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Tuesday, July 31, 2018

Porque é que a Monarquia ainda é importante?



Ora, é importante por uma grande variedade de razões de fundo que agora não me apetece detalhar - nomeadamente, a defesa das Tradições e a promoção da identidade nacional- mas também por motivos mais subtis, que não são por isso menos relevantes para a sociedade.

É que -apesar de alguns péssimos exemplos recentes dados por representantes de Casas Reais e da resistência do grosso da população a muitos valores que a Monarquia representa ou deveria representar (sentido do dever, altruísmo, capacidade de sacrifício, defesa da Fé e da família, hierarquia, disciplina, regras, discrição, auto domínio, modéstia, honra, parcimónia, contenção das emoções, elegância, conservadorismo, etc, etc)  o lado glamouroso das Casas Reais, o conto de fadas, as toilettes e as tiaras têm o poder de apelar ao lado mais sonhador (e mais vaidoso...e mais ambicioso) das massas.

O que inclui, claro está, as criancinhas e jovens que se miram no exemplo de Príncipes e Princesas que nem as da Disney (se numa turma de 20 metade dos rapazes preferirem ser militares e pais de família como o Príncipe William em vez de terem "swag" como o Justin Bieber e um terço das raparigas tiver como modelo a Rainha Máxima em vez da Iggy Azalea, estamos no bom caminho).



Porém, este fascínio pelos tronos e tiaras abarca também as pessoas mais superficiais, mais desencantadas, mais materialistas, mais amiguinhas da anarquia e rebaldaria- em suma, as que não se podiam estar mais marimbando para os ideais da honra, da História, da tradição, nobreza e dever. Maus motivos para reparar em coisas boas, mas talvez se possa tirar, mesmo assim, algum bem do mal.

 A feminista mais empedernida, Maria Capaz do bairro com horror a tudo o que lhe cheire a conservadorismo e arvorando-se em "rebelde" e "empoderada", tem forçosamente de perder o pio se alguém reunir pachorra para lhe enumerar meia dúzia de feitos da Rainha Isabel II- mulher verdadeiramente poderosa, e (mesmo agora disfarçada sob a sua capa de avozinha de 90 anos) capaz de a reduzir à sua insignificância com um erguer de sobrancelhas.



A pior serigaita, vestida como a Rihanna em plena luz do dia e que não sabe quem foi D. Afonso Henriques, sabe no entanto quem é a "Kate Middleton" porque ela aparece nas revistas de cabeleireiro, casou com um Príncipe como a Gata Borralheira e vive (blhec para o termo) "uma vida de Princesa". E talvez, só talvez, olhando para ela lhe ocorra que não é preciso vestir como uma stripper para estar bonita, nem falar como a Nicki Minaj para ser respeitada... e que se calhar ser uma rapariga séria, ser discreta, não dar nas vistas e deixar-se cortejar tem as suas recompensas.

O olhar de uma mãe que diz "lá em casa conversamos".

É óbvio que muitas vão preferir o facilitismo de olhar para as excepções mais "modernaças" como Sofia na Suécia e Meghan no Reino Unido, e ficar descansadinhas pensando "posso fazer trinta por uma linha, meter-me em coisas embaraçosas, dizer tudo o que me passa pela ideia nem que sejam disparates, juntar-me e separar-me uma data de vezes e mesmo assim vir a ter sorte no amor e uma posição respeitável" mas as cabeças que têm remédio (e eu falo para essas) jogarão pelo seguro e penderão decerto mais para imagens como estas, da Princesa Madalena da Suécia e da Duquesa de Cambridge rodeadas pelos seus bebés, ora num enlevo comovente (Catherine Middleton no baptizado do Príncipe Luisinho) ora prestes a perder as estribeiras (Madalena a morrer de vergonha perante a birra da Princesinha Leonore no baptizado da irmã, ou Catherine dando um raspanete ao Príncipe George no casório da tia Pippa).



Que encanto, que ternura, que beleza tirada a papel químico das pinturas renascentistas da Madona com o Menino! Com o seu glamour e esplendor, estes retratos altamente instagramáveis apelam com certeza ao lado mais ambicioso e fútil do público; e no entanto são simultaneamente acessíveis e "normais"- afinal, bebés nascem em todas as camadas da sociedade, todos dão o mesmo trabalho esão olhados pelas suas mães com o mesmo encanto. Ricas ou pobres, com ou sem pergaminhos, todas as famílias se parecem no essencial.



É que ao unir-se a pompa e a fama ao conceito de família tradicional- casais jovens que casam e assumem compromissos para a vida em vez de terem relações instáveis ou de se juntarem "a ver no que dá" como toda a gente parece achar normal agora, que repetem roupas em vez de exibirem logomanias e extravagâncias nos social media, que têm ou procuram ter um percurso público sem escândalos, que são unidos aos pais e avós, que são patriotas, que representam algo maior do que eles próprios e que pasme-se, até passam tempo no campo no meio do nada e - horror dos horrores - se entretêm com obras de caridade e vão à Igreja (algo grátis e acessível a toda a gente) talvez a plateia perceba que há uma alternativa à vida desregrada tão em moda.

Que a verdadeira felicidade não consiste em ter seguidores no Instagram, ir aos sítios da modinha ou exibir-se em trajes menores e que os "valores antigos" constantemente atacados pelos media não são assim tão maçadores. Eu cá acho que alguma coisa há-de ficar na cabeça dessas pessoas, nem que seja pela porta das revistas cor de rosa.

2 comments:

Leonor Santana said...

Não, hoje não concordo totalmente consigo!

Susana said...

Olá Sissi! O quanto gosto destes posts com um toque de cultura educação e análise social. Para quando uns textos sobre a vida na terra de Sua Majestade. Beijinhos

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