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Tuesday, May 15, 2018

As coisas que eu ouço: não tirem a piada às viagens em família!




Há umas semanas  ouvi na rádio um anúncio de uma qualquer MEO cá do burgo (já não me recordo que companhia era, mas oferecia um pacote de internet desses para dentro e fora de casa) que basicamente, prometia aos pais o sossego e a tranquilidade de crianças caladinhas nas longas viagens de carro. 

Nem conversas, nem gargalhadas, nem andar à batatada uns com os outros, nem cantar a árvore da montanha até encher a paciência aos adultos, nem constantes perguntas "ainda falta muito?" e muito menos "preciso de ir à retrete!", "quero comer!", "estou a enjoar!", "oh mãaaaae, ele não me larga", "paaaaai, ela pôs o pé em cima da minha cabeça" etc. Nada dessa selvajaria e coboiada que tanta graça e mística davam a qualquer percurso de férias nos anos 80/90 (já lá vamos). 






Nada de cantorias em família e os pais a alinharem na brincadeira até perderem a compostura e atirarem com um "quietos, ou voltamos já para casa" ou, melhor ainda, "se não se comportam como gente decente, levam uma tareia que choram com razão" (esta era ouro!). Nada disso. Zip it. Fecho eclair. Nem xus nem bus. 



Ou seja, viagens em família todas zen, de uma respeitabilidade pequeno-burguesa, pretensiosa, afectada e peneirenta; ideais, portanto, para paizinhos Bimbi armados em cosmopolitas de frágeis nervos, praticantes da "parentalidade positiva"que puseram no mundo crianças ora índigo ora hiperactivas (uma das duas tem de ser), adeptas ferrenhas da dieta Paleo e praticantes de mindfulness. Paizinhos estilo pais do Ruca (esse demónio!) que invariavelmente vão aproveitar a paz e o silêncio para meditar nas sábias palavras do guru do momento, mandar às "migas" a imagem das unhas de gel "de verão" e para partilhar nas redes sociais cada instante do percurso - mas atenção, com a cara da petizada devidamente oculta por um focinho de cachorro ou macaco do snapchat, não vá o diabo tecê-las. 



 E - voltemos ao anúncio- como se conseguia tal milagre, assim sem recurso à hipnose, clorofórmio, Xanaxes nem ritalina? Ora, usando a melhor forma de anestesia que existe: ou seja, alienando, perdão,  entretendo a pequenada (devidamente algemada nas suas cadeirinhas mesmo que já tenha quase treze anos e pernas super compridas) com os seus IPAD em vez de os deixar maçá-los com coisas aberrantes vulgo impaciência ou entusiasmo infantil. 

Para que não restem dúvidas, vou citar o "reclame", que era mais ou menos isto:

"Goze a sua viagem e deixe a Porca Peppa tomar conta das crianças!". 



 O quê??- saltei eu logo e desatei a fazer juras- peralá! No way!  Hell no! Era melhor!!! Não, c´os diabos!


Em planeta nenhum a Porca Peppa há-de tomar conta dos meus potenciais filhos e sobrinhos. Nem ela, nem a Popota, nem a Leopoldina e nem mesmo personagens mais aceitáveis ou vintage como a Bela Adormecida, os Cavaleiros do Zodíaco, os Pequenos Póneis, os Ursinhos Carinhosos, o Batman ou os Guardiões da Galáxia. Ponto. Mas a  Porca Peppa muito menos. Apre. Irra. Vade Retro Satanás.



Se é para se usar a internet com o propósito de tornar as viagens em família mais divertidas, não lhes ocorria nada melhor, tipo ir ao Youtube buscar vídeos de karaoke para cantarem todos juntos?

As  road trip em família foram das melhores recordações que me ficaram da infância. O caminho para chegar ao local das férias (ou aos vários pontos que queríamos visitar) era tão entusiasmante como as férias em si mesmas. Poucas coisas nos uniam mais a pais e irmãos e nos davam um melhor insight uns dos outros como peregrinar para conhecer as melhores e mais secretas praias do Alentejo ou percorrer a Europa de carro. 



Numa dessas viagens mais longas, não havia rádio e eu encarreguei-me da banda sonora, cantando com o pai o Jesus Christ Superstar inteirinho, de fio a pavio. A única coisa que tornava estes passeios melhores ainda era quando primos, avós e tios se juntavam à festa. Mais cantoria. Mais cobóiada. Mais pugilato e solavancos no banco de trás. Mais piqueniques. Mais do primo Vasco a berrar "traz a sopa!" para nós respondermos igualmente aos berros "já vaaaai", nunca percebemos de onde vinha o estribilho porque nem havia sopa no menu mas tinha graça, tal como a história a fingir francês "o Julien foi à misse...veio de lá uma mulher e disse... c'est ça, Julien?". Não havia selfies nem perdíamos tanto tempo a tirar retratos, mas ficaram alguns bem giros, revelados ou polaroid.



Não importa o quanto a tecnologia tenha evoluído, não se pode perder a magia. Nem podemos esquecer que as crianças crescem muito rápido. O tempo para fazer viagens divertidas, barulhentas e stressantes passa muito, muito depressa. É um fósforo. Não quero que as memórias da minha família venham a ser uma névoa de árvores a passar e olhos no monitor - arriscados a fazer um descolamento de retina, esse mito urbano da minha infância. Nem crianças alienadas, nem descolamentos de retina enquanto eu cá andar. A porca Peppa e toda a sua pandilha que vão pregar para outra freguesia!

Monday, March 5, 2018

Mulheres da luta nostálgicas: Xica da Silva x Violante Cabral





Há umas semanas atrás, deu-me para rever episódios soltos de uma das poucas novelas que acompanhei na vida: Xica da Silva!

Como já contei por aqui algures, telenovelas eram um passatempo desencorajado lá em casa - tal como qualquer tipo de "romance cor de rosa". O senhor pai, principalmente, achava que isso não era entretém que ensinasse alguma coisa - nada de bom, pelo menos-  fosse a quem fosse, e muito menos a raparigas que não quisessem ficar parvinhas e estouvadas.

  Era dada *certa* tolerância aos folhetins baseados em obras como as de Jorge Amado ou que tivessem algum conteúdo histórico, e olhem lá. Mas Xica da Silva foi ele próprio que me chamou para ver, tinha eu uns catorze anos, Sissi, está a dar uma novela que se passa no século XVIII.  Música para os meus ouvidos: passámos a ver juntos a Xica da Silva, embora se arranjassem pretextos para eu me ausentar da sala nas cenas embaraçosas ou demasiado violentas (e houve muitas- o autor fantasiou imenso e até meteu bruxas e vampiros ao barulho, embora nem fosse precisa grande imaginação; afinal, o século XVIII foi uma época tão fascinante como complicada: basta recordar o martírio dos pobres Távoras ou a execução absolutamente medonha do regicida *falhado* Robert-François Damiens).

Adiante: o tema central da trama era a rivalidade entre a ex-escrava Xica e a sua ex-"sinhá" que não a deixava em paz, a  orgulhosa fidalga Violante Cabral, por causa do contratador de diamantes João Fernandes.





 O argumento bem elaborado, os excelentes diálogos,  a boa direcção de actores e a interpretação inesquecível das actrizes Taís Araújo e Drica Moraes fez com que o cliché televisivo mais velho do mundo (a heroína pobrezinha e a vilã riquinha esgatanhando-se à conta de um par de calças) se mantivesse interessante até ao fim, apesar de haver outros núcleos igualmente cativantes na história, como a religião afro-brasileira dos escravos ou os amantes infelizes Martim e das Dores.

Só que nem Xica da Silva era uma heroína boazinha típica, nem Violante Cabral a vilã vaidosa e unidimensional do costume. Aliás, as duas estavam mais para anti-heroínas do que para outra coisa qualquer (a densidade emocional e o realismo de todas as personagens, nem totalmente boas nem totalmente más, era precisamente um dos pontos fortes deste folhetim).




Para quem não viu ou não se lembra, a história, baseada em factos passados em Diamantina (Minas Gerais) era isto: João Fernandes, riquíssimo senhor da pequena nobreza encarregado de explorar os diamantes para a Coroa, chega ao vilarejo e acha que a senhorinha Violante Cabral é um bom partido: bonitinha, discreta, de boas famílias. Sem imaginar que a menina é de força e tem um mau feitio pior que trinta diabos, pede-a logo em casamento e a pobre, (que já tinha sido rejeitada por um noivo que a  trocou por uma meretriz e acabou na forca) apaixonada à primeira vista pela belíssima figura do pretendente (Victor Wagner, uma das caras mais lindas que já deu ar da sua graça nas telas da lusofonia) aceita na hora, mortinha por desencalhar, por se tornar ainda mais rica e importante e para se livrar do cognome infame que lhe tinham posto de Noiva do Enforcado.



Só que o senhor João Fernandes, que tem tanto de bem parecido e de bondoso como de doidivanas e desmiolado (já lá vamos) põe os olhos na mucama de Violante, a linda Xica, e decide que a  quer para sua concubina...esperando com a maior naturalidade que Violante, como era costume naquela época, faça vista grossa e fique calada.

 E de facto, no início do enredo ambas procedem como mulheres daquele tempo e da sua condição: a escrava Xica (que a início está furiosa por ser vendida e se faz difícil mas acaba por se apaixonar pelo amo) acha natural que João fique com as duas para cumprir as exigências sociais; Violante hesita, pensa em aceitar... mas depois tem um assomo revolucionário de dignidade feminina e, vendo que ele faz finca pé em não abrir mão da amásia, diz que não o aceita pela metade (bravo!). 

Quanto ao contratador, surpreendido por tantas "exigências" e "imposições"(cof. cof) da noiva, por um lado, e por outro fascinado pelo brio de Xica, que ao contrário de todas as outras o tinha feito esforçar-se para a conquistar, decide alforriar a antiga escrava, 
assumi-la como sua mulher aos olhos de todos tanto quanto a lei permitia e cobri-la de luxo, de diamantes, de belos vestidos, em suma, fazer dela a senhora mais poderosa da região, escandalizando toda a gente.




Aí Violante não aguenta: e em vez de continuar a agir com a dignidade que tinha mostrado até ali, de se pôr nas suas tamancas, de seguir o conselho da família para entrar num convento (solução sempre digna para uma moça devota como ela) ou melhor ainda, de se juntar ao irmão mais velho e partir para a Corte de Lisboa, onde decerto não lhe faltariam partidos melhores... não. Dá mais valor ao orgulho ferido do que à sua felicidade, perde o bom senso que todos admiravam nela e decide ficar a pé quedo lá na terreola, no firme propósito de se vingar de Xica e reconquistar o contratador só para si com recurso às piores tramóias (de bruxedos à Santa Inquisição, tudo ela consegue envolver na trapalhada). 

A fixação é de tal ordem que, apesar de ambiciosa, até o pedido de casamento de um Marquês ela recusa; e por mais que disfarce acaba amarga, ressabiada e histérica, cheia de fanicos, invejosa, obcecada com os pecados deste mundo. Como todas as mulheres ressentidas, torna-se objecto de ridículo: embora toda a gente lhe reconheça a fibra e a força de carácter, rosnam nas suas costas que o seu problema óbvio é a falta de marido, que lhe transtorna os nervos de solteirona. De rapariga admirável passa a víbora mal amada que inferniza toda a gente.




 Quanto a Xica, rapidamente percebe que Violante é o menor dos seus problemas: é que o seu Príncipe Encantado está longe de ser perfeito pois, apesar de gostar muito dela, não resiste a qualquer criatura de saias que lá apareça, independentemente da cor, feitio, idade ou condição social. Sim, o senhor João Fernandes é um mulherengo: tudo - mas absolutamente tudo, de escravas a fidalgas passando por maluquinhas e bruxas - lhe serve. Acaba mesmo por continuar a iludir, de certa forma, Violante, deixando-lhe uma réstia de esperança unicamente porque a paixão dela lhe massaja o ego. E Xica, que é tão esperta, não vê isso ou finge que não vê: mesmo quando já não precisa dele pois tem diamantes que lhe cheguem para levar vida farta e regalada em qualquer parte do mundo, aceita o malandro sempre de volta (com muitas cenas e vinganças pelo meio) e chega a cometer atrocidades para o conservar por perto.




Ora, dramaticamente falando a rivalidade das duas, insultando-se respectivamente de "macaca" e "lacraia" e urdindo conspirações terríveis uma contra a outra  rendeu óptimo entretenimento.  Xica intensa, desabrida, excessiva, amiga da ostentação, muito engraçada com tiradas de "estou deitando fogo pelas venta!" e "estrupício!" e Violante contida, cortante, toda ciosa da sua categoria, espirituosa, com uns penteados sempre super compostos, umas mantilhas lindas e ditos do tipo "eu sempre terei o meu lugar no mundo; sou Violante Cabral aqui, no Rio de Janeiro ou na Corte Portuguesa; quanto a vosmecê, sem o contratador vai acabar a guardar porcos"  foram realmente personagens extraordinárias. As cenas das duas eram sempre dignas de registo, fosse quando trocavam galhardetes "educadamente" (ver abaixo)...





...ou quando perdiam a calma e chegavam a vias de facto:



Porém, na cena em que as duas mandam a compostura às urtigas e andam à batatada para gáudio do populacho, uma das personagens (brutamontes mor lá do sítio) resume  numa frase simples a maior verdade disto tudo: é que, como já tratámos aqui em tempos, os homens são os únicos que se ficam a rir quando as mulheres se rebaixam a andar à luta por causa deles.

"Briga de mulher é a melhor coisa que tem para se ver!"

Na ficção enredos destes até têm graça, mas meninas e senhoras devem mirar-se no exemplo, pois na vida real estas situações não têm piada nenhuma: tanto Xica como Violante eram mulheres admiradas por todos pela sua inteligência, sagacidade e força moral; mulheres que superavam as limitações da sua época (uma por escapar a um destino de escravatura e reinventar-se, outra por não se resignar ao papel submisso e passivo que esperavam dela, sem perder a elegância nem a  feminilidade).

 E no entanto. deitavam tudo isso a perder e estragavam a sua paz de espírito por um homem leviano. A verdade é que ambas mereciam melhor e que o senhor João Fernandes, pese embora as suas qualidades, não era merecedor da devoção de uma nem da outra: como eu digo sempre, um homem que se deixa disputar não é digno de cobiça para começo de conversa.

Ou como também já vimos, quando é preciso lutar por um homem é porque a batalha está perdida à partida. Era assim no sec. XVIII e assim continuará a ser enquanto o mundo for mundo.

Friday, October 20, 2017

Palavra (ou insulto) da semana: Rebimbombalho



Certa vez, quando eu e o meu irmão éramos miúdos, andávamos a brincar com a televisão ligada como pano de fundo. Não me recordo qual era a nossa brincadeira, mas estava a dar um daqueles programas (Top qualquer coisa, creio) que passava toda a música popular portuguesa que andasse para aí na boca do Zé Povinho a ganhar discos de platina e que fazia as delícias de todo o emigrante que vinha a Portugal comprar cassetes à beira da estrada- ou seja, tudo quanto era pimbalhada, com letras que eram um autêntico fartote de rir. 

De repente, estacámos e desatámos os dois à gargalhada. É que tocaram uma cantiga tão cómica que conseguia a proeza de se destacar das outras. 




Não me recordo de quase nada (e com imensa pena minha, não consigo encontrar a música para vos mostrar, prova provada de que, contrariamente à crença,  nem tudo anda no Youtube) mas era de um desses grupos muito pitorescos com organistas e bailarinas que vão actuar às aldeias remotas (Renovando qualquer coisa ou Novo não sei quê) e contava a história de uma rapariga muito serigaita que escandalizava toda a gente lá na terrinha porque "ia à discoteca sozinha de perna ao léu" e que fazia o povo dizer " mas cá para mim ela vai/ela vai de rebimbombalho//ela vai de rebimbombalho/ela vai de rebimbombalho".  Assim como quem diz "cá para mim, esta vai acabar mal". 



Foi o descalabro porque o senhor mano sempre conheceu o meu ponto fraco, que é ter um ouvido de tísica e uma memória auditiva de tremer, que ainda hoje me faz decorar refrões e estribilhos mesmo contra a minha vontade. Podem imaginar as vezes que ele me fez cantarolar todas as cantilenas parvas ou ridículas que ouvíamos, por mais que eu tentasse esquivar-me dizendo que já não me lembrava.


- Mas anda lá....canta lá aquela...como é que era? - insistia o mafarrico até me vencer pelo cansaço. 


E  pronto, a cantiga da moçoila que ia de rebimbombalho ficaria definitivamente a fazer parte dessa lista negra de Sissi, a jukebox andante.

No entanto, continuávamos intrigados com o que vinha a ser "ir de rebimbombalho". Tirávamos pela pinta que não devia ser nada de bom, mas nunca tínhamos ouvido tal palavra (e de facto, se a googlarem só aparece como o nome de uma banda folk portuguesa. Existe uma expressão transmontana semelhante, rebimbómalho, mas essa significa algo (sic) "de arrasar").



A avó, que entretanto nos ouvira a trautear aquilo, lá nos explicou o que vinha a ser um rebimbombalho... pelo menos lá na vila dos nossos antepassados, onde o termo era usado como adjectivo pouco lisonjeiro. Ir de rebimbombalho ela nunca tinha ouvido, mas era costume dizer-se, perante uma coisa ou pessoa desarranjada, desleixada ou de maus costumes, enfim, face a uma relaxaria qualquer: "olhem para aquilo...parece um rebimbombalho que para ali anda!". 




Também podemos ser criativos e tentar fazer uma análise etimológica da palavra, vá: "balho" é um termo rural/arcaico para "baile" e "rebimbombar" pode ser alguma corruptela de "ribombar" sugerindo alguma coisa inquieta e barulhenta, desorganizada, levada aos trancos e barrancos. Em suma, uma estúrdia pegada.

Seja como acção ou como adjectivo para classificar alguém ou alguma coisa, ir de rebimbombalho, ou ser/parecer um rebimbombalho não é decerto uma coisa bonita. 




Portanto, seguindo essa ordem de ideias uma mãe ou professora poderá ralhar às crianças dizendo: "olhem que eu não admito cá rebimbombalhos!" ou "esta casa/sala de aula não é um rebimbombalho!". Ou uma jovem poderá dizer a um D. Juan com intenções pouco sérias: vá bater a outra porta, que comigo não há relacionamentos casuais nem rebimbombalhos desse género (ou seja, como quem emprega o termo "farfalho", outra palavra exótica de que já falámos aqui).

Mas também é útil usar a palavra para nos referirmos a uma pessoa mal comportada ou mal apresentada. Portanto, sintam-se livres para, caso tenham necessidade de insultar um desafecto ou de avisar uma pessoa doidivanas, para sacar de um " você é uma desgraça, um rebimbombalho completo!" ou "se continuas por esse caminho, vais de rebimbombalho que é um gosto".


Monday, January 25, 2016

Fugir da Matrix. Literalmente.


Há dias passava The Matrix na televisão e o senhor mano - que me arrastou ao cinema para ver essa pérola quando saiu - sentou-se a rever. Imitei-o e fui catapultada para a mistura entre "mmm, isto tem alguns momentos interessantes" e "tirem-me deste filme que isto não faz sentidozinho nenhum" que senti no mágico ano de 1999. Aquela estranha combinação entre seca monumental, imagens bonitas e instantes "isto dá que pensar" que me ficou, misturada com o aroma das pipocas naquela sala já extinta.

E de facto, o filme inaugurou um género. Não foi só marcante para os nerds de serviço. Para os meus olhos que já então eram atentos ao figurino (no caso, cortesia de Kym Barrett) havia todo um festival de estilo minimalista de finais dos anos 90 com muito cabedal, napa e silhuetas longas à mistura.

Só embirrava com aqueles óculos à pintas quando não havia sol algum, que nunca me pareceram naturais de usar e davam aos actores um ar mesmo parvo por mais cool que eles se esforçassem por parecer.



Porém, a ideia de "nada é real, tudo é permitido" era de facto interessante, levanta inúmeras metáforas, mais programação informática menos programação informática. Máquinas apocalípticas à parte, a teoria de haver realidades paralelas ou de o nosso mundo não existir realmente mas ser um de muitos hologramas não era nova na altura e continua a não ter nada de tão invulgar assim. Não faltam *supostos?* cientistas e filosofias esotéricas que a defendem. Depois, pode aplicar-se o conceito de "matrix" a qualquer carneirada em que toda a gente acredita sem fazer perguntas...o politicamente correcto actual é uma "matrix" de todo o tamanho!

E vejamos - até não me importava de nada ser real mas eu ter domínio sobre isso tudo e com um simples download, poder escolher a realidade à minha volta, descarregar a roupa que me apetecesse vestir ou programar-me para saber, em horas, qualquer idioma, arte marcial ou o que me desse jeito. Nada mal!



O que não tirava ao filme, a meu ver, uma certa idiotice de toda a gente estar cheia de medo de um papão que ninguém sabia muito bem o que era. Os argumentistas bem tentaram convencer-me de que a Matrix era uma coisa profunda, simbólica e muito má, mas pareceu-me sempre que andavam à volta de uma coisa que anda de noite. Um bocadinho como a Aparição, livro que toda a gente aplaude mas que para mim nunca passou de uma maluqueira pegada sem grande sentido.

De modo que eu, habitualmente toda pela honra, o heroísmo e a justiça, fiquei sempre convencida de que, se me visse em tais assados, faria como o tripulante da nave que se vendeu à Matrix: quero acordar na minha realidade perfeita, podre de rica, poderosa e sem me lembrar de nada desta porcaria.

É que entre alinhar com o "inimigo" e passar a vida a ser ligada a fios, a comer papas horrorosas, embrulhada nuns camisolões sem jeito nenhum e a morar numa nave  poeirenta, desconfortável e a tresandar a óleo de motor...irra, prefiro ser o judas da história...

Tuesday, December 29, 2015

Breaks my heart, or I think I´m just happy? (ontem, hoje e amanhã)

Kurt Cobain e Courtney Love; e actualmente, a filha deles com o marido

Eu era muito novinha quando Kurt Cobain deixou este mundo com o seu belo rosto e olhar triste que parecia uma pintura do Divino Redentor, mas o meu universo pré-adolescente ficou abalado pela tristeza que assolou o liceu- especialmente na figura do M., um rapaz simpático de cabelos compridos que era fã empedernido e desatou a chorar como uma rapariguinha quando a notícia da morte do seu ídolo se soube. 

Os Nirvana estavam por todo o lado e era impossível escapar aos seus poemas. Os rapazes com quem me dava (os que se atreviam a não ser betos e a fugir dos encerados, parafernália de rugby e sapatos de vela num liceu que dividia amigavelmente "betolas" das tribos mais "alternativas", mas igualmente betolas porque era quase tudo gente civilizada, embora houvesse problemas ao melhor estilo do que viria a ser Morangos com Açúcar) vestiam como Kurt Cobain e as meninas queriam namoriscar rapazes como Kurt Cobain. 



Eu cá era muito sossegada, mais tímida não podia... e continuava orgulhosamente a coleccionar Barbies e a jogar Streetfighter a par com os livros e a maquilhagem, mas houve o T., que me ofereceu o primeiro peluche com coraçõezinhos (primeiro e último, que nunca fui dada a lamechices) e o A., long story. Cabelos louros compridos, olhos azuis e camisas de flanela.

 Já o nosso amigo M., o que chorou como uma Madalena e tocava guitarra, usava as tais camisas sobre umas antepassadas das skinny jeans actuais  que eram uma seca para raparigas e rapazes, porque aquela ganga elástica extra espessa tinha artes de achatar o derrièrre mais imponente.  Tinham de ser City Jeans, senão não prestavam...mas em boa verdade, nem essas prestavam. Fiz birrinha para ter umas e usei-as um par de vezes antes de as despachar, um dos poucos caprichos de moda inúteis da minha existência. Mas no M. pior um pouco ficavam, pois ele, embora bonitinho com o seu cabelo escuro lustroso,  já era o Palito...eu e a minha melhor amiga até desenhámos um cartoon em que era levado pelo vento, possivelmente ao som dos Nirvana, com as Doc Martens no ar a fazer-lhe umas pernas ainda mais longas e magrinhas, se possível. 



Depois eram bâtons acastanhados ou bourdeaux e gargantilhas vitorianas, como se usam agora outra vez. E uma estética que andava entre o gótico, o punk, o grunge e o preppy (Burberry e tartan por todo o lado, uma festa). Não havia telemóveis (só apareceram um par de anos depois e nem era de bom tom ter um) nem selfies (mas divertíamo-nos com as polaroids e gastar rolos a preto e branco era moda) a internet estava nos primórdios e a inexistência de redes sociais complicava um pouco a interacção de adolescentes uns com os outros porque para falar com alguém era preciso passar pelos pais da pessoa primeiro, que podiam ou não estar de maré e ficavam inevitavelmente com um registo dos amigos ou admiradore (a)s que ligavam lá para casa. Foi uma época divertida.



 Voltando aos Nirvana, havia as matinés na Via Latina (quem é de Coimbra sabe), às Quartas-feiras à tarde. Saía-se das aulas para passar a tarde a dançar-  tocavam as cantiguinhas tipo Saturday Night e a seguir as músicas do Unplugged. I think I´m just happy...think I´m just happy...e éramos felizes, sem dúvida. Com todo um futuro à frente que se cumpriu para a maioria de nós, felizmente, mas a que quem dera tirar algumas complicações que apareceram pelo caminho.



 Este Natal a viúva de Kurt Cobain dedicou-lhe uma linda carta de amor. Na altura toda a gente se zangou muito com Courtney Love, que alegadamente tinha oferecido ao marido  a arma que o matou (a ser verdade, nunca percebi o que lhe terá passado pela cabeça tendo em conta os antecedentes dele) mas embora formassem uma equipa menos que sofrível e puxassem pelo piorzinho um do outro, lá que deviam amar-se, deviam.

A filha do casal até já casou com um mocinho de sobrenome luso que é a fotocópia do pai dela, nós todos crescemos para ser adultos responsáveis, o mundo deu reviravoltas e piparotes, mas a música dos Nirvana continua tão boa como ontem, muito do que veio dessa época permanece hoje e Courtney continua a amar Kurt. É uma sensação estranhamente melancólica e agridoce para fechar o ano, que não sei se me parte o coração, ou se I think I´m just happy.



Thursday, September 24, 2015

O bom e velho champô de ovo




Quando penso na minha infância, acho que tinha mesmo que dar em blogger, e até me admira não ser das piores, salvo seja - não me ter tornado numa beauty blogger dessas que cada dia que Deus deita ao mundo falam num produto diferente (nada contra, pelo contrário- as reviews destas meninas dão imenso jeito, mas os meus interesses diversificaram-se um bocadinho).

É que eu era um perigo perto dos cosméticos. Bastava passar por uma perfumaria ou pela secção de higiene e beleza do supermercado para ficar com os olhinhos a brilhar. Se me queriam ver entretida, era deixar-me ao pé da senhora "das pinturas" e já por aqui vos contei que adorava "pedir emprestados" os cosméticos da avó, herdar os bâtons da tia (os da mãe também, mas a tia comprava imensos e como tinha uma paciência de santa, dispensava-me sempre alguns) ou mesmo fazer misturas: a avó achou sempre que eu ia dar em cientista e trabalhar para a L´Oreal ou coisa assim. Uma das bonecas que mais me encantaram foi um manequim de cabeleireiro que nem parecia um brinquedo - absurdamente caro e  super realista. Foi um dos poucos brinquedos que estafei e não sobreviveu para contar a história.


 De modo que para mim, sempre ansiosa por novidades, frasquinhos e produtinhos às cores, tornou-se um desapontamento ver sempre lá em casa, para os cabelos dos pequenos pelo menos, o champô de ovo da Foz. Era uma coisa maçadora e pouco glamourosa que cheirava massa de bolos (agora adoro o cheiro) por isso passava a vida a insistir para se deixarem disso e ficarem-se pelas outras marcas, ou ao menos mudarem para o Foz de maçã ou de alperce que tinha uma cor mais bonita.

 Mas a mãe não desarmava, porque o champô de ovo, já as avós o sabiam,  tinha umas propriedades mirabolantes para fazer crescer uma bela cabeleira. E de facto, o cabelo louro platinado do meu irmão e os meus longos caracóis, que cresciam que Deus os dava,  eram para ninguém pôr defeito!

 Acabei por me emancipar do aborrecido frasco amarelo e só voltei a ele mais tarde, já no liceu, quando confirmei que afinal a mãe tem sempre razão o champô de ovo tem de facto uma série de poderes mágicos: abre a fibra capilar para permitir uma limpeza profunda, é emoliente, previne a queda, dá força e ajuda no equilíbrio hormonal. 



Lá fiz as pazes com o Foz, que realmente é óptimo para um cabelo macio, hidratado, brilhante mas também para eliminar o terrível complexo "raízes oleosas, pontas secas". Ou seja, grande aliado quando o cabelo apanha "fases" em que não se sabe o que fazer dele...ou para controlar a inevitável queda sazonal.

No entanto, continuava cá com dúvidas: champô de ovo de supermercado não podia ser a mesma coisa que champô de ovo caseiro, ou podia? Decerto a quantidade de ovo verdadeiro não seria grande. A fórmula era boa, mas não podia ter muito ovo...erro crasso! E descobri-o de uma forma pouco agradável...

Num certo Verão, comprei um frasco para evitar que o cabelo ressecasse com o sal e o calor, mas só gastei metade e no fim das férias deixei-o na casa de praia.


Estive uns três meses sem lá voltar e quando voltei...ia toda contente para lavar o cabelo...blhec!!!! Mal desenrosquei a tampa ia morrendo com o pivete a ovo podre, ou bombinhas de mau cheiro, que saía lá de dentro. Felizmente não cheguei a tocar no líquido, mas ficou explicado porque é que o Foz fazia efeito. Só é pena nunca terem colocado um aviso na embalagem "FEITO COM OVOS FRESCOS, CONSUMIR DEPRESSA".

 Lembrei-me disto porque convém ir variando de champô e a velha fórmula de ovos é óptima para esta altura do ano. Tenho de dar uma volta ao Jumbo para trazer um (se não estou em erro, o Supercor também vende). Mas se quiserem recordar ou experimentar, fica a informação: é MESMO feito de ovo, uma gemada intensiva para vitaminar as madeixas. E convém gastar a eito, rapidinho, para evitar sustos desagradáveis. A não ser que queiram reservar para pregar uma partida a alguém que esteja mesmo a pedir uma dose de ovos podres.





 

Friday, September 18, 2015

Tendência: bâton castanho (mas pouco)


O bâton castanho, revivalismo dos anos 90, tem estado na ordem do dia a par com o delineador de lábios mais ou menos evidente.

Resisti-lhe bastante porque prefiro cores que iluminem o rosto... e o castanho, se mal escolhido ou mal acompanhado, é um tanto perigoso porque  (especialmente em tons muito fechados ou cor de tijolo)  costuma dar um ar adoentado e ressaltar olhos cansados, principalmente em louras ou ruivas. Assim, enfermiço:


Neste momento porém, o bâton "castanho" pode ser muita coisa, desde que tenha algum pigmento dessa cor: de um nude profundo ou rico a um acinzentado, passando por um tom chocolate, até ao bourdeaux quase negro

A escolha vai depender do seu tom de pele. As mais morenas poderão tentar nuances profundas sem risco, já as branquinhas têm muitas opções intermédias por onde escolher.

  A vantagem do castanho é que pode parecer edgy, quase vampiresco, mas discreto e distinto ao mesmo tempo.  Ou seja, exige reflexão mas empregado adequadamente fica lindo, mesmo em looks mais clássicos do que vanguardistas.

As meninas tradicionais podem usar variantes de nude mais ricas ou inspirar-se nos anos 1940, para um ar retro, em vez de pensar em looks que remetem para o punk ou o gótico (que de qualquer modo, é tendência este Inverno).

Pode usar-se mate ou brilhante - aqui entre nós, acho que resulta melhor num mate aveludado. Nem "brilhento" como no início do milénio, nem um mate seco como nos anos 90 (lembram-se daqueles bâtons da tia, de longa duração, que pareciam cimento? Há quem esteja a ressuscitar essa textura; pessoalmente passo).

Como encontrar o "castanho" certo para si pode ser tão intrincado como descobrir o nude que lhe vai bem, recomendo uma técnica que tenho utilizado com bons resultados. Há uns meses usei-a para obter o nude e os bourdeaux que desejava:



Entretanto, esta semana decidi aplicar o truque conseguir para um castanho suave que me agradasse:



Aqui vai: escolha um bâton (neutro, cor de vinho ou se for ruiva, encarnado) que seja hidratante (pode ter algum brilho) para servir de base. Tendo os lábios delineados e pintados, pegue numa daquelas caixas de sombras com todos os tons do arco íris, que raramente utiliza (todas temos, vá la). Escolha uma cor ou mais para obter a nuance desejada. 

Pode experimentar com diferentes castanhos e grenás. Use esponjas de sombra descartáveis ou os dedos para aplicar por cima o castanho/ bourdeaux/etc que quiser, preenchendo todo o contorno até ficar satisfeita com a cor. Além de permitir ajustar o tom ao milímetro, vai durar longas horas. 

Assim escusará de investir num bâton passageiro ou de se arrepender com uma má compra, além de conseguir o mais impecável mate aveludado.




Thursday, December 18, 2014

Na dúvida, fiquemo-nos pelo intemporal.

Clémence Poésy para a Vogue UK, 2010

Uma das frases mais citadas de Coco Chanel é a moda passa, o estilo permanece

E Karl Lagerfeld avisa que a diferença entre o trendy e o aspecto barato é muito ténue.
 Por muito divertido que seja aderir às tendências de cada estação, ter preocupações de estilo implica considerar o Passado (isto já se usou? Porquê? Como ficava?), o Presente
 ( porque é que esta tendência está de volta? Qual é a sua utilidade? E o seu valor estético?) e o Futuro (continuarei a usar isto mais tarde? Como parecerá daqui a uns anos?).

 Para distinguir um clássico de uma moda passageira, basta observar imagens antigas: as que nos fazem pensar "que bem que as pessoas se apresentavam nesta altura" ou "podia perfeitamente usar isto agora" são intemporais; as que parecem datadas à primeira vista são testemunhos dos exageros da moda.

 Ter esta preocupação em mente é especialmente importante nas ocasiões especiais: bailes formais, casamentos e todas aquelas que não queremos recordar com constrangimento um dia. É possível manter um visual actualizado, de acordo com os tempos, e usufruir das tendências sem cair em exageros - se o equilíbrio, a subtileza e a qualidade do que usamos for sempre a maior prioridade.

Nada como ver alguns exemplos de décadas passadas para ficar com uma ideia:

Anos 1960

Se os retratos dos anos 50 são instantaneamente reconhecíveis mas raramente feios (podemos gostar ou não do estilo, mas quase todas as roupas  passariam despercebidas hoje com o toque certo) nos swinging 60s e mais para o fim da década as coisas começaram a descarrilar um bocadinho, com um certo exagero no volume dos penteados (e nas barbas, para eles) e a introdução de materiais sintéticos, maquilhagem espampanante ou looks futuristas - que embora ficassem bem nas revistas, na vida real não resultavam assim tão bonitos.


Porém, foi uma década glamourosa com a nota certa de equilíbrio: os visuais de Jackie Kennedy, Brigitte Bardot ou Jean Shrimpton podem perfeitamente ser usados agora. Quanto à Burberry, nunca fez roupa feia e esperemos que assim continue.


Anos 1970

Disco music, poliéster, cabelo grande em transição, o nascimento do punk para o bem e para o mal...de tudo isto se compuseram os anos 70, o que levado ao exagero deixou imagens embaraçosas para a posteridade:


Mas os resquícios do look hippie, impondo uma beleza natural e romântica, e o preppy da época salvaram a década. Nota bene os vestidos longos que temos usado nos últimos Verões e o estilo muito Ralph Lauren de Ali MacGraw:


Anos 1980

Não há década que tenha visuais tão datados ou se destaque tão depressa no meio das outras. Dos anos 80 com o seu power dressing, new romantics e glam rock  vieram a maior parte das tendências excessivas que toda a gente jurou enterrar para sempre - embora nos últimos anos algumas tenham regressado - leggings, polainas, ugly sweaters, ou mesmo o cabelo no último anúncio do Opium de Yves Saint Laurent. Diz-vos alguma coisa? Busted!


Mas- pasmem - entre cabeças coroadas, rock stars como Bryan Ferry. modelos e filmes clássicos da época, há muitas coisas que ficariam lindamente hoje. Ralph Lauren não erra, e o understated é tudo:




Anos 1990

Os anos 90 tiveram o minimalismo e o grunge, mas também as boysband, o lip liner castanho, as sombras de olhos brilhantes, o sportswear horroroso, os ganchinhos com borboletas, as gargantilhas de elástico, os penteados de ouriço cacheiro...



Claro que houve sempre quem passasse incólume: basta olhar para Jennifer Aniston em Friends (Ralph Lauren, de novo) para Alicia Silverstone em Clueless (Blair Waldorf não inventou nada) ou para a maravilhosa Carolyn Bessette Kennedy.



Moral da história: moderação, discrição e bom senso salvam a época mais louca...e os álbuns de família!












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