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Sunday, July 19, 2020

Vergonha Alheia: Selena Gomez





Ou se preferirem, Prémio Burrinha-Parvinha e Prémio Trouxa e Troféu de Mulher da Luta do mês, que vai dar ao mesmo.

A jovem Selena Gomez anda nas rádios com um single bonitinho, melancólico e orelhudo, daqueles para mandar a bofetada aos ex, no melhor modo A Raposa e as Uvas

A letra está carregadinha do costumeiro discurso patético de fingida superação: precisei de te odiar para me amar, precisei de te perder para me encontrar, pardais ao cesto. Enfim, a lamuria típica de flausina que levou um sonoro pontapé no traseiro e no maior ressabiamento, disfarça dizendo aos quatro ventos que foi uma lição de vida e uma epifania. Ou se preferirem,  a lamuria de quem quer que o ex fique mal no retrato, sinta remorsos, tenha dó da abandonada e quiçá, reconsidere. Apre!




Porém, no caso de Selena o cliché vai mais longe: primeiro, porque a "superação" e o "empoderamento" de que ela fala foi enfiar-se numa clínica de reabilitação mal soube que o seu ex de sempre, o famigerado Justin Bieber, tinha casado com outra (é que nem ao menos soube ter o faniquito em privado!).

 Segundo, porque analisando a estória dos dois e a letra, Selena não parece MESMO ter pejo de admitir que quer que o defunto tenha pena dela (oh vergonhaça suprema!) e terceiro, porque ela vai ao pormenor sórdido de cantar "em dois meses substituiste-nos" que foi precisamente o que aconteceu.




Trocando por miúdos para quem  acompanha estas andanças ainda menos do que eu: as duas jovens estrelas pop namoraram uma data de anos, e a boa da Ms. Gomez aturou todos os enxovalhos que o menino Bieber se lembrou de lhe fazer, empenhado como estava em viver o estilo de vida "Quengas e Vinho Verde" ou "Sex and Drugs and Rock & Roll", salvo seja, e em tornar-se o pirralho mais parvo, irritante e detestado à face da terra.

A pobre coitada, que parece ser boa rapariga mas banana todos os dias, foi alvo do ódio das fãs histéricas, levou chifre atrás de chifre, sofreu-lhe todos os excessos e faltas de respeito, enfim, fez de capacho, de trouxa e de tapete, lidando com as desfeitas com certa discrição, o que fazia pensar que ( apesar de claramente ter problemas de auto estima, porque de outro modo não se sujeitaria a tais coisas) ela era a metade madura e ajuizada da relação. 

Enfim, andaram de candeias às avessas e no junta-separa por uns anos até que foi cada um para seu lado, embora ficasse sempre no ar que a menina, despromovida a "amiguinha" e nunca saindo realmente da vida dele, o aceitaria de braços abertos mal o gabiru acenasse com um dedo (como se não houvesse muito peixe no mar, mas já lá vamos).




Ora, os anos passaram e - como há impossíveis nesta vida - Justin Bieber cansou-se milagrosamente de ser parvo, de andar  toldado e ganzado ou coisa pior dia sim dia sim, de acordar ao lado de estranhas e de strippers, de tentar bater nos fotógrafos e nos fãs, de viver afundado em vícios e de ser ridicularizado como o adolescente a que meio mundo sonhava dar açoites - porque se agia como uma rock star, nem ao menos tinha a satisfação de ser respeitado como uma.

Em suma,  um belo dia o moço acordou e decidiu mostrar ao mundo que afinal até era boa pessoa, um rapaz de princípios apanhado nas malhas da fama. A redenção foi notável, assinale-se: fiquei pasma quando por mero acaso assisti ao seu comedy Roast e vi o fair play com que troçou de si próprio, com o bom ar que passou a ter e com pequenos gestos de gentileza que foi demonstrando.



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Mais extraordinário ainda é que - causa ou consequência dessa mudança - Bieber ENCONTROU JESUS (!!!). Ou Jesus encontrou Bieber, o que na endiabrada Hollywood, domínio quase assumido do Príncipe das Trevas, é uma coisa realmente milagrosa,  Aleluia Irmãos, é para glorificar de pé, Igreja. Ou mais Catolicamente falando, Deo Gratias, laudate Domine.

Nosso Senhor tem sentido de humor e lá deve ter achado, na Sua infinita sabedoria, que se um palhacito global como Justin Bieber se convertesse, os mais incrédulos acreditariam que a Deus nada é impossível.

Isto sem falar da possibilidade de milhares de fãs irem logo atrás, ganhando logo ali uma boa sacada de almas -  e do delicioso prazer de arreliar ao máximo os moderninhos de serviço. ***Nota bene: e para despachar logo duas de uma assentada e deixar os ultra liberais depravados a espumar e estrebuchar pelo chão, logo a seguir foi Kanye West que se assumiu Cristão. Deus- 1, Hollywood- 0. O demo deve andar furibundo e a rasgar leggings e ceroulas de danado, mas isso é assunto para outro post).




 E nisto, o recém-reformado, desintoxicado e amadurecido Justin Bieber reaproximou-se da ex namorada. Selena Gomez deu pulinhos de contente; naturalmente, deve ter achado que agora é que ele estaria pronto para um compromisso sério! O que na verdade até estava...mas não com ela.


Justin, mesmo em versão santinho, tratou Selena como sempre tinha tratado e desapareceu de cena mais uma vez, apenas para se apaixonar fulminantemente, noivar e casar em menos de um fósforo com Hailey Baldwin, uma antiga paixoneta que frequenta a mesma Igreja.

E enquanto o feliz casalinho anunciava a boa nova e partilhava a Lua de Mel nos social media, a desgraçada Ms. Gomez teve um badagaio, dando entrada com estardalhaço na já referida clínica, sem ao menos se dar à dignidade de fingir indiferença. 

Pior ainda, levou com o insulto supremo para uma mulher: Bieber, muito magnanimamente, fez saber que Selena "terá sempre um lugar no seu coração", no melhor espírito " serviste-me para tudo, mas para esposa nem pensar" - prova provada de que a conversa fiada não sai nem com água benta. Não há desprezo pior do que o desamor adoçado com a indiferença do "carinho eterno", da amizade e das boas memórias.

A cantora deve ter-se desesperado, como tantas ex namoradas na mesma situação, ao constatar que se desdobrou em dedicação anos a fio e aturou tantas humilhações sem recompensa, apenas para vir outra rapariga do nada e Veni, Vedi, Vici, anel no dedo em menos de um Credo. É um caso muito comum.

Porém, tanto no caso dela como no da comum das mortais, a culpa nunca morre solteira e só é iludida quem quer.  

Mr. Bieber não devia explicações e muito menos casamento a Ms. Gomez. 

Mais ainda, os sinais estavam lá todos: um homem que durante anos não só não fica noivo como ainda por cima se dá ao luxo de trair e andar no vai-e-volta tem as suas intenções claras como água. Eles sabem, quase sempre muito cedo, que tipo de relação querem com uma mulher (diversão descartável, namorico para passar o tempo ou compromisso sério) e raramente mudam de ideias mais adiante. À mulher cabe dar - ou não - consentimento às intenções do homem em causa.
 E Selena deixou-se cair na categoria "namorada para passar o tempo", agravando esse estatuto com cada ofensa que tolerou e por não por os pontos nos ii quanto ao que realmente queria do relacionamento.

Depois, um homem só muda quando quer -  mais importante, pela mulher que ele realmente quer, por quem sente uma paixão transformadora e que reune as qualidades (tanto universais, como as que na óptica desse homem correspondem a um ideal) de "material para esposa".

Eles podem namorar a moça meiga que atura tudo e lhes suporta o lado negro com paciência de Job; mas mesmo que ela seja uma mulher com uma certa classe, que não corresponda à típica "rapariga que para namorar até passa, mas para casar jamais", quando pensam em dar o nó procuram outra coisa. Instintivamente, buscam alguém que os puxe para ideais mais elevados, que faça vir à tona o melhor deles e limite o pior, que os faça sair da zona de conforto e que tenha a dignidade que eles gostariam de transmitir, um dia, a uma filha sua.

 Hailey Baldwin  deve ter deixado os seus limites bem claros, além de partilhar com Mr. Bieber a espiritualidade e o desejo de ter uma família (ou de lhe inspirar esse desejo. Não é raro um homem sentir-se repentinamente tentado a casar, quando tal ideia nunca lhe passara pela cabeça, ao apaixonar-se por uma mulher que tem projectos bem definidos quanto ao seu futuro e não aceita relacionar-se com quem pense de outro modo).

Em última análise, olhando para o comportamento de Selena Gomez tanto durante o namoro como na sua reacção ao casamento do ex, não é de culpar Justin Bieber por não querer construir uma vida ao lado de uma pessoa assim: há ali todo um padrão de fraqueza feminina, de debilidade emocional,  pouca fibra moral, imaturidade, insegurança,  auto comiseração e vontade de dar nas vistas que não são nada atraentes, nem inspiram confiança para construir uma vida a dois. Bem vistas as coisas, Justin Bieber cresceu e ela não. É obra.

Perante a notícia do casório, que restava a Selena fazer, se tivesse juízo? Decerto não era ter chiliques, entrar em colapso como se estivesse numa ópera ou numa novela mexicana e muito menos lançar canções a fazer-se de coitadinha (por muito lucrativo que isso seja, que ela pense "já que tive o desgosto e que as pessoas vão falar de qualquer das maneiras, ao menos que eu ganhe alguma coisa com isso"). 

Tão pouco seria boa ideia dar alfinetadas, fingir-se valente ou comemorar de forma teatral o seu estado de solteira. Ela é nova, é bonita, tem uma carreira e muitos amigos- era seguir com a sua vida discretamente até se sentir melhor, sem dar ao ex e à mulher que a suplantou a satisfação de saber que ficou de rastos, e quando se sentisse melhor substituir o rapaz por outro que o deixasse a um canto. Simples!

E embora isto valha para qualquer mulher numa situação dessas, no caso das famosas tenho mesmo dificuldade em entender. 

Que uma jovem comum, de classe média, que anda sempre nos mesmos círculos sociais e que com sorte viaja uma ou duas vezes por ano, se obseque por um marmanjo que a trata mal porque enfim, ele lá corresponde ao que ela idealizou e a não há assim tanto por onde escolher, ainda se entende. Mas numa rapariga famosa, rica, com meios para ir para onde quiser, com acesso fácil a todas as distracções e consolações materiais e a uma infinidade de contactos de gente interessante, é incompreensível.

Pelo andar da carruagem, ainda me monto num avião e vou para Hollywood fazer fortuna como coach sentimental de famosos, a explicar-lhes a lógica da batata. Em terra de cegas...

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