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Tuesday, May 24, 2016
Crendice do dia: ser amada com firmeza
Já vos contei que não sou supersticiosa EXCEPTO com as crendices que chegaram até mim através da minha avozinha materna. Essas batem sempre certo. Seeeempre. E acabam por me causar algumas complicações menores porque de tanto as ouvir, de de a mãe as ter ouvido, e a avó antes dela e a bisavó antes disso, e...por aí fora árvore genealógica acima, cá ficaram entranhadas.
Fico sempre a pensar que pelo sim, pelo não, é melhor morder a língua três vezes se picar o dedo indicador (sinal de desgosto) não tirar uma linha solta da roupa, porque é mau (deve esconder-se no avesso e esperar que caia por si; isto na minha profissão dá um jeito que vocês não imaginam) não cantar antes do pequeno almoço, para não chorar antes do sol posto, ou jamais fazer qualquer operação de manicura ao Domingo (que atrai brigas).
Nunca subestimemos o poder da sugestão, especialmente se ela vier enredada no ADN. Atenção, ignoro se estas crendices não serão válidas só para as pessoas do meu sangue, como naqueles filmes de magia em que a linhagem determina tudo. Ou se simplesmente batem certo por nos baterem nestas teclas há gerações. Se calhar, em vós nada disso causará qualquer problema. Ou sorte, conforme: há alguns presságios que são bons.
E há dias achei muita graça porque, à pressa depois do almoço, toda assarapantada, atirei, com um piparote, o talher para o guarda louça em vez de o pousar. E ficaram-se todos a olhar para aquilo, dizendo que eu era amada com firmeza. Porquê? Porque a faca caiu direitinha como um fuso dentro de um copo, numa posição bem intrincada. Cesto! Se o tentasse fazer de propósito não seria capaz. Ora, as minhas antepassadas juravam que quando uma agulha ou lâmina cai a direito, por mero acaso, a mulher que a largou é amada com firmeza, com constância, por um coração que anda atravessadinho de um lado ao outro por sua causa. Lucky me.
Já facas em cruz é mau sinal, mas fazer uma rima sem querer é sinal de ser amada sem saber. É impossível uma pessoa entediar-se com uma família destas...
Saturday, May 21, 2016
À passadeira encarnada o que é da passadeira encarnada.
"Há lugares, trajes e ocasiões para tudo (ou quase tudo, vá) nesta vida". Esta é capaz de ser das frases que mais se repetem aqui pelo Imperatrix, embora haja sempre quem ache que não, ou até concorde mas fique muito surpreendido quando calha criticar-se algo que remotamente lhe diga respeito.
Ora, há dias falámos na patetice de Jennifer Lawrence e das suas "intervenções políticas". Eu sou da opinião de que os artistas - e em especial os actores - devem manter alguma discrição acerca de assuntos sérios. Não só a bem de uma certa neutralidade que lhes permite chegar a uma audiência mais alargada, não apenas porque é raro terem posições sensatas (veja-se o disparate de Jodie Foster a dizer que os ricos são o demo quando ela própria vale muitos milhões) mas também porque detesto ver eventos como os óscares transformados em manifestos baratos. Não sei o que fizeram da velha máxima "numa festa não se discute futebol, religião nem política" mas ela faz muita falta. Cada macaco no seu galho.
Se os famosos querem intervir em causas, podem fazê-lo brilhantemente apenas por serem famosos: usando a sua imagem para chamar a atenção para problemas que os média ignoram (como Audrey Hepburn e mais recentemente, Angelina Jolie, que goste-se ou não dela tem sabido ajudar sem dizer tolices) passando grandes cheques para caridade como fazia a saudosa Elizabeth Taylor (seja às ocultas seja em público para que haja mais gente a querer fazer o mesmo) organizando eventos de solidariedade cheios de caras conhecidas, ou gravando singles do tipo We are the World, como Michael Jackson e companhia. E finalmente há as entrevistas e os social media, onde podem dizer da sua justiça para os seus muitos seguidores, nem que seja para debitar as piores fiadas de asneiras.
O campo de acção é vasto, mas às ocasiões festivas há que deixar a devida leveza. Atravessar a passadeira encarnada é um momento leve, superficial mesmo - e convém que assim seja.
Pessoalmente não tenho paciência para acompanhar os ditos das celebridades que pisam o red carpet a caminho de qualquer entrega de prémios (vejo o que vestiram nas publicações da especialidade, e mesmo assim...) mas já se sabe que é puro trolaró.
O que dizem é pouco relevante e é bom que assim se mantenha. Por muito importantes que se achem, actores e cantores recebem os balúrdios que recebem para ENTRETER as plateias. Deles espera-se material para descontracção e diversão e com sorte, algum bom exemplo. Ninguém lhes paga para questionar os grandes enigmas da humanidade: para isso há filósofos, cientistas e estrategas.
Por isso, quando a comediante
Eis mais um exemplo de chica esperta a querer por força provar que é inteligente. E já se sabe, uma rapariga inteligente e poderosa não precisa de o demonstrar por força, tal como uma senhora não tem de provar que é uma senhora. De resto, trate-se de homens ou mulheres, não estou para que me macem com as suas teorias na passadeira encarnada. Quero saber que trapos vestiram, um ou outro plano de carreira e já é muita conversa. Não é que todas as perguntas sugeridas por Amy e seguidoras (até Hillary Clinton, cruzes) sejam totalmente descabidas; mas arrelia-me a constante necessidade de afirmação feminina, tanto como a constante necessidade de afirmação da gente de Hollywood. Não podem concentrar-se no seu trabalho e deixá-lo falar por si?
Ninguém tem de provar nada a ninguém, há ocasiões para tudo e cada caranguejo no seu buraco, etc. Pior que ser cabeça de vento, só fazer questão de partilhar isso com o mundo...
Wednesday, May 18, 2016
Jennifer Lawrence, cabecinha de alho chocho por excelência.
Eu não simpatizo com a persona de Jennifer Lawrence. Nada contra o seu trabalho como actriz, mas enquanto figura pública e role model deixa muito a desejar. Tudo nela me soa a tonteria desbragada, ou a falsidade para captar simpatias: das gaffes (propositadas?) às tiradas escatológicas do género Maria Rapaz armada em engraçadinha passando pelo excesso de partilha de intimidades no melhor espírito hipocritazito "eu não sou uma estrela, sou uma pessoa igual às outras!", e pela sua atitude politicamente correcta de santa padroeira da "beleza real", sem esquecer a lamuria e a histeria quando retratos privados seus vieram a público (por amor da Santa - ninguém merece uma vergonhaça assim, mas para que raio vai uma celebridade adorada por nerds e hackers arriscar retratar-se sem roupa e colocar as imagens na nuvem? É uma necessidade? What the hell were you thinking??? E ainda se vitimiza?).
Decididamente, não é o tipo de "famosa" que eu acho que mereça admiração, mas o público parece adorá-la porque afinal, é mais fácil identificar-se com comportamentos que nivelam por baixo do que inspirar-se em quem se rege pela elegância no discurso. Sinais dos tempos, mas eu continuo a preferir estrelas de classe como antigamente e daqui não me tiro.
E esta última peripécia veio confirmar a minha opinião: Jennifer é uma liberal de primeira como a maior parte dos artistas, alinhando por todas as modernices- e apoia os Democratas apesar de ter sido criada como Republicana (cá para mim, nem ela sabe de que lado há-de estar, mas adiante). De modo que embirrando com Donald Trump, como meio mundo embirra, e tendo-se cruzado com o homem numa festa, não foi de modas: corajosa como ninguém, tratou de pôr a sua equipa de seguranças à procura dele, com o firme propósito de lhe dizer "F**** you!" na cara.
Ficou-se pelas intenções pois Trump, por mero acaso, ou porque estava de saída, ou porque nem ele tem pachorra, escapou à justiceira de Hunger Games; mas ainda assim a menina tratou de contar a toda a gente. Boa. Que heroína, hein? Classy.
Que a mim a briga dá-me igual: tinha alguma admiração por Trump enquanto homem de negócios capaz de se reerguer depois de ter perdido tudo; fiquei surpreendida por o ver em tais aventuras mas de resto, em relação à política americana estou em modo God Bless America.
Porém, se o discurso Trump é às vezes adoidado e desagradável, mandá-lo a uma certa parte em público (e rodeada de seguranças) não me parece ser uma atitude muito melhor. Se a actriz não concorda com o senhor pode sempre dizer isso no Twitter para os seus milhões de seguidores, apoiar a campanha adversária, eu sei lá. Mas não. Reagir como uma fedelha desmiolada e malcriada é que é.
Poupe-me, Jennifer: a mim não me engana. Ainda há escolas de boas maneiras na Suiça para quem não levou a lição estudada de casa; talvez devesse passar por lá em vez de dizer asneiras. Que enjoo!
Tuesday, May 10, 2016
Maluqueira do dia: isto só em 2016. Mesmo.
Uma vez, comentei convosco que até a mulher mais discreta no que diz respeito às unhas (eu) mais avessa às macacadas nas ditas, a quem uma cor só um bocadinho mais vistosa já parece errada (eu!eu!), que se cinge religiosamente à tríade dos porcelanas/nudes e encarnados/burgundy (eu! eu!eu....e se calhar muitas de vós, queridas amigas) ....terá DEMASIADOS vernizes em casa. É um facto da vida.
No caso, o desagradável fenómeno do cesto cheio de vernizes que acabam por não ter uso, ou quase (cesto ou cestos; tenho um para transparentes e beges e outro para os encarnados) não se dá pela equação da variedade tão do agrado de certas almas, vulgo "olha, um novo rosa com brilhinhos" ou "que lindo verniz laranja fluorescente" (blhec e blhec)... mas na tentativa de encontrar o tom perfeito.
Ou seja, em modo "este porcelana é que tem boa cobertura" (mas vai-se a ver e fica esquisito na nossa pele) ou "este rouge noir tem o equilíbrio exacto entre encarnado e preto, sem nenhum reflexo roxo" (blhec para os reflexos roxos). Nessa ilusão, lá se vai comprando um aqui, outro ali. Isto para não falar nos conjuntos de maquilhagem que nos ofereceram e que incluíam vernizes de que não gostávamos mesmo. Ou seja, quando damos por nós precisamos de fazer uma triagem. Triagem essa que, como é óbvio, obriga a experimentar para saber o que fica e o que vai, pois já se sabe: o que resulta mortiço, berrante ou -(vade retro, lagarto lagarto, abrenúncio) quase asserigaitado na nossa mão, pode funcionar lindamente e parecer sóbrio na amiga que é mais morena, por exemplo.
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| Tipo, assim *benze-se* |
Estava nisto e acabei com as unhas da mão esquerda cada uma pintada no seu tom de nude: uma bege claro, outra porcelana clarinho, outra café au lait, e assim por diante, numa curiosa gradação. E
deu-me vontade de rir pensar que o que para mim é experiência para deitar vernizes fora, para outras pessoas seria um trabalho de manicura todo original que pediriam no salão. Era só passar um top coat e pronto, podia arrasar por aí como elas dizem. Mesmo assim seria uma coisa discreta, mas passo.
Que tempos estes, em que borrar as unhas é um "efeito"...
Sunday, April 24, 2016
Como desencadear a III Guerra Mundial em 24 horas
Imaginem esta: por 24 horas, vocês eram obrigados a ser totalmente sinceros, transparentes e desbocados, mas só nas redes sociais. E já se sabe, todo o mundo tem - a não ser que limite muitíssimo a sua rede de "conhecidos"- certos tipos de "amigos" virtuais. A mãe babosa, a solteirona desesperada, o taradão, o coitadinho, a ressabiada crónica, o gabarolas, a destravada, o político amador, o sabe-tudo, o Capitão óbvio, o Carlão personal trainer, o filósofo ou poeta de esquina, a Kim Kardashian de feira, a ovelha ranhosa da família, o casalinho pegajoso, a cougar assanhada, e assim por diante - um mar de gente sem noção que está mesmo a pedi-las.
Não seria preciso nem permitido inventar, exagerar, recorrer a insultos ou palavrões. Tão pouco ser maldoso (a) por embirração ou ódio de estimação. Simplesmente pegavam no vosso mural e comentavam o óbvio (que toda a gente pensa mas não tem coragem de dizer) por ali acima e por ali abaixo, francamente, sem filtro, dizendo tudo o que já vos apeteceu mas não viu a luz do dia para evitar melindres e conflitos. Escrevendo todos os monólogos interiores que tiveram com os vossos botões enquanto faziam um discreto "unfollow" para pararem de ver os disparates daquela alma que coitada, até não é mau diabo mas não tem muita noção.
Deixavam ali tudo discriminadinho, franquinho e detalhadinho que era um alívio.
Calculem o que seria dizer a uma "isso não são modos de uma senhora se expressar em público, sua grosseirona" e a outro "deixe lá de mandar bocas à sua ex - parece uma menina piegas e toda a gente já percebeu", a outro ainda "em vez de debitar política de bancada, vá mas é vigiar o facebook da sua filha adolescente que aquilo é uma pouca vergonha"; à filha desse, "é incrível- quanto mais desengraçada uma pessoa é, mais selfies posta"; à atiradiça de serviço, fazer photo comment com aquele velho meme "pare de partilhar frases de amor - todo o mundo já percebeu que é uma oferecida desesperada"; à serigaita que posta trinta duckfaces por minuto a ver se lhe chamam "lindona", declarar "lindona onde??? Irra, não precisamos de ver o mesmo descalabro com todas as cores de filtros que existem".
Aos pais babosos e maçadores "newsflash, todo o mundo tem filhos e salvo raríssimas excepções os bebés parecem umas sandes de salame quando nascem; a julgar pelos progenitores, o vosso tem fortes chances de ser sandes de salame toda a vida. Além disso, bons pais não têm tempo para passar o dia nos social media"; aos doidinhos do detox, "não se nota efeito nenhum. Sabes tão bem como eu que isso é tudo treta e que a seguir te atiras às bolas de berlim".
À doidivanas que partilha indirectas a dizer que nenhum homem presta, "a culpa é tua; se te vestes como uma stripper e te portas pior que elas, não podes atrair ninguém de jeito"; às taradonas que publicam memes "pornochancheiros, mas românticos" daquelas páginas para adultos, "por favor, arranje rapidamente quem lhe resolva o problema. Que vergonha, demonstrar tais carências em público"; aos casalinhos xaropentos e melosos que têm longas conversas em público a dizer "amo a ti meu xuxuzinho" quando namoram há umas semanas, "estou muito feliz por vós. Agora fazei o favor de continuar a piroseira via mensagem privada. A vergonhaça será menor quando se zangarem daqui a um mês, como aconteceu com os vossos namoricos anteriores".
Aos que, por outro lado, ostentam qualquer novidade pequeno burguesa feitos novos ricos, "não tens medo que te assaltem, com tanta tafularia? Parece que nunca viste nada, ó deslumbrado (a)" e finalmente, aos que só são amigos dos outros para pedir likes nisto e naquilo mas nunca participam em nada, nunca devolvem as gentilezas e se for preciso passam pelos "amigos" na rua e fingem que não os conhecem, deixar uma mensagem a dizer "eu não sou amiga de gente esquisita e venha- a -nós. Unfriend" (esta já fiz, mas não deixei mensagem; limitei-me a desamigar como uma cobardolas).
Sabia bem, não sabia? Só as pessoas sensatas escapavam à tareia psicológica. Mas era o fim do mundo porque os cidadãos (e cidadãs, claro!) de hoje podem até não ter brio em nada, mas ai de quem belisque o seu perfil virtual. Pimba, começava a troca de impropérios logo ali.
Mas esperem, ainda não acabei: durante esse dia, era obrigatório - sob pena de exclusão perpétua das redes sociais, e poucos quereriam isso - TODA A GENTE fazer a mesma coisa. E é claro que eu estou certa de que vocês, meus amigos e minhas amigas, são senhoras e cavalheiros de bom senso que não publicam nada que não possa ser visto ou caia no ridículo. Mas ou por retaliação, ou porque enfim, defeitos e maus momentos calham a todos, ou porque gostos cada um tem os seus e há muita gente de mau gosto, vocês recebiam de volta alguns "mimos". E eu também. Estou mesmo a imaginar os "mas a Sissi tem algum direito de andar para aqui a gozar com toda a gente???". Zás, quem vai à guerra dá e leva. Toma e embrulha, em modo "quem diz o que quer ouve o que não quer". Aposto que nenhum de nós ia gostar disso, ai não.
E tal como vós, os políticos, os líderes, os influenciadores, em suma, os movers and shakers deste planeta desatavam a fazer o mesmo uns aos outros. Tínhamos a cólera. Irra, tínhamos a peste. Um verdadeiro apocalipse em pó a que bastava juntar água. Lá dizia Confúcio que franqueza sem delicadeza é grosseria, e mais no seu tempo não havia nada disto...
Saturday, April 16, 2016
Liliane Marise, a mulher da luta por excelência
É tão raro brincar ao karaoke sem ser em casa, mas eis que, como me convidaram para conhecer um simpático bar vintage e family friendly, lá fui...e aprendi logo alguma coisa. Isto de observar as pessoas é sempre giro...
Em tempos eu comentei por aqui que muito me espantava que uma rapariga com tão bom ar como Maria João Bastos conseguisse fazer o papel de cantora pimba, mas como não vejo novelas acabei por não prestar atenção à personagem Liliane Marise, que parece que fez grande sucesso....
Entretanto alguém se lembra de cantar as tais Pancadinhas de amor e na nossa mesa, a letra que estava a passar deu para rir e pano para mangas...olhem que aquilo é profundo. Tira-se dali a grande moral da história "havia de valer de muito".
É que a cantiga não fala de qualquer maroteira tipo 50 Sombras, como eu julgava, mas de uma mulher que se apaixona por um playboy incorrigível e o mantém na ordem à força de pancadas (boa...). Ou seja, Liliane Marise não se limita a ser pimba: é uma mulher da luta com todos os traços típicos. Ora vejam:
O meu amor era muito atrevido
Tinha fama de grande saltitão,
Mas eu disse-lhe que estava perdido
No dia em que me fisgou o coração
Pedi-o logo em casamento....
Ena, notem bem: não foi ele que a viu e ficou rendido, mas a boa da Liliane Marise que teve o coração fisgado por um rapaz que ainda por cima tinha má fama antes sequer de saber se ele estava interessado nela. Bela receita! Jane Austen bem avisava que nenhuma rapariga deve apaixonar-se antes de saber que o cavalheiro em causa gosta dela (ou Carlão, neste caso; namorado de uma Liliane Marise tem de ser um Carlão) quanto mais pôr-se assim a jeito.
E pedi-lo em casamento? Mais uma adepta dessa modernice disparatada de as mulheres tomarem a iniciativa como umas desesperadas. Não admira que o rapaz não tivesse emenda mesmo: um doidivanas dificilmente se corrige, quanto mais se não está assim muito interessado e fica com a rapariga que está à mão.
Todos os dias era uma aventura
O que ele queria era andar na festa
Mas eu não sou mulher de amarguras
E muito menos de coisas na testa
Um puxão de orelhas com jeitinho
Na altura certa é sempre bem dado
Traz de volta todo o juizinho
À cabeça perdida do teu amado.
Se te portas mal, vai haver terror
Se te portas mal, tu vais sentir dor (o refrão é do melhorzinho, tenho de admitir).
Sim, sim, Liliane Marise. Passar a vida com medo de ter coisas na testa (que termo mais detestável) deve ser cá uma felicidade...
Se um homem não tem juízo, se não se porta bem por livre iniciativa, há-de valer de muito correr atrás dele, vigiá-lo e mantê-lo na linha com puxões de orelhas (finalmente percebi: deve ser para isso que as serigaitas querem as unhas grandes; para isso e para esgatanharem as rivais. Um puxão de orelhas com unhacas dói que se farta). Por muito grande que seja o "terror" é esforço baldado: tenho visto casos e mais casos desses. A única utilidade disso é pôr as pessoas a rir com a figura da mulher da luta. Mulher da luta assumidíssima, reparem:
Os homens custam a ter poiso certo
A não ser que ponhas rédea curta
Nem sempre fazemos o correcto
Mas o que importa é ganhar a luta.
Os homens não custam a ter poiso certo. Só quando não querem ter poiso certo *ainda*, ou não estão realmente interessados, ou estão perante uma serigaita que não é digna de um compromisso, ou são uns desmiolados sem remédio, ou rapazinhos que não prestam. Se forem homens de família, de valores e estiverem realmente apaixonados, não querem outra coisa nem precisam de rédea curta. Uma mulher que se dá ao respeito e escolhe com propósito não precisa de ralar a sua linda cabecinha a dar avisinhos, pancadinhas e puxões. Confia até prova de contrário (pois de surpresas ninguém está livre) e caso se tenha enganado - acontece às melhores - o único puxão a dar é para arrastar o biltre, se necessário for, para o olho da rua. É que se é preciso lutar, a luta nunca está ganha. Para ficar ao lado de alguém que exige tais lutas, tem de se abrir mão da dignidade e do sossego. Como é que alguém é capaz sequer de gostar de um mulherengo das dúzias é coisa que me ultrapassa.
A Liliane é um boneco, claro; mas o que há para aí de "Lilianes" que pensam exactamente como ela, a precisar desesperadamente das nossas orações, não está escrito.
Friday, March 4, 2016
Um sentimento pouco Cristão:"não vou com a tua cara"
Esta semana, antes de jantar, alguém disse de um actor qualquer que muito inocentemente, a fazer pela vida, anunciava não sei quê na televisão (batatas fritas, creio): não suporto este tipo! Não o conheço,não vejo os programas dele, mas acho-lhe cara de filho da mãe e se o encontrasse ia ter vontade de lhe dar um soco.
A veemente afirmação não tinha nada a ver com o homem ser bonito ou feio (cara mais normal, não pode haver) nem com o seu talento/profissionalismo ou falta dele, dados que não era possível avaliar já que não se assistiu ao trabalho da criatura salvo nos tais anúncios.
Trata-se de uma embirração humana e legítima,mas sem explicação: o sentimento de "não vou com a tua cara".
Em defesa dessa teoria, os chineses acreditam no feng shui do rosto e por cá, os antigos tinham ideias semelhantes. A avó, por exemplo, era grande crente em dados de profiling que me transmitiu por osmose, como "cuidado com os rapazes que tenham sobrancelhas de ciumento" (espessas e unidas). E no tempo dos Tudors e mais além, acreditava-se que pele e cabelo claro traduziam um temperamento mais dócil, por oposição ao cabelo negro ou pele morena, sinal de mau feitio. Isto sem esquecer certas teorias forenses do estudo das feições, hoje oficialmente descartadas como preconceituosas.
E lamento dizer isto, mas há alguma verdade no assunto - principalmente se a implicância for de facto inexplicável e imparcial, ou seja, não motivada por aquela pessoa ser parecida com alguém que nos tenha causado dissabores. Quando sem motivo aparente não simpatizo com a fronha de alguém, raramente me engano. É que até sou dada à paz,não vejo o mal em todo o lado; logo se me dispara o ordinarómetro ou o sacanómetro (detector de sacanas) geralmente há motivo...
Dou-vos dois exemplos: a senhora mãe sempre teve pó a Sean Penn. Por mais que lhe digam que é um grande actor e que se ele arriava na Madonna a culpa não há-de ter morrido solteira, acha-lhe cara de rufia de bairro ou de vândalo do liceu a quem apetece dar um estalo, e nada feito.
Depois, eu própria: além de dada à paz, sou toda pela diversidade na beleza e perfeitamente capaz de elogiar a formosura feminina (tenho outros defeitos, mas competição gratuita não é comigo). E no entanto, tendo mesmo assim a embirrar com certas almas, famosas ou não- no sentido de não as achar nada de especial, vulgo "se fosse homem,não olhava para esta serigaita duas vezes".
Ora, sem ver novelas nem dar atenção às idas e vindas de protagonistas, há tempos reparei numa destas "namoradinhas" que de repente ficam na moda, vendida ao público como uma beldade. E eu cá comigo, sem conhecer a pequena que não se pode dizer que seja feia, que não me lembra rigorosamente ninguém conhecido nem me fez mal nenhum, sempre lhe achei um ar de colega de escola irritantezinha, ou de sopeirita, ou do tipo nacional que Eça de Queiroz descrevia, com certo desprezo, como "trigueirota, miudinha e morena que nem um velho pataco". Daquele moreno que é mais lama do que bronze...
Depois vesguita, um certo quê de sonsa atrevida, de quem não parte um prato mas escangalha a cristaleira toda. E dali a uns meses, a imprensa cor de rosa tratava de confirmar a minha impressão...a rapariguinha portou-se meeeesmo mal.
Neste caso tinha razão,mas às vezes quem vê caras não vê corações. E não esqueçamos que sendo uma liberdade inalienável embirrar com caras, há sempre quem possa não ir com a nossa por mais injusto que isso seja. É um direito parvo, mas temos de o respeitar.
Saturday, February 20, 2016
As avós têm MESMO sempre razão.
Há tempos falei-vos na mania de dormir com mantas e cobertores pesados e consistentes, táctica instintiva mas infalível da avó a que nenhuma insónia de criança resistia. E vá-se lá saber porquê, ainda hoje se me querem ver em modo off é atabafarem-me com um cobertor que não seja leve. O truque resultava tão bem comigo e com os meus primos que já dei por mim a pensar que o melhor presente para um baby shower são mini cobertorzinhos e mantinhas aconchegantes: descanso garantido para pais de primeira viagem!
E por estes dias, cá em casa disseram-me que afinal não era mania, eu tinha mesmo razão. Ou melhor, a minha querida avozinha é que nunca se enganou. Não é um mito, isso de a roupa de cama "pesada" ajudar a dormir melhor. Segundo alguns especialistas, é um santo remédio contra a espertina, o stress e a ansiedade. "Terapeutas ocupacionais têm observado que enquanto um toque leve alerta o sistema nervoso, a pressão profunda é relaxante e calmante. Um cobertor pesado molda-se ao seu corpo como um abraço caloroso. A pressão também ajuda a relaxar o sistema nervoso".
Por isso, se têm dificuldades em conciliar o sono ou crianças que não pregam olho em casa, antes de recorrerem a remédios ou terapias mais exóticos, considerem pôr de lado a roupa "térmica extra leve" e dar uma chance aos cobertores "de papa", às colchas fofas, às mantas de retalhos e aos edredons da arca do enxoval (aqueles que custam imenso a levantar para fazer a cama). À falta disso, até o IKEA vende umas versões actuais bem pesadotas e macias. Uns almofadões e travesseiros bem grandes também ajudam. É cair nos braços de Morfeu enquanto o João Pestana esfrega um olho.
Sunday, January 10, 2016
Visto ontem (e deu-me vontade de rir a tarde inteira)
Uma pessoa vai parar a um centro comercial ao fim de semana, em dia de chuva, em época de saldos - má receita, não é? Ainda por cima ao mais popularucho da cidade, onde cai meio mundo e *literalmente* arredores. Mas foi mesmo necessário ir trocar uma engenhoca à FNAC, logo eu que embirro com engenhocas e com shoppings pejados de gente...
Podem imaginar o fim da picada para encontrar estacionamento. Um longo e precioso bocado que ninguém me devolve queimado piso-acima-piso-abaixo, a jogar ao "encontre as leggings espampanantes" (brincadeira estilo "Onde está o Wally?" que consiste em detectar quem anda de ceroulas em público) para passar o tempo. Claro que dada a assistência, rapidamente o jogo se tornou em "encontrar quem não está com as ditas...".
Estávamos nisto, já a perder a paciência, quando no apinhado estacionamento ao ar livre do piso superior nos deparámos com a cena acima, a que a câmara não pôde fazer justiça...
Ora imaginem: um pobre jipe que não fez mal a ninguém com a bagageira atafulhada até às bordas de sacos da Primark e um mulherão nutrido de leggings tigresse a bater furiosamente nos ditos para lá enfiar mais alguns, com (como diria a avó, Deus me perdoe que isto não é a fazer troça mas foi mesmo engraçado) o barrigão de gelatina a abanar sob o tecido às bolinhas enquanto PAF!PAF! amachucava os sacos. (Mais tarde enchi-me de coragem para espreitar o que estaria assim com um desconto tão grande na Primark que justificasse abastacer-se daquela maneira, mas não vi nada; suponho que não tenham lá ficado umas ceroulas para amostra...).
Depois, sempre a barafustar e a mandar vir, atirou-se para dentro do todo-o-terreno, que -palavra de honra, não é exagero- tremeu e abanou como um barco empurrado por um vendaval.
E lá saiu sempre a ralhar com o desgraçado do marido, que tinha estado a sofrer-lhe tudo com paciência de Job, sem erguer a cabeça, como quem diz "ó mulher, eu não te conheço"...ainda pararam duas vezes para compor melhor a carga, que decerto estaria a cair para cima da velhota e do pequeno que viajavam no banco de trás...e de todas as vezes, a megera barafustava mais!
Fiquei sem saber o motivo da discórdia - provavelmente achou que o marido não era paciente que chegasse (quantos há que se recusam a pôr os pés numa loja, quanto mais!) ou que depois de tudo aquilo ainda lhe faltava alguma coisa, ou que teria sido melhor ideia trazer uma carrinha comercial, daquelas dos feirantes, para acomodar melhor toda aquela tralha...mas o homem, nem piu. O que me fez pensar que há maridos muito bananas neste mundo, ou que casam mal enganados.
Às tantas - isto já é a minha imaginação a trabalhar - o desinfeliz namorou-se dela nos anos 80, quando as leggings ficaram inicialmente na moda e se calhar a gorducha refilona parecia apenas uma rapariga cheiinha cheia de personalidade, que lavava cabeças no simpático salão do bairro e fazia covinhas na cara quando sorria com ar de serigaita. Apanhou-se casada, continuou cheiinha mas acrescentou mais uns valentes quilos, a cintura foi-se e como todas as loureiras do género vai de se revelar má como as cobras e azeda como um limão. Dos ilusórios primeiros tempos, só restaram as leggings tigresse para contar a história...
Já que não podia "des-ver" o que vi, ao menos entretive-me, que querem...
Monday, December 14, 2015
Só me faltava cá esta: Smarties que sabem a perfume
Cada dia, uma novidade. E há novidades que só servem para nos arreliar. Eu cá não sou muito de Smarties, aliás- cá entre nós gosto muito de chocolate, mas nem tanto de chocolates. Mais facilmente aprecio um brownie ou uma mousse ao lanche (se é para comer doces, que seja quando é preciso consumir calorias) do que me deixo tentar por bombons ou tabletes, excepção feita ao chocolate preto para petiscar entre refeições. Mas pronto, se houver Smarties, Maltesers, Pintarolas ou qualquer outra coisa também não digo que não, que torcer o nariz a tudo torna as pessoas amargas e maçadoras, cheias de "não me toques que me desafinas".
Esta semana alguém se lembrou de trazer esses comprimidinhos coloridos e, apetecendo-me um com o café, ia a estender a mão para a caixa...eis que me avisam: "olha que já provámos e essas Smarties sabem a perfume". Say what? Está bem que agora andam na moda umas maluquices exóticas: flores comestíveis (não tão exótico para quem cresceu no campo, conheço umas quantas que se podem comer sem cair para o lado) água tónica com sabor a violetas ou coisa que o valha... e por aí. Mas Smarties a saber a perfume pareceu-me um exagero. É certo que agora já tentam impingir às crianças lanchinhos biológicos e que se tira o açúcar e o sal a tudo, mas daí a acrescentar burguesices e hipsterzices às pobres das Smarties, uma coisa tão infantil, tão inócua, tão cuti-cuti...seria um crime contra a nostalgia da nossa infância.
Assumi que quem provou devia ter comido pastilhas ou bebido chá de menta antes, criando essa estranha impressão. E aventureira como de costume, lá provei uma Smartie amarela - porque com essa cor não podia ter sabores esquisitos, pois não? Lá que fosse violeta ou azul, ainda vá; esses tons costumam encerrar algumas surpresas. Mas com o amarelo é impossível errar...achava eu.
Pois, meus ricos amigos: rompida a barreira de corante que dá acesso ao chocolate tão característico que todos conhecemos, eis que aquela bodega sabia mesmo a perfume! Ou a sabonete (que atire a primeira pedra quem nunca provou sabonete em pequeno, acidentalmente ou não), ou a creme extra perfumado - a produto de higiene, em suma. Foi assim um momento à feijões de mil sabores do Harry Potter.
Não sei se houve erro na fábrica ou se a marca perdeu totalmente o juízo, o certo é que não toco em tal coisa tão cedo. Gosto muito de cosméticos, mas não para os consumir desta maneira...a não ser que a Smarties venha garantir, por A+B, que a novidade se destina a lavar a alma, a dar aqueles "banhos por dentro" de que falava o João da Ega.
Friday, December 11, 2015
In analgesicus veritas (porque já nada me admira)
Bem se diz que isto da saúde é de levantar as mãos para os céus e dar muitas graças todas as manhãs. Até no que se refere a achaques sem importância, mas capazes de deixar uma pessoa prostrada de todo por um dia ou dois. É que num momento está-se contente, feliz e saltitante, a transbordar de energia, sem sequer se lembrar que se tem costas, apenas para se baixar no seguinte a apanhar qualquer coisa e erguer-se...com uma pontada que mais parece uma espadeirada à traição.
Ou que alguém arranjou uma boneca voodoo à imagem e semelhança do alvo, onde se diverte a espetar agulhas e alfinetes, lagarto-lagarto. E aí repara-se "ai, tenho costas". E dá-se o valor a andar sem dores, com uma postura impecável e desempenada, algo que se toma por garantido.
Foi mau jeito a fazer ginástica, é do frio, é ar e vento que entrou no corpo (as velhinhas das aldeias tinham uma benzedura qualquer contra isso, "ar amaldiçoado, ar excomungado, qualquer coisa qualquer coisa sai deste corpo baptizado", etc, se não estou em erro) é de velhas maleitas de coluna mercê de um aparatoso acidente há muitos anos (porque se é para uma pessoa ser atropelada, ao menos que seja em grande estilo e com pormenores cómicos, mas isso é assunto para outro post), o certo é que dói que se farta e fica-se ali a parecer o pobre Quasimodo. Com vontade de lamentar, como dizem as pessoas no campo "ai a minha espinha!" (há quem diga que é o termo técnico, mas a mim soa-me sempre a conversa de peixe, não de gente).
Endireitar-se, isso é que era bom. Subir escadas, não querias mais nada? Rodar a cintura quando alguém chama, que anedota. Pegar no gato ou nos sacos das compras? Nem pensar! E treinar, como previsto? Forget it!
De modo que, para evitar entupir o hospital, consultório ou centro de saúde, que já não têm mãos a medir com gente realmente aflita, fora os hipoconcríacos e as idosas que lá se juntam na emocionante competição "eu sou a mais doente da freguesia!", há que atacar com carvão vegetal, anti inflamatórios e analgésicos daqueles mais fortezinhos até perceber se é caso para chamar o tinoni.
Mas embora por cá os nossos medicamentos não tenham o efeito dos americanos (não é só nos filmes; alguns nativos dos E.U.A. têm-me contado que tanto nas anestesias do dentista como nos pain killers, os marotos colocam substâncias que fazem rir e deixam quem os toma a flutuar, totalmente grogue - eta, povo divertido) algum side-effect hão-de ter.
De forma que depois de uma dose de Brufens, outra de um daqueles comprimidos à Dr. House e outra de sono reparador, quando alguém diz "isto assim não pode continuar, amanhã vamos às urgências" é muito natural que se tente responder "está bem, se não passar liga-se de manhã para o centro de saúde". Mas com a cabeça a andar à roda e em modo trocado, o que sai é "se não passar, liga-se para o Correio da Manhã!".
And yet...se calhar, in analgesicus veritas. Como se não bastassem as pessoas que quando adoecem, nem que seja com uma simples constipação, tratam de relatar o caso em pormenor nas redes sociais ("unha encravada outra vez...descanso forçado", ou "já gastei três caixas de lenços, sou o mais ranhoso da freguesia!" coisa sempre glamourosa de se ver, quando não é a falar de problemas mais repugnantes e mais íntimos; as velhinhas que adoram queixar-se ainda não descobriram o potencial do facebook, tremam se chegarem a descobrir) os jornais vão pelo mesmo caminho.
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| Doi-me tudo, agora quero likes de simpatia senão morro! |
O que não faltam são notícias perfeitamente insignificantes: que aquela sub-celebridade tem dor de dentes (o que os "jornalistas" traduzem por ter sido "hospitalizada de urgência") ou que, como vi há dias, dois irmãos andaram à facada na Brandoa. Palavra que fiquei parva como é que isso é notícia: se fosse noutro sítio, admirava-me. Se tivesse havido feridos ou mortos, vá. Se fosse "dois irmãos andaram à facada em pacífico templo budista", valia pelo invulgar. Agora, como os irmãos brigam sempre, é natural que numa zona toda radical o façam de forma um bocadinho mais extrema, isto sem defender cá violências. E porque não me ocorrem outras não notícias para exemplificar.
O que interessa é que não tarda, quem está adoentado sente-se no direito a ser notícia de primeira página, com centenas de likes e comentários no face do Correio da Manhã e do JN, do estilo "doente, tu, ó vigarista de...? Eu é que sei como estou e ninguém me dá protagonismo! Corja de ladrões".
Tuesday, December 8, 2015
Brilhante conclusão de ontem: contra pestes, nem viajando no tempo
Estava-se ontem ao serão a cozinhar com a TV ligada a pasmar só porque sim para Sleepy Hollow (sinceramente, acho que a história - aliás baseada numa verdadeira lenda local, contou-me uma pessoa que era dessas bandas- é fantástica mas é daquelas que funcionam em filme, faz-se uma vez e está feito; em série não resulta) e as personagens, por culpa de um feitiço, vão parar ao século XVIII.
E eu, que sempre fui fascinada por viagens no tempo (por mim ia passar férias a outras épocas, como já vos contei) lembrei-me de dizer: "não seria bom poder pegar nas pessoas aborrecidas e mandá-las para o passado, onde não maçassem ninguém?".
Pois sim, cortaram-me logo o brilhante raciocínio com um "irra, não! Haviam de arranjar maneira de dar cabo do futuro!".
E é verdade. Pensem na pessoa mais incómoda e malvada que conhecem. Agora imaginem que a enviavam para uma época mais recuada, achando que longe da vista, longe do coração e que a alminha penada (sem telemóveis, sem facebooks, sem meios para regressar ou contactar) nunca mais causaria distúrbios.
Erro crasso. A não ser que a criatura fosse totalmente burrinha e desmemoriada (e mesmo assim não juro, que para o mal dá o diabo habilidade) havia de estar na posse de algumas informações sobre o futuro, perdão, o presente.
Claro que sendo má rês, arranjaria maneira de as utilizar a seu favor, associando-se às piores personagens do tempo, quanto mais não fosse para subir na vida e atormentar os pobres coitados com quem se cruzasse. Muito provavelmente, mudaria o curso da História e ainda que o fizesse de forma que não tivesse directamente a ver connosco, de certezinha absoluta que ia dar asneira na mesma e acabaríamos por pagar as favas.
Moral da história: há que lidar com os problemas aqui e agora, porque a ruindade é resistente como as baratas e conserva-se como o vinho do Porto...
Saturday, September 19, 2015
Canções que me intrigam # 3: o carrapito da Dona Aurora
Acreditam que desde que publiquei este post , a cantiga d´O Carrapito da Dona Aurora não me sai da cabeça? Vou a fazer qualquer coisa e zás, lá me sai "o Carrapito da Dona Aurora/é tão bonito /fica-lhe bem".
Sempre achei muita graça à canção, mas está a começar a entrar-me nos nervos: não só porque é aborrecido ter uma cantilena a passar-nos na mente non stop (estilo playlist irritante de rádio com os sucessos mais descartáveis do momento) mas porque O Carrapito da Dona Aurora é uma daquelas músicas que desde pequena me levanta montes de perguntas.
Tal como a Moda das Tranças Pretas, o Lá em cima está o Tiro-liro-liro/ cá em baixo está o tiro liro ló (que nunca percebi quem ou o que eram), o Badun-badun -badero, o Baile da Dona Ester ou o Malhão-malhão (estou para descobrir até hoje quem seria o bon vivant cuja vida era comer, beber e passear na rua) e outras.
Na infância a Zumba na Caneca também me intrigava imenso mas enfim, mais tarde lá percebi que era alguém a beber para esquecer um amor que queria tanto e o angustiante dilema ficou resolvido.
What the hell? A nossa música parece especialista em letras estilo charada.
Voltando ao Carrapito da Dona Aurora, sempre me perguntei se este ode ao penteado da senhora seria o relato de uma peripécia local que aconteceu mesmo. E se é o caso, a letra é a fazer troça ou a lamentar o ocorrido? Os postiços estavam terrivelmente na moda no sec. XIX (semelhantes às extensões clip in que agora se usam) e o próprio Eça de Queiroz lamentava o seu excesso, que não só estragava a elegância como fazia pesar a cabeça e as ideias às mulheres; por isso, talvez a rima seja uma espécie de crítica social com origem nesse tempo.
E de qualquer forma, como é que algo tão privado como as extensões de cabelo de uma mulher anda na boca do povo?
"Ai dona Aurora/soube-se agora/que era postiço/e ninguém sabia"
"O carrapito da Dona Aurora/quando dormia foi-lhe tirado/
foi o marido da Dona Aurora/ que o deitou fora incomodado."
Porquê, homem, porquê uma maldade dessas?
É sabido que maridos e namorados, quando feridos no seu brio, no seu orgulho ou, mais comum, no seu mimo, podem ser umas criancinhas e vingar-se das maneiras mais infantis. Talvez quisesse retaliar por alguma afronta que a esposa lhe tivesse feito. Ficasse ciumento da atenção que a bela cabeleira da Aurorita provocava junto dos outros. Pensasse, como Eça, que os postiços eram ridículos. Ou andasse fartinho de que a mulher não tirasse o toutiço nem para dormir! Também não podemos pôr de parte a hipótese de a D. Aurora ter casado com um brincalhão, desses que adoram pregar partidas e não levam nada a sério. O certo é que se sentiu incomodado e nem teve hombridade de lho tirar na cara. Esperou que ela adormecesse e sorrateiramente, surripiou-lho.
De todo o modo, fosse hoje e a D. Aurora podia fazer queixa da cara metade por violência doméstica: estragar objectos pessoais do outro conta como forma de intimidação. Havia de ter graça inventar-se outra estrofe com o marido a ser interrogado pelas autoridades na esquadra e o caso a acabar nas páginas do Correio da Manhã...
Thursday, September 3, 2015
Menino não entra: 10 coisas que as mulheres fazem melhor sem eles
Sem subscrever aquela horrível máxima "uma mulher precisa tanto de um homem como um peixe precisa de uma bicicleta" há actividades que é melhor mesmo deixar para quando "eles" estão ausentes. Se há situações em que ter ao lado o pai, cara metade ou irmão facilita imenso, há outras, que, bem...não vale a pena pedir a um homem que faça o trabalho de uma mulher.
1- Compras
Há cavalheiros que são uns amores, amigos de fazer vontades, uns anjos de paciência, até gostam e ainda por cima são capazes de oferecer presentes já que lá estão (conheci alguns assim, incluindo o meu querido avozinho). Mas há que ter consciência de que esses espécimes são raros entre a população masculina hetero...
Confesso que actualmente, eu própria não tenho paciência para longas maratonas a correr lojas, por isso dá-me muita pena ver os pobres coitados com cara de sofrimento. Depois, entre as reacções que dão vontade de rir ("não demoramos, pois não?") as autoritárias ("temos uma hora para despachar isto!") queixinhas ("doem-me os pés...quero sair daqui para fora!") apressadas ("fica bem, fica; podemos pagar e sair?") de desespero ou ainda, em casos limite, de forretice com o dinheiro alheio ("tanto por umas botas?? ") o mais certo é ninguém se divertir.
Por isso, nesses dias mais vale não os arrastar, ter um momento "amigo não empata amigo" deixá-los voar felizes para qualquer antro masculino (estádio, stand de autómoveis, clube...) e ir sozinha, ou levar as amigas.
2- Exercício
Há casais que estabeleceram uma rotina juntos e funcionam bem (e modalidades, como a corrida, que se prestam mais a ter companhia) mas se não é um hábito, se calhar será boa ideia pensar duas vezes antes de o introduzir no maravilhoso mundo do seu fitness.
Primeiro, porque ninguém parece exactamente glamourosa a exercitar-se, por mais roupas de ginástica sexy que se inventem; depois porque caso o rapaz não seja propriamente um atleta, vai fazer uma figura menos que lisonjeira e ficar atrapalhado.
E se é - ainda que ele jogue rugby e você faça pilates - poderá, com a melhor das intenções, dizer que a menina não está a alongar como deve, que aquele movimento não foi bem executado... ou ficar ferido nos brios e esforçar-se o triplo em algo que não está habituado só para não parecer mais fraco que uma mulher. Um casal amigo tentou e acabou com ela a ser atingida por um peso na testa. Deixou uma marca tipo queimadura que durou uma semana...
3 - Rotinas de beleza
No tempo das nossas avós estava mais presente a ideia de que há coisas que um homem não deve saber como se fazem. Ou seja, cultivar uma beleza natural em casa (não custa nada lavar a cara, dar um jeito ao cabelo e passar um bálsamo nos lábios antes de lhe aparecer) e deixá-los acreditar que as coisas mais elaboradas são trabalho divino.
A verdade é que eles preferem não saber, e se há gestos que até são bonitos (escovar o cabelo, retocar o rosto) a tudo o que envolva rolos na cabeça, longas maquilhagens, máscaras, ceras e manobras pouco favorecedoras com cheiro a amoníaco é melhor aplicar a máxima "a ignorância é uma bênção". Assim como assim - a não ser que tenha um namorado/marido cabeleireiro ou maquilhador profissional - eles só atrapalham.
4- Levar trabalho para casa
Teses, relatórios, artigos, apresentações...ele vai tentar ajudar, claro. E vai meter colherada. Se calhar sugere uma frase ou outra, diz que a formatação não está bem feita e entra em modo eu é que sei, o que convida logo à resposta torta "é o meu trabalho, não preciso de sermões". O que é normal acontecer quando se está stressada, e se alguém levou trabalho para casa é porque anda com falta de tempo, logo não se sente com muita paciência. Há quem consiga trabalhar bem em equipa nestas circunstâncias, mas...
5 - Quaisquer circunstâncias que a deixem descabelada, em preparos pouco apresentáveis
6- Qualquer coisa vagamente masculina ( se por orgulho se rejeitou a ajuda deles)
Se fez ponto de honra de montar aquela estante sem ajuda, ou de mudar um pneu, usar o berbequim para pendurar uns quadros...então desembarace-se mesmo sozinha e quando não houver homens por perto. Eles vão tentar vir em seu socorro. E rir-se da estante que abana por todos os lados, o que é amoroso, mas irrita. Ou pede ajuda, ou manda fazer, ou morde o pó da derrota e perde com fair play. Eles adoram ganhar, por isso mais vale deixá-los. Assim como assim diz-se que as mulheres que não precisam de ninguém para coisa nenhuma não têm tanto sex appeal...
7 - Incidentes (lagarto, lagarto) que envolvam doenças, cortes, etc
A não ser que ele seja médico, enfermeiro, socorrista ou tenha um sangue frio fora do vulgar. É que é raro haver um que não se aflija ao ver sangue ou lidar com remédios e hospitais. É paradoxal como os homens sempre foram à guerra, mas se arrepiam todos com essas coisas. Faça a sua melhor cara, tape o desastre e peça-lhe que vá pôr o carro a funcionar ou buscar ajuda, antes que ele a contagie com o seu pânico.
8- Preparar aquela receita ultra secreta da sua avozinha
Principalmente se o senhor em causa (seja namorado, pai, marido...) é chef, ou sabe cozinhar, ou sabe preparar qualquer coisita mas tem a mania que é chef. É que vai dizer que ele é que sabe trinchar um frango, que a receita que está na sua família há gerações ficava mesmo bem era com umas passas e umas especiarias, que o forno está quente e é perigoso, que devia fazer assim e assado...peça-lhe que ponha a mesa, que vá comprar bebidas ou ingredientes para aquela sobremesa fantástica que ele aprendeu nos anos de faculdade ou com os compinchas da tropa/caça/futebol, e até já.
9 - Vestir-se
Salvo se ele for um personal stylist ou tiver um gosto irrepreensível, peça-lhe só uma opinião quanto ao resultado final.( Caso o envolva muito no processo, pode ouvir o que não quer ou sair com a primeira coisa que vestiu, por pior que seja, porque ele só pensa em despachar-se). Os homens não têm muito olho para detalhes, mas são excelentes a perceber se algo é apropriado ou atraente, portanto mais vale contentar-se com isso. Depois ainda há os que não percebem do assunto mas acham que sim, tipo Kanye West. A esses não convém mesmo dar liberdade para opinar muito...
10- Limpezas e arrumações na mesma divisão
Concordo absolutamente que se ambos têm emprego (e não contam com ajuda doméstica a tempo inteiro) devem cooperar em casa. Porém, quando dividem tarefas, convém que se dividam MESMO - incluindo geograficamente. Cada um para seu lado! Ou seja, ele lava a louça na cozinha e ela arruma o quarto no andar de cima, ele trata do jardim e ela reorganiza a casa de jantar, ela faz as camas e ele põe a roupa na secadora que está na lavandaria na cave, etc. Porquê? Porque um homem sozinho desembaraça-se lindamente, mas se está ao pé de mulheres entra em modo bebé grande e começa a ser um maçador de primeira: de pedir que lhe vão buscar uma água ou um sumo porque ele está muito ocupado a esfregar as paredes a dar sentenças do estilo "não é assim que se aspira as carpetes" passando por "segura a pá enquanto eu varro o lixo" ou "chega-me um paninho", quando damos por nós andamos à volta deles e perde-se metade do tempo.Com "ajudas" assim...
Saturday, August 22, 2015
Sabemos que temos excesso de roupa/livros/sapatos etc quando...
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| De casa dos horrores a casa dos armários |
...estamos a ver este filme, em que um serial killer tem uma casa com dependências e recantos que nunca mais acabam, mais dois laboratórios bem grandes para estraçalhar pessoas e ainda uma cave enoooooooorme (onde vai emparedando as suas vítimas) e em vez de nos enervarmos com o thriller, só nos ocorre pensar "aquela casa é que me convinha; ali fazia um despenseiro, nos laboratórios criava um duplo walk in closet; aquela salinha secreta vinha mesmo a calhar para livraria" e assim por diante.
Resta o consolo de o espírito prático e o sangue frio estarem sempre presentes, o que pode vir a dar jeito caso (o diabo seja surdo) nos encontremos alguma vez fechadas em casa de algum louco.
Quem é capaz de equacionar onde mandava fazer armários num cenário de terror, também é capaz de engendrar armas de auto defesa com o que estiver à mão e memorizar o covil todo para o descrever em detalhe às autoridades.
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