Showing posts with label a minha vida. Show all posts
Showing posts with label a minha vida. Show all posts
Wednesday, February 25, 2015
O Imperatrix está snobíssimo esta semana!
Isto porque o prestigiado autor, jornalista, trend watcher e ensaísta Anton Moonen - de quem já vos falei várias vezes e se não leram nenhum livro dele, estão a perder uma dose vital de humor e de bom senso - me colocou entre os ilustres convidados para falar dos bons e maus snobismos no seu delicioso blog, Snobilissime. Podem espreitar a entrevista desta vossa amiga aqui.
Acerca de Moonen, que dedicou um percurso brilhante (colaborou com a Vogue, Vanity Fair e Elle, entre outras revistas) à reflexão sobre o snobismo e elegância, escrevi há tempos "no século do Facebook, do cosmopolita bacoco, do trendy à martelada e do juntar-para-comprar-uns-Louboutin-para -escarrapachar-no-blog-a-fazer-inveja-aos-pobres, podemos estar privados do espírito um de um Oscar Wilde, de um Baudelaire, de um Lord Byron, de um Eça, mas ainda temos Moonen, entre meia dúzia de iluminados, para pôr juízo na cabeça das gentes. A rir, comme il faut".
Aconselho-vos a debruçarem-se sobre o trabalho de um dos últimos arbiter elegantiae que se atrevem a dizer publicamente o que pensam. Em português, infelizmente, creio que só temos publicado o Pequeno Breviário do Snobismo, livro de cabeceira excelente para pequenos requintes, anedotas do mundo elegante de outros tempos - e para descobrir carecas aos pretensiosos ou patos bravos de serviço, o que é sempre útil.
Só me resta dizer que fica combinada, para breve, uma enquête ao árbitro das elegâncias aqui no nosso salão, para termos a última palavra sobre as ditas. Mal posso esperar para lhe perguntar quais são os seus "eu embirro com".
Wednesday, December 4, 2013
Love means never having to say you´re sorry.

As desculpas não se pedem, evitam-se. E quem ama não obriga o outro a pisar ovos.
A frase batidíssima na imagem acima nunca me disse muito, porque não tenho nada contra o nobre e natural acto de pedir desculpas.
Se uma pessoa fez um disparate, se se excedeu, cometeu um lapso, falou demais ou de menos, se esqueceu, exagerou... em suma, se errou e está arrependido, o mais normal é que o "desculpa" saia automaticamente.
Mas o "forgive me" ou o ainda mais espontâneo "I´m sorry" só valem alguma coisa se acompanhados da intenção de corrigir o problema. Já me pediram desculpa esperando continuar exactamente na mesma, mantendo o mesmo comportamento - como um pecador que vai ao confessionário, cumpre a penitência e mal sai da Igreja repete a graça. Por isso, o "desculpa" em si mesmo, isoladamente, vale muito pouco. É meramente simbólico. Há muitas formas de mostrar que se lamenta sem o palavrão, sem essa formalidade que se pode perfeitamente dizer da boca para fora. Nem todo o "desculpa" é sincero.
Como nunca me fez diferença desculpar-me, a citação do filme (lamechas mas com um figurino fabuloso) costumava passar-me ao lado. Não sou tão orgulhosa que me custe pedir desculpa, não é por aí que deixo de me entender com as pessoas.
Só recentemente atingi o significado do cliché, que não tem nada de profundo: primeiro, as desculpas não se pedem; evitam-se, lá diz o povo. Melhor que estar sempre pronto a pedir desculpas é ter cuidado para evitar situações que magoem. E isto de parte a parte, porque se as pessoas forem do género de se melindrar com tudo e mais alguma coisa, levantar pés de vento por cada palavra que lhes dizem, não se faz mais nada senão pedir desculpa e o desgaste é inevitável.
O que me leva ao segundo ponto: entre pessoas íntimas, que partilham tudo, as desculpas constantes são desnecessárias. Quem nos ama não nos obriga a pisar ovos: há um cuidado mútuo para evitar melindres, mas se surgirem desvanecem-se com carinho. Pessoas que se amam estão à vontade umas com as outras para dizer o que têm a dizer, para discutir o que for necessário, para brincar e para se reconciliarem quando pisam o risco.
Uma relação íntima ou familiar não tem a distância nem a rigidez de um conhecimento profissional ou social. Mesmo que surja um desentendimento há a confiança de saber que dali a pouco fica tudo bem - que um beijo, um abraço, uma piada resolvem o arrufo.
O amor implica respeito, mas contém alguma elasticidade e conforto: o amor não admite o medo constante de ofender. Não desaparece com a ausência de "desculpas". Não convive com a tortura psicológica que é o amuo, a retaliação, o "não falo mais contigo", a culpabilização, o jogo de poder, o desejo de ver o outro rebaixar-se, vir às boas, "pedir batatinhas".
Não que pedir desculpa rebaixe alguém - mas exigir constantemente a desculpa, o mea culpa, é uma forma desorientada de gostar de quem quer que seja.
Onde há amor, há segurança: a segurança de saber que o outro não vai a lado nenhum. A confiança de um porto seguro. O baixar mútuo de defesas
. A necessidade constante de ouvir o desculpa não passa de vaidade. E lá está - o amor e o orgulho nunca partilham o mesmo tecto. O amor não pisa ovos. Nem se alimenta de desculpas.
Tuesday, February 26, 2013
Musas altamente pouco cooperantes
| Nós, Musas, fazemo-nos esperar quando os artistas mais precisam de ajuda. |
Vou ali rezar a Apolo a ver se me ilumina, e volto já.
Sunday, February 10, 2013
Eu adoro o Carnaval, e vocês?
Já não é a primeira vez que vos falo no Entrudo. Eu adoro o Carnaval, mas o Carnaval europeu, muito nosso, com máscaras que jeito tenham, cabeçudos, gigantones, matrafonas e caretos. Ou vá lá, a Mardi Gras de Nova Orleães, que é uma festa francesa, à grande e à francesa (evitando, claro está, as zonas onde se passam exageros à romana, que os tempos são outros e os ideais de comportamento também). Por muito que o Carnaval seja inspirado nas Saturnálias, festivais romanos em que se fazia tudo do avesso, nos Bacanais sagrados e por sua vez, nas festas gregas plenas de excessos em honra de Dionísio, não acho graça ao samba e às mulheres descascadas, ainda por cima no nosso clima e com este frio. Há muitas maneiras de uma pessoa se preparar simbolicamente para a Quaresma (e ao assinalar a data, acho que tem outra graça se tivermos o simbolismo em mente; não consigo ver algo tão antigo como se fosse uma simples festa do calendário). Quanto a fatiotas, sempre preferi encarnar figuras da História, da Cultura Pop ou da Literatura, com roupas verdadeiras em vez de fatiotas descartáveis de tecido inflamável. Todas personagens muito femininas - exceptuando a vez em que fui de ninja, que é uma toilette unisexo e que me agradou precisamente pela ambiguidade. Adoro ver máscaras que façam rir (e em Coimbra já vi de tudo, até duas raparigas a fazer de autocarro) mas não consigo usá-las com piada.
Há sempre algo com que compor um disfarce na minha arca das trapalhadas e se for necessário, acrescento algo de novo, devidamente acompanhado de uma caracterização à séria. Uma das minhas alegrias tem sido desencantar máscaras para mim e para os meus amigos. O meu irmão, quando era divertido e se mascarava (hoje está feito um chato e já não me deixa) foi de Corvo, de Marilyn Manson, de boneca assassina, de acólito do demo e de outras coisas que agora não me ocorrem. Recordo-me que em pequena moí o juízo à mãe para me mandar fazer um vestido (cor de rosa e com anquinhas) para ir de Milady de Winter. Eu adorava a mulher, gira que se fartava e com aura de bad girl incompreendida. Certo ano, já na faculdade, fiz um sucesso danado quando me vesti de dançarina de cancan - daquelas que Toulouse Lautrec pintava, todas bonitas mas a deixar adivinhar que a tísica as limparia mais dia, menos dia: faces pálidas, rouge e olheiras, meias às riscas sob uma saia longa de veludo e corpete de brocado. Tive de me zangar, nessa noite, com uma data de escoceses, mas faz parte - e a experiência ensinou-me que quem se veste de coelhinha ou qualquer coisa realmente sexy deve passar um mau bocado, sob a desculpa "ninguém leva a mal". Calminha na América. Ainda assim, hei-de vestir-me de (mal) criada francesa - fatinho correcto, avental branco, espanador e ar gaiato. Quando era pequena não achava piada mas numa mulher fica giro.
Num ano em que não havia tempo nem pachorra - coisa rara - o grupinho foi de mafiosos- italianos -num -palácio -veneziano -numa -festa -de -sociedade secreta: vestido preto de cocktail para as senhoras, fato negro para os homens, tudo chic a valer, e uma máscara no rosto. Foi simples mas funcionou lindamente.
Uma das fatiotas que adorei foi a de pirata siciliana. Tudo a ver comigo, e composta de tesouros guardados cá por casa, devidamente adaptados e com o penteado/maquilhagem a condizer, que nunca me agradaram as máscaras feitas às três pancadas: se é para a desgraça, é para a desgraça e tem de ser a sério. Este ano devo repetir - with a twist - um disfarce que já usei antes. É de uma mulher, uma protagonista de um dos meus livros preferidos e tem o ar mais dramático que pode haver. Ando numa aflição para segurar o chapéu porque não me lembrei de comprar alfinetes e estou com receio de não os arranjar, mas veremos. E a vossa fatiota, já está decidida? Ou embirram abertamente com o Carnaval? Contem-me tudo.
Monday, April 23, 2012
Breathing
| Jesus Christ Superstar (1973) |
Conheço muito boa gente que as guardaria só para colecção, mas eu não sou esse tipo de apreciadora, pelo menos não nesta fase da minha vida. Não preciso de tralha. Não preciso de invasões nem prisões de ordem alguma. Nunca mais.
Não quero nada que me incomode: calçado que aperte, roupas que fiquem largas, objectos que ocupem espaço para inglês ver, situações que me sufoquem, pontas soltas, circunstâncias que me constranjam, peças que não me sirvam, a empatar a minha existência. Livre! Tenho tantas coisas boas e bonitas que seria um pecado gastar tempo e espaço com inutilidades...
Tuesday, October 12, 2010
A minha vida não dava um livro!
Dava um Bodice Ripper, vulgo romance de cordel. É por isso que não a transformo numa novela. Primeiro, porque os leitores iam pensar que era tudo fruto da minha imaginação. Depois, porque os factos são tão rocambolescos que só podiam descambar em má literatura - e a má literatura é para saborear às escondidas, com um sentimento perverso de culpa, em privado. Mas que as capas são giras, isso são.
Subscribe to:
Posts (Atom)






