas excepções a telenovela termina sempre em lágrimas para a infeliz que achou que desta é que tinha acabado a noitada de copos no palácio (neste caso, no quarto de hotel barato) do Príncipe Encantado e que ia ser feliz para sempre. Fail. É que isso, nem os homens nem as outras mulheres respeitam. 




Uma Samantha Jones da vida real ou uma femme fatale ainda se aturam: mandam as regras à fava, não devem satisfações a ninguém, não pedem batatinhas, deixam o macharedo baralhado ou arrasado no coração e/ou na bolsa ...enfim, por mais doidas que sejam mantêm algum poder na situação, vingam o mulherio e tem os sentimentos sob o seu domínio. Podemos reprovar o seu comportamento arriscado, não compreender como o fazem e não as querer por perto, mas sempre nos escapa um "ah valente mulher!".

Agora uma pobre coitada que rebaixa o valor da Mulher aos olhos masculinos, que dá o coração mais o resto e ainda um par de botas a desconhecidos e ainda anda atrás deles depois de levar com os pés de novo, depois chora pelos cantos, faz de vítima, ameaça com o karma,  protesta nos social media e deita aos homens as culpas da sua irresponsabilidade? Tenham paciência, cresçam. Isso é DD: Deprimente e Des-pre-zí-vel.




Regra número três (e última): se a rapariga em causa tiver ignorado todas essas regras, se fez todas as coisas deprimentes e desprezíveis atrás citadas e grande figura de urso, ao menos (por amor da Santa, por favor, pelas alminhas) que se abstenha de escarrapachar o caso nas redes sociais. E se escarrapachou (como estas criaturas escarrapacham quase sempre) ao menos que não ache que passar vergonhaça no facebook é insuficiente e não se lembre de levar o vexame para os jornais.

Mas foi precisamente isso que Sophie Stevenson, uma inglesa de 24 anos, fez- com o apoio dos pais!

Eu bem digo que as serigaitas não são um fenómeno inexplicável que anda de noite, como o Yeti ou o Chupacabras. Não nascem por aí no ar, ou num ovo chocado sozinho à beira da estrada. Para criar um ser destes, sem a mínima noção do apropriado nem um pingo de bom senso, é quase sempre preciso haver progenitores desmiolados (geralmente, envolvendo um pai ausente ou demasiado banana) .

Volta e meia lá há uma por outra que até vem de boas famílias e sai a ovelha negra, um desgosto e uma surpresa terrível para os pais, mas quase sempre esse comportamento nasce de lares permissivos demais.


Sophie, a serigaita, perdão, vítima.



Adiante: a menina Sophie, que passaremos a designar como a "vítima" (reparem que usei aspas) foi passar férias a Barcelona em Agosto, por altura do terrível atentado que lá sucedeu. No meio da confusão conheceu Jesse, um holandês, e envolveu-se imediatamente com o estranho que nunca vira mais gordo, passando a noite com o rapaz em grandes folias enquanto os pais, em Manchester, desesperavam por não saberem notícias dela. A coitada chamou a isto "um romance como deve ser". Para o rapaz foi um engate de ocasião com a primeira rapariga que lhe caiu no colo, mas ela deve ter julgado que estava a viver um filme épico de amor e tragédia estilo Titanic ou Pearl Harbour.




Acabaram as férias, cada um foi para sua casa e terão continuado a falar-se diariamente na internet com grande entusiasmo da "vítima". Segundo ela, o marmanjo falava em manter uma relação à distância. Por sua vez, ele jura aos pés juntos que nunca disse tal.  O menino também teria prometido várias vezes ir vê-la ao Reino Unido, mas o certo é que nunca lá pôs os pés. E que fez a boa da Sophie? Juntou o seu dinheirinho que tanto lhe custa a ganhar como gerente de um bar, e agiu como agem todas as mulheres da luta: comprou um bilhete e lá foi contente e airosa para Amsterdão para se encontrar com o "namorado".




OK, pausa para uma mais uma regra da avozinha: numa situação destas, se o rapaz tem boas intenções e está mesmo interessado, ele é que deve fazer a primeira visita. Óbvio. Já bastara ela entregar os pontos todos e mais alguns no primeiro encontro, agora era a vez dele fazer algum esforço e investir nela, não? 

Até imagino a mãe e as minhas santas avós a dizerem esse tipo de coisas, todas escandalizadas. "Então, porque não vem cá ele?". Aliás, consigo sentir o pai parado à porta a pedir um relatório completo acerca da criatura e a ter uma síncope com o relato do "romance", e juro que dali ninguém arredava pé e ia ser uma cena bonita, ia. 

Mas os pais de Sophie acharam normalíssimo que a filha tivesse passado a noite com um perfeito estranho, que tanto quanto sabiam até podia ser um serial killer, e que agora o fosse visitar completamente sozinha. Boa. Isto gente prevenida é outra coisa. 


O pai da "vítima"

E Sophie agarrou no seu kit de maquilhagem de serigaita e nas suas roupinhas da Boohoo (marca que vende muita roupa serigaita por estas bandas) e fez-se ao caminho.

Long story short, quando a desmiolada chegou ao aeroporto, do rapaz nem rasto. Depois de muito esperar e desesperar, e de contar aos pais que o príncipe se sumira no nevoeiro, lá se arrastou de transfer para o hotel. 

Mas quando finalmente conseguiu que o rapaz se dignasse a responder-lhe... teve a pior surpresa da sua vida: Jesse disse-lhe que tudo aquilo não passara de uma partida muito malvada, chamada "Pull a Pig" (quando os rapazes competem entre si para ver quem se envolve com a mulher mais feia) levada ao extremo. E zás, bloqueou-a sem mais aquelas.


A mãe da  "vítima", em estado de choque e ultraje

Ok, a ser verdade , que não sabemos se é, isto foi aborrecido e Jesse é uma besta- isso é inegável. Primeiro, por se ter deitado com uma rapariga que considerava pouco atraente ( já se sabe que muitos deles quando querem facilidades tudo lhes serve, mas não deixa de ser horrível) e segundo, pela crueldade gratuita de que foi capaz. Se calhar o moço, de 21 anos, é mesmo um bocadinho psicopata e no meio disto tudo não será um exagero dizer que a menina teve sorte em não lhe ter acontecido muito pior.

É preciso ter uma mente retorcida e sem empatia alguma para se dar ao trabalho de pregar uma partida tão elaborada a alguém. Se não gostava dela, se nunca mais a queria voltar a  ver, tomava chá de sumiço como qualquer engatatão de desesperadas e pronto. Isto foi doentio, tudo tem limites, etc, etc.

Mas a verdade é que o mundo está cheio de más pessoas e isso inclui alguns maus rapazes. Por isso é que convém conhecer alguém o mais possível e ter o máximo de garantias antes de dar passos grandes e de se encher ilusões. Só assim para ter o mínimo de segurança e mesmo isso não evita surpresas. That´s life. Toughen up. Deal with it.




E pronto, não havia ali morte de homem. Nem de mulher! "Ai que ele abandonou-me desamparada num país estrangeiro!"- berra Sophie para quem a quer ouvir, como se tivesse ido parar a Cabul ou a Bagdad e não a uma terra pacífica e super desenvolvida. Isto, estas mulheres "resolvidas" e "independentes"...

  Depois do mal feito, que restava a Sophie? Ora vejamos. Que tal abrir horizontes para ficar menos burrinha?

 Tinha a viagem e estadia paga numa das mais interessantes cidades do mundo, povoada de alguns dos homens mais bem parecidos e gentis da Europa. Oh minha menina, se a vida dá limões fazemos limonada!

Ia fazer umas compras à baixa e ao mercado de Waterloo Plein, ver os museus, visitar a casa de Anne Frank para se lembrar que muitas jovens tiveram vidas bem piores que a sua e mesmo assim não desanimaram, arejar, conhecer gente nova, ver as vistas, e se estivesse mesmo muito abalada ia meter o nariz numas coffee shops e dar uma volta ao distrito encarnado para conversar com algumas das "raparigas trabalhadoras" que lá andam metidas nas montras, convidá-las para os copos e desabafar todas juntas que os homens não prestam. De certeza que alguma das meretrizes lhe daria de bom grado algumas dicas mais acertadas para dar o troco a Jesse, mal por mal uma cortesã sempre tem algum sentido prático como mulher de negócios que não deixa de ser...




Mas não. Voltou para casa humilhada, chorona, toda ranhosa e inconsolável por causa de um sujeito que viu uma vez na vida. E os pais, em vez de lhe darem um calduço, de se escandalizarem pela falta de amor próprio e de decoro da moça e de lhe dizerem para ter mais calma para a próxima, para não se meter em aventuras sem compromisso, fizeram o jogo  dela; juntaram a sua lamuria à da filha mimada e chamaram a polícia (que obviamente lhes respondeu que não podia fazer nada, pois não tem jurisdição na falta de moralidade de ambas as partes).


O alegado vilão


 Como isso não funcionou, no lugar de se calarem bem caladinhos e de terem um bocado de vergonha na cara, vai de ligarem para  imprensa e de relatarem o caso tim tim por tim tim,  todos contentes com os 15 minutos de infâmia. Olá mundo, a minha filha é uma oferecida e eu nem sou homem para a pôr na ordem.




Diz o pai "estremunhoso" que ouvir a filha a ligar em lágrimas foi mil vezes pior do que não saber dela durante os atentados de Barcelona (note-se o bom gosto e as prioridades desta gente) . E que quer ir acertar contas com o rapaz (o não seria lá muito justo já que ele nunca lhe prometeu nada, mas sempre podia ter sido feito em vez de se enxovalhar a nível global, vá). A mãe, essa, diz que a menina tem a auto estima em frangalhos, coitadinha- se calhar, se fosse uma mãe atenta saberia que a filha nunca tivera grande auto estima para começo de conversa, ou não andaria a pedir batatinhas atrás de um rapaz que mal conhece a não ser no sentido bíblico do termo...

Em todo o caso, a auto estima de Sophie deve estar lá nos píncaros agora, porque muita gente teve pena dela e lhe deu elogios por comiseração, do estilo "quem perde é ele, tu és linda". E como uma serigaita adora atenção e elogios, suponho que recuperará depressa da sua "desgraça". Quanto a Jesse, esse, nega tudo, principalmente quaisquer ideias de "romance" .  "A vítima aqui sou eu" afirma ele, queixando-se de que ele a sua família têm recebido ameaças de morte. Também ele poderá tirar uma lição disto: quando uma rapariga se mostra muito fácil, geralmente a factura a pagar com isso é bastante difícil


Uma boa lamparina em cada um e ficava o problema resolvido, digo eu...




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