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Tuesday, December 30, 2014

Streetstyle do tempo da outra senhora



Cada geração acha sempre que sabe tudo e inventou tudo, mas creio que nenhuma época foi tão cheia de si como a nossa, que - se excluirmos coisas como a internet, as gadjets e as redes sociais - não inventou praticamente nada. A nossa época recicla, revisita, reaproveita, transporta, transforma, actualiza...mas criar, muito pouco. E isso não é necessariamente mau - nem sempre o que é novo é bom, antes pelo contrário.

Calções de cintura subida...tal como nas últimas temporadas (c. anos 1920)

Mas não deixa de ser curioso ver como a blogosfera pasma para as imagens de um Sartorialist, do instagram de qualquer it girl do momento, sem às vezes pensar que - por bonitas ou inspiradoras que as imagens sejam - de novo, só têm o veículo, a frequência com que são divulgadas, e eventualmente o tipo de protagonistas.

Muito antes dos blogs de street style, nas primeiras décadas do século passado,  já três irmãos em Paris, os irmãos Seeberger, se dedicavam  a retratar as mais belas e elegantes mulheres de sociedade, nos locais mais exclusivos da Cidade Luz. As principais Casas de Moda - Vionnet, Hermès, Chanel... - não tardaram a captar o potencial da ideia, colocando as suas modelos, vestidas com as mais belas criações, à mão de semear para as lentes dos irmãos Seeberger.


 Olhar para as beldades de outros tempos em instantes vívidos do quotidiano não é só inspirador, ou testemunho de uma elegância que já não volta (embora possa sempre ser evocada a título individual). Mostra-nos a vida de épocas passadas fora dos retratos em pose; lembra-nos que muitas silhuetas, peças ou acessórios que agora usamos, ou mesmo extravagâncias que tanto encantam os fotógrafos na feira de vaidades das semanas de moda, são apenas revivalismos...e que o original foi muitas vezes de melhor qualidade, ou usado melhor.

 Essa humildade é essencial quando se pensa o estilo, quando se medita na elegância. Podemos fazer algo igualmente fabuloso...mas sem referências do passado, não somos nada.












Thursday, December 11, 2014

Passatempo Benamôr: o photoshop em tubo


Já vos falei em tempos da minha longa relação com o creme Bênamor,  utilizado por - pelo menos - três gerações de mulheres da minha família. É natural que as minhas bisavós tivessem usado também, uma vez que existe desde os loucos anos 20. 

 Com muita pena minha, nunca me lembrei de lhes perguntar...o post que isso não dava!
(Nota: visitem a página da marca no Facebook para se deliciarem com imagens de alguns cosméticos antigos que produzia e que por enquanto, ainda não voltaram a estar entre nós).

Em pequena adorava roubá-lo do toucador da avó para o esfregar na cara e nas mãos. Aquele cheirinho a pó de arroz é inesquecível. Na adolescência comecei a comprá-lo em mercearias tradicionais porque apesar de ser alérgica a quase tudo, a promessa de tratar todas as imperfeições valia o risco...e como nunca me causou qualquer incómodo e cumpria de facto os dizeres tão giros da embalagem, nunca mais o larguei.




E porque é que adoro este produto e o tenho sempre cá em casa? É que não se trata só de um creme bonitinho nacional, de uma adorável criação das fábricas Nally com ar vintage que é tradição comprar. Para já, o Benamôr é versátil - cada portuguesa que o utiliza terá usos diferentes para ele. Pode ser usado sozinho, sobre outro creme leve (já que algumas pessoas lhe poderão achar um certo efeito tensor) sob o BB Cream ou base... 

Adequa-se simultaneamente a tratar e prevenir rugas, combater o acne, manchas e quaisquer outros incómodos, protege a pele contra as agressões exteriores, limpa os poros, matifica e é - palavra de honra - o melhor primer do mercado.



 A minha pele super sensível não gosta de primers, raramente os suporta; mas com o Benamôr não tenho qualquer reacção adversa. Mind you, apesar de praticamente incolor é um primário poderoso, uma espécie de photoshop em tuboUsá-lo é como passar um filtro fotográfico no rosto e faz um efeito lindíssimo. Quando aplico Benamôr tenho de ser muito subtil na base ou no BB cream para não ficar com um ar maquilhado demais. Há mesmo uma senhora cá em casa que se usar Benamôr, se recusa de todo a pôr fond-de-teint. Além disso, uma embalagem dura imenso...muitas vantagens num creme ao alcance de todas!

 Se ainda estão com dúvidas ou são fãs empedernidas do creme milagroso, o Imperatriz Sissi e a Benamôr juntaram-se para oferecer uma caixinha amorosa que inclui o Benamôr de rosto, o creme de mãos (que dá o efeito "aveludado" tão raro de encontrar hoje em dia) e o Creme Gordo da marca (que pode ser usado sem dó para todas as necessidades de hidratação).



Para ganhar o coffret Benamôr, basta seguir o sistema do costume:

1- Seguir o Imperatriz Sissi via Facebook ou, se já são fãs (thank you!) partilhar o passatempo.

2- Tornarem-se fãs facebookianos da página da Benamôr.

3- Enviar um email para imperatrixsissi@hotmail.com com o vosso nome de seguidores (e link de partilha, se for o caso).

- O passatempo é válido para o território nacional e podem participar até dia 20 de Dezembro.

 Boa sorte!



Saturday, October 11, 2014

When Love is not enough, ou a força de uma mulher.




Há dias reparei neste filme com Winona Ryder (que ainda poderão ver na Fox Life) sobre Lois W., co-fundadora dos Alcóolicos Anónimos. Não conhecia de todo a história, mas como gosto de biografias e a acção se desenrolava numa época interessante, dei uma espreitadela e fiquei cá a pensar. 

A protagonista, oriunda de uma família bem colocada de Nova Iorque, preferiu recusar uma vida de estabilidade e conforto ao lado de um dos seus pretendentes ricos para casar com o homem que amava.
 Ele adorava-a e era bom rapaz, mas por muitos anos não foi homem com quem se pudesse contar: alcoólico empedernido, sujeitou a esposa a uma existência de incerteza, deixando todos os fardos sobre os seus ombros. Por muitas vezes, ela podia - e se calhar devia- ter voltado as costas e procurado noutro lugar a felicidade que lhe era devida.
 Mas nunca desistiu dele, mesmo quando o amor já não era suficiente e o casamento se transformou num verdadeiro purgatório.

 Há mulheres notáveis que quando amam, descobrem em si mesmas nascentes inesgotáveis de heroísmo. Os seus votos são a sério: mesmo face ao inferno ou perante o lado mais negro da pessoa a quem entregaram a sua vida, não desanimam.
 E embora sejam mais raras actualmente (numa época em que "para o melhor e para o pior, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza" são coisas ditas de ânimo leve) não quer dizer que tenham desaparecido.
 Ainda há as que chamam a si mais deveres do que alegrias e futilidades; que contam com a força de que a Natureza as dotou para enfrentar os desafios, em vez de pensar que tudo serão rosas e recuar aos primeiros espinhos. Não nascem por aí nas árvores, mas existem -  na mesma proporção dos homens que se podem classificar como cavalheiros.

Tuesday, June 3, 2014

Rihanna vai nua...e faz um sucesso. Como Josephine Baker? Ná.



Já vos contei que cá em casa costuma dizer-se jocosa e ironicamente, quando alguém não sabe que vestimenta levar a uma festa, "vai nua que fazes um sucesso".

 Pois,  Rihanna também deve saber essa, porque a aplica tão amiúde que não sei como continua a espantar quem quer que seja.
  Sempre ouvi que a nudez, quando se torna muito frequente, perde o impacto e já ninguém liga nenhuma... mas a julgar pelas evidências que por aí andam, acho que não é verdade. 

 Porém, desta feita a starlet  exagerou e para receber o (muito discutível, volto a dizer) prémio de ícone de moda do ano - atribuído pelo Council of Fashion Designers of America - achou que nada seria mais apropriado do que não levar roupa nenhuma.


  Se pensarmos que há quem defenda que o nome Rihanna, como Rihannon, vem da palavra céltica para "Rainha" então será seguro afirmar que, como naquela história infantil, "a Rainha vai nua"

Ou que como noutro conto de fadas, vestiu uma rede e não vai nua, mas também não vai vestida.

 A homenagem da cantora à mítica estrela de vaudeville Josephine Baker é mais do que óbvia: em termos de silhueta são muito parecidas; Josephine Baker não teria a cara de boneca de Rihanna mas em compensação era bem mais expressiva, e ambas são mulheres de origem africana com um vasto público. Sem dúvida, o look anos 20 criado por Adam Selman vai bem ao tipo de Rihanna. Resta saber se a menina tinha de ser a única a interpretar o dress code da festa - "Impacto Instantâneo" - ao pé da letra...

 E ressalvemos um detalhezinho: Josephine Baker, que era uma óptima pessoa e muito amiga de Grace Kelly, despia-se imenso, mas só em palco; tinha mais subtileza e o atractivo da novidade.
 Aalém disso, ciosa do seu bonito busto como era (tinha por hábito pôr o peito num balde de gelo para o manter tonificado) duvido que andasse por ali super desconfortável a
 bambolear-se uma noite inteira. Vá lá que Rihanna ainda teve a réstia de bom senso de pôr umas calcinhas cor de carne - não é um cinto de bananas como o de Josephine, mas sempre se resguarda uma migalhinha de modéstia. Ufff.

*(Deixo-vos com a "Dança das Bananas" de Josephine Baker, porque não há nada como ver o original...eu cá acho que a Josephine dançava e cantava melhor, mas isso sou eu...)*




Tuesday, November 20, 2012

Look icónico do cinema #4: os loucos Anos 20

Esta semana tive finalmente oportunidade de ver um filme que me andava a deixar curiosa há algum tempo: Easy Virtue, com o encantador Ben Barnes ( sem sombra de dúvida, um dos meus actores preferidos actualmente) e Jessica Biel - que está lindíssima - à frente de um grande elenco. Fiquei deslumbrada com os cenários, com a excelente fotografia e no todo, esta comédia de costumes é um filme muito agradável. A banda sonora teve o condão de me pôr a cantarolar esta cantiga até hoje:

Por causa disso, lembrei -me de uma canção que devia ser popular em Portugal na mesma época, extremamente característica, e que a avó Celestina tinha aprendido com a avó dela:

Mãe, compre-me uns sapatos, que estes já estão gastos... de dançar ´Charlot´!
Easy Virtue conquistou-me também, como não podia deixar de ser, pelo magnífico figurino: muitas produções que retratam a década de 1920 caem no erro de fugir ao detalhe, dando às fatiotas o ar barato de trajes de carnaval. Aqui, cada peça é admiravelmente feita, como se fazia de facto nesse tempo em que o Prêt à Porter ainda estava longe de ser inventado.
 Entre exclamações de admiração "aquele chapéu! As calças! O casaco! E o lencinho?" o filme recordou-me um certo fascínio que tive, na minha adolescência, por essa década em que se faziam competições a ver quem era capaz de dançar o Charleston ou o Quickstep mais tempo - gastando-se, precisamente, muitos pares de sapatos -  em que as meninas de boa família cortavam o cabelo à garçonne, encurtavam as saias e escandalizavam os parentes com as suas longas boquilhas e rouge nos joelhos. 

                                

O optimismo tranquilo da Belle Époque tinha acabado com a I Grande Guerra, e não se sabia quando outra catástrofe voltaria a assombrar os ânimos (o que de facto se viria a verificar com a Grande Depressão e a II Guerra Mundial) por isso a palavra de ordem era viver bem e depressa. Portugal não escapou aos novos costumes: os palacetes lisboetas e clubes elegantes como o Maxim´s multiplicavam as festas trepidantes e sumptuosas ao som do jazz, onde as senhoras exibiam plumas, jóias espaventosas e toilettes de uma elegância extravagante.
Os anos 20 têm estado presentes, embora de forma discreta, nas tendências de moda internacionais ao longo dos últimos dois anos. Como um todo, não são a minha época favorita em termos de figurino: se vivesse naquela altura dificilmente aderiria ao penteado da moda (provavelmente faria como outras mulheres e adoptaria um fake bob, para dar o aspecto sem recorrer à tesoura); os vestidos soltos para dançar à vontade e a silhueta sinuosa das flappers, que procurava disfarçar a cintura e o peito (muitas raparigas enfaixavam o busto para obter uma figura lisa e alongada) não são a imagem que considero mais feminina. Em compensação adoro os tecidos, as rendas, a maquilhagem dramática e todo o ambiente de elegância decadente daquele tempo. A quem anda a seguir a Gabriela e está com vontade de se inspirar, recomendo outros dois filmes que captam bem toda essa atmosfera e têm figurinos/maquilhagem realmente icónicos: O Último Imperador e O Amante.
                            

     


           Não se esqueçam: o passatempo Concreto está a decorrer. Participem!








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