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Sunday, August 2, 2015

Beatriz Costa dixit: que mereciam estes "ricos maridos"?


Já por aqui mencionei várias vezes como gosto dos livros de memórias de Beatriz Costa. A nossa simpática actriz viajou por todo o mundo e privou com as personalidades mais extraordinárias, de Picasso a Lana Turner. Tudo quanto se possa imaginar de gente interessante, de ícones vivos ou mortos, das artes às letras passando por pessoas da melhor sociedade, de todos guardou histórias para contar.

 Apesar de ter aprendido sozinha a ler e escrever aos 13 anos (alfabetização que completaria mais tarde à mesa da Brasileira, com a ajuda de Almada Negreiros e outros grandes vultos) descrevia as suas aventuras com uma graça, uma eloquência e uma vivacidade ímpares. As suas recordações são um verdadeiro estudo de costumes...

 Ora, a dada altura Beatriz passava largas temporadas em Paris e era íntima de Elsa Schiaparelli, em casa de quem se faziam animadas tertúlias. Como ao Sábado a aristocrática designer dava folga ao pessoal doméstico, cada convidado dava a sua colaboração para fazer o jantar e lavar a louça, de modo que havia frango cozinhado por Greta Garbo e copos limpos por Salvador Dali!



 Também se tornou uma fiel cliente da Maison Dior e das Galerias Lafayette, o que fazia com que muitas senhoras brasileiras e portuguesas a maçassem para lhes servir de cicerone para compras na Cidade-Luz. E assim pôde Beatriz Costa aferir um triste facto:

"Nisto de gastar dinheiro, a brasileira é mais arrojada. A mulher portuguesa depende muito do visto conjugal para os seus gostos...conheço senhoras riquíssimas que nunca vestiram um modelo! 
Em compensação, conheço maridos dessas mesmas senhoras que sustentam concubinas que só vestem de Paris e de Roma...".

Que na época uma mulher, se não tivesse muito de seu (ou muita mão nos seus haveres, pois conheço não poucos casos de dotes espatifados pela cara metade) dependesse do marido para pagar os seus arrebiques, vá que não vá. Agora essa dupla punhalada era imperdoável, e o pior é que não é coisa do passado...tenho ouvido muitos episódios aviltantes e recentes a provar o adágio popular "as primeiras são vassouras, as segundas são senhoras". Insulto a dobrar, à fidelidade conjugal e ao armário!

 Como se não bastasse sujarem de lama os vestidos das legítimas, ainda tratam, como uns perfeitos palermas, de garantir que os compram de melhor qualidade às malucas com quem passam o tempo, na maioria dos casos indignas de engraxar os sapatos às mulheres que têm em casa...


Isto enquanto as esposas, coitadas, sabendo ou não, ricas ou não, se privam deste ou daquele pequeno luxo ou conforto pela boa economia do lar. Tal como antigamente...

Se um homem infiel é o piorio do intolerável - ou seja, nenhuma mulher digna tem obrigação de suportar tal humilhação - um que é assim mas não distingue o trigo do jóio e coloca uma doidivanas no mesmo plano (ou até acima) da mulher que leva o seu nome, não sei o que merece.

 Enquanto actualmente a maior parte opta pela tristeza do divórcio (cujas consequências são muito relativizadas) a solução de outros tempos e menos comum agora, para uma senhora de brio, era a separação como mandava a Igreja e a boa sociedade. Sacudia-se a lama das saias e retribuía-se o sofrimento com o desprezo. 


 Algumas iam além disso e desciam a pagar na mesma moeda, como uma certa duquesa encantadora cujo marido trocou o conhaque pela aguardente e só estava contente nas piores companhias femininas: separou-se, manteve os seus privilégios e fez outro tanto. Tomava amantes e despedia-os antes que dessem problemas, dizendo-lhes "se alguma vez nós, mulheres, fôssemos falsas e cruéis para os homens, estaríamos no nosso pleno direito; seria uma mísera compensação da muita perfídia com que os senhores nos tratam...". 

 Não concordo que se proceda assim, mas é compreensível que o abismo atraia o abismo, que asneira atraia asneira. Até S. Gregório Nazianzeno avisava com que cara quereis exigir honestidade de vossas mulheres, se vós próprios viveis na desonestidade? Como lhes pedis o que não lhes dais?". Haja juízo...



Monday, June 22, 2015

Quando Christian Dior escrevia para as portuguesas: 14 conselhos de elegância



Modas e Bordados - Vida Feminina 14 de Março de 1954 (nº 2201)

1954 - No auge da fama ( alcançada desde que em 1947 apresentara o seu "New Look" à imprensa) Christian Dior, "o maior costureiro do mundo!" lançou o seu "Pequeno Dicionário de Moda" originalmente sob o título " The Little Dictionary of Fashion: A Guide to Dress Sense for Every Woman". Antes de reunir as suas dicas em livro, o lendário couturier tivera-as publicadas por fascículos na revista britânica Women´s Illustrated.

Por cá, a Modas & Bordados adoptou um formato semelhante entrando em acordo com M. Dior que acedeu a escrever para a revista, num exclusivo para Portugal. O glossário e conselhos eram publicados todas as semanas com as ilustrações de Pierre Simon e imagens do fotógrafo parisiense Leo Bulzkin.





Isto diz-nos algo dos hábitos de consumo e aspirações das nossas elegantes naquele tempo - e da relevância que a imprensa lusa tinha então. Assinale-se também o espírito cosmopolita e ambicioso da directora da revista (à época, Etelvina Lopes de Almeida) e da sua equipa. Apontar ao topo, em vez de se ficarem pelas recomendações (válidas sem dúvida, mas menos icónicas) de qualquer boa modista lisboeta...

   Passo a reproduzir excertos de um dos números que tive a sorte de agarrar - e que, com a sua prosa encantadora, são um belo complemento do livro original (disponível na Amazon).

 1- A não ser um perito no assunto, ninguém deve misturar numa toilette mais do que duas cores.

 2- Os vestidos bem cortados têm o menor número possível de "cortes".

3- Não compre muito, mas compre sempre bom.

4- A escolha errada de um tecido pode estragar o efeito do modelo mais interessante.

5- Aprecio a pureza das linhas...e acredite, se a linha de um vestido não for boa, nenhum adorno consegue disfarçá-la!

6- Nenhuma mulher verdadeiramente elegante segue a moda como uma escrava. Não existe uma única «linha» de novidade em cada estação - existem sempre várias!




7- Desde Eva que um decote foi sempre o melhor meio de tornar uma mulher atraente.

8- O vestido elegante é o vestido que assenta bem. Detesto as mulheres que dão a sensação de andarem enfiadas num saco!

9- O comprimento da saia depende da mulher que a usa e acima de tudo, das suas pernas. Têm-se escrito muitas tolices sobre o assunto...

10- Saltos demasiado altos dão um aspecto vulgar e são de péssimo gosto.

11- Em costura a arte "du camuflage" - do disfarce - é muito importante, porque a perfeição é rara neste mundo...

12- A simplicidade, a naturalidade e o bom gosto são os segredos da arte de bem vestir.

13- Uma linda roupa interior é a base da elegância da "toilette".

14 - Uma blusa de jersey preto, de lã muito macia, é a peça mais útil para o vestuário de qualquer mulher...


Conselhos sensatos, intemporais, de uma época em que o luxo andava de mãos dadas com elegância, simplicidade cirúrgica, equilíbrio, rigor e feminilidade. Christian Dior ficaria bem desgostoso se visse os "vestidos saco", o "attention whoring" nas semanas de moda, os "saltos de stripper" e muitas peças mal acabadas dos nossos dias. 

É certo que sem inovação, sem criatividade e alguma adaptação ao esprit du siècle, a moda é uma sensaboria e nenhuma marca sobrevive. Porém, tanto designers como consumidoras perdem por vezes de vista os princípios básicos. A extravagância, o colorido e o impacto visual nunca poderão substituir a elegância das linhas e a exigência nas proporções. 




Saturday, September 28, 2013

O estilo perfeito de Gina Lollobrigida‏

                                       

Ah, as sereias da cinecittà: Claudia Cardinale. A minha preferida, Sophia Loren. Isto sem desfazer em Gina Lollobrigida: há um lugar muito especial no meu coração para La Lollo, com uma beleza mais clássica, mais understated talvez. Não é segredo para quem passa por aqui a influência que o estilo/imaginário italiano têm para mim, e é impossível pensar, por exemplo, em Dolce & Gabbanna sem que estas senhoras que deram corpo e expressão artística a nível mundial ao estilo romano/siciliano nos venham à mente. 
 O preto, as rendas, as blusas de camponesa, os sheath dresses a modelar curvas perfeitas, os pormenores delicados, tudo são detalhes que fazem parte da forma italiana de fazer as coisas, de perceber e interpretar a beleza. Nas telas dos nossos dias Monica Bellucci, Penelope Cruz e Eva Mendes são dignas sucessoras: não só no tipo, mas na impecável forma como se apresentam, repetindo uma receita que nunca falhou.
 Há dias encontrei este delicioso artigo de moda do Milwaukee Sentinel, 1964, sobre o fascínio americano com o guarda roupa e dicas de styling de Gina Lollobrigida, e achei-o demasiado bom para o guardar só para mim. Gosto sempre de ter a visão da época, os pormenores, as descrições de quem viu de perto:

"A rapariga pequena, de cabelo escuro, caminha por um corredor nas Waldorf Towers usando um vestido subido sem mangas, um colar turquesa e sapatos Chanel: é Gina Lollobrigida (...) quando se olha de perto, o elegante vestidinho de lã é, por acaso, um Dior; o colar é uma antiguidade de 3000 anos, feita com peças de porcelana persas e fenícias. O seu penteado médio longo com ligeira franja é meticuloso; a maquilhagem é impecável, com cada pestana cuidadosamente escovada; o seu verniz senhoril é claro e ligeiramente transparente; usa um grande anel de diamantes em forma de coração: mas mesmo assim ela parece tranquila, sincera e completamente organizada.
 E na verdade, é: quando veio para Hollywood, trouxe consigo 36 malas de roupa. Em Nova Iorque por uns dias a caminho de Roma, conseguiu compilar o conteúdo dos 36 sacos numa única mala. Tem consigo um bocadinho de tudo o que gosta, alguns fatos Chanel, vestidos Dior e uns quantos extras que foi comprando em lojas".

"Alguém que espere que a bagagem de Gina Lollobrigida esteja cheia de vestidos vertiginosamente decotados e rendas pretas ficaria chocado: `as mulheres são mais sexy quando não mostram tudo´diz ela.  Lollobrigida é uma rapariga Chanel. Nem sabe contar quantos fatos Chanel tem, possivelmente 20 ou 30. Naturalmente, é a própria Chanel que a ajuda a escolhe-los e que os faz em tecidos e cores que não sejam iguais aos de toda a gente. Gina traz três consigo: um encarnado vivo, um amarelo e um tweed cor de trigo com detalhes rosa: `tenho tantos, mas acabo sempre por trazer os meus preferidos`. A maior parte dos seus vestidos de festa são Dior: `gosto de Dior: tão rico e simples`."

O artigo conta ainda, entre outros pequenos quês que vale a pena ler, como a estrela lavava e secava o próprio cabelo, ou fazia a própria maquilhagem, por não ter "tempo para salões" - como era, aliás, comum nesse tempo tanto entre "artistas" como senhoras de boa sociedade. Completamente, my kind of girl!
O que me fascina em Lollo (como em Marilyn, Loren, Bardot...) é a disciplina espartana do seu estilo: linhas simples, tecidos ricos, fitting perfeito, bons materiais que tornavam o compor de um look um ritual de três minutos. É fácil e rápido vestir bem, estar sempre composta, quando se conhece a fórmula que resulta. Também adoro o pormenor de usar antiguidades no meio de muita roupa luxuosa e /ou impecavelmente nova. As jóias devem ser únicas e se forem velhas como os montes, com significado, tanto melhor. E poucas. É sempre mais dramático usar um único apontamento realmente bonito.
 É claro que Eva Mendes depende das Rachels Zoes deste mundo para conseguir um efeito vagamente semelhante. Não é nenhum desprimor, mas...Céus, Lollo tinha a própria Coco a ensinar-lhe os truques. Uma lenda a vestir outra. Há coisas que já não voltam.


Thursday, September 6, 2012

Peplum, sim ou não?

Zara combinando quatro tendências deste F/W
num só vestido: peplum, pele, noir e renda. Risky business?
 A revista Elle de Setembro traz um artigo, daqueles que só por si vendem uma edição, sobre as (des)vantagens do peplum e como o usar (ou não). Pessoalmente, tenho uma certa simpatia por esta tendência retro: chegou na cauda da trend dos anos 50 e remete -nos imediatamente para Christian Dior; exige alguma engenharia da parte dos designers e costureiros, obriga-os a trabalhar com materiais minimamente bons (caso contrário, o "folho" não terá efeito) e eu gosto de ver roupa bem pensada, bem construída. Quando aplicado correcta e estrategicamente cria proporções interessantes e dependendo de onde é colocado, pode criar curvas numa figura direita ou dissimular contornos demasiado voluptuosos. No entanto, sendo um detalhe com certo impacto, se mal calculado pode passar de fantástico a desastroso, e por isso tem gerado alguma controvérsia. Cá em casa, por exemplo, há uma certa pessoa que detesta apaixonadamente o peplum:  designa -o de "abanico-saiote-inútil-e-horroroso" e já me fez desistir de um vestido preto que parecia saído de um episódio de e que caía que era um amor (em promoção, ainda por cima). Troquei-lhe as voltas durante uma viagem com um modelo que tem um ligeiro folho lateral. No entanto, sou mais fã deste pormenor em vestidos do que em tops e tratando-se de uma tendência passageira, não sinto grande necessidade de investir em mais do que uma ou duas peças destas. É preciso notar também que algumas roupas que temos visto ultimamente, quando acessorizadas da maneira certa, simulam lindamente um peplum, como a Papoila explica neste excelente post. Quem se arrisca?

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