Vejamos então três que me andam a tirar do sério:
Chanel, Gabrielle
Entenda-se: eu adoro all things Chanel (bom, quase tudo), incluindo boa parte dos seus perfumes, e acho Karl Lagerfeld um génio. Depois, apesar de eu ser muito esquisita quando se trata de fragrâncias novas, Gabrielle é uma pura maravilha. Acho mesmo que se vai tornar um clássico. Deixa-nos envoltas numa nuvem deliciosamente aromática e luxuosa- sabem quando um aroma dura o dia todo e tem o efeito "mas o que cheira tão bem? Oh! Sou eu!"- um dom raro numa época de perfumes produzidos a martelo sem grande inspiração, ou cada vez mais "baptizados". É um perfume verdadeiramente fabuloso, juro.
Porém, confesso que tive preguiça de o experimentar graças ao anúncio.
Não tanto por eu embirrar com a menina enjoadinha de serviço, Kristen Stewart (que até está bastante bem em alguns dos ads de maquilhagem da marca, honra lhe seja feita) mas porque o conceito é mostrá-la endurecida, arrapazada, trapalhona, agressiva, desalinhada, meio tontinha e cheia de chiliques (estará triggered, meu floquinho de neve?), sem o mínimo de feminilidade nem graciosidade.
Salva-se a luz, a fotografia e a imagem parte Grécia antiga (uma das inspirações na mais recente colecção Cruise da marca) parte anos 1920. Ok, eu entendo que o look, silhueta e atitude "à la garçonne" fazem parte do imaginário central da Chanel, mas não é preciso levar a ideia à caricatura. Mademoiselle Chanel era avant garde, sim senhor, e moderna e fumava em boquilha e usava calças, mas procurava sempre a beleza, a harmonia estética. Then again, com todas as ideias feministas e de abolição de "estereótipos de género" que estiveram na moda em 2017, este é capaz de ser, simplesmente, um anúncio do seu tempo. Se isso apela ao público-alvo que compra Chanel, já é outra história. Ainda bem que o produto fala por si...
Jo Malone, Crazy Colourful
Gosto muito desta popular marca de perfumes (recomendo o de flor de laranjeira e o de rosa encarnada, ambos uma maravilha) e costumo achar muita graça tanto ao seu conceito minimalista, quase de botica, como ao facto de ser uma marca very british. Jo Malone honra o seu DNA inglês e faz um sucesso estrondoso com os consumidores orientais, especialmente chineses (que a compram quase por atacado, se lhes derem asas). Isso pode explicar a imagem meio excentricidade asiática, meio Mod Londrino dos anos 1960 do seu anúncio de Natal (que de natalício só tem mesmo os Christmas crackers- aqueles pacotinhos dourados com surpresas e confetti) .
Mas também não era preciso ir tão longe! Entre os gestos esquisitos e meio infantis dos protagonistas, de quem tomou uns pirolitos valentes ou não joga com o baralho todo, mais a maquilhagem, as caretas, a coreografia peculiar/ enervante (aquele gesto circular com os braços faz-me choques nos neurónios) e a música psicadélica, não sei se acho o anúncio apenas muito curioso ou verdadeiramente perturbador.
Parece ter sido inventado por alguém que só aguenta as reuniões familiares de Natal com uma valente dose de copos e cigarros que fazem rir e criou isto só para desconstruir a quadra. Depois, o rapazinho, com aquele cabelinho de boneco e aquelas sobrancelhas, lembra-me não sei que persona non grata e só me apetece dar-lhe um safanão. Aliás, tenho vontade de entrar por ali dentro, desatar aos pontapés às caixas e correr tudo à bofetada, a ver se se comportam como gente. Tarados. Ufa, que me soube bem tirar esta do sistema.
Dolce & Gabbana - The One
Desta feita, a marca decidiu continuar a apostar no universo pitoresco a que nos tem habituado, pondo os protagonistas da campanha a interagir com os populares numa festa folclórica de Nápoles ao som de Tu vuo' fa' l'americano, com muita cor, muita pasta e muito gesto de mãos. E decidiu juntar a isso um bocadinho de mediatismo imediato, passe a onomatopeia, convidando para "caras" do perfume The One duas das maiores estrelas de Game of Thrones, série que parece ter o condão de agradar a gregos e troianos.
Até aí, nada contra. E diga-se em abono da verdade que a versão fotográfica da campanha resultou - quase toda ela - lindamente. O pior é que em vídeo, a ideia tinha tudo para funcionar...mas por alguma razão que me escapa, não funciona.
Primeiro, Emilia Clarke: a menina é encantadora e muito simpática, mas escusavam de lhe disfarçar a beleza com uma peruca acachapada (fui investigar, é mesmo uma peruca) e uma maquilhagem que lhe dá cara de quem dormiu pesada sesta (estranhíssimo, já que a D&G costuma ser infalível quando o assunto é maquilhagem).
Mas o que constrange no spot nem é isso: é que, tanto na versão masculina como na feminina, o John Snow e a Daenerys parecem totalmente forçados, acanhaditos e pouco à vontade, o que a modelos ainda se desculpava mas é esquisitíssimo em quem faz de representar o seu ganha-pão. Até fui googlar para perceber se era só impressão minha ou se mais gente achava o mesmo, mas parece que basta dar uma volta pelo Youtube para perceber não sou a única a ter tal opinião. Será má direcção de actores? Ou a premissa da coisa é fingir que as personagens de Game of Thrones saltaram directamente do universo da série para Nápoles e se sentem completamente taralhocas no meio daquela festa toda? Em todo o caso, o resultado soa amador, algo que não se espera da dupla D& G- culpa sua, porque nos habituou à perfeição. Vergognazza.
















































