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Tuesday, July 17, 2012

As coisas que eu ouço: fiada de nojices



Escandalosa, esta? Deixem-me rir!
Costumo passar por uma moça bastante rústica, para usar um termo amável: cada frase, cinco asneiras, e não são das light. E as poucas orações que profere sem palavrões conseguem ser ainda mais badalhocas: ele é trocadilhos, alusões, vocabulário do mais grosseiro, o menu completo. O mais estranho é que olhando para ela até tem um ar bastante normal, que com um makeover poderia ser tolerável. Ontem fui tratar de umas burocracias e lá estava a rapariga à porta de um café, a conversar com um trolha de marca maior (não é insulto, era mesmo trolha de profissão e estava de "uniforme"). Juro que ela se dirigiu ao comparsa com um palavreado de tal ordem que me senti fisicamente mal: nunca ouvi uso mais detalhado e criativo da palavra c****, dita várias vezes, em rebuscadas voltas. Isto para contar ao amigalhaço que uma maluca qualquer das suas relações tinha acabado de ter uma criança de não sei quem. Palavra que nunca tinha ouvido falar da concepção e nascimento de um ser vivo em termos tão chocantes: para citar Octave Mirbeau, aquilo seria "descer ao nível dos bordéis e das casas de correcção". E ao dizer isso, arrisco-me a achincalhar os ditos lugares, que não conheço mas imagino que tenham algumas regras de conduta.
 Na vez seguinte, moderou-se mais um bocadinho: limitou-se, entre muitas palavras f****, car**** e outras, a comentar: ´Tive a pôr o comer no "figorífico". E pronto, sem ter nada a ver com o assunto acho que o meu estômago deu mais mas voltas, o meu pudor foi agredido e alguns dos meus neurónios estão francamente abalados. Será que há pessoas com um dom inato para a nojice pura e literal? É que já conheci algumas - sempre à distância, graças a Deus -  capazes de atribuir conotações repugnantes às coisas mais inocentes, e de transformar a mais inofensiva das conversas  num anúncio de acompanhantes de terceira categoria. E pimenta na língua, não? E daí, ainda fazem trocadilhos com esta também. É melhor usar lixívia.

Monday, April 4, 2011

Asneiras a metro

Private Blend Lip Color Collection, Tom Ford
Não há nada tão mau como ouvir um chorrilho de asneiras a despropósito. Em plena rua, pior ainda. E há pessoas que até parecem ter um disco rígido pejadinho delas, associado a uma metralhadora de má criação que dispara cinquenta por segundo; nunca percebi como são capazes de se lembrar de tantas seguidas nem como diabos articulam uma frase com tal número de C**, F*** e similares. Eu ficaria com o discurso trocadinho de todo, mas esses asneirentos, que fazem coisas mirabolantes com a nossa língua, conseguem-no. Lá diria a minha avó, "diz asneiras como quem diz pão". Mas também há quem o faça com imensa piada e até com graciosidade, como o Fernando Rocha, a Rititi e algumas amigas minhas. Um palavrão certeiro no momento exacto é mais eloquente que muito palavreado. Quanto a mim, não tenho grande habilidade para os dizer. Falta de hábito, porque foi coisa que nunca se cultivou no aconchego do lar. Posso cair nesse pecado quando algo corre realmente mal, ou quando dou uma topada valente de sandálias, ou na brincadeira, mas sempre em privado e quase sempre em surdina. Já experimentei, não fujo de as dizer se a ocasião o exigir, mas não resulta comigo, não sai natural, não está na minha maneira de ser. E se prevaricar, tenho uma fila de caras espantadas e olhares tão reprovadores lá em casa que me sumo logo pelo chão abaixo. Fico-me por pragas como " Caneco" "Diabos" "Com mil raios" "Galdéria" "Raios o partam" "Dane-se" "Desencaca-te" "Filho da mãe/da polícia/da política/de uma cana" "Porca Miséria" "Maldito" "Desgraçado" "Seu urso" "Seu nojento" "Infame" "Caca, caca, monte de caca" "Porco, porco, porco" ou então eufemismos que me permitem dizer exactamente o mesmo, e que até soam parecidos, vulgo o nome de uma árvore máscula e poderosa em vez de....entendem. É um bocado infantil, é a versão light das asneiras e não tem tanto efeito como mandar alguém para o c***lhinho, mas há que deixar essas habilidades para quem tem realmente talento para a coisa. Não se pode ser bom em tudo.

Friday, December 3, 2010

O espírito de Natal já chegou a Portugal

Uma jovem mãe, falando ao telemóvel para quem a quis ouvir:

Ó Mãe, ´tá bem, já se "óbiu"...vou agora passar o Natal a casa dela, há-de "haber" muita gente em casa dela para "ber" a menina...há-de receber muitas prendas, há-de! "Atão" a minha irmã chateia-me os cornos o ano inteiro e hei-de ir pra casa dela no Natal? Tenho a minha casa, para que é que hei-de levar para lá a menina? Olha, agora havia de rir-me para ela no Natal, espera! Ela manda o filho para o pé do pai para não o aturar...que exemplo de mãe! Olha, mãe, tou-me a ca***ar. Carago, não tou para aturar a p***a dos velhos! Parece que ficam doidos c´o Natal!

E com estas lindas palavras, carregadas de reverência filial e espírito natalício, largou a falar às amigas sobre o ex namorado, pai da "menina" (mas estas pessoas nunca tratam os filhos pelo nome???) e que a Popota ia actuar num supermercado próximo, logo, ela tinha de levar "a menina" a esse espectáculo carregado de significado, elevação espiritual e carinho pelo menino Jesus.


 Andar na rua de ouvidos abertos dá nisto. Devia existir uma entidade reguladora dos bons costumes, que multasse quem fala assim -  mas os iluminados iam considerá-la uma ideia anti democrática, prejudicial à tão prezada liberdade. Se algum dia ficar multimilionária, talvez pense em morar num castelo com muros altíssimos e mastins de guarda, em sair só para certos locais e em certas ocasiões onde minimize a possibilidade de ouvir disparates. Por outro lado, as tolices alheias são uma fonte inesgotável de entretenimento e matéria para análise do meu semelhante. E existem em formato natalício. Viva o luxo!

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