Recomenda-se:

Netscope

Showing posts with label anos 70. Show all posts
Showing posts with label anos 70. Show all posts

Wednesday, January 27, 2016

Uma mulher prudente vale o dobro, até os bárbaros o sabem.


Há dias estava a passar um dos filmes de Conan, o Bárbaro, com Arnold Schwarzenegger, que me divertiam bastante em pequena. Não me franzam o sobrolho, eu adorava o Conan em BD. Uma escolha estranha para uma rapariga, talvez, mas gostava mesmo. Não só pela figura desempenada do bárbaro mas pelas guerreiras, bruxas e princesas que encontrava pelo caminho. Bruto e bárbaro ou não, Conan era um homem Alfa. Conan não aturava desaforos. Conan levava tudo à frente à espadeirada até se tornar rei. Conan não falava muito, dizia "Crom!" quando se espantava com alguma coisa e olhem lá. Era mais um homem de acção e eu sempre preferi gente de poucas falas.


Para terem uma ideia, eu que nem gosto muito de ir ao cinema (partilhar uma sala apertada com estranhos, sem poder fazer pause ao filme quando me apetece e sentir-me na obrigação de lá ficar mesmo que me aborreça de morte não é o meu cup of tea- para isso, vou ao teatro) quis ir ver a versão nova, com o bem apessoado Jason Momoa. Fail. É claro que não gostei. A atmosfera não tinha nada a ver com a dos filmes originais. 

Mas voltemos à personagem do Conan, arquétipo da masculinidade no seu estado mais puro. A dar uma olhadela à história com olhos de adulta, notei algo que me tinha passado despercebido. A Princesa que a pandilha do Conan está a ajudar começa a ter um fraquinho por ele e pede umas dicas à guerreira Zula (a lindíssima Grace Jones) que, não sendo mulher de meias tintas, lhe diz o seguinte:



E a boa da Princesa Jehna decide levar o conselho ao pé da letra. No final, sem sequer avaliar como quem não quer a coisa se o herói está interessado, pede-o em casamento à frente de todo o mundo. Ah rapariguinha decidida e descaradona. Mas o bárbaro, que além de não ser pássaro de gaiola (naquele momento, pelo menos) é um rapaz à moda antiga, fica perplexo com a lata e recusa categoricamente: "terei o meu próprio reino, e a minha própria Rainha". Uffff, que vergonhaça. 

Teria sido melhor se se fizesse misteriosa, não? Ao menos não levava uma tampa MEGA diante da corte inteira. Ela ainda lhe dá um beijo (que isto a dignidade às vezes escapa até nas melhores famílias) a ver se o Conan muda de ideias, mas ná. Até podia ser uma Princesa, mas perdeu o encanto quando fez de flausina. Ele não gosta de serigaitas, como qualquer homem de brio. Bárbaro ou não bárbaro, Conan é um cavalheiro: prefere arrebatar a mulher dos seus sonhos, sentir-se um conquistador, a contentar-se com a primeira que se lhe oferece de bandeja. Porque já se sabe, isso tira a piada toda, vai contra a Natureza e não costuma dar bom resultado.

E é claro que mais tarde Conan casa, tem o seu reino e a sua Rainha, fazendo justiça ao ditado: "não é que ele não fosse homem para casar. Não lhe apetecia era casar contigo". Livra... #dignidadefeminina. Cabe em todo o lado e poupa embaraços!

Monday, November 30, 2015

O momento que se segue pode destruir a vossa infância. Não me responsabilizo.


É escusado perguntar "lembram-se da Heidi?" porque TODA a gente sabe quem era a bonequinha de faces rosadas e cabelo preto que cantava à moda tirolesa, sem cerimónia, "avozinho diz-me tu..." (o velhote não devia ser tão ranzinza como isso, se permitia familiaridades dessas aos mais novos...).


Nunca cheguei a ver a série porque passou em Portugal ainda eu não era nada, mas a febre da Heidi e do Marco contagiou de tal maneira miúdos e graúdos que na minha infância ainda se falava em ambas - existia merchandising da Heidi em casa dos meus primos mais velhos e até em casa dos meus bisavós havia umas canecas da Heidi, que invariavelmente me calhavam quando me queriam obrigar a beber café com leite (daquele que potencialmente tinha nata, um drama que a pequenada de hoje desconhece pois os fervedores de leite estão praticamente extintos). 

Além disso, nos anos 1960, muito antes de existir o anime, a mãe adorara o livro e insistiu que eu havia de ler esse tesouro da sua infância. Heidi, a menina dos Alpes, de Johanna Spyri, foi (a par com Pinocchio) um dos primeiros livros "à séria" que li. No romance ela não tinha o cabelo tão curto e liso, mas apesar de tudo a imagem que me ficou foi a dos desenhos animados.

Pois bem, agora pensem lá na "vossa" Heidi, que era assim....


E nas bonecas da Heidi, que eram assim, tiradas a papel químico da série (havia uma ainda mais fofa em casa da madrinha, hei-de perguntar-lhe se lá continua)...


Pronto, acabaram-se os paninhos quentes. É que um iluminado, desses que acham que as crianças de hoje não têm imaginação e que tudo - o Noddi, os filmes da Disney e até o Avô Cantigas - tem de ser feito a 3D,  estilo jogo manhoso de computador, entendeu que havia de trazer a pobre Heidi para o digital. E o resultado foi este...


Nem se canta o tirolês, nem avozinho diga lá, e na versão brinquedo a "nova" Heidi, a Heidi para a geração milénio, tem cabelo castanho, um carão comprido, um ar inexpressivo e parece que abusou dos bons petiscos dos Alpes - ou que continuou a apreciá-los mas senta-se a trocar likes com o Pedro e a Clarinha no facebook em vez de andar aos pulinhos pelos montes- pois engordou. Ora vejam:



Se calhar é mais um esforço para tornar as bonecas "reais" (que é um eufemismo para feiinhas) . Já não bastava a Anita agora ser Martine e a sem vergonhice que por aí vai no maravilhoso mundo dos brinquedos, nem a Heidi nos deixam....


Saturday, November 7, 2015

"See me, feel me, touch me, heal me".


Ter pais apaixonados por música e que decidiram apresentar aos filhos os filmes e discos da sua juventude o mais cedo possível, dá nisto:  a "trindade" Tommy, Jesus Christ Superstar e Hair acompanhou a minha infância quase toda, e eu e o meu irmão não tardámos a contagiar primos e amigos. Aos sete ou oito anos, Tommy, a rock opera dos The Who, a delirante versão de Ken Russel, era um dos meus filmes preferidos e continua a sê-lo hoje (a par com os outros dois da trindade...). 

Revi Tommy ontem, de fio a pavio (arreliada comigo própria por não andar a ouvir tanta música como de costume, de não saber do CD do Tommy de e ultimamente desprezar o piano, que qualquer dia embrulham-se-me os dedos). E continua a emocionar-me como sempre emocionou, com o seu simbolismo louco a levantar sempre novas questões. É um filme que nos faz pensar de forma diferente consoante o estado em que o vemos.



Para quem não conhece (recomendo que o vejam de mente, mas sobretudo, ouvidos abertos) o menino Tommy perde, após um trauma, o uso da visão, da audição e da fala. Aparentemente, pelo menos - vive fechado em si próprio, no seu mundo interior (o que desespera a sua mãe que se sente horrivelmente culpada do sucedido) até se libertar e alcançar a iluminação ou coisa que o valha (uma ideia muito em voga na época) . Com isso torna-se uma espécie de figura messiânica em versão rock & roll, cheia de paralelismos com Jesus Cristo que qualquer pessoa baptizada percebe.

 Além dos elementos dos The Who, de um figurino e cenografia icónicos, o filme está cheio de celebridades nos principais papéis, como Tina Turner, Eric Clapton, Elton John e um jovem (e muito atraente) Jack Nicholson que pasme-se, canta realmente bem!


   Ora, voltemos à realidade: já se sabe que um choque pode fazer com que se perca o uso dos sentidos ou de outras faculdades - ou simplesmente, que se desligue sentimentalmente. Mas nem sempre isso acontece de forma tão literal como sucede com o Tommy. 

É muito fácil alguém fechar-se sobre si próprio depois de um desgosto, experiência de medo intensa ou por qualquer convulsão interior, perdendo a capacidade de se expressar ou de deixar que lhe toquem, emocionalmente falando. Vemos isso em muitas mulheres que querem ser amadas, mas não conseguem libertar-se das feridas do passado e por isso congelam ou sabotam sempre tudo- é matéria que enche consultórios. Em jovens inadaptados, que acumulam depressões e desajustes aparentemente sem causa, para desespero da família. 



Vê-mo-lo em homens incapazes de se explicar e em inúmeros casais que criam autênticas cortinas de ferro que os separam. Por vezes, torna-se impossível chegar a certas pessoas- e certas pessoas nem a si mesmas conseguem chegar. De um momento para o outro há um Muro de Berlim emocional que inviabiliza o toque, a comunicação. A alma fechada vê, ouve, sente, tem boca para falar, mas é como se fosse teimosa e voluntariamente cega, surda e muda. No filme, há este apelo constante e aflitivo: see me, feel me, touch me, heal me. Sem sucesso, até se dar o clique ou um momento que inexplicavelmente varre tudo isso. No caso do Tommy, que só conseguia 
manifestar-se de alguma forma perante os espelhos, trancado consigo, essa  libertação acontece quando o espelho se estilhaça. Para muita gente, tal como ele, pode ser preciso esse empurrão, que alguém quebre o vidro em mil pedacinhos. Mas quem se calafetou a sete chaves e deseja sair da prisão interior que criou sem querer, também tem de fazer a sua parte: ouvir, deixar-se guiar, seguir. Só assim é possível sentir o outro, ver a glória reflectida nele, abandonar a cela gelada em que se entrou, encontrar calor humano, compreender, amar, situar as emoções, entender a história, partilhar a glória dos pequenos momentos que tornam a vida plena. Porque é impossível fazer música sozinho, sendo cego, surdo e mudo, ou ser livre atrás de grades.






Sunday, September 27, 2015

Quando a Princesa perdeu a cabeça (mas com razão!)


A Princesa Stephanie do Mónaco ficou conhecida por descer do salto muitas vezes - quando eu era pequena, lembro-me de não se falar noutra coisa senão nas escandaleiras da Princesa Rebelde. Nunca tirei da ideia que o sangue de pirata que corre nas veias da família Grimaldi teria algo a ver com o assunto.

Mas ontem, a folhear uma Modas & Bordados dos anos 70 (acrescentei uns quantos volumes à minha colecção) li um episódio seu bastante mais antigo que me deu vontade de rir, pois apesar de armar uma barraca monumental ser um comportamento impróprio de qualquer menina bem educada, quanto mais de alguém na posição dela, não lhe faltou um certo estilo.

 Estava a Princesa numa festa mais ou menos íntima, na presença do Príncipe Rainier e de amigos da casa; numa mesa, o Príncipe pai com uma roda de convivas; mais adiante, Stephanie, o seu par (que não se sabe quem era) e um grupo de jovens da sua idade.

Eis que de repente se ouve muita bulha, pessoas a fugir e a derrubar cadeiras, pratos e copos pelo chão...e vê-se um grande segurança a arrastar uma bonita rapariga americana pelo braço, pondo-a categoricamente no meio da rua.


Com a tranquilidade possível, o Príncipe perguntou o que vinha a ser aquele desconchavo. Foi então que se percebeu o motivo da contenda: enquanto a princesa fora retocar a maquilhagem, o seu acompanhante pôs-se a dançar com a americana. Stephanie, ao ver a cena, não se conteve e desatou a bombardeá-los com cubos de gelo, terminando a pedir ao seu guarda costas que expulsasse a intrusa.

 Quanto a mim, devia ter mandado pôr na rua não só a serigaita, mas os dois bailarinos... ela pela ousadia de se insinuar ao namorado de outra -  a anfitriã, de mais a mais. E a ele por, estando acompanhado, não saber que há desfeitas que não se fazem, mesmo com a desculpa de serem  "cortesias sociais sem mal nenhum". Se há coisa que me irrita são cavalheiros que não respeitam a senhora que os acompanha, pondo-se a fazer charme, a trocar prioridades ou a fingir que estão sozinhos. Mal empregado segurança! A Princesa devia ter o ego muito ferido para não ter dado uma guia de marcha ao galã, que estivesse eu em tal situação ia dançar o que ele quisesse com a atiradiça para bem longe! Era lé com lé, e cré com cré, só se estragava uma casa, etc.

 Mas foi o detalhe criativo dos cubos de gelo que me chamou a atenção. Nunca me passaria pela cabeça usá-los como arma de arremesso! Mas foi bem lembrado: dependendo da força com que se atiram, podem ser bastante incomodativos, além de estarem sempre à mão em ocasiões dessas, e de arrefecerem os ânimos instantaneamente. Muito gostava eu que houvesse imagens dessa festa...deve ter sido uma cena épica, ao melhor estilo do baile dos Cohens: "e você, sua infame, ponha-se já no meio da rua, ou corro-a a pontapés!"


Saturday, August 8, 2015

O desleixo: pecado feminino imperdoável




O cruel ditado "numa mulher, a fealdade é pecado mortal" seria totalmente justo trocando-se "fealdade" por "desleixo". Isto porque a beleza é relativa e feita de muitos detalhes intangíveis (a que não são alheios o carisma, a bondade, o encanto e o sex appeal) e porque muito poucas mulheres são tão desafortunadas que não possuam algo de belo.

 Como dizia a minha sábia avozinha, "as pessoas não se fazem". Não há culpa nem mérito  na cara ou estrutura física com que se nasceu, e mesmo na época em que as modificações estéticas estão mais democratizadas, não é possível (nem desejável) que uma pessoa altere a sua aparência até se transformar numa estranha. 

Perfeito só Deus - e até a divina Vénus teve  inseguranças ao invejar a formosura da deslumbrante Psique!

 Agora o desleixo... é culpa de cada uma - assim como a disciplina para o evitar, para tirar partido do seu tipo, é mérito da mulher cuidada.

Que uma rapariga seja redondinha? Muito bem, há que vestir e exercitar-se de acordo. Mas que faça pouco caso disso, deixando crescer um barrigão "à Obelix"?  Isso já é culpa sua.

Que se tenha uma pele difícil ou frágil, com tendência a rugas prematuras? É mais um motivo para manter uma rotina de beleza adequada. E no entanto, não faltam raparigas muito jovens com a pele numa desgraça...

 Muitas não se importam com nada disto ainda em solteiras, mas outras caem na preguiça e no egoísmo - porque não há outro nome - de se desmazelar depois de comprometidas  e ainda assim, esperar que a cara metade as veja com os mesmos olhos! Ora, bem dizia a Bela Otero, "as mulheres têm a missão de ser belas". 

Max Klinger, Venus e Psique

 Sobre isto, escreveu Julia Müller no seu livro Die Frau [A Mulher] que foi um enorme sucesso de vendas na década de 1970: 

" A beleza não é uma bagatela que uma mulher adulta possa subordinar a valores mais espirituais. A beleza, o seu aspecto da cabeça aos pés, explicarão ao seu marido a importância que lhe dá como homem. Hoje, como nos tempos remotos, não devia haver coisa mais importante do que estar bela para ele. Cada elogio que outras pessoas lhe façam, será um cumprimento para ele. Ele  precisa disso. E você precisa da sua beleza para sentir-se segura de si mesma. Nenhuma mulher formosa tem medo da vida.  Claro que há mais numa relação do que a simples atracção exterior: saber que possuem a segurança de confiar um no outro, que juntos podem ultrapassar tudo. Mas não esqueça que todas estas coisas, ele também as poderá obter de uma irmã ou melhor amiga.  

Quando conheceu o seu marido, passava muito tempo ao espelho. Não se ria do facto como de uma tonteria de juventude. Entretanto retirou-se disso, porque já o tem...

Veja um retrato desses tempos. Ainda se parece com essa foto? Claro que está mais adulta. No entanto, não só devia ser igualmente bonita, mas mais bela. Uma mulher deveria tornar-se cada vez mais bela até alcançar a sua beleza definitiva, que manterá a partir daí...".

Creio que este discurso devia ser ensinado nas escolas e estar colado em muitos toucadores e espelhos...




Saturday, July 18, 2015

De Mad Max e Plutão




Isto de ter irmãos e primos faz com que uma rapariga vá por arrasto nos gostos deles, por isso tive uma infância bastante completa: ballet, dar cabo dos cosméticos lá de casa (a avó benzia-se porque eu lhe gastava tudo na tentativa de inventar o novo "super creme para as mãos") muitas bonecas, mas também muita brincadeira com carros, comboios, armas de brincar, miniaturas de batalhas famosas, action men, GI Joes, Street Fighter...e filmes de tiros e bombas e socos nas trombas



 Ora, entre os filmes que eu via com os rapazes doidos por carros havia os do Mad Max, que já tinham uns bons anos na época e eles reviam em bloco vezes sem conta. A rapaziada delirava com aquelas máquinas e eu achava graça ao argumento, arrepiava-me com o Humungus e já na altura, pasmava para o styling punk-apocalíptico daquele universo. O punk em si mesmo nunca me disse nada - não gosto do cabelo nem de anarquia - mas tem alguns elementos interessantes e sempre notei (comecei cedo) como os figurinistas de Mad Max tinham feito um excelente trabalho quer a criar fatos novos com ar de velhos, quer a incorporar peças a cair de podres de uma forma que resultava (viva a reciclagem) para parecer que todas as lojas tinham acabado e as pessoas tinham de se desembaraçar com as velharias que sobrassem e mesmo assim não perderem o estilo.



 Um pouco o que agora se passa em The Walking Dead, que me parece que foi aí beber alguma inspiração...

 Pois bem, um dos rapazes cá de casa já foi ver o novo Mad Max e não ficou desiludido (eu estou com alguma curiosidade, por ser protagonizado por Tom Hardy, um dos actores mais promissores e bem parecidos dos últimos tempos, com uma voz incrível). De modo que como os anteriores têm passado na televisão, se sentou a rever o primeiro e eu fiz companhia...



 Como de todos esse era o que eu conheço pior, diverti-me (claro) a reparar no styling de Mel Gibson e seus companheiros. E no primeiro filme o mundo (ou a civilização) ainda não acabou propriamente, embora não ande muito longe, por isso toda a gente mantém um ar minimamente apresentável. 



Ainda há polícia e a polícia tem uns uniformes de couro fabulosos (na verdade, como o orçamento do primeiro filme era limitado, só o do Goose era pele; todos os outros foram feitos em vinil) com umas botas impecáveis (ando há imenso tempo para arranjar as biker boots perfeitas). Por curiosidade, as do filme eram fabricadas por esta marca australiana, mas creio que já não fazem o mesmo modelo.

Em suma, como o couro tem estado por toda a parte ultimamente (dos perfectos a saias e vestidos) não me surpreendia que começássemos a ver por aí certos visuais inspirados em Mad Max. Talvez eu própria me divirta a criar um, só por carolice (e como não adoro propriamente de conduzir, se pegar no volante de uma carripana velha para fazer pendant ainda lanço realmente o terror no asfalto...).


Se me arranjarem este side car, desafio aceite.
    Haja imaginação nos mais ínfimos momentos da vida...até porque há que prever todos os cenários, e ter criatividade ajuda: há dias disseram nas notícias que muita gente enviou o seu nome para ser deixado em Plutão (que acho uma indecência e uma falta de respeito agora ser chamado "planeta anão", mas os cientistas lá sabem). Quando ouvi isso pensei inicialmente "olha que pena não ter sabido". Mas depois reflecti melhor e não me pareceu assim tão boa ideia. Não se sabe quem poderá encontrar aquilo, nem que meios terá (uma qualquer rede social extraterrestre que permite saber tudo sobre toda a gente só pelo nome) para nos vir bater à porta, estilo, "já que cá deixou o nome, deve querer que a visitemos". No pior dos cenários éramos invadidos a começar pela própria casa; no melhor, podem ser ETs que não sabem, lá no planeta deles, a velha regra "os hóspedes ao terceiro dia aborrecem" e "mais vale ser desejado do que aborrecido". Se nem os terráqueos a cumprem às vezes...não, obrigada. Passo. Mas caso haja mesmo um fim do mundo, já tenho cá umas ideias para o que vou usar...







Sunday, June 28, 2015

Talitha Getty: os excessos da hippie mais chic


Quando se pensa em hippie chic - uma tendência que voltou intensamente este Verão, com calças boca de sino, vestidos longos, saias (e outras peças) de camurça e acessórios com franjas- o nome de Talitha Getty vem imediatamente à ideia de qualquer fashionista que conheça bem as suas referências.

Georgia May Jagger abrindo o desfile Marchesa (S/S 2015)
com um look hippie chic

De origem holandesa, Talitha nasceu em Java numa família de artistas (a avó, Dorelia,  foi também uma it girl boémia nos loucos anos 20) e - depois de ter passado a infância num campo de prisioneiros japonês durante a II Guerra-  mudou-se com a mãe para Inglaterra, onde estudou arte dramática.

 Porém, não trabalhou muito como actriz (pouco ficou para a memória além de uma breve participação em Barbarella): considerada uma beldade, os homens não lhe resistiam. Rudolfo Nureyev adorava-a e tentou casar com ela. Porém, teve tão pouca sorte que não pôde comparecer a um jantar onde ficariam sentados juntos...e o anfitrião convidou Paul Getty, o magnata do petróleo, para o seu lugar. Resultado? Paul e Talitha apaixonaram-se, casaram e tornaram-se um dos casais mais emblemáticos dos swinging sixties em Londres.

Talitha e Paul no seu casamento, em 1966

 Ficaram famosas as suas temporadas em Marrocos, com outros ícones da época, como Mick Jagger e a namorada, Marianne Faithfull.

 Porém, os excessos sucediam-se; as reuniões boémias eram coloridas pelas mais belas roupas...e por quantidades impressionantes de ópio. Yves Saint Laurent - que criaria o inesquecível perfume Opium em 1977 - comparou o casal ao romance de Scott Fitzgerald: "belo e amaldiçoado". Com boas razões...

Este retrato do famoso fotógrafo Patrick Anson (Conde de Lichfield) para a Vogue americana, definiria o estilo hippie chic para o futuro-apesar da vida relativamente discreta de Talitha e Paul à época

Apesar de idolatrada pelo marido e de se ter tornado mãe, Talitha teve um caso com um jovem aristocrata francês - e conhecido dealer dos famosos- o Conde Jean de Breteuil. Esse belo rapaz, descrito por Marianne Faifull (que fugiria com ele depois de romper com Mick Jagger) como alguém tão sombrio "que parecia ter rastejado de uma gruta" gabar-se-ia mais tarde de ter fornecido a heroína que matou Jim Morrisson. 

Jean de Breteuil

 A elegante Talitha finar-se-ia em Roma, de causa idêntica, menos de duas semanas depois da morte do Rei Lagarto. Contava apenas 30 anos. E Jean...teve igual destino no mesmo ano, 1971.

 Após a morte da mulher que amava, o marido Paul deixou a vida hedonista, descuidou completamente os negócios e passou a estar num tal isolamento que lhe chamavam "o milionário eremita". Demorou muitos anos a recuperar, e mais de uma década depois os sinais do seu sofrimento ainda eram visíveis. "A dor simplesmente não se evapora" comentava, destroçado.


Monday, May 25, 2015

Palavras que podiam ser minhas: dura veritas sed veritas, ó desmioladas.


Hoje encontrei este texto dos anos 1970 e não resisti a retirar algumas partes para vos mostrar, não só porque poderia ter sido eu a dizer isto mas porque é um retrato - um pouco cru, mas fiel- da mentalidade feminina vigente, quase quarenta anos volvidos: vacuidade nos sentimentos, leviandade, atrevimento, ausência de temperança, prudência e elegância interior, um apego frívolo aos aspectos mais superficiais e materialistas da moda, paixão pelas más leituras, falta de discrição e vontade de dar nas vistas, adesão cega às tendências sem pensar se são apropriadas ou esteticamente correctas...

A diferença é que muito disto é hoje encarado como virtude, como "qualidades da mulher moderna e poderosa "e que um texto assim, publicado nos média da actualidade, seria corrido a apupos de "slut shaming", caretice, chauvinismo, eu sei lá. Paciência.


" Nem todas as mulheres sabem amar. Amar só o sabem as que sabem entregar-se ao sacrifício. Mulher que não ama assim não compreende e não se dedica (...) . Os defeitos de certas raparigas são principalmente: leviandade de espírito; vacuidade de pensamento; falta de educação moral e muitas vezes, social; ausência absoluta, ou quase, de consciência. (...) Vestem-se como as outras, porque é moda. E se a moda é extravagante, cara e indecente, elas tornam-se extravagantes, dispendiosas, indecentes, sem custo e sem recear o ridículo a que se expõem; lêem tudo o que lhes cai debaixo dos olhos, mesmo que sintam que é mau. Relacionam-se com quaisquer pessoas, frequentam quaisquer lugares, quaisquer divertimentos...perdido todo o sentido do pudor, oferecem-se demasiado para serem desejadas; perderam todo o bom senso; sabem tudo-tudo o que não deviam saber - e sempre despropositadas de tudo riem, de tudo escarnecem, tudo criticam, sem conhecimentos que as autorizem a isso. As qualidades viris que conquistaram não compensam de facto a feminilidade que perderam.

 Que fazer, então, dessa palhaça, dessa doidinha? Guardá-la como jóia rara? O melhor é atirá-la pela porta fora...".

                                      L. Chiavarino

Friday, February 6, 2015

Alerta tendências: that 70´s show


Se alguma característica vai marcar visualmente esta década, será a liberdade no styling e o revivalismo: um verdadeiro "vale tudo" muito bem vindo que permite exercitar a criatividade e reciclar relíquias de tempos idos, sem que isso pareça estranho. 

 Nos últimos anos assistiu-se a "viagens" às decadas de 50 e 60 (com as silhuetas "ladylike", as saias lápis ou balão, os casacos oversized ou em "ovo", as cinturas altas e vincadas, o bâton encarnado, o cat eye, sapatos clássicos,  cuissardes..)  aos anos 80, para o bem e para o mal ( blazers, bodies, leggings, jeans de cintura subida) e aos anos 90 (o grunge, calções de ganga, o normcore, os vestidos-lingerie, as camisas de lenhador).

 Mas ao contrário do que se viu no passado, uma tendência não substitui outra; junta-se às opções já em vigor. Pode usar-se saia lápis e scarpins num dia e na manhã seguinte boyfriend jeans e Doc Martens sem dar nas vistas.

 Bom gosto/senso e noção das proporções são as únicas regras a cumprir!

 Desta feita, e porque a moda é sempre cíclica, regressamos aos anos 70. A década tem alguma má reputação graças ao abuso de poliéster e outros exageros, mas não esqueçamos a parte boa, de que Ali McGraw (Love Story) é o exemplo icónico.




Embora alguns elementos típicos da década (como os jumpsuits) andem por aí há anos, os aspectos mais óbvios dessa tendência serão as calças flare ou mais vincadamente boca de sino, e todas as peças (saias curtas ou midi, casacos, botas, peças franjadas) em camurça.


As calças


Não nos enganemos: as calças flare ou boca de sino nunca saíram totalmente de cena em certos circuitos, apesar do reinado das skinny jeans. Eu não as pus de parte, principalmente durante Primavera:


Jeans flare e boca de sino Lois, Lacroix e Krizia

Mas só este ano podemos esperar vê-las em força nas ruas. Não para substituir as skinny ou boyfriend jeans, mas como alternativa. 



As melhores serão de cintura subida q.b, para acomodarem camisas, tops e t-shirts; acompanham-se de saltos chunky ou plataformas, embora possam ocasionalmente combinar-se com saltos finos e biqueiras pontiagudas. 




A vantagem? Alongam a figura. As raparigas muito "redondinhas" poderão ter alguma dificuldade em encontrar o par certo, mas como equilibram ancas largas vale a pena procurar: ficam fantásticas também com túnicas ou um casaco ligeiramente volumoso.


  A camurça


Casacos, botas e carteiras em camurça e/ou com franjas têm sido uma presença forte em colecções recentes, mas de agora em diante a tendência vai ser mais vincada, aparecendo mesmo em vestidos ou calças, como as de Ralph Lauren (abaixo).
 Acredito que, tal como acontece comigo, muitas de vocês terão várias peças de camurça (algumas "herdadas" das mães e tias) lá por casa, por isso é uma questão de lhes dar protagonismo.

 O ai Jesus absoluto? Calças flare em camurça, como umas Dior vintage que andam à espera de fazer a sua estreia.

Thursday, December 18, 2014

Na dúvida, fiquemo-nos pelo intemporal.

Clémence Poésy para a Vogue UK, 2010

Uma das frases mais citadas de Coco Chanel é a moda passa, o estilo permanece

E Karl Lagerfeld avisa que a diferença entre o trendy e o aspecto barato é muito ténue.
 Por muito divertido que seja aderir às tendências de cada estação, ter preocupações de estilo implica considerar o Passado (isto já se usou? Porquê? Como ficava?), o Presente
 ( porque é que esta tendência está de volta? Qual é a sua utilidade? E o seu valor estético?) e o Futuro (continuarei a usar isto mais tarde? Como parecerá daqui a uns anos?).

 Para distinguir um clássico de uma moda passageira, basta observar imagens antigas: as que nos fazem pensar "que bem que as pessoas se apresentavam nesta altura" ou "podia perfeitamente usar isto agora" são intemporais; as que parecem datadas à primeira vista são testemunhos dos exageros da moda.

 Ter esta preocupação em mente é especialmente importante nas ocasiões especiais: bailes formais, casamentos e todas aquelas que não queremos recordar com constrangimento um dia. É possível manter um visual actualizado, de acordo com os tempos, e usufruir das tendências sem cair em exageros - se o equilíbrio, a subtileza e a qualidade do que usamos for sempre a maior prioridade.

Nada como ver alguns exemplos de décadas passadas para ficar com uma ideia:

Anos 1960

Se os retratos dos anos 50 são instantaneamente reconhecíveis mas raramente feios (podemos gostar ou não do estilo, mas quase todas as roupas  passariam despercebidas hoje com o toque certo) nos swinging 60s e mais para o fim da década as coisas começaram a descarrilar um bocadinho, com um certo exagero no volume dos penteados (e nas barbas, para eles) e a introdução de materiais sintéticos, maquilhagem espampanante ou looks futuristas - que embora ficassem bem nas revistas, na vida real não resultavam assim tão bonitos.


Porém, foi uma década glamourosa com a nota certa de equilíbrio: os visuais de Jackie Kennedy, Brigitte Bardot ou Jean Shrimpton podem perfeitamente ser usados agora. Quanto à Burberry, nunca fez roupa feia e esperemos que assim continue.


Anos 1970

Disco music, poliéster, cabelo grande em transição, o nascimento do punk para o bem e para o mal...de tudo isto se compuseram os anos 70, o que levado ao exagero deixou imagens embaraçosas para a posteridade:


Mas os resquícios do look hippie, impondo uma beleza natural e romântica, e o preppy da época salvaram a década. Nota bene os vestidos longos que temos usado nos últimos Verões e o estilo muito Ralph Lauren de Ali MacGraw:


Anos 1980

Não há década que tenha visuais tão datados ou se destaque tão depressa no meio das outras. Dos anos 80 com o seu power dressing, new romantics e glam rock  vieram a maior parte das tendências excessivas que toda a gente jurou enterrar para sempre - embora nos últimos anos algumas tenham regressado - leggings, polainas, ugly sweaters, ou mesmo o cabelo no último anúncio do Opium de Yves Saint Laurent. Diz-vos alguma coisa? Busted!


Mas- pasmem - entre cabeças coroadas, rock stars como Bryan Ferry. modelos e filmes clássicos da época, há muitas coisas que ficariam lindamente hoje. Ralph Lauren não erra, e o understated é tudo:




Anos 1990

Os anos 90 tiveram o minimalismo e o grunge, mas também as boysband, o lip liner castanho, as sombras de olhos brilhantes, o sportswear horroroso, os ganchinhos com borboletas, as gargantilhas de elástico, os penteados de ouriço cacheiro...



Claro que houve sempre quem passasse incólume: basta olhar para Jennifer Aniston em Friends (Ralph Lauren, de novo) para Alicia Silverstone em Clueless (Blair Waldorf não inventou nada) ou para a maravilhosa Carolyn Bessette Kennedy.



Moral da história: moderação, discrição e bom senso salvam a época mais louca...e os álbuns de família!












Saturday, July 5, 2014

Quando se trata de boa apresentação, querer é poder.

Bianca Jagger

Já vos contei que tenho a mania de coleccionar antigos manuais de comportamento e beleza. Encontram-se sempre truques que apesar de velhinhos ainda funcionam e apesar de datados são livros muito mais completos que os actuais, que às vezes mal arranham a superfície.
 O mais engraçado é que - tanto nos compêndios de elegância e boas maneiras como nos que se cingem, aparentemente, à moda e maquilhagem - a prosa é sempre algo aprofundada, e com ênfase no aspecto mental da beleza. Mens sana in corpore sano, pois claro!
 Estava eu a folhear um livro de 1977 escrito por uma senhora cuja biografia não consegui encontrar mas que, pelo discurso e pela lista de obras suas que por aí aparecem referidas na internet concluo ser jornalista ou editora de saúde e beleza, Josette Lyon, quando encontrei este interessante parágrafo com que me identifico inteiramente:

"Deve tentar (...) aceitar-se tal como é (...). Se verdadeiramente alguma coisa vai mal, deve fazer o necessário para que tudo vá bem. Tudo é possível, quando isso se torna uma questão de vida ou de morte. Os manequins, os modelos, nunca engordam. As hospedeiras estão sempre bem penteadas e bem maquilhadas (...). Basta estar motivada - mesmo mal - para ter êxito".

Digo muitas vezes que nada se consegue sem atenção e sobretudo, sem disciplina. A necessidade aguça o engenho. O problema é que às vezes as mulheres se queixam, mas não colocam esse sentido de "necessidade" em prática, como prioridade máxima. E assim, desabituam-se de dar os passos necessários. Fazem o mínimo, mas não estão devidamente atentas, não praticam a boa postura, o aprumo, a exigência...a não ser quando têm um encontro importante, uma entrevista de emprego, uma reunião de responsabilidade, um evento especial.

 O estado de espírito que se tem nessas ocasiões devia ser evocado todos os dias, para se agir de acordo. É difícil, e por vezes as razões para estar tão motivada não são as ideais, mas até a insegurança pode servir de desculpa para tentar ser a melhor versão de si mesma. 
 Como muitas coisas na vida, por vezes é preciso algum fake it till you make it, alguma tentativa e erro. Uma bailarina precisa de treinar sem descanso para que no palco pareça que sempre se moveu com a graciosidade e a leveza de um cisne. Tudo parece espontâneo e fluido, no entanto sabe-se bem que por trás da perfeição há muito treino, muito sacrifício, muito trabalho. 

Assim é a boa apresentação - ou o sucesso. Haja muito esforço todos os dias, para que tudo saia com facilidade nos momentos que não permitem falhas. O "vencer ou morrer" deve ser posto em prática a cada manhã, e a competição não deve ser com as outras mulheres mas com o pior inimigo - o eu de cada um (a).

Só esforçando-se diariamente se consegue a tão invejada "beleza e elegância sem esforço".

 É  sempre bom lembrar isto na era das facilidades...

Sunday, April 20, 2014

O meu instante favorito de Páscoa, que serve de voto e tudo: Hosanna!


Bom, tecnicamente a canção diz respeito ao Domingo de Ramos, mas acho-a tão vibrante, triunfal e poderosa que não podia ter mais a ver com o espírito do Domingo de Páscoa. Hosana - salva-nos, liberta-nos, imploramos, ou Salvador, vem em nosso auxílio, Tu que estás nas Alturas. Claro que como sempre acreditei que em equipa que ganha não se toca só consigo ouvi-la, bem como ao resto da banda sonora, com o elenco do filme - Ted Neeley como Jesus, Kurt Yahjian como Anás e Bob Bingham a fazer um belíssimo genro deste, o malvado Caifás. Eram todos tão talentosos, jovens e bonitos, e a trilha é absolutamente perfeita.



                                                            There is not one of you 
                                                          Who can not win the kingdom. 
                                                             The slow, the suffering, 
                                                                The quick, the dead.
 


 Esta época é, desde a noite dos tempos, ideal para pedir renovação, para começar de novo, para tornar tudo belo outra vez. É uma nova oportunidade. 
 E é isto que vos desejo, gente fofa e respeitável. Ide com Deus, ide, saborear os doces.

Thursday, December 26, 2013

Quando um álbum diz tudo.

                          


Foi a minha banda sonora de noite de Natal e há muito que não deixava que a música me envolvesse desta forma, ou que traduzisse o que me vai na alma de uma forma tão eloquente. Digo-vos que fiquei como nova e que  preciso de consumir Selling England by the Pound às colheradas esta semana. Ter pais com excelente gosto dá nisto.





Young man says you are what you eat - eat well.
Old man says you are what you wear - wear well.
You know what you are, you don't give a damn...

Friday, October 25, 2013

Look icónico do cinema: Ali McGraw, ou nunca faças ciúmes a um homem poderoso.

                                   
Nunca fui grande fã do clássico de puxar à lágrima Love Story, mas o filme vale a pena pelo figurino preppy de Ali McGraw, que continua  inspirar designers como Tommy Hilfiger ou Michael Kors (reparem nos jeans brancos, tão do agrado do criador). 


 

O mérito foi dos responsáveis de guarda roupa Pearl Somner e Alice Manougian Martin, mas também da própria actriz. Nascida numa família bem de Nova Iorque, educada em bons colégios do Connecticut e Massachussets e mais tarde, assistente de Diana Vreeland na Harper´s Bazaar e stylist na Vogue (não tardando em passar para a frente das câmaras) Ali tinha uma ou das coisas a dizer sobre elegância. Se no filme encarnou como ninguém o estilo eterno associado à Ivy League, com caxemiras, tartans, peles, sedas, casacos e malhas irrepreensíveis, na sua vida privada adoptava um look boho chic que nem sempre agradava aos críticos (em 1971 figurou na Worst Dressed List do jornalista de moda Richard Blackwell) mas que ainda assim, fez escola.
                                     
 


O seu tipo de beleza (grandes olhos expressivos e cabelo liso) fruto de genes escoceses e húngaros, estava em perfeita harmonia com os ideais da nova década: embora fosse praticamente desconhecida, Ali tornou-se numa estrela assim que o blockbuster estreou, em 1970. Era a rapariga certa na altura certa, e com um visual incontornável.





A sua carreira descolou e parecia realmente promissora, não fosse Ali ter casado com o homem que fez dela uma estrela: Robert Evans, produtor da Paramount. A actriz apaixonou-se pelo co-protagonista Steve McQueen e pediu o divórcio...e em troca, o marido desiludido tratou de lhe destruir a carreira: os papéis icónicos que lhe estavam reservados em The Great Gatsby e Chinatown passaram para Mia Farrow e Faye Dunaway, respectivamente. 
 O golpe foi fatal e associado à posterior separação e morte de McQueen, bem como a uma alegada dependência de álcool e a uma intimidade descontrolada, fez com que o percurso de Ali McGraw nunca mais voltasse a ter o mesmo fôlego. 

Tudo bem que deixar o marido para casar com outro não foi bonito, mas há homens muito mesquinhos.

 Ficam as lições de estilo - roupas boas nunca desiludem, nem se voltam contra a utilizadora.



Textos relacionados:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...