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Tuesday, July 17, 2018

Pobres pessoas de quem tenho muita pena #1: alérgicos ao amendoim





Nesta vida cada um com os seus problemas, as suas limitações e as suas arrelias a vários níveis. No entanto, há dramas piores do que outros;  e depois há aqueles que, não sendo *necessariamente* uma tragédia, se tornam um verdadeiro bruxedo porque privam quem deles sofre de muita coisa e causam uma série de entraves quotidianos.

 Há dias, estava eu a preparar um belíssimo iogurte nórdico com manteiga de amendoim, mel e raspas de coco para o pequeno almoço (delicioso, super nutritivo, rico em proteínas e enfarta brutos) quando me lembrei das pobres pessoas que não podem comer- nem sequer provar - manteiga de amendoim. Ou amendoins ou nozes de qualquer espécie e seus derivados (que se escondem praticamente em toda a parte- basta olhar para a composição de montes de preparados mais ou menos saudáveis).

 


 Olhem que karma, hein? Não só essas pobres, pobres pessoas estão impedidas de enfardar coisas saborosas como a "Elvis Sandwich" (uma torrada de manteiga de amendoim com geleia e bacon) um inocente snikers ou uma super inócua barrita de cereais, sob pena de incharem como um peixe balão ou arriscarem mesmo bater a caçoleta, como vivem no permanente terror de uma morte estúpida (desculpem) caso se esqueçam de verificar as letras miúdas em tudo quanto é embalagem ou menu.

 


Para mim, que sou uma despistada, que cresci com manteiga de amendoim antes de isso ser moda (manias que o pai trouxe dos seus tempos de estudante lá pelos EUA) e com as maravilhosas "pinhoadas" da Figueira da Foz (espécie de bolacha duríssima feita de amendoins vendidas junto às praias da Zona Centro) e que sou basicamente perdida por tudo quanto seja nozes, isso seria um castigo dantesco... e às tantas, garantia de ir desta para melhor mais dia, menos dia.



Tenho tido, desde pequena, a minha dose bem aborrecida de alergias incómodas: algumas desapareceram com os anos (passei uma fase em que só o cheiro a caril me deixava os olhos a chorar e os lábios que pareciam picados pelas abelhas ou com uma dose industrial de colagéneo) outras continuam a dar-me que fazer: ainda preciso de ter cuidado com alguns cremes e cosméticos, mesmo que sejam de marcas de luxo. Basta chegar a Primavera para ficar uma chaga, passar por um pinheiro com bicho para idem idem aspas aspas ou ser mordida por um mosquito para entrar praticamente em choque anafilático. 



A onda de calor que tem varrido Londres obrigou-me a correr as farmácias para comprar um stock de "Ezalo" (que aqui só se vende na secção de viagens, já que o Verão não costuma ser tão sufocante como o nosso) e a andar coberta de repelente de mosquitos se quiser pôr um pé que seja no meu jardim. Conheço bem a penitência de passear por aí com uma "moca" de anti histamínicos em modo alma penada. Ainda assim nada me parece tão mau, nem um atraso de vida tão grande, como fazer alergia aos amendoins, a não ser talvez ser alérgico a marisco e às conchas/cascas de moluscos (outra coisa que adoro e que entra na composição de imensas outras coisas que aparentemente não têm nada a ver).




Haja coragem! A minha solidariedade e admiração vai para vós, desventuradas pessoas com intolerância às nozes. Tenho para mim que quem tem jogo de cintura para driblar essa limitação diária deve ser capaz de ultrapassar qualquer desafio que a vida lhe atire. Apostaria convosco que muitas pessoas bem sucedidas sofrerão dessa alergia: lidar com ela desde a infância só pode torná-las um prodígio de resiliência, auto domínio e capacidade de improviso. Respect.

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