
Se ouvimos falar dela hoje, é apenas pela sua beleza estonteante, perfeita, desafiadora de épocas e cânones. Ela tinha magníficos cabelos acobreados, pálpebras em meia lua, um rosto imaculado, olhos dourados e um corpo oh-oh. O seu aspecto rendeu-lhe o cognome " Dame de Beauté" .
Agnès pertencia à pequena nobreza e conquistou o coração do Rei ao ajudá-lo a sair de uma grave depressão. Tinha 20 anos quando o conheceu, e o resto é história: foi a primeira amante real a ser oficialmente reconhecida. De gostos extravagantes, ficou famosa por lançar na corte a moda dos decotes escandalosamente abertos - uma tendência que ela suportava bem, já que o seu busto escultural era quase tão célebre como ela própria...
Porém é também lembrada pela bondade, meiguice e generosidade para com os pobres, qualidades que devem ter ajudado a cimentar o seu ascendente sobre Carlos e que lhe asseguravam certa estima geral.
Curiosamente, um dos netos de Agnès, Louis de Brézé, senhor d´Anet, seria o marido da celebérrima (e maravilhosamente bela) Diane de Poitiers, a amada de Francisco I.
Agnès era uma mulher da sua época, um ícone de moda do seu tempo e representou o papel que lhe estava destinado. Nela há que a louvar a beleza, que foi fruto do acaso e de um certo sentido de estilo. Agora admirar realmente é outra história, e há um vulto da mesma época a quem tiro o chapéu: a sogra de Carlos VII, Iolanda de Aragão, Duquesa de Anjou e Rainha consorte de Nápoles. Mas essa grande dama é assunto para outro post e outras cavalgadas, pois não se limitava a ser linda de morrer.