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Tuesday, December 5, 2017

Três anúncios que eu devia adorar (só que não).

Passar muito tempo todos os dias num shopfloor todo luxuoso não é só glamour: também tem os seus inconvenientes, e um deles é sofrer com anúncios à última colecção/jóia/perfume a passar em loop nas telas ad nauseam. Ora, se isso acaba por enjoar quando são spots de que se gosta, imaginem quando acontece com reclames que nos merecem embirração...é uma arrelia!

Vejamos então três que me andam a  tirar do sério: 


Chanel, Gabrielle





Entenda-se: eu adoro all things Chanel (bom, quase tudo), incluindo boa parte dos seus perfumes, e acho Karl Lagerfeld um génio. Depois, apesar de eu ser muito esquisita quando se trata de fragrâncias novas, Gabrielle é uma pura maravilha. Acho mesmo que se vai tornar um clássico.  Deixa-nos envoltas numa nuvem deliciosamente aromática e luxuosa- sabem quando um aroma dura o dia todo e tem o efeito "mas o que cheira tão bem? Oh! Sou eu!"- um dom raro numa época de perfumes produzidos a martelo sem grande inspiração, ou cada vez mais "baptizados". É um perfume verdadeiramente fabuloso, juro. 
 Porém, confesso que tive preguiça de o experimentar graças ao anúncio. 




Não tanto por eu embirrar com a menina enjoadinha de serviço, Kristen Stewart (que até está bastante bem em alguns dos ads de maquilhagem da marca, honra lhe seja feita) mas porque o conceito é mostrá-la endurecida, arrapazada, trapalhona, agressiva, desalinhada, meio tontinha e cheia de chiliques (estará triggered, meu floquinho de neve?), sem o mínimo de feminilidade nem graciosidade. 

Salva-se a luz, a fotografia e a imagem parte Grécia antiga (uma das inspirações na mais recente colecção Cruise da marca) parte anos 1920. Ok, eu entendo que o look, silhueta e atitude "à la garçonne" fazem parte do imaginário central da Chanel, mas não é preciso levar a ideia à caricatura. Mademoiselle Chanel era avant garde,  sim senhor, e moderna e fumava em boquilha e usava calças, mas procurava sempre a beleza, a harmonia estética.  Then again, com todas as ideias feministas e de abolição de "estereótipos de género" que estiveram na moda em 2017, este é capaz de ser, simplesmente, um anúncio do seu tempo. Se isso apela ao público-alvo que compra Chanel, já é outra história. Ainda bem que o produto fala por si...


Jo Malone, Crazy Colourful




Gosto muito desta popular marca de perfumes (recomendo o de flor de laranjeira e o de rosa encarnada, ambos uma maravilha) e costumo achar muita graça tanto ao seu conceito minimalista, quase de botica, como ao facto de ser uma marca very british. Jo Malone  honra o seu DNA inglês e faz um sucesso estrondoso com os consumidores orientais, especialmente chineses (que a compram quase por atacado, se lhes derem asas). Isso pode explicar a imagem meio excentricidade asiática, meio Mod Londrino dos anos 1960 do seu anúncio de Natal (que de natalício só tem mesmo os Christmas crackers- aqueles pacotinhos dourados com surpresas e confetti.




 Mas também não era preciso ir tão longe! Entre os gestos esquisitos e meio infantis dos protagonistas, de quem tomou uns pirolitos valentes ou não joga com o baralho todo, mais a maquilhagem, as caretas, a coreografia peculiar/ enervante (aquele gesto circular com os braços faz-me choques nos neurónios) e a música psicadélica, não sei se acho o anúncio apenas muito curioso ou verdadeiramente perturbador. 

Parece ter sido inventado por alguém que só aguenta as reuniões familiares de Natal com uma valente dose de copos e cigarros que fazem rir e criou isto só para desconstruir a quadra. Depois, o rapazinho, com aquele cabelinho de boneco e aquelas sobrancelhas, lembra-me não sei que persona non grata e só me apetece dar-lhe um safanão. Aliás, tenho vontade de entrar por ali dentro, desatar aos pontapés às caixas e correr tudo à bofetada, a ver se se comportam como gente. Tarados. Ufa, que me soube bem tirar esta do sistema.


Dolce & Gabbana - The One


É paradoxal eu não gostar destes spots, porque como sabem Dolce & Gabbana é provavelmente a minha griffe preferida. Ainda por cima, a-do-ro quando voltam às raízes inspirando-se na cultura do Sul da Itália e nos anos 1950, com todo um imaginário que fala aos meus genes e aos meus gostos, por muito estereotipado que seja. 

Desta feita, a marca decidiu continuar a apostar no universo pitoresco a que nos tem habituado, pondo os protagonistas da campanha a interagir com os populares numa festa folclórica de Nápoles ao som de Tu vuo' fa' l'americano, com muita cor, muita pasta e muito gesto de mãos. E decidiu juntar a isso um bocadinho de mediatismo imediato, passe a onomatopeia, convidando para "caras" do perfume The One duas das maiores estrelas de Game of Thrones, série que parece ter o condão de agradar a gregos e troianos.

 Até aí, nada contra. E diga-se em abono da verdade que a versão fotográfica da campanha resultou - quase toda ela - lindamente. O pior é que em vídeo, a ideia tinha tudo para funcionar...mas por alguma razão que me escapa, não funciona




 Primeiro, Emilia Clarke: a menina é encantadora e muito simpática, mas escusavam de lhe disfarçar a beleza com uma peruca acachapada (fui investigar, é mesmo uma peruca) e  uma maquilhagem que lhe dá cara de quem dormiu pesada sesta (estranhíssimo, já que a D&G costuma ser infalível quando o assunto é maquilhagem). 




Mas o que constrange no spot nem é isso: é que, tanto na versão masculina como na feminina, o John Snow e a Daenerys parecem totalmente forçados, acanhaditos e pouco à vontade, o que a modelos ainda se desculpava mas é esquisitíssimo em quem faz de representar o seu ganha-pão. Até fui googlar para perceber se era só impressão minha ou se mais gente achava o mesmo, mas parece que basta dar uma volta pelo Youtube para perceber não sou a única a ter tal opinião. Será má direcção de actores? Ou a premissa da coisa é fingir que as personagens de Game of Thrones saltaram directamente do universo da série para Nápoles e se sentem completamente taralhocas  no meio daquela festa toda? Em todo o caso, o resultado soa amador, algo que não se espera da dupla D& G- culpa sua, porque nos habituou à perfeição.  Vergognazza.




Thursday, April 28, 2016

Xaropice do dia: não há luz que baste a esta gente


Não me faltava mais nada senão descobrir agora que há pessoas sol. E alminhas que se auto-promovem a "pessoas sol". Não há criatura rústica e de moral duvidosa que não adore descrever-se como "alguém com luz própria", e "alguém que brilha" por mais que viva nas trevas. É muita pretensão! É muita futilidade new age! É uma atitude "sou um Ghandi em versão egocêntrica e narcicista como o raio que parta".

E o pior é que a mania de "brilhar" está a sair do nicho das serigaitas para se tornar mainstream - a contagiar pessoas decentes e normais sob a capa de "diversão inocente e family friendly". A empindericar as almas. 

A necessidade de brilhar, de ter luz própria e de tirar selfies luminosas é tanta que agora inventaram uma glow run: ou seja, como se as colour runs já não chegassem, ainda desencantaram uma colour run que brilha no escuro.


 Passo a explicar: nesta corrida em que se faz tudo menos realmente correr, paga-se um bilhete que inclui uma aguinha 0,33l. , uns acessórios LED e um saco de pó fluorescente (boa! tudo o que eu sempre quis!). 

Mas deixem-me citar o site oficial da versão portuguesa do evento: 

"Se mesmo assim precisares de mais acessórios para brilhar, temos uma loja no local da entrega dos kits ou no recinto à tua disposição. Lá podes encontrar batons, vernizes, pinturas,  atacadores e tantas outras coisas que não vais saber por onde escolher.
 Queres colorir a cara? Os braços? Também podes! Terás um local no recinto dedicado ao facepaiting* (sic, não é gralha minha) onde podes pedir para te desenharem o que quiseres.
 *actividade não incluída no bilhete de entrada."

E ainda houve quem tivesse a lata de, no facebook do evento, reclamar: "foi pena o percurso do ano passado não ser mais iluminado".


Digam-me lá se o animal totémico desta tropa toda  não devia ser o pirilampo mágico: é fofinho, queridinho, xaropento, de peluche, de cores berrantes e...BRILHA! Com luz própria! Tem uma antena fluorescente bem no alto da pinha!


Depois há quem me aponte "a Sissi faz troça de toda a gente". Mas desculpem, isto é estar mesmo a pedi-las. Eu sou humana. A minha resistência a estas tentações, por aí a dar sopa, tem limites.




Saturday, January 23, 2016

Detesto quando tiram a piada às coisas.


O senhor pai, que é dotado de um certo espírito aventureiro e muito bom a criar máximas, sempre defendeu que "as viagens que fazemos são das poucas coisas que ninguém nos pode tirar".

 O que é indiscutivelmente verdade. Nunca me tornei numa daquelas pessoas que vendem a alma para viajar  (em parte porque a ficou na moda e essas febres aburguesadas me irritam, em parte porque prefiro viagens curtas q.b. e se não forem bem organizadas e com o mínimo de conforto, antes quero passar sem esse prazer) mas não posso discordar desse lema. Embora a investir em alguma coisa goste mais de objectos que possa guardar do que de experiências,  é indiscutível que a viagem feita, o passeio dado, a festa a que se foi ninguém nos tira, por mais que os ventos da fortuna mudem.

Ora, um passeio incrível que demos em família foi às Grutas de Postoijna, na Eslovénia. Para ser franca não achei o país nada de tirar a respiração, mas sempre me ficou que vale a pena lá ir só para conhecer esse lugar mágico. 


São grutas com estalactites e salas atrás salas como outras tantas, mas achei-as enormes - até lá criaram uma área lindíssima para concertos com espaço para 10 mil pessoas. E depois...tinha um comboio. Um comboio com carrinhos de mineiro verdadeiros e de ar ferrugento como os do filme do Indiana Jones


Um trenzinho eléctrico mas que apanhava uma velocidade espectacular, tipo montanha russa, a rolar como um foguete por aquele ambiente espantoso que parecia o reino dos anões de Tolkien. Às vezes dava mesmo a impressão de que íamos esbarrar contra um "tecto" mais baixo, mas não. E ficava-se com aquele friozinho na barriga. Qual Disneyland, qual carapuça. What a ride. Não estou a exagerar. Era mesmo rápido e emocionante, e o facto de estarmos num cenário natural daqueles, em plenas profundezas da Terra, tornava a experiência única. 
Em suma, fiquei de tal modo impressionada, eu que nunca fui fácil de impressionar, que passei a dizer que lá voltaríamos um dia que Deus me desse filhos e/ou o diabo sobrinhos

Mas mais recentemente, ao recomendar o passeio a uma pessoa amiga que ia para essas bandas, tive a infeliz ideia de visitar o site das Grutas e...oh, amarga desilusão! O comboiozinho já lá não estava. Ou antes, estar até estava...mas tinha sido substituído por uma versão colorida, bem comportada, artificial, segura, para turista ver. Alguns iluminados politicamente correctos tinham trocado os meus carrinhos de mineiro, os meus lindos carrinhos de mineiro à Indiana Jones...por uma bimbolândia!


Bimbolândia foi o nome depreciativo que um primo meu deu àqueles comboios turísticos chatos. E foi uma bimbolândia com cores de circo que tirou o lugar a uma das minhas melhores recordações!

 Ora, não sei porque o fizeram e nunca perguntarei, não vá alguém jurar que a versão à Indiana Jones nunca lá esteve, que foi imaginação minha (não foi; gravámos a viagem e hei-de ter para aí o VHS disso). Ignoro se trocaram os carrinhos por mania das modernices, se para ganharem dinheiro com alguma concessão feita a um monopólio ganancioso de bimbolândias, se foi por causa de alguns turistas estúpidos que decidiam pendurar-se fora dos carros armados em Indiana a comprometer a segurança, se houve alguma avaria perigosa ou acidente com um dos ditos turistas. O certo é que ficou como podem ver e embora a viagem continue a ter a alguma graça, já não é de perto nem de longe a mesma coisa, vide:


Bem diz a cantiga de que gosto tanto e cito tantas vezes, nunca voltes ao lugar onde já foste feliz. É que raramente se muda para melhor...nada do que tu lá vires será como no passado. Rui Veloso, esse grande filósofo.

Friday, January 15, 2016

23 pinderiquices de marca maior (Parte II)

E continuamos a nossa lista. Segurem-se que vai custar um bocadinho:

15- O guarda roupa do mau-mau, e o look "afavelado"


Tudo o que tem sido dito ad nauseam: cultivar o tipo físico "mulher melancia" ou o look "bombado" do Carlão vulgo bimbo de ginásio com direito a esteróides (ou papas que fazem músculo, vá). Depois, o mau ar obrigatóriotoneladas de gel a espetar o cabelo para eles, cabelo esticadinho preto-graxa ou louro-queimado-com-chama para elas, garras multicoloridas, grandes brincos, ceroulas do demo, tigresse barata, tramp stamps, mini vestidos de lycra, calções-cueca,  sapatões sintéticos com aplicações douradas, já sabemos de cor a lista.

16- "Sobrepartilhar" as intimidades nas redes sociais



Mais uma que goes without saying, mas pronto. Uma coisa é não esconder aos amigos que se está numa relação ou que se foi mãe ou pai e partilhar alguns momentos chave ou retratos que ficaram mesmo engraçados.
 Outra é escarrapachar online cada beijinho, selfizinha, comidinha, fraldinha, comprinha, ceninha de ciúmes, probleminha...seja por auto-afirmação ("tenho o melhor namorado do mundo!") para "esfregar na cara de alguém" isto ou aquilo (que coisa feia!) ou por simples inconsciência, nunca é boa ideia. Para não falar nas frases de engate que além de ordinárias, gritam ao mundo "estou em desespero" e que deixam de aparecer misteriosamente quando a alminha encontra, por milagre, companhia. E no caso de namoros, nem falemos no aborrecimento que é, caso dêem para o torto, limpar toda a tralha da página e justificar a toda a gente o que é que correu mal, quando ainda há dias andavam em cenas melosas para todo o mundo ver. A moderação cabe em todo o lado, até nos facebooks da vida, e o que é demais é moléstia. Ou pinderiquice.

17- Pôr "nomes da moda" aos filhos

Tudo bem que mal por mal, antes Pombal: mais vale Martins, Constanças e Tomases em barda do que os nomes estrangeirados em moda há vinte anos atrás postos por quem nem tinha costela estrangeira, invariavelmente seguidos de um segundo nome em português mais ou menos normal mas que não batia certo, vulgo Priscila Patrícia ou coisa que o valha. 

Mas se querem um nome tradicional, neutro, pronunciável, basta fazer uma coisa simplicíssima que é dar ao pequeno ou à pequena o nome do avô/bisavó/tia. Ou fazer como os romanos e se o pai for António, chamar Antónia à rapariga, por exemplo. 


Existe uma engenhoca chamada árvore genealógica que é uma excelente fonte de inspiração e não faz sentido desprezar os antepassados, chamando Afonso ao crianço quando nunca ninguém na família foi Afonso, ou Beatriz à pequenota quando o pai é Pedro/Eduardo/Luís, a mãe Filipa, o avô Francisco e a bisavó até era Maria dos Anjos, da Graça, da Conceição, das Dores ou do Amparo, que é igualmente giro e não dá a ideia de ter vindo ao mundo em fornada com uma data de crianças de nome igual. Pior um pouco, a mania de pôr um segundo nome que não combina não se perdeu, por isso vêem-se híbridos estilo Martim Gabriel ou Constança Rafaela.

 E sabem o que é mais irritante? É que as pessoas cujos avoengos realmente eram Salvadores, Santiagos ou Leonores e os querem homenagear dando esse nome à descendência passam por parolas que aderiram aos nomes da modinha. Conheço uns quantos casos bem de perto, ó injustiça. Se os nomes de família forem todos péssimos ou muito complicados, pode sempre recorrer-se a outra tradição: dar o nome do santo do dia ou, se por acaso calha ser dia de Santo Eleutério ou Santa Prisciliana, escolher o nome de um Santo de devoção da família ou do orago da paróquia, e.g Sebastião, Bárbara e por aí fora.


18- Maluquices de casório


Fazer de bridezilla, querer emagrecer por força para o grande dia quando sempre se foi rechonchudinha (má ideia, mais vale escolher um vestido que favoreça porque assim como assim o noivo sabe o que está a comprar, salvo seja), mudar radicalmente de visual (e.g, fazer um penteado que deixe a noiva irreconhecível) levar vestidos cai cai para a igreja, encomendar sessões fotográficas encenadas pós casório (juro! como se não bastassem as sessões medonhas durante a cerimónia e copo de água) incluindo retratos dos noivos a fingir que voam, do noivo de calças arregaçadas e em mangas de camisa no lago dos patos, da noiva a abrir a camisa ao noivo em plena praia, do noivo a subir a saia à noiva (não sei para quê: alguns vestidos são tão reveladores que até os santinhos do altar já viram tudo); casamentos temáticos com direito a bolos igualmente temáticos (em forma de mota ou de saquinhos de compras, garanto que é verídico); exigir que os convidados usem todos certa cor (ouvi falar de uma noiva que exigiu que TODOS, homens e mulheres, levassem determinado tom de rosa) ou impor um dress code ridículo e inadequado, cansar os convidados de morte com mil actividades que mais parece uma festa cultural do município ou um circo, and so on.

19- Maluquices maternais


Além da overdose de partilhas nas redes sociais acima citada, a falar de cocó verde e assim- e de fazerem questão de dizer que os filhos são índigo, sobredotados ou os mais lindos do mundo a cada ocasião- há quem caia no extremo de culpar "a sua princesa" ou o "seu príncipe" pelo próprio desleixo. 
E pior, publicar frases motivacionais a dizer que as estrias/celulite/banhas são lindas e o maior dom da maternidade, que as mães que cuidam da forma são umas fúteis e umas tristes,etc. Isso e adoptar sem necessidade um corte de cabelo horrível, porque é tradição perder a feminilidade quando se põe um ser no mundo. Tudo com o apoio tácito do companheiro deprimente, se ele existe. Pinderiquicis deprimentis maximus é o nome que devia dar-se a isso.


20- Correr para as promoções/saldos/lançamentos/filas de autógrafos


Virar o Pingo Doce de patas ao ar e andar à pancada por um pack de detergente, ficar à porta da H&M à espera de uma fatiota assinada por um designer mas que não é luxo nem é fast fashion ao preço de um anel de brilhantes (não muito impressionante, mas já se compra alguma coisa por esse preço) trocar puxões de cabelo e rasteiras por qualquer bugiganga nos saldos, fazer fila no shopping para comprar um livro/disco autógrafo do cantor ou figurão de TV do momento mas achar que tudo o resto está muito caro, dormir à porta do estádio com um frio de rachar para ver uma banda que dali a meses desaparece do mapa, etc. Mas onde está a individualidade/sentido prático e do decoro/espírito crítico destas pessoas?


21- Mulheres a esgatanharem-se 


Seja a bulha pública, que é pior, ou em privado, que é quase tão mau. Virtualmente ou à estalada. Por causa de um homem ou por causa de outra coisa qualquer. E ainda dizerem que essa é a única forma válida de partir uma unha, lá vem a nail art à baila de novo. E pratos para lavar, não?

22- Usar a frase "o que é bom/bonito" é para se ver


Não é só indecente, nojentinho e inconsciente: é parolérrimo. É uma excelente desculpa para a falta de recato e para as figuras tristes. É um atestado imediato de boçalidade. É...you get the point.

23 - Dizer "fostes", "o comer"...




...usar o verbo "meter" para substituir dezenas de outros e escrever "ligas-te?" em vez de "ligaste?"...e demais sopapos no idioma, gírias adolescentes fora de época e relaxarias com o vocabulário. Volta palmatória, estás perdoada.



E haverá mais, mas 23 já é muita desgraça junta....







23 pinderiquices de marca maior (Parte I)

Isoladamente, *algumas* destas coisas até podem não emparolizar ninguém. Mas mais do que duas ou três juntas são sinal de parolice desbragada e genética - ou, se são manias recentes numa pessoa que tinha gosto até então, de que se anda em más companhias, com o pé a escorregar muito, muito para o chinelo. Urge ligar o botão do bom senso no máximo ou tomar uma overdose de snobismo positivo quanto antes, até que tudo volte ao normal e o risco de suicídio social tenha passado.

1- Seguir pseudo celebridades nos social media



A suposta actriz de novelas, a participante da Casa dos Segredos ou coisa que o valha, a irmã/tia/periquito do jogador da bola, este ou aquele membro de um clã pimba que tentam a todo o custo tornar mainstream...e comentar as suas publicações. Fazer isso com ar muito sério é o cúmulo, mas é sempre questionável nem que seja para dizer mal: partilhar algo que venha directamente de tal fonte é admitir que se sonham as idas e vindas de tais personagens. E isso é um atestado de demasiado tempo livre em mãos, no mínimo.

2- Achar-se muito moderno por debitar 10 palavrões a cada frase

Asneiras são um recurso expressivo como qualquer outro (disse e repito) mas há ocasiões para tudo e nem toda a gente possui a leveza necessária para as dizer como quem diz "pão", ou tem tanta graça como julga. Sim, mesmo gente "do Norte" que acredita que só por isso tem free pass para não ser bem educada.  Da malta rude do campo (ou da oficina/bar/fábrica/you name it) que deixou de moderar o palavreado quando uma senhora passa às marias rapazes que se acham muito prá-frentex por escreverem brejeirices, desculpem desiludir mas isso não é giro, não é ser durão: é mesmo grosseria. E parolice.


3- Usar brejeirices que são piores que palavrões



De trocadilhos maliciosos a despropósito (mas esta gente não cresceu?) a expressões boçais, babosas e abrasileiradas como "gostosa (o)", "gostosão","sabor de pecado" e outras que me falham agora, mas que soam inevitavelmente a anúncio de casa de alterne. Mal por mal, antes dizer a asneirola toda. É mais honesto.

4- Tatuagens pouco rebeldes...e pseudo fofas ou sexy




As tatuagens perderam de todo a graça, como a Casa da Mariquinhas, quando deixaram de ser transgressoras - ou seja, apanágio de estrelas de rock, motards, tribos verdadeiras e tribos urbanas, militares, marinheiros e piratas - para passarem a ser feitas por qualquer dona de casa em desespero pós divórcio no salão de estética da esquina. Isto já diz tudo, mas elaboremos: uma tatuagem bonita, bem feita e discreta, com verdadeiro significado, vá que passa: principalmente se o look da pessoa for enfim,  para o alternativo ou não sendo, se dá para esconder o desenho a maior parte do tempo. Mas encher-se de estrelinhas, golfinhos, nomes de fulano e beltrano, caras de sicrano ou pior, frases motivacionais e "kiduchas"em inglês macarrónico, símbolos ou caracteres de uma cultura que nada tem a ver consigo, manchas de tigresse ou qualquer outro padrão de bicharoco e o cúmulo dos cúmulos, colocar um "selo de galdéria" ao fundo das costas é o fim. Pelo ruído visual, pelo conjunto que faz com as roupas e acessórios quase sempre indiscretos e vulgares, por não bater a bota com a perdigota. Não.

5- Fazer questão de ser tratado por "doutor"...




...fora do meio académico, principalmente se não se é doutorado. E usar um grande anel de curso. Ou qualquer cachucho desse estilo, de resto. Numa época e num país em que qualquer primata tira um curso e em que ser licenciado equivale a trabalhar numa caixa (sem desprimor para as caixas) não sei de que vale tal vaidade, mas enfim. Esta é tão velha e estafada que se torna quase desnecessário apontá-la, mas como ainda não desapareceu, seja.


6- Ter muita estimação na Bimby e nas Tupperwares



A Bimby (ou qualquer outro robot de cozinha) não traz mal ao mundo em si, antes pelo contrário, tal como as simples caixas de guardar comida ou qualquer outra utilidade doméstica. Mas ter manias com isso, troçar de quem não usa tupperwares "de marca" (como se o plástico usado anos a fio não fizesse mal à saúde nem nada) passar-se se não sabe da tampa de um raio de uma tupperware, ligar aos seus amigos a reclamar porque não as devolveram como se fosse um prato Wedgwood que se perdeu ou pior, organizar em sua casa reuniões para aquisição de uma coisa ou outra (sendo que o cúmulo são os casalinhos deprimentes que fazem "swing de bimbies") isso é uma doença pequeno-burguesa a tratar quanto antes. A não ser que se seja chef de cozinha profissional ou ganhe a vida com um estupendaço serviço de catering onde põe a render as receitas da sua bisavó e da governanta dela vindas da quinta de família em Azeitão ou no Douro. Ou enfim, se tiver um negócio paralelo de venda de rissóis. Aí desculpa-se porque sempre são instrumentos de trabalho, mas só um bocadinho.

7- Aderir a todos os modismos bacocos



"Degustar"as coisas em vez de as provar/comer/enfardar (juro que ouvi "vamos degustar um leitão"), beber gin só porque é moda, engolir sumos verdes/tomar pequenos almoços de linhaça só para Instagram ver, ir a festivais de sushi ou jurar a pés juntos que ali é o verdadeiro sushi (ou, mais parolo ainda, "só vou a restaurantes onde o sushi seja feito por japoneses, como este"- e só por acaso, o sushi man ser brasileiro, não que isso afectasse a receita. Juro que me disseram esta), fingir que se gosta de vinho, jurar amor eterno aos cupcakes/macarons/whatever para dali a nada já não saber o que isso é, e outras parolices trendy ou pseudo cosmopolitas.


8- Partilhar posts fofinhos e lamechas nas redes sociais




E juntar-se a toda e qualquer causa em modo je suis Charlie, mudando a imagem de perfil para não ficar atrás. I rest my case- over, and over, and over....

9-Nail art




Já tanto foi dito por aqui que nem vale a pena elaborar: unhacas com qualquer tipo de bonequinhos são coisa capaz de pôr em causa a maior Senhora, mesmo que esteja vestida dos pés à cabeça como uma senhora, fale e aja como uma senhora. Quanto mais as outras...depois, só resta escolher o que é pior; se as serigaitas que usam tudo a fazer pendant com as unhas (roupa sintética e provocante, argolas, montes de maquilhagem, cabelo esticadinho, saltos de stripper) se as que vestem como senhoras da limpeza em hora de expediente, não se maquilham, não cuidam da silhueta, não se penteiam, só calçam ténis MAS não dispensam algo tão amaricado como unhas enfeitadas. Se calhar é por dar menos trabalho estar sentada uma hora e tal a fazer unhas e trocar mexericos do que sofrer uma hora de ginástica ou passar um bâton nos lábios todas as manhãs, mas nem tentemos entender.

10- Ver, seguir e comentar reality shows



Se for um qualquer do canal E! é mau, mas pronto. Sempre pode jurar que só vê porque gosta do trabalho da Rachel Zoe, para espreitar os trapinhos Givenchy da Kim Kardashian ou para perceber como é que, afinal, a Kardashian mais piquena usa o famoso delineador de lábios. Mas tomar as dores de sub-celebridades esfomeadas ou de acompanhantes e Carlões da Casa dos Segredos e pior, votar neles, é o fim do mundo e a barraca armada.

11- Ler as Cinquenta Sombras




Ou qualquer escritor lamechas e pseudo erótico que produza a pensar no público-alvo das mulheres românticas-frustradas-desesperadas (se for um homem a fazer isso porque viu a mulher ler, pior: é sinal de que algo vai muito mal governado nessa casa). Ou levar a sério os livros tirados a papel químico de best sellers internacionais escritos por jornalistas e apresentadores, chamando-lhes "literatura", ou comprar o último "testemunho corajoso" da amante de um figurão que foi alvo de bordoada e agora se vinga, ou de uma ex celebridade local que venceu um drama qualquer, ou...you know what I mean.

12- Dançar despudoradamente afro-latinas 




Já se sabe que a "kizomba" que por cá se ouve agora (e que é apenas uma desculpa esfarrapada para a sem vergonhice) nada tem a ver com a verdadeira dança  angolana - diz quem sabe, não sou eu que afirmo. Logo, ser condescendente com isso ou gostar disso é muito mau sinal. E vendo o ambiente que vai pela maioria dos "estúdios de dança" que povoam cada esquina, esqueçam. Palavra de honra que no outro dia me enviaram imagens de uma "escola de dança" cá do burgo onde mães de família aprendem pole dance e no fim do ano fazem um recital vestidas à Pussycat dolls com crianças a assistir e tudo. Há danças que pessoas honestas não consentem nunca em dançar, por mais que lhes salte o pé. Já as danças de salão convidam a uma certa elegância e podem sempre ser úteis, por muito que tenham ganho uma aura mais popularucha nas últimas décadas. Por isso you can dance if you want to, mas prepare-se para esclarecer constantemente que traça uma linha clara entre o certo e o errado.

13- Orgulhar-se de só comprar roupa de "marca", mas não saber ao certo o que isso é


Não há maior burguesice emergente do que espatifar o orçamento exclusivamente em marcas de segmento médio, achando que é "chic" e sem ao menos dar uma olhadela às etiquetas para ver se se está a comprar acrílico ao preço de lã. Nada contra estas lojas per se (já se sabe que há "achados" de qualidade nas mais variadas fontes) mas confundir isso com "luxo" já é outra história. E claro, o cúmulo dos cúmulos é rematar o look com uma carteira Prada made in ciganininhos. De novo, nada contra as feiras desde que se saiba comprar nelas (são boas para encontrar, por exemplo,  restos de colecção multimarcas e  stocks de casas de peles ou lojas de sobretudos) mas tralha contrafeita e com logótipos visíveis ainda por cima, tudo dito.

14- Tratar a cara metade [ou pior,  o (a) amancebado (a)] por "môr", as amigas por "miga" ou "linda" e os filhos por "príncipes"




Não me querendo repetir, mas já repetindo e caindo em redundâncias...



To be continued daqui a pouco!

Wednesday, December 9, 2015

Parem lá de dizer que isto nos representa (manifesto anti mulheres histéricas, parte não sei quê)


A mulher é complexa. A mulher pode ser temperamental, como a Lua. Pode ter várias facetas. A vaidade faz parte da sua natureza. É frágil às vezes e isso contribui para o seu encanto. É mais emocional do que o homem, ou pelo menos demonstra-o mais abertamente/com maior frequência - também era o que faltava que eles fossem tão mariquinhas como nós, onde estava a graça? Mesmo a mulher mais linda tem dores, incómodos físicos e funções orgânicas tal como os homens- certo. Não é sempre perfeita. Com os diabos, toda a gente sabe disto. Mas a todas essas realidades perfeitamente naturais e razoáveis contrapõe-se algo que as avós ensinavam, que era o domínio sobre as coisas menos bonitas. Ou seja, a arte de ser uma Senhora. Tal como os excessos dos homens eram atenuados e controlados pela nobre arte de ser um Cavalheiro.

Porém, os média actuais parecem comprazer-se numa certa auto-depreciação feminina.




 Não faltam filmes, memes, crónicas, livros e outros formatos que adoram representar as mulheres (ou todas as mulheres, ainda por cima) como Bridget Jones da vida: neuróticas, desleixadas  com a sua aparência, preguiçosas, financeiramente descontroladas, incapazes de resistir a comprar e comer porcarias, nervosinhas, promíscuas (se estão solteiras) ou frias e pouco cumpridoras dos deveres conjugais, if you know what I mean (se estão num relacionamento) invejosas, paranóicas, inseguras, farristas, malcriadas e bebedolas - isto quando não as mostram sempre ansiosas por estar no seu pior (pijama todo o dia, cabelo despenteado e nada de soutiens) ou a fazer piadinhas com coisas que acontecem a qualquer ser humano, mas são desagradáveis (graçolas de casa de banho e cenas repugnantes do género que não me apetece reproduzir aqui, mas podem seguir o link para contemplar o disparate em toda a sua glória). 




Cartoons como estes são uma desgraça para as mulheres.



Pergunto-me se estas autoras (pois muitas são mulheres) tiveram pais e avós em casa que as ensinassem que não se brinca com tais assuntos e que quebrar esse tabu não é uma vitória feminina: é só ser mais bruta do que os homens e serve apenas para chocar ou provocar nojo, perdão, impressão às pessoas mais sensíveis. 




Mais grave ainda: isto leva-me a pensar se realmente há assim tantas tantas mulheres batoteiras: desesperadas por agradar, dispostas a relacionar-se intimamente com tudo o que aparece sem o mínimo pudor, e nem sequer é por serem de sangue vigoroso, umas Afrodites muito  modernas e independentes... mas apenas com o objectivo de arranjarem um diabo incauto que as carregue, depois de uma relação casual que vai ficando. Depois, apanhando-se seguras com quem as ature, é a desgraça e não servem rigorosamente para nada, nem como diversão. Tornam-se na vergonhaça que se vê. 

Bem podem dizer "estes cartoons não representam as mulheres o tempo todo, só momentos que todas têm" mas poupem-me. A boca (neste caso, o lápis) fala daquilo de que o coração está cheio. De certeza que há momentos trapalhões, mas mais edificantes a realçar. E certos pecadilhos ou fracassos são para esconder, que os outros (e os homens) nunca os sonhem sequer. Às vezes apetece-me apanhar um autocarro para os anos 1950 e ficar por lá, alegre e feliz, a fazer tartes em modo "honey, I´m home".


 Ai acham exagero? Vejam em detalhe e pensem com os vossos botões. I rest my case.



Friday, November 27, 2015

Só cá faltava mais esta: bater palmas é "opressor"


Qualquer alma artística que alguma vez tenha pisado um palco ou falado em público, sabe que não há nada tão caloroso como uma grande ovação. Palmas significam que se comunicou realmente com a plateia; que se ganhou o apoio da dita: que toda a gente in the house está a passar um bocado agradável; trazem aquela sensação de alívio "uffff, saí-me bem". É de bom tom aplaudir quem se apresentou e - conforme o local e a situação- eventualmente fazê-lo de pé, atirar um "Bravo!" ou flores, fazer luzinhas com um isqueiro (num concerto de rock, por exemplo), etc, etc.

É claro que senhoras podem contribuir mais discretamente para a salva de palmas, que não convém magoar as mãos nem fazer figuras, mas...desde que sem exageros nem histerias e respeitando o ambiente em que se está (não se fica solenemente quieto num festival de heavy metal nem se faz mosh na Ópera, como é óbvio) palmas para quem cantou, representou, etc....são bem vindas em toda a parte menos dentro da Igreja

Que curiosamente, porque estamos no fim dos tempos, é precisamente o local onde muita gente, até com obrigação para mais, acha que pode aplaudir (não seria adequado detalhar, mas podem esclarecer o assunto aqui).

Mas fora isso, toda a gente gosta de receber palmas e aplaudir quem teve uma boa prestação, certo? Errado! E errado porquê, Sissi, pergunta quem ainda não teve acesso às mesmas notícias que esta vossa amiga teve a pouca sorte de ler?




Porque - repito- meus caros, estamos no fim dos tempos. Porque a ridicularia, a futilidade, a histeria new age e a falta de noção é tanta que só pode ser um sinal de que mais dia menos dia temos o fim do mundo e a barraca armada, ou o fim do mundo em cuecas e "ciroilas", como se diz na minha terra. E em verdade vos digo que se o Apocalipse for conforme o Livro e vier para pôr termo a tanto disparate junto eu cá estou por tudo, seja o que Deus quiser.

 De acordo com o Washington Timesumas mentes politicamente correctas numa conferência feminista e liberal (what else?) entenderam que bater palminhas é agressivo, machista, sexista (claro!) e gera ansiedade. E parece que tal lembrança partiu de um grupo de estudantes de Oxford. Até veio um terapeuta qualquer dizer que isso tem fundamento, logo, a bem da harmonia na sala, foi pedido que a assistência manifestasse a sua aprovação...dando estalinhos com os dedos



Isto de modo a não ofender nem causar fanicos, chiliques e piripaques em nenhuma pata choca (ou pato choco) que estivesse presente. Pior ainda, estão a tentar lançar a modinha. Eu ainda sou do tempo em que agressivo era atirar tomates e ovos podres para o palco e um artista/político sobrevivia, que um artista tem de ter arcabouço e costas largas. Anda tudo muito sensível!

Daqui, concluo duas coisas: primeiro, que há gente com muito tempo livre nas mãos (passe o trocadilho) e cujas preocupações são muito pouco relevantes; as mulheres que realmente enfrentam dramas graves em países bom,...complicados não
 podiam importar-se menos com a forma como se aplaude. Quanto às mulheres que são vítimas de violência nas nações ditas civilizadas e evoluídas, também essas com causas a sério para sofrer de ansiedade, às tantas preferiam que os agressores batessem palmas num concerto do Justin Bieber ou da Lady Gaga até lhes doer as mãos do que ter a lei por eles, ou quase, a permitir-lhes usar as mãos para coisas piores. 

Segundo, que se a tendência entra em voga estou bem arranjada. É que nunca soube estalar os dedos...já tentei mas não sou capaz, nem quando em pequena queria imitar a Cleópatra do filme do Asterix...







Monday, November 16, 2015

E a capacidade feminina de ralhar por hooooooras a fio?



"As velhas, umas dão para rezar, 
outras para ralhar desde a manhã até à noite...."

Bernardo Guimarães, in a Escrava Isaura


Más notícias, minha gente: não é preciso ser velha - o que quer que "velha" signifique actualmente- para ter a mania de ralhar de manhã à noite. Esse vício feminino está para as mulheres como a capacidade de embirrar e amuar por hooooras (um só "o" não serve; é mesmo "hooooras") está para os homens.

Ralhar, repisar, enumerar "fizeste isto, fizeste aquilo" e bater na mesma tecla é um hábito nervoso associado ao pecado da murmuração (outro que o mulherio comete bastante) e que é capaz de transformar a jovem mais encantadora, ou a senhora mais elegante, numa velha rabugenta

Uma mulher contrariada tende a refilar, é verdade; especialmente se sente que não a ouvem, que fala para o vento. Quem tem mãe, esposa, sogra, namorada e por aí fora saberá isto muito bem. Porém, combatamos o feio hábito de martelar o que já foi dito e repetido: até para a neura há regras de cortesia!


Diz o povo - e bem dito- casa que não é ralhada não é casa bem governada. Mas tudo se quer na medida certa. Refilar constantemente, até o "adversário" gritar por misericórdia ou fugir para as trincheiras (isto se não perder a cabeça por sua vez) é colocar-se numa posição demasiado emocional e parcial (ou sem eufemismos, um bocadinho histérica) para que alguém leve os sermões a sério.  

Além de dar com os outros em doidos, de lhes tirar o foco e a serenidade para enfrentar aquilo que é de facto relevante e de não resolver coisa nenhuma, por muito justificado que seja o ralhete. As coisas para serem bem ditas, precisam de o ser uma vez ou duas, com calma e serenidade.

Ralhos constantes, embirração, recriminações, ditos ácidos, sarcasmos, concentrar-se em pormenorzinhos que não são o mais importante deixando o que realmente importa para segundo plano, pôr a vontade de desabafar acima de tudo o resto, ainda que de modo passivo agressivo, é fazer muito barulho por nada.


Torna a casa um inferno, quando a mulher deve - sempre que possível- essencialmente transmitir serenidade e confiança a quem a rodeia. Ninguém dá ouvidos a uma pata choca que faz birra e aflige toda a gente com os seus modos de alma aflita. 

É como na história do rapaz que gritava "lobo!": se respingam, fazem nha nha nha non stop e se descompensam por pouca coisa, quando houver realmente caso para alarme, então que não se dirá?

Contra a murmuração feminina, é preciso temperança...ou não ser destemperada! Ter a humildade de reconhecer que não se controla o universo,  que nem sempre as coisas (e as opções dos outros) tomam o rumo de que gostaríamos, o que não quer dizer que não corram bem na mesma. E se os outros pensarem pela sua cabeça e errarem, o mal é só deles. 

Antes rezar, de facto - ou para quem não gosta de rosários nem coroas, fazer meditação, tomar uns chás de camomila, ter umas aulas de zumba para descarregar a adrenalina, fazer tricot, jardinagem, krav maga... qualquer coisa, menos ralhar de manhã à noite!

Thursday, October 8, 2015

O flagelo do "tenho de viver a minha vida!"

Imagem via

Esta semana ouvi duas histórias de gente amiga, boas pessoas honestas e trabalhadoras, que me deixaram muito zangada - ou ainda mais zangada - com estas filosofias relativistas do "o que importa é ser feliz, que a vida são dois dias", do "carpe diem", do "nada é errado se te faz feliz". Essas ideias egoístas e facilitistas de "eu mereço tuuuuudo", cheias de bovarismo e palmadinhas nas costas, de "não julgueis", que se deviam combater na base da enxada na mão (ou pano do pó) de manhã à noite, do chinelo (viva a moralidade) das trinta flexões (como no Exército) do Catecismo (já lá vamos) e se tudo falhasse, só com chicote (foi Eça de Queiroz que disse, não olhem para mim) andam por aí na boca do povo, nas redes sociais do povo, na imprensa... no firme propósito de apodrecer a sociedade pela raiz. Só pode.

Quando a moral é de elástico, perde a firmeza, dá-se um jeitinho, cede-se um bocadinho aqui e ali até que o elástico ou dá para todos os lados ou rebenta. Quando sem tem "uma mente muito aberta" o mais certo é caber lá de tudo, incluindo toda a sorte de lixo, e caírem os valores da cabeça abaixo. 

É que o Carpe Diem, sem o resto, é a desculpa perfeita para toda a pulhice e malandrice, incluindo a facadinha na cara metade. E antes de avançarmos, digo-vos já o que isso é: R-E-L-E-S. Muito reles. Não adianta dourar a pílula, que quem quiser defender galos doidos e serigaitas pode ir procurar outro blog...

 Os contos que ouvi - um no feminino, outro no masculino-  são praticamente iguais. 



#Caso 1:  um rapaz, bem casado (pela Igreja, ainda por cima) com uma rapariga de óptima família, super mimado pelos sogros que ofereceram todas as comodidades ao casal e pai de um pequerrucho encantador, fugiu com uma maluca dessas que se acham inteligentes, logo "sensuais". E agora a criança anda tristinha que só visto, de casa em casa a conviver com uma destruidora de lares, enquanto a legítima lida com o divórcio com toda a dignidade que conseguiu reunir.


"Chegou a minha hora! Tenho de viver a minha vida!"

#Caso 2: Uma mulher nos seus late thirties, com um marido impecável (ou bom demais) e dois ou três pequenos, que um belo dia decide começar a passar muiiito tempo a olhar para o telefone, a sair com as amigas em grandes noitadas, a empandeirar a prole para casa da avó, a vestir como uma desvairada (o marido devia ser santo, também...). Estava-se mesmo a ver, dali a zarpar com um Carlão do ginásio foi um pulo. Perante o desespero e estupefacção do marido, ainda teve a desfaçatez de dizer: "chegou a minha hora! tenho de viver a minha vida!". Alto lá, que fico confusa: viver como esposa e mãe não faz parte da vida? E se se referia à má vida e estroinice, mal por mal não se havia de ter lembrado disso antes, nos tempos de faculdade ou assim? O pobre coitado passou um ano sem sair de casa, deprimidíssimo, só com as crianças e a emagrecer a olhos vistos, mas como era bom rapaz (e as notas de 100 euros nunca ficam para aí a voar sozinhas, alguém as apanha) mal começou a arrebitar apareceram-lhe partidos melhores. E a adúltera descarada (sim, aqui chama-se adúltera a quem o é!) mal o Carlão deu à sola porque isso é algo que os Carlões fazem muito, contava - porque mulheres assim 
acham-se sempre irresistíveis - que se repetisse a história de Gomer

Bem se enganou, porque o marido não quis ser paspalho nem fez de Oseias...



Que as pessoas agissem assim antigamente,  quando tinham menos liberdades e eram pouco informadas, já era mau; que o façam hoje, quando a pressão social para constituir família é muito menor, têm mais anos para decidir o que querem ou não querem e ainda por cima vivem num estado laico que não obriga ao casamento religioso, é o cúmulo da irresponsabilidade. É tomar um Sacramento como quem vai ali buscar um menu ao McDonald´s, "se não correr bem as coisas desfazem-se do mesmo modo que se fazem". É que casar na Igreja é mais bonito, fica melhor nos retratos, mesmo que nunca se lá ponha os pés o resto do ano. E a desculpa gravíssima para quebrar os votos? "Já não me ando a sentir feliz".



 Como se o na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, etc, fosse só para dar mais chic à cerimónia, e o casamento fosse um parque de  diversões. Sacrifícios ninguém quer, pois - e mudando de cara metade tudo é rosas para sempre, não há dias maus. Há maior criancice? E depois o Papa é um bota de elástico e um retrógado que "se devia adaptar aos tempos" porque não "anula" casórios do pé para a mão, a bel talante de quem nem se dá ao trabalho de ler as regras antes de aceitar participar no jogo. Há tantas coisas a lamentar aqui -  a ignorância arrogante e voluntária, a vaidade extrema, a falta de valores, de estrutura moral, de amor verdadeiro, de reflexão, de seriedade - que nem vale a pena começar. 

Será que "o casamento não é um parque de diversões" devia ser frase gravada nas alianças, afixada à porta do registo e das Igrejas? É que às tantas as pessoas andam confundidas...

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