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Wednesday, May 1, 2013

E porque hoje é Beltane, não se diz "May, be good to me" mas quase

                                           


Já se explicou aqui o significado deste Sabbath, e aqui um pouco do seu espírito, logo não me vou alongar. Mas há sempre algo de especial e marcante que me acontece na noite da primeira união oficial entre o Deus e a Deusa. E desta vez, do ano passado para cá, parece que a Roda realmente girou. Vou sentar-me um pouco a tentar meditar nisso tudo, apesar de o dia ser mágico, vibrante e de festa. Sabem aquela sensação de "isto ainda mal começou" que nos assalta de vez em quando? Pois. Um feliz Beltane, um feliz Maio e para os mais cumpridores, um Mês de Maria abençoado. Hail the Gods, todos eles...

Sunday, May 13, 2012

Where the roses grow

Kylie Minogue, "Where the Wild Roses grow"

A zona onde moro está coberta de rosas: nos jardins onde os pinheiros e sobreiros convivem alegremente com canteiros e relvados, nas escadarias, muros e morros: até as velhas casinhas de pedra da aldeia antiga se enfeitaram de grinaldas escarlate vivo e rosa escuro. Há luxuosas rosas de estufa, com os seus caules longos, formato de tulipa e pétalas espessas, crescendo ao ar livre numa beleza desafiante e gloriosa - branco gelo, branco sujo, amarelo imperial, rosa cálido, rosa chá, encarnadas; opulentas rosas de bouquet, de pétalas envernizadas rouge-noir, quase, quase negro e outras pálidas, de uma fragilidade deslumbrante; buliçosas trepadeiras vermelho sangue, amarelo matizado de laranja fogo, branco puro; pequenas rosas selvagens rosa velho em montinhos de jardim inglês; fofas rosas da velha Albion abrindo como ousadas peónias, ao alcance das mãos. Rodeadas de lírios selvagens azul cobalto, cor de gelo, roxo real; de papoilas gigantes, encarnadas, majestosas; de solenes e coloridas flores de jardim e atrevidos cravos; de cerejas a amadurecer e giestas tímidas; de campainhas púrpura, pervincas húmidas e heras sombrias, sob um fundo de vários matizes de verde luxuriante e doces sombras. Formosura de Maio, sem nada de subtil - adorável, extravagante, evidente, garrida, vaidosa de si mesma. A obrigar os sentidos a estar alerta, a entrar pelo campo de visão sem admitir réplica, a despertar-nos o espírito. Mergulhando-nos em beleza, mesmo sem querer. Sublime.

Tuesday, May 1, 2012

A Sombra



Waterhouse- Decameron
Dr Jekyll and Mr Hyde, de  Robert Louis Stevenson, Dorian Gray, de Oscar Wilde e o serial-killer-fofo-e-justiceiro, Dexter são - entre outros exemplos -  personagens com algo em comum: um lado lunar, secreto, perigoso. As suas personalidades são compartimentadas e carregam consigo um passageiro sombrio que se atreve a fazer coisas inconfessáveis, que os aconselha para o mal, ou que - particularmente no caso de Dorian- carrega o peso e as consequências de todas as transgressões. Valmont e Merteuil, de Laclos, sofrem do mesmo mal, embora de forma mais fria e consciente: mantêm o "hóspede negro" sob controle, ao serviço das suas maldades. No caso destes dois, não sabemos ao certo onde está Jekyll e onde está Hyde, pois a sua faceta bonitinha e amável é muito mais perigosa do que o monstro que se esconde por trás dos panos de brocado. No final do livro, quando a sedutora dama fica desfigurada pela varíola, diz-se por Paris " parece que a viraram do avesso e que agora é que a sua verdadeira face está à vista".
Todos temos uma câmara secreta onde se esconde o nosso aspecto mais selvagem e sombrio. Este pode ser um alter ego mais ou menos independente ou desenvolvido,  ou manifestar-se em camadas, de vez em quando. Por vezes,  o nosso passageiro obscuro age como um professor, que nos obriga a encarar a realidade, a ser destemidos, a sair da nossa zona de conforto. Para nos encontrarmos, para que nos tornemos em quem realmente somos, é necessário aceitar a sua existência. Só podemos manejar o que conhecemos. O que não significa soltá-lo por aí à vontadinha, aos trancos e barrancos, a usurpar o nosso lugar, como no conto popular ( adaptado por Andersen) da Sombra que acaba por matar o dono.
A Luz e as Trevas complementam-se mas devemos ter um plano detalhado  de nós mesmos, da pessoa que desejamos ser, e misturar os tons claros e escuros (doçura e valentia, assertividade e gentileza, sedução e inocência, paciência e decisão...) para lá chegar. Com muitos exames de consciência pelo meio.
 Digo isto a propósito da data: estamos a meio do ano, no momento em que a Luz e a Sombra se encontram, se aceitam, se equilibram. Daqui a pouco mais de um mês o Verão chega e a luz ofusca-nos para começar a  decrescer logo a seguir. Hoje é o dia para reflectir, para formular desejos, para abraçar as nossas virtudes e defeitos e direccioná-los para algo de bom e construtivo. So be it.



Monday, April 30, 2012

In the lap of the Gods: Beltane

Turin Turambar, por Liga-Marta

Do not stray from the Gods and they won´t shy away from you. Keep your eyes open; light your bonfire, cling to your sword and shield. Look ahead but never forget. The wheel has turned, the rewards shall come. It is written in stone: be patient and never let go...


(Deixo-vos com duas canções que ilustram bem o espírito desta noite: have a merry Beltaine Eve, everyone)

Turn the Page, Blind Guardian:


In the lap of the Gods revisited, Queen:








Sunday, April 15, 2012

Fires of Beltane


O Sabbath, ou Festa de Beltane (também chamada Walburge, Bealtaine, Bhealtainn, May Day, Walpurgisnacht...)  celebrado na véspera de Maio, marcava o meio do ano celta, o "verdadeiro" início do Verão. Tal como o Candlemas (Fevereiro) Lammas (Agosto) e o Samhain (Halloween) era considerado um "cross quarter day" ou "corner day" entre os solstícios e equinócios, um dos Festivais do Fogo. Esta é a única noite do ano além da de Halloween em que os véus entre os mundos enfraquecem: as fronteiras que separam os mortos dos vivos, os deuses dos homens, a magia da realidade são levantadas. A Deusa-Mãe está no auge da sua beleza e o Deus coroado de Cornos no pico da sua força. A Rainha dos Elfos, acompanhada pelo seu Rei e a corte, pode ser avistada na sua cavalgada fantasma pelos incautos que se deixem andar sozinhos pela floresta . Se alguém a olhar nos olhos, será levado para o mundo das fadas, e caso prove as iguarias do seu palácio, ficará encantado para sempre...
Em Bhealtainn, acendia-se o fogo sagrado para afastar os maus espíritos. O gado passava entre as fogueiras para ser abençoado. Em tempos mais remotos, construía-se o "homem de vime" com inimigos vivos  lá dentro, para arder como sacrifício sagrado...
 O Beltane ("Fogo de Belenos", o Deus céltico do Sol) é o contrário do Halloween - que celebra a morte e o enterrar das dores passadas. Situa-se exactamente no lado oposto da Roda do Ano e assinala a paixão, a vida, a fertilidade, a união do Deus e da Deusa. Nesta noite, para assinalar o casamento divino e promover a fertilidade da terra, os casais corriam livremente os campos e os bosques: as crianças concebidas no Beltane eram consideradas um presente dos Deuses. Ao cristianizar a festa, a Igreja Católica procurou atenuar este aspecto, instituindo Maio como "o Mês de Maria" e "das noivas". Para os antigos porém, casar em Maio era um privilégio dos Deuses - os humanos que se atrevessem a fazê-lo atraiam a má sorte. Maio pertencia à Mulher: o noivo de Maio seria dominado pela paixão e um joguete nas mãos da esposa. Traições mútuas eram outra consequência de uma união celebrada nesta altura do ano:

Married in May and kirked in green
Both bride and bridegroom won't long be seen.

Quem se apaixona morre um pouco, de certa forma - nunca mais volta a ser o mesmo. É esta a experiência do Beltane. A data assinala não só o retorno da alegria e do sol, mas uma profunda transformação interior, a nossa própria viagem à terra das fadas. 
Maypole
 À medida que o cristianismo se foi impondo, algumas tradições ligadas à vida e à sensualidade sobreviveram às claras, embora "retocadas": as Maias (ainda celebradas no nosso país) as Marafonas e o Maypole (nos países anglo saxónicos) são alguns vestígios das velhas celebrações. No entanto, a Festa original passou à clandestinidade e ganhou uma aura sombria sem perder o seu significado mais profundo. As bruxas juntavam-se em locais ermos  - feitiço lançado em Beltane tem o seu poder multiplicado. O que é feito nesta noite ganha a atenção dos Deuses. Em Agosto, a Roda do Ano gira e chega a retribuição. Trabalho, crime ou boa acção que ocorra em Beltane não fica sem recompensa, no puro espírito " I know what you did last Spring...".























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