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Saturday, January 10, 2015

8 tendências que vão permanecer- ou surgir - em 2015

Out with the old, in with the new:  nem sempre o "virar de página" do início de um novo ano se aplica tão literalmente quando se trata de estilo, e ainda bem. Algumas tendências úteis (e clássicos que ficaram na berra, estando por isso mais disponíveis nas lojas) andam por aí há um par de anos e vão continuar a ditar os looks por mais algum tempo. Outras ainda, foram "ressuscitadas" e vão permitir brincar com combinações interessantes. Nota bene:


1-Loafers


Apesar de não usar muito alguns pares que tenho no armário - não são a opção mais imediata para mim, confesso - adoro vê-los por aí. Os melhores e mais fáceis de usar são os de salto médio, ou com uma ligeira plataforma. Com saias, calções ou vestidos acima do joelho dão um ar honesto e preppy, quase colegial, quebrando uma "vibração" demasiado provocante; e ficam fantásticos com calças estreitas. A combinação mais fácil para tirar partido deles e não errar nas proporções, porém, é com skinny jeans curtos e um blazer ou casaco um pouco mais longo. Chic num minuto.

2-Camel coat
Ermanno Scervino F/W 14/15
Um clássico que voltou a dar ares da sua graça há cerca de dois anos, e que tem tido grande adesão por motivos óbvios: dá boa cara e um ar repousado, pode atirar-se por cima de qualquer coisa para ir à padaria pela manhã e mesmo assim parecer elegante, e como é neutro fica fabuloso com praticamente todas as toilettes (até há quem os acompanhe de ténis, com grande panache).
Quanto mais não seja, tem o mérito de ter posto muita gente que não gostava de sobretudos "de gente crescida" a usar casacos dignos desse nome. Sempre gostei dos meus e não me maça minimamente que tenham ficado na moda, até porque cada uma os usa à sua maneira.

3- Polos



Sou uma grande fã de polos e nunca me afastei deles: representam uma alternativa mais composta à t-shirt ou top e bem pensados, podem usar-se com muito mais do que jeans. Ralph Lauren (who else?) lembrou-se de os devolver à ribalta, por isso se ainda têm alguns, revisitem-nos e se não, pensem na compra de um ou dois.

4- Trench Coat

Não lhe chamaria uma tendência porque é o clássico dos clássicos, mas estando na moda há duas vantagens: mais versões disponíveis nas lojas e mais pessoas a usá-los nas ruas (em vez dos pavorosos casaquitos curtos que dão um ar barato a tanta gente). A gabardina não recebeu o nome "casaco das trincheiras" por nada - desde que seja de boa qualidade pode sobreviver-se a tudo com uma e é possível usá-la tanto sobre um vestido de noite e scarpins como com jeans e bailarinas. Há imensas opções por aí, de diferentes cores e comprimentos, mas podendo ter só um exemplar é melhor não se distanciar muito do original: bege, assertoada, abaixo do joelho, com cinto e de preferência, forrada.

5- Saias lápis (e toda uma parafernália de peças em estilo clássico ou ladylike)

Sou suspeita, mas tudo isto contribui para tornar as mulheres femininas e elegantes, além de favorecer praticamente todas as mortais: realça a figura esbelta de quem é esguia, acentua as silhuetas estilo Raquel Welch e para quem tem curvas mais voluptuosas, desde que coordenado correctamente favorece o que deve sem mostrar o que não deve. Além disso, dá um ar mais dispendioso e polido a qualquer uma. Carry on.


6- Couro


Calças de vários estilos (skinny, cigarrette, pantalonas) saias de todos os modelos (balão, lápis, linha A, curtas, plissadas, etc) e casacos em pele têm aparecido nas colecções desde 2012 e foram conquistando as ruas pouco a pouco. Há ainda calções e vestidos, que são opções um pouco mais arriscadas. Em todo o caso, ameaçam passar de trendy a básico indispensável por bons motivos: acrescentam um toque luxuoso e original a qualquer toilette, desde que acompanhadas de peças simples (como malhas ou uma camisa branca) e podem usar-se para o dia ou para a noite. A pele é sempre preferível à napa, claro, salvo eventualmente no caso de peças que exijam grande flexibilidade (como as calças super skinny).


7-Boyfriend jeans (e outras novidades em denim)


Porquê? Porque por muito reconfortante que seja confiar nos skinny jeans como uniforme (os marotos prestam-se realmente a tudo, há que admitir) usar sempre o mesmo é aborrecido, e porque a reciclagem de jeans de todos os feitios a que temos assistido possibilita brincar com muitas relíquias. Os boyfriend jeans são confortáveis; os de cintura subida, bem conjugados, são inegavelmente chic, e acho que já ninguém dispensa as  camisas de ganga. Mas vai haver muitas variantes denim para nos entretermos: o regresso dos flare jeans, pantalonas, vestidos, e sabe-se lá o que mais.


8 - Gingham

Diane Von Furstenberg

O padrão "toalha de mesa" tão amado por Brigitte Bardot é - a par com o tartan, o  windowplane plaid, as breton stripes, os polka dots e mais um ou outro - uma estampa intemporal que dificilmente parece datada ou barata. 
 Em 2015 vamos vê-lo bastante, e é bom pensar em aplicá-lo a um top, coordenado ou vestido, porque confere um ar simultaneamente sofisticado e inocente que nunca cai mal.





Friday, January 2, 2015

Foquemo-nos no lado bonito da vida, minha gente.





Reparar, apontar, ironizar, satirizar, são ferramentas essenciais para o aperfeiçoamento... desde que sejamos mais rigorosos com a nossa pessoa do que com os outros, bem entendido. É vendo o que não nos agrada no próximo que podemos corrigir-nos, afastar-nos de más companhias ou comportamentos menos abonatórios e  influenciar quem está à nossa volta a não cometer erros semelhantes.  Cito muitas vezes Oscar Wilde, que dizia que só as pessoas superficiais não julgam pelas aparências. E mais vezes digo que é preciso um malandro para ser condescendente com todas as malandrices, um patifório para desculpar patifarias, e assim por diante.

 No entanto, é certo que se um tem a liberdade de agir, vestir, falar e pensar como entende...os outros, gozando de igual liberdade, têm o direito de pensar disso o que acharem melhor e de por sua vez, criticarem também. 

A verdade é que vivemos uma época estranha: as pessoas dão opinião sobre tudo mesmo quando não têm nada de válido a acrescentar - e as redes sociais são um pratinho para quem adora debater e opinar nem que seja sobre lentilhas - mas, por outro lado, têm uma noção relativa, politicamente correcta e falsamente fofinha do bem e do mal, do belo e do feio, do certo e do errado. Cai-se quase no extremo "nada é real, tudo é permitido" e se ninguém gritar "calma lá que isto é feio/pouco ético/grosseiro/ir com o rebanho...é um vê- se- te- avias de gente a ir, como o Dantas, com as modas e as opiniões.

Frequentemente, quem por aqui passa diz-me "nem sempre concordo com tudo, mas ao menos fico a pensar em coisas que nunca me tinham chamado a atenção"...que é exactamente o que se pretende. Também eu gosto de ler blogues, jornais, sites e crónicas que me deixem a pensar, que dêem nome às coisas que às vezes me passam pela ideia mas não sei bem precisar.



 Porém, é preciso não ser um Savonarola -  o reformador Dominicano que na sua ânsia de combater as fraquezas humanas, convenceu Botticelli a destruir algumas das suas belas obras e virou Florença do avesso, com prejuízo de si mesmo. A sua causa era justa, mas sempre pensei que poderia ter vivido mais tempo e salvo mais almas conforme acreditava se não se tivesse focado tanto (ou apenas) no que era mau.

 Parece-me que devemos fugir do feio, mas dar mais ênfase ao belo; condenar o mal, mas puxar pelo bem. Só assim se conserta alguma coisa...

 Por cada moda vulgar que surge, os designers fazem cem coisas realmente lindas, que enaltecem a beleza da mulher.

Por cada  homem que se porta mal, há outros tantos dignos e íntegros.

Por cada mulher que envergonha o belo sexo, existem milhares que provam o seu valor com beleza, virtude, esforço, classe e inteligência.

Para cada bruto que não respeita o seu semelhante e maltrata animais, há pessoas que dão o seu tempo e meios para fazer a diferença no mundo e ajudar o próximo.

Por cada canção apimbalhada que puxa pelo pior das pessoas, existem milhares de obras fantásticas de todos os géneros.

Se algumas dançam twerk pelos cantos, há milhões de meninas a aprender ballet.

Que este ano seja de mais admiração, mais elogio e menos desabafos, é o que desejo a toda a blogosfera e a quem nos acompanha. 





Thursday, January 1, 2015

Ora vamos lá estrear o Ano.



Um Ano Novo é um pouco como um vestido que temos mesmo de estrear - ou porque é tão lindo que não aguentamos a espera, ou porque foi comprado para uma ocasião específica e não há outro remédio.
Podemos começá-lo cheios de resoluções e esperanças renovadas, ou simplesmente ficando descansados porque a vida continua como dantes no Quartel de Abrantes - temos 365 dias novinhos à nossa responsabilidade. E são mesmo uma responsabilidade, por mais positivo que se seja! Há a obrigação (e a pressão) de fazer alguma coisa de jeito com o novo calendário, como tivemos a obrigação de estar bem dispostos e de nos divertirmos ontem à noite.

 Aliás, poucas coisas nos dizem tanto que estamos vivos - e que o mundo continua a girar exactamente na mesma - como pôr o nariz fora da porta na noite de Ano Novo. Ainda que se faça apenas o percurso de casa até ao sítio (de preferência, confortável e limitado às companhias da nossa escolha) onde pretendemos passar a meia noite, quem tiver olhos verá, como a Elle diz e muito bem, a singular mistura de "álcool, frio e interacção forçada com outros seres humanos" que compõe as celebrações deste tipo.

  E por falar em interacção forçada com outros seres humanos, nenhuma disposição reveillonesca conseguiria impedir-me de reparar nos trajes de duas "amostras" que vi - uma com mini vestido e meias de liga propositadamente à mostra, casaco curto e saltos estilo andaime - com o namorado ao lado, de cabelo espetado com gel comme il faut,  a fazer figura de urso ou de empresário, vá-se lá entender a postura destes rapazes. Outra, uma Lady Gaga em versão rechonchuda com ares de manicura de bairro, braços roliços descobertos com um frio de rachar, recortes fresquinhos por todo o lado, calçonitos e um decote monumental a fazer prever uma fatia de bolo rei com brinde, fava e tudo a cair por ali abaixo.

Ambas, como tantas, luzindo os "tops de sair" de que falámos há dias mas em versão baratuxa, que não há meio de desaparecerem de cena e (sigam o link para o artigo, acho sempre piada quando a imprensa internacional repara no mesmo que eu) já são objecto de análise.

 Para quem gosta de ver gente bonita e bem vestida, noites em que todo o mundo sai à rua são um verdadeiro "onde está o Wally?". E uma pessoa fica (eu de casaco e sobretudo por cima do resto) a pensar que é verdadeira a teoria dos pinguins, ursos polares e serigaitas"

Qualquer receio de que o mundo acabe no fim de ano, ou esperança de que mude magicamente depois das doze badaladas, ficam logo ali arrumados.

Feliz 2015!



Wednesday, December 31, 2014

3 outfits de última hora para o Reveillon


Algo a estrear (para atrair boas notícias) uma peça azul (porque é costume) um toque de dourado (para chamar a fortuna) e de encarnado (para o amor)...tudo tradições muito bonitas.
 Mas a não ser que tenha planeado o reveillon com a devida antecedência, pode dar-se o caso de ainda estar às voltas com o que vestir para logo à noite. 
 Depois, sejamos realistas - fora das festas mais formais em ambientes quentinhos, tiritar numa toilette frufru é um disparate (e porque é que se vendem tão poucos vestidos de noite com mangas, quando está um frio de rachar?).
 Antes de usar o mesmo de sempre, think again - de certeza que há imensas coisas bonitas no seu armário que ainda não utilizou e que podem fazer toilettes adequadas (e confortáveis!) como manda o figurino.
Afinal, a tradição de se vestir mais chic para o Ano Novo é apenas uma forma antiga de agradecer o que houve de bom e convidar abundância e alegria para os doze meses que se seguem.


1 - Preguiçar em boa companhia junto à lareira

Com este frio, o que apetece MESMO (por muito tentador que seja sair...) é estar ao quentinho junto das pessoas queridas, com boa comida, uma taça cheia e uma lareira acesa. Mas estar em casa não significa esquecer que é dia de festa, por isso nada como um update ao look de todos os dias. Breeches ou skinnies simples, pretas, com uma camisola ou sweat festiva ou se preferir, o mesmo tipo de calças em pele + uma camisola fofa de boa qualidade. Depois é só juntar-lhe aqueles pumps que custaram os olhos da cara e que nunca usou.
 Já sabemos que depois da meia noite vai mudar para umas UGG ou umas pantufas de modo a devorar todos os filmes à vontade, mas até às doze badaladas convém fazer a parte, não vá o Ano Novo apanhá-la desprevenida - de acordo com a superstição, se estiver de pantufas à meia noite andará de pantufas todo o santo ano, e isso é capaz de não ser boa ideia.

2 - Festinha íntima com amigos


Ao longo da semana, todos os amigos que não tinham planos decidiram 
juntar-se em casa de um deles - ou vamos lá ser sinceras, a soirée estava mais que planeada mas como era só com gente íntima não pensou na toilette.
 Neste caso pode elaborar um pouco mais o visual, mas sem vestir nada muito fresco porque afinal, vai precisar de circular pela rua ou ir ao jardim contar as badaladas.
 Quando há pressa, a saia lápis especial - em pele ou tecidos ricos, como o brocado- que tem sido tendência nas últimas temporadas, é uma aliada perfeita.
 Uma alternativa menos clássica (e feminina with a twist) é saia rodada em couro ou napa, outra peça-tendência que tem estado em todas as lojas. 
Junte-se-lhes uma camisolinha ou crop top de malha clara (que caia imediatamente sobre a  cintura da saia) e uns bonitos stilettos (pretos ou de cor, se a saia for lisa) e já está. Se tiver pernas elegantes, um botim cavado q.b no tornozelo é uma opção mais confortável para usar com saia lápis.
 Não se esqueça de um bom sobretudo para fazer o percurso, et voilá.


3 - Ir para a rua ver o fogo de artifício 


Facto: há festas de rua por todo o lado e festejar no meio da multidão tem a sua graça...mas gelar, nem pensar nisso é bom!  A velha desculpa "bebendo e saltando ninguém sente frio" tem melhor reputação do que merece, além de ficar feio andar mal agasalhada. O cenário de raparigas tontas a tremer de frio nos seus vestidinhos pretos curtos e sintéticos com aplicações douradas e um casaquito por cima é lamentável...
 Ir para a rua com roupa de todos os dias também não tem piada nenhuma. Então, há que encontrar o meio termo: vestir para estar ao ar livre, mas com um ar luxuoso!
 Pense em Kate Moss e em Dr. Zhivago e adopte um visual rock chic: um casacão de ou com pêlo (que pode muito bem ser o abafo de peles que herdou da avó, ou o sobretudo extravagante que comprou nos saldos e nunca usou) umas cuissardes de salto confortável e um bonito carapuço de malha, daqueles que lhe oferecem todos os Natais mas só usa quando vai à neve. Por baixo, escolha- um vestido preto quentinho com collants polares, ou qualquer combinação de calças estreitas e camisola justa.


4 - Festa inesperada 

A sua cara metade decidiu surpreendê-la com um jantar num hotel luxuoso, ou a família tomou essa decisão à última da hora?
 Não pense demasiado nem vá buscar o vestidinho preto de cocktail - aproveite para estrear aquele achado mais vistoso e colorido que comprou em saldo e nunca chegou a vestir. Um dia não são dias, e sempre lhe dá uso - afinal, nesta data convém usar algo novo, mas se está no armário há dois anos ainda com etiqueta conta como novo. Basta adicionar os sapatos elegantes mais simples que tiver, e um bonito sobretudo. 



Sunday, December 28, 2014

Antes do Ano Novo: look the devil in the eye



Esta expressão significa, num sentido alargado, encarar os problemas, pegar o touro de frente - e poucas vezes isso faz tanto sentido como nesta altura do ano, creia-se ou não em resoluções de Reveillon. 
 É de rigueur virar a página e deixar de fugir de coisas que, bem vistas, só inspiram a quantidade de medo que lhes permitimos.
Em várias culturas é costume, nesta quadra, levar para a rua tudo o que desperta más recordações, ou parece mal assombrado, e deitar toda essa tralha a uma fogueira. Mas outra forma de exorcizar o enguiço é dar outro significado a esses objectos ou memórias.
 Se um vestido foi usado num dia triste e depois ficou encerrado no armário, num terror supersticioso, há que tratar de o vestir de novo numa ocasião feliz, com outros acessórios e outra cara. 

 Há anos maravilhosos, há os que caem na categoria de annus horribilis, mas a maioria encaixa-se na frase de Dickens: it was the best of times, it was the worst of times.

 Neste final de 2014, só posso fazer votos de acordo com o que tenho vindo a aprender ou antes, a solidificar: que haja sempre tempo (e bons momentos) para estar com os nossos amigos e família de sangue; muito olho vivo para seleccionar quem nos faz companhia; energia de sobra para manter os projectos em curso, porque criar coisas é fácil, o pior é levá-las até ao fim; doses de confiança e impassibilidade tão grandes que jamais alguém perceba quando não se sentem like a million dollars; o poder para deixar certas coisas andar por si próprias porque às vezes temos mesmo de relaxar e permitir que tudo siga o seu curso e quanto mais se corre atrás das situações mais elas fogem, como as sombras;  e uma total incapacidade para tolerar, ou fazer por agradar, (a) quem magoa de propósito, por poucochinho que seja.

 De resto haja saúde e um bocadinho de Virtù para aproveitar os ventos caprichosos da Fortuna, que tudo se arranjará.


Wednesday, January 1, 2014

O 1º dia de um novo ano...

                  

...é sempre modorrento - excepção feita aos sortudos (ou maluquinhos de serviço) que tenham planeado algo extraordinariamente divertido num lugar excepcional, e ainda sintam pedalada para festejar depois de tanta correria. Para alguns é de ressaca, para outros de preguiça, as ruas ficam desertas porque graças aos céus as lojas ainda são mantidas por seres humanos que precisam de descanso, quando eu era pequena era o dia de visitar familiares na vila dos vetustos antepassados e levar os brinquedos novos para brincar com os primos. Noutras ocasiões, ia-se à neve visitar amigos lá para a Beira Alta, sendo quase certo que não havia neve para ninguém porque era um Deus nos acuda com tanta gente a 
acotovelar-se para escorregar monte abaixo em trenós improvisados e lá em casa nunca gostámos muito de confusões. Não sei se é uma página em branco num livro de 365 dias. Não gosto da responsabilidade. Será mais um vaso vazio para se colocar coisas lá dentro, e eu não gosto muito de surpresas mas desta feita também não estou para planear. Às tantas o ano começou zen e eu não dei por nada - deixá-lo, ou como dia a avó, amanhã Deus dará.

Tuesday, December 31, 2013

Lembrei-me da frase que define este ano. Finalmente.

                                              

E agora chega, que eu embirro com lamechices e efemérides. Tenho algo  fantástico à minha espera para estrear esta noite (no que concerne a modas e elegâncias, 2013 foi realmente generoso) para atrair a Boa Sorte  e o resto não interessa. Esta é só mais uma noite que antecede um ano novo em folha, a estrear. Recomendo as mezinhas do costume para mandar embora os resquícios das coisas menos boas, porque ritual é ritual e as tradições não se discutem, cumprem-se. After all, tomorrow is another day.

Friday, January 4, 2013

3ª Resolução brilhante do Ano Novo: Pollyana com juízo

                                            
Regra para bem viver que às vezes deixo passar: as coisas a que damos atenção multiplicam-se. Lembram-se da personagem Pollyanna, que jogava o "jogo do contente" e tentava sempre ver o lado bom das coisas chatas que lhe aconteciam? Hoje, Pollyanna é um termo usado para classificar uma pessoa optimista,  um pouco pateta alegre até. Tudo se quer na medida certa. Embora a minha tendência para diagnosticar a raiz dos problemas e as causas que levam ao instalar dos padrões negativos tenha muita utilidade (é péssimo viver com coisas a atrapalhar cá por dentro, e a causar confusão na nossa vida) é muito mais agradável reparar nas coisas boas. Não é saudável nem normal andar sempre contente. Uma pessoa precisa de exteriorizar e analisar os factos para avançar na vida. Mas o cinismo, a desconfiança constante e a mania de ver tudo à lupa também nos tolhem a capacidade de descontrair, obrigam-nos a andar de cenho carregado, a dar muito mais importância às coisas ou pessoas que nos chateiam, que nos trazem aborrecimentos, do que às coisas maravilhosas que andam por aí à nossa espera.
 Amor com amor se paga. Há que valorizar, estimar, olhar com olhos de ver as pessoas, coisas, acontecimentos, novidades, palavras, oportunidades e ocasiões que nos aquecem o coração. E ao reparar nelas, falar nelas, atraímos mais dessas coisas, porque a Sorte é mesmo assim: gosta de estar com gente feliz, serena, que irradia boas vibrações.
 Este ano quero aproveitar, com todo o empenho, o que me dá felicidade e me faz bem, em vez de pensar "ora, se tivesse mais isto e aquilo...ou "se aquele outro assunto deixasse de me aborrecer..." pois quanto mais alegria temos, menos poder damos aos aspectos tristes, que se apesar dos nossos esforços não tiveram solução, talvez se afastem ou se resolvam por si mesmos. Mirram sozinhos, por falta de quem os alimente...
 Em relação a essas coisas negras, ou pessoas que só incomodam, há que aplicar, com afinco, o Jogo do Contente:

" Isto não presta para nada, não vale um chavo, só me causou desgostos...MAS ESTOU CONTENTE porque me livrei do imbróglio".

" Tenho muita pena que as coisas terminem em sais de vinagre (ou águas de bacalhau) mas ESTOU CONTENTE porque o assunto já não me diz respeito".

"Até sinto falta de X ou Y, MAS ESTOU CONTENTE porque já não preciso de me afligir com as maluqueiras que fará a seguir, e estou livre do stress que isso me causava".

Tudo na vida é uma questão de perspectiva e opção. Há que estar contente porque embora não possamos controlar certos factores exteriores, o poder sobre essas duas ninguém nos tira. Escolhamos aquilo que é fantástico para nós.



Wednesday, January 2, 2013

2ª resolução do Ano: fora com os fretes

                              

Durante os últimos dois anos, a minha intolerância ao frete foi crescendo, proporcionalmente à confirmação de que na maior parte das vezes, não se ganha nada com isso. Como a vida é preciosa demais para desperdiçar em situações que não me agradam ou com pessoas que me fazem urticária, está decidido.

A não ser em situações profissionais extremamente delicadas (afinal, lidar com conflitos é, por vezes, parte do meu trabalho) acabou-se:

- Privar com companhias que me desagradam, a bem da convivência pacífica (ou pior, para fulano ou beltrano ficar contente).

- Aceitar regras ou comportamentos com os quais discordo profundamente.

- Não reagir a coisas que me afectam, mas feitas veladamente, porque "não tenho pretexto para o fazer", "não é suposto dizer nada" ou "a situação não é oficial". Uma pessoa sente o que sente, reage de acordo e não tem de se desculpar por isso.

- Usar o desprezo, o cold shoulder ou a condescendência desdenhosa como panaceia contra pessoas desagradáveis. É um recurso útil, mas não serve para tudo e muitas vezes, a palavra é de ouro.

- Ficar quando não me apetece, para me lamentar depois. A vida ensinou-me que quando algo nos dá volta ao estômago, é altura de sair rapidamente: à francesa, estilo Houdini, em grande...mas desaparecer e assim, evitar revezes maiores.

- Ignorar a minha habilidade inata para dizer um redondo "NÃO" àquilo que me contraria.

Por isso, fica escrito para ninguém se espantar depois. Não ao frete, acabaram-se os fretes, morram os fretes, não se permitem fretes, fretes só no dia 31 de Fevereiro e na semana dos nove dias, queres fretes....*gesto à Zé Povinho* etc, etc.

Monday, December 31, 2012

Preparados para o Novo Ano?


Para garantir que entramos em 2013 com o pé direito, vamos lá conferir a lista:

- Lingerie nova, Azul (Sorte) ou encarnada (Amor);
- Comida auspiciosa (mariscos, frutos secos...eu enjoo com as passas, vamos ver se cumpro ou se faço batota).
- Notas e moedas (para atirar ao ar ou forrar carteiras e sapatos).
- Champagne ou espumante bom, para brindar e segurar na mão enquanto se dá saltinhos com o pé direito. Se entornar, é sinal de sorte;
- Velas brancas (luz) douradas (sorte) encarnadas (amor) azuis (saúde) e verdes (prosperidade).
- Apitos ou outros artefactos barulhentos (para espantar os maus espíritos).
- Roupinha nova e/ou de ar luxuoso - branca, dourada, azul, encarnada...as aplicações, bordados e brocados estão na moda, a época é adequada, e adoptar o estilo "Rei Mago" nesta altura do ano não faz mal a ninguém. 

 Que a Boa Fortuna esteja convosco no Novo Ano, com felicidade, segurança, saúde, amor e abundância para todos!

Sunday, December 30, 2012

As birras do Ano Velho




Não sei se vos sucede o mesmo, mas quando o Ano Velho está mesmo de saída acontecem coisas esquisitas. Uma pessoa pensa que já fez as suas resoluções para os próximos doze meses, que tem o balanço fechado e que enfim, só falta preparar os petiscos e a fatiota para o Reveillon descansadinha...e pimba, o Ano Velho, esse ancião jarreta, desata à bengalada às coisas como quem diz "olha que eu ainda não me fui embora! Não te livras de mim tão facilmente!". Uma pessoa leva as mãos à cabeça e responde-lhe:

 - Mas não podias sair pacificamente, com muita dignidade, e amigos como dantes? Tinhas de ir buscar mais coisas e desenterrar pecados esquecidos agora que estava tudo limpo e arrumado, agora que já pus todo o lixo fora? 
Mas velho teimoso, autoritário, com a veemência de quem tem já um pé na rua e nada a perder, ele lá continua a descobrir carecas, a expor factos, a lembrar coisas que ficaram menos bem feitas ou estão mal acabadas e que por muito que eu gostasse, não podem ficar "para o ano".
- Não, não puseste todo o lixo fora. Ainda falta isto e aquilo -lembra ele, apontando com o seu indicador adunco, de garras afiadas.
De modo que, para não perder o jeito, a agitação dos últimos dias tem passado por dizer umas verdades, pôr alguns pontos nos ii, deixar pratos limpos, dizer das boas e das bonitas a quem está mesmo a pedi-las, pôr fora tudo o que é falso e dissimulado, enfim, em preparos pouco tranquilos. E creio bem que ainda não pára por aqui. No fundo, o rabugento do velho tem razão: há certas coisas que não merecem, nem devem, continuar na nossa vida até dia 1 de Janeiro. Porque lá diz a tradição: conforme estamos no Ano Novo, assim andaremos o ano todo. E sinceramente, há certos monos que não me apetece arrastar comigo para o Ano Bebé...





Saturday, December 29, 2012

10 Coisas que eu gostava que ficassem em 2012

                     
Além dos aspectos sérios, óbvios e comuns a quase toda a gente- chatices de toda a ordem, pouca sorte neste ou naquele aspecto, etc - que não queremos que nos sigam quando começar o Ano Novo, há sempre coisas específicas, a nível pessoal ou geral, que gostaríamos trancafiar no Ano Velho e deitar fora a chave. Aqui ficam algumas das minhas:


1- O uso ad nauseam das expressões (pipoquianas?) "...(insira opção) que só ele" (lindo lindo que só ele, fofinha que só ela, etc) e "e tudo e tudo e tudo" (esta creio que foi a Maria Rueff a inventar, ainda os blogs não estavam na berra). Nada contra. Não serão de um brilhantismo queirosiano, mas também não são nenhum palavrão. Não quero com isto ofender ninguém, até porque tenho amigas que usam os estribilhos: provavelmente muita gente já o faz porque vê fazer e entranhou sem perceber bem como. Mas por muito que uma frase/termo/seja o que for ande na boca do povo, é bom que se cultive vocabulário, ditos e interjeições próprias. Originalidade, autenticidade, bocas ou algaraviadas genuínas e noção do prazo de validade de piadas ou modismos é refrescante, faz bem e revela sentido crítico, que é coisa que eu gosto de ver!

2 - A minha falta de timing para me chatear na hora certa. Tenho de me começar a chatear mais vezes, mais rápido, de forma radical e assim, reduzir o tempo que fico chateada comigo mesma por não ter cedido ao meu primeiro impulso. Pratiquei um ano inteiro mas ainda preciso de afinar a minha capacidade de identificar as minhas emoções e agir de acordo, em vez de me armar em Buda ou disparatar quando a oportunidade já passou. A boa educação deve ser q.b - em excesso, é confundida com passividade. Sinais dos tempos e quem não se adapta, extingue-se.


3 - As tachas. Já o disse e repito: toda  a gente tem, teve ou está para comprar alguma coisa "entachada" nos saldos. Não nos batam mais, que já não posso ver mães de família de meia idade com isso na rua. E por favor, designers que nos governam: lembrem-se que nem todas as vossas ideias mirabolantes vão ser usadas por pessoas com boa figura, sentido estético e ainda por cima, sensibilidade artística para as empregar sensatamente. Não, os empregados das lojas não querem saber e deixam-nos sair dos provadores nesses preparos. Para não falar nas cópias baratas que aparecem à velocidade da luz, propagando as pragas.


4 - Pelos mesmos motivos, os desgraçados dos calções, principalmente em denim. Sim, os calções são engraçadinhos. Ficam muito bem com a roupa certa, na ocasião certa, no corpo certo, e a quem tem idade, silhueta e estilo para os usar. E até os há discretos. Mas enquanto continuarem nas lojas em quantidades industriais, as pessoas vão continuar a querer usá-los com tudo e mais alguma coisa - e já não posso ver moçoilas a exibir pequenos presuntos com botas com cano curto demais que esborracham a parte mais rechonchuda da perna, e calções de ganga com collants horríveis, quando não têm malhas caídas, tiritando de frio só pelo prazer estranho de vestir precisamente o que lhes fica pior.


5 - A malfadada crise, a atitude subserviente de Portugal perante a Todo Poderosa "Europa" e pior ainda, as pessoas que à custa disso, debitam diariamente, via Facebook, a sua amargura contra os políticos  - a quem todos os dias descobrem novas carecas - sentindo-se muito atentos, inteligentes, conscientes e informados por esse exercício de "cidadania virtual amargurada". Independentemente da justiça que haja no seu descontentamento, não tenho paciência para queixumes de quem se divertiu à grande no 25/4 e agora nada faz senão convocar protestos, pensar em protestos, sonhar com protestos e partilhar piadinhas. Algo me diz que não é via Facebook que se muda alguma coisa e não tenho paciência para profetas de redes sociais...

 Mais ainda, notícias sensacionalistas sobre hipotéticos pecados de Padres, por quem não põe um pé na Missa desde pequenino. Quem quer vai, quem não quer não vai, mas não há paciência para tanta histeria.

6- A Casa dos Segredos, pessoas normais a discutirem apaixonadamente a Casa dos Segredos, crianças a ver a Casa dos Segredos e miúdos e graúdos a partilhar no Facebook (que se vem tornando um depósito do disparate) "quem achas que deve ganhar? quem achas que deve ser expulso?". Posso escolher a opção "eu gostava era que a Casa dos Segredos fosse expulsa do país para fora, sem novas temporadas"?

7 - A ideia recente de que um look fashionista ou "com estilo" (principalmente em stylists, artistas, bloggers de moda e por aí) tem de ser uma árvore Natal e acumular statement necklaces, cuffs, litas, top knots, caveirinhas, caveironas e assustar as velhinhas na rua. A indústria de Moda já existia antes da Lady Gaga, da Nicki Minaj e de outras porta estandartes do chapitô estarem na berra e brincadeiras à parte, o verdadeiro estilo não tem nada a ver com "modas". Mais ainda, há muitas formas de perceber de moda, de ter sentido de estilo e nem todas (ou poucas) passam necessariamente por ter um visual "artístico" ou dramático.

8 - E a propósito do anterior, todo e qualquer tipo de carneirada, de fazer por ver andar os outros, de idolatrias cegas, de modismos parvos. Haja respeito, que a Era de Aquário já começou!

9 - Os vários tipos de bicho careta: pessoas metediças e interesseiras, que vivem para controlar a vida das "galinhas dos ovos de ouro" que lhes arranjam convites e pagam as despesas. Mulheres da luta desesperadas, que dão cabo da reputação às outras mulheres e ainda lhes complicam a vida,  tudo em nome daquele que elas meteram na cabeça ser "o seu homem" por pouco que isso seja verdade. Já falei bastante sobre esses seres ao longo do ano, espero deixar de o fazer. (A expressão "o meu homem" também devia ir embora, se não for pedir muito...).  Gente atrevida que não sabe o seu lugar e ousa dar sentenças sobre pessoas que mal conhece, mas cuja cadeira gostaria de ocupar. Lambe botas que num momento criticam impiedosamente quem tem mais dinheiro e sucesso do que eles - até o "alvo" lhes dar dois dedinhos de confiança...aí dão o dito por não dito e multiplicam as vénias, os elogios babosos e as simpatias.  Get a *bloody* job. Get a life. Mas como uma coisa não vive sem a outra, há que deixar em 2012 pessoas que dão abertura, troco e facilitam o convívio aos seres acima descritos - atacando a causa, acabam-se os sintomas. 
 As companhias que escolhemos são das poucas coisas que podemos controlar a 100% nesta vida e quanto menos "fontes de inspiração" destas, melhor. 

10 - Tudo o que seja assuntos por esclarecer, palavras suspensas por orgulho ou porque não dá jeito, histórias mal resolvidas e conversas adiadas. Tenho tentado acabar com isso  e embora nem tudo dependa de mim, pois são precisas duas partes para dançar o tango, já consegui dar algumas coisas que andavam "em suspenso" há anos por concluídas. Outras não será possível, e pode acontecer que fiquem em 2012 tal como estão (temos pena) mas o que não tem remédio, remediado está. Moving on!


E vocês, o que querem MESMO que fique em 2012?








Friday, December 28, 2012

Balanço do Ano: muralhas de prata

                                       
                               
                                       
O ano está quase a ir embora e como de costume, nesta altura fico com um certo nervoso miudinho. Há sempre aquela sensação estranha de deixar uma coisa para iniciar outra (embora, se considerarmos o calendário celta, o Novo Ano já tenha começado a 1 de Novembro... o que aligeira consideravelmente a responsabilidade imposta pelo Reveillon). 2011 foi, como escrevi na altura, um ano iniciático. Abriu-me os olhos e obrigou-me a levantar a espada e o escudo, pois vi lados da vida - e das pessoas - que nunca julguei que existissem. Jamais me considerei ingénua, mas a minha serenidade, o "deixai ir, deixai passar" e o "não aborreças ninguém e ninguém se mete contigo" que tinham sido até então boas linhas de orientação, permitiram que baixasse - demasiado - a guarda. E num tempo record, ainda aturdida pela chuva de flechas que parecia vir de todas as direcções, precisei de me pôr de pé, de gritar "lutaremos à sombra", de conduzir o exército para fora dali com um mínimo de baixas e de procurar refúgio para começar de novo. 2012 foi o tempo de encontrar uma fortaleza, com as ameias um pouco amachucadas ainda, e de estabelecer ali um quartel-general: começar a cura, receber boas novas, arar campos, plantar sementes, reconstruir (parcialmente, pelo menos) estruturas, criar fundações mínimas para criar coisas novas e recomeçar outras. Sobretudo, foi um ano para análise: algumas das estratégias do ano anterior já não se aplicavam. Percebi que nem o mais exímio dos guerreiros pode andar constantemente em guarda, só porque há sempre nações inimigas prontas a invadir e roubar o que lhe pertence. O mundo é louco, mas nós não temos de enlouquecer com ele: há que atacar ou contra atacar quantas vezes for preciso, mas a pureza interior, se é condição para estar vulnerável a investidas, também não pode ser descartada, por mais explosões que haja lá fora. A destruição que os outros provocam no seu próprio território basta a si mesma, não é possível controlar tudo. Temos de ser quem somos - mais fortes, mais atentos, mais ágeis é certo - mas manter a fé em nós mesmos, nos aliados fiéis, por poucos que sejam, e na sabedoria divina que nos orienta, cuida de nós e nos ajuda a triunfar na adversidade ou no nevoeiro. E houve alguma nebulosidade este ano, intercalada com momentos luminosos. Algumas das coisas que construí ganharam asas; outras estruturas provaram ter os alicerces demasiado afectados para que eu as possa reerguer sozinha. Certas coisas não dependem de nós e não vale a pena uma pessoa afligir-se por causa disso; há aspectos que só os Deuses, Todo Poderosos, vendo perto e longe no cosmos e no coração dos homens, podem resolver. Eles, o Tempo...e aqueles que connosco carregaram as pedras, e que podem querer continuar o processo ou não. Um dos sinais de evolução espiritual é precisamente não as prender, teimosa e egoistamente. Há que saber deixar ir: o que voltar estava no nosso caminho.  No todo foi um ano tranquilo, com a serenidade e poder de decisão que para mim, são as maiores bênçãos. O que deixo para trás, é por escolha própria e consciente. Estou grata por todas as alegrias, por todos os êxitos, pelos pequenos começos, pelo quartel general. Deixo que a Luz brilhe sobre aquilo que de facto me foi dado, e sobre as Torres de mármore branco da minha cidade. Pequenina, mas bonita e em expansão. Com bandeiras e estandartes coloridos, ondulando conforme o vento que vier das montanhas e do mar adiante, cristais nas janelas para apanhar a luz do sol e das estrelas, e grandes florestas à volta. Há que olhar para a frente com  esperança, pois quem semeia trigo e rosas não pode de modo algum colher cardos....e vice versa, o que só nos deixa com uma certeza tranquila: what goes up, must come down. O que traz consigo no regresso à Terra depende de cada um - não podemos controlar a colheita nem o clima, mas a sementeira é sempre da nossa responsabilidade. E quanto a isso, estou tranquila comigo e com o pelotão. Acima de tudo, há que estar resguardado - mas com passagens secretas para as coisas boas, que o armamento não é tudo. E com um mapa: porque o mais complicado, antes de mais nada, é saber exactamente o que queremos e para onde desejamos ir, iluminados pelos astros. Godspeed.

Tuesday, December 25, 2012

Festas: a toilette certa para cada silhueta

                 
Nesta altura do ano multiplicam-se as propostas das mais diversas marcas para festas de Natal e  noite do Reveillon.  Seja a sua celebração formal, casual chic ou mesmo no quentinho da lareira (o que não quer dizer que se descuide o visual!) convém que o look escolhido não só seja bonito de ver e apropriado à ocasião (reza a tradição que na Passagem do Ano, quanto mais luxuosa a sua aparência, mais sorte e prosperidade atrairá para os doze meses que se seguem) mas também que favoreça o máximo o seu tipo de corpo. Afinal, ninguém gosta de parecer um saco de batatas nos retratos quando  poderia estar um espanto com outro vestido!
 Seguem algumas ideias para as figuras de ampulheta, coluna, triângulo invertido e pêra - magrinhas, elegantes, gordinhas e "assim assim". Pelos formatos dos vestidos, fica-se com uma ideia das proporções a respeitar para todas as roupas - sejam fatos, saia e blusa ou outros coordenados. Lembrem-se também que o branco, os tons metálicos, o azul e o encarnado são cores que atraem a Boa Fortuna para o ano que aí vem: é boa ideia inclui-las na roupa, nos acessórios e na maquilhagem. 






Saturday, December 31, 2011

Contagem decrescente



Azul real, encarnado e dourado. Champagne. Correria. Alegria. Vou ali abrir as portas ao Ano Novo e já volto.

Adeus, 2011...o ano da Agoge


Enquanto escrevo, estou a ansiar pela passagem de ano. Não que a data me entusiasme muito...eu nunca gostei do desconhecido, embora leve a sério aquela coisa do "mudar de página".
Mas 2011 equivaleu a uma agoge* na idade adulta. Este ano foi como os mestres dos filmes de kung fu dos anos 70, que ensinam magistralmente - à bofetada, para não esquecermos as lições. Num mood ou aprendes e sobrevives, ou estás feita. A contornar obstáculos. A forçar-me a respirar. Uma longa aula que me obrigou a "abrir a pestana" e pôr fim a certos padrões que se vinham instalando. Com músculos doridos, membros arranhados, exausta - mas apta. Mais forte. Mais ágil. Mais rápida. Foram 12 meses que me permitiram realizar alguns desejos e pôr em prática projectos muito bons. Vitórias que valem o dobro porque sei que muito do que consegui foi feito com o coração ferido, a alma a pesar toneladas e vontade de não me levantar do sítio. Esforcei-me a triplicar porque as mulheres da minha família, tal como as mulheres espartanas, não choram quando têm problemas - erguem-se, inspiram, sacodem o pó dos vestidos e vão à luta. Que eu guarde bem as lições desta "coming of age" forçada:


- O meu primeiro instinto está sempre correcto e é para seguir, pareça o que parecer, doa a quem doer.
Se faz quá quá como um pato e anda como um pato, provavelmente é um pato. Quando o meu dedo que adivinha e o meu chackra de estimação dão sinal de alarme, estou perante uma situação perigosa. Há que saltar para cima do inimigo ou dali para fora imediatamente. Se parece mal, paciência. Se se zangarem comigo, temos pena.

- Com os malucos não se discute. Esta poupa imenso tempo e muita canseira. Cada um tem o seu ritmo, não vale a pena tentar resolver tudo segundo os meus padrões. Deixar que os outros percebam os factos por eles mesmos. Já sabia esta mas ainda fui parva...a prudência excessiva nunca resultou bem comigo. A racionalidade sim, mas tem limites.

- As pessoas magoam muito mais facilmente aqueles que amam. Facto.

-A culpa não morre solteira. Vi cair com estrondo um mostrengo que parecia intocável e fazia a vida dos outros num inferno. Todos torciam para isso, mas ninguém esperava um desmoronar tão meteórico e definitivo, daqueles que garantem que a besta não voltará a chatear vivalma. Sim, os Deuses estão acordados. Às vezes gostam de se espreguiçar, mas não falham.

- Não tentar salvar a carruagem descarrilada, nem bater num cavalo morto. Quando a coisa está preta ou cheira a esturro, mais vale sair do comboio a tempo. O que nos estiver destinado, volta e compõe-se. O que não voltar estava a mais.

- Face a uma crise, há que lançar mão a todos os recursos.
E isto significa mesmo todos. Sair da zona de conforto. Não é esperar que o diabo não seja tão negro como o pintam, perder tempo a analisar pormenores nem arranhar a superfície. O que aprendemos não vale nada se não for usado. Mesmo que meta medo ou dê muito trabalho. Mesmo que tenhamos vontade de nos acanhar. O bem sempre que possível, o resto sempre que necessário. Mover montanhas a pontapé, ir buscar recursos à China, chamar o génio da lâmpada, a girl´s gotta do what a girl´s gotta do. E mais nada.

- Há sempre uma surpresa boa ao virar da esquina. Não vale a pena descabelar-se, a roda gira constantemente.

Desejo-vos um Feliz Ano Novo. Que 2012 seja mais romano e menos espartano...queremos alegria!

* Regime de treino duríssimo a que as crianças espartanas eram submetidas.

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