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Friday, November 10, 2017

Dona Emily e seus dois maridos (estou chocada!)






Tenho pouco tempo para seguir blogs, portugueses ou internacionais. Volta e meia lá visito aqueles de que gosto mais (ou que sendo tão maus, me despertam uma certa curiosidade mórbida), e tento seguir alguns via facebook (uma das poucas utilidades reais do Facebook é mesmo o feed de notícias...). 
 Ora, uma blogger que acompanhava com alguma atenção era Emily Meyers, do The Freckled Fox.  Descobri o seu trabalho quando procurava algumas dicas de maquilhagem para ruivas e fiquei encantada.



Bonita, jovem mãe de cinco pequeninos adoráveis, esposa devotada de um marido bem parecido e super amoroso, atleta de fitness (nada de "sou mãe, por isso posso engordar")  religiosa (mormon, mas seja) sempre impecavelmente vestida, com um sentido de estilo polido e apropriado, Emily parecia o tipo de rapariga que podia ser minha amiga.



 Uma lufada de ar fresco que promovia valores familiares e tradicionais com um certo estilo de vida campestre e simples, mas idílico, que me agradava bastante- para não falar nas suas mil ideias geniais de beleza e penteados!


Confesso que tive de parar de seguir The Freckled Fox quando o marido de Emily, Martin, de 34 anos, foi diagnosticado com uma doença terminal. Não costumo ser nada piegas e muito menos emocionar-me com o que leio por aí, mas pus-me no lugar dela (tinha ficado noiva nessa altura) e o relato, francamente, fez-me chorar. A ideia de uma rapariga tão jovem e encantadora, com uma família linda e tantos sonhos, perder o amor da sua vida e o pai dos seus bebés, pareceu-me insuportável. Tive imensa pena dela mas para não me deixar contagiar por tanta tristeza preferi não ir lendo o desenrolar da situação, já que o desfecho trágico parecia inevitável...



Entretanto estava tanta coisa a acontecer na minha vida que esqueci o assunto e (à parte algumas imagens suas no Pinterest e ter sabido que, de facto, o pobre marido não resistiu à enfermidade) não soube mais da vida de Emily Meyers. Da última vez que lera algo sobre ela, a família tinha criado um crowdfunding para a ajudar com as crianças (uma vez que ela, tirando as actividades ligadas ao blog, era mãe a tempo inteiro).

Hoje lembrei-me de ver como estava o blog, e dado o que vi (já lá vamos) tive de ir ao Google perceber que diabos tinha realmente acontecido.

Resumindo e baralhando para não vos maçar: recuando no blog, depois de muitos posts (a meu ver, escusados) com o doente a desvanecer-se no hospital, etc...

...o que tinha de suceder sucedeu. E depois sucedeu o impensável. Primeiro, o enterro do senhor teve direito a retratos profissionais, super ensaiados, pensados e retocados, com imagens do caixão e instantâneos à Jackie Kennedy tudo. Não se via o defunto em pose de morto, mas foi só o que faltou (podem seguir o link, que eu recuso-me a reproduzir aqui uma coisa de tão mau gosto) .



 Ok, eu percebo que quando uma celebridade, membro de Família Real ou chefe de Estado vai desta para melhor, não se possa completamente evitar a exposição mediática. Mas que uma blogger, que nem é tão famosa como isso, tire tempo ao seu desgosto e deixe os filhos (incluindo um bebé de colo) num momento desses para organizar uma cerimónia glamourosa e super instagramável, contratar o fotógrafo certo e escolher os melhores ângulos em que vai chorar, para partilhar com os leitores...parece-me surreal. 

 Por muito que se diga que cada um faz o luto à sua maneira e por mais que esta fosse uma morte anunciada. Tudo bem que na época vitoriana era costume tirar-se um retrato no enterro, mas os tempos eram outros, a Fotografia ainda era um luxo (por vezes era a única recordação com que se ficava da pessoa) e enfim, o contexto era diferente. Tivesse Emily Meyers gostos fora do vulgar, fosse o seu um blog dedicado a um estilo de vida gótico tipo Família Addams, ainda vá. Só que não.

Com seiscentos milhões de diabos, minha senhora: acabou de perder o seu marido, o seu príncipe encantado, o sol da sua vida, o seu tudo. 

Descabele-se, faça de carpideira à moda antiga ou refugie-se nos filhos e 
remeta-se a um pesado e digno silêncio. E pelas alminhas, vista preto- noblesse oblige - e não obrigue os pobres pequenos a posar para a objectiva. Não consigo arranjar na minha cabeça empatia nem explicação razoável para tanta vaidade. 

Mas isto não foi tudo (o que, se pensarmos nos arranjos fúnebres, não é tão surpreendente como isso).  Três meses (TRÊS MESES!!!) apenas depois de o marido amantíssimo se ter finado, a sardenta viúva deu novamente o nó com um ex- colega de liceu, escandalizando toda a gente (principalmente a família do primeiro marido) e fazendo verdadeiramente justiça ao estribilho Rei Morto, Rei Posto.

O segundo casório


Ora, eu percebo que a blogger seja demasiado nova e bonita para ficar sozinha. Compreendo que precise de apoio, que possa estar frágil, em depressão, que as pessoas fazem coisas estranhas e tomam decisões esquisitas quando estão transtornadas e que - em última análise - casar novamente seja a forma digna de refazer a sua vida.

 Antes voltar a casar relativamente rápido do que andar por aí na noite com as migas, a afogar a tristeza no copofone, a fazer tristes figuras e a ter casos com este e aquele, a rebaixar-se como tantas mães solteiras e divorciadas que vemos por aí (e que dão mau nome às mulheres que tenham a pouca sorte de se verem obrigadas a divorciar-se e/ou a criar filhos sozinhas). Quanto mais não seja, o moço é bem apessoado e não é fácil, nada fácil, encontrar quem seja capaz de assumir cinco crianças de um primeiro casamento...logo é compreensível que quisesse aproveitar a chance de voltar a ser feliz.



Mas calma! Três meses nem dá para uma pessoa perceber bem o que aconteceu, carpir, reajustar-se à realidade, acompanhar o processo de luto das crianças (nem de uma, que será de cinco) enfim, para uma pessoa se pôr de pé. Quanto mais para sair com um marmanjo, embeiçar-se e marcar a boda!

Até quando se trata de uma separação entre namorados de longa data, por muito torta que a relação andasse, há um período respeitoso para se assumir um novo relacionamento, não vão as pessoas pensar que já se passavam coisas esquisitas quando ainda estavam juntos. Mas tratando-se de um divórcio ou - mil vezes pior - de viuvez? E com uma data de pequenitos em casa a terem de sofrer um padrasto quando ainda não superaram a ausência do pai (por muito que apoio que o padrasto dê...) . Há toda uma delicadeza - e ponderação - que é obrigatória. Mesmo que já não houvesse aquele amor...quanto mais havendo (pelo menos toda a aparência disso). 

Em todo o caso, ao menos salvem-se as aparências!

Talvez, sendo mormon, Emily acredite que ter vários maridos em corrupio, estilo D. Flor, não seja nada do outro mundo. Só se for. Mas mesmo assim...isto é levar a outro nível a velha frase:

 " há pessoas tão sedentas de atenção que tanto lhes faz ser a noiva no casório como o morto no enterro".

Descreio de tudo, às vezes.


Wednesday, October 4, 2017

Oh senhoras (?) por favor...depois não se queixem! (Basic Bit*hes, Parte I)


Cada vez mais,  fico admirada (e em alguns casos, envergonhada) com certas coisas que leio para aí, escritas por raparigas casadoiras ou esposas entre os vinte e muitos, trinta e picos. E pergunto-me para que ideia de casamento é que estas meninas foram educadas...

A supermodel Miranda Kerr fez cair o Carmo e a Trindade quando há umas semanas disse que as mulheres devem ser femininas e fazer por agradar aos olhos do marido. A sensata beldade segue o conselho da sua avó, que sempre a avisou que os homens são seres visuais. Logo,  uma mulher deve fazer um esforço para estar linda quando a cara metade chega a casa: pôr um vestido sexy ou um robe de seda e um bocadinho de maquilhagem (podem ler os seus conselhos aqui na íntegra).




E (para horror e ultraje das emancipadinhas de serviço) a modelo empreendedora, independente e podre de rica, que também criou a sua própria linha de cosmética, acrescentou que em trabalho é toda decidida, assertiva e mandona se for preciso; mas que em casa gosta de relaxar, cozinhar como uma chef, assumir uma postura mais gentil e feminina e permitir que o marido ( o multi milionário fundador do Snapchat) "vista as calças" e se sinta no seu papel masculino e poderoso.



 "É um bom equilíbrio" diz ela. De resto, Miranda é cá das minhas: não acredita que uma mulher deva tomar a iniciativa, correr atrás e tirar ao homem o prazer da conquista. Defende que os homens gostam de se sentir respeitados e as mulheres, acarinhadas.

"Não façam tudo por um homem. Se ele estiver interessado, vai querer fazer coisas por vocês". 

 É claro que estou completamente de acordo com Miranda: uma mulher realmente poderosa não tem medo de permitir ao homem guiar a dança, ao sabor da Mãe Natureza. E em troca do esforço dele para a conquistar, ela faz o esforço para agradar. Elementar. Amor com amor se paga.




Pois nem preciso de vos dizer que as reacções que se seguiram nas redes sociais da vida foram perfeitamente incendiárias!

Não faltaram jovens mulheres casadas (e outras que gostariam de estar casadas mas não conseguem encontrar um homem bom/segurar homem algum, não sabem elas porquê...) a dizer coisas do tipo: "só me faltava essa! Que grande canseira!  ou "quem me ama tem de me amar de fato de treino e toda desarranjada!" e ainda "é fácil falar para uma modelo rica que ganha a vida a parecer uma boneca insuflável e tem criados para lhe tratar de tudo!".




Houve ainda quem apontasse que a boa da Miranda, que sabe tanto, não conseguiu conservar o primeiro marido, Orlando Bloom.

 Bom, não sabemos o que se passou; mas não só o ex deve ter algum respeito por ela (já divorciado até chegou a bater em Justin Bieber para a defender, recordam-se?) como se calhar, só se calhar, foi ela que quis alguém com uma postura mais tradicional. Afinal, Orlando Bloom, depois do divórcio, andou a namorar com a feminazi das feminazis, Katy Perry. E o segundo marido é tão bem apessoado como ele e mais alpha male. Além de ultra milionário, o que, não precisando ela de mais dinheiro, pesa na balança social  em termos de grau de alfa macheza. Adiante.




É óbvio que também apareceram mulheres ajuizadas a dar-lhes respostas do tipo "chegar do emprego e não mudar logo para roupa de andar por casa nem tirar a maquilhagem não é exactamente física quântica" ou "um esforçozinho não mata ninguém. Eu gosto de estar bonita não só por ele, mas por mim" . Mas o tom geral nos comentários foi o "venha a nós" o desleixo, a preguiça e toda uma atitude de desafio

Desafio contra quem, ou contra quê? Nem elas sabem, mas tenho a certeza que só funciona contra elas próprias...


Parece que o mulherio de hoje (ou certo mulherio) quer tudo sem dar nada em troca. Estas meninas querem ser elogiadas pela beleza sem tomarem os mínimos cuidados com o físico e a toilette, e querem arranjar/ conservar um bom marido enquanto se comportam orgulhosamente como destravadas ou desesperadas em solteiras...e como generalas e biscas se eventualmente casam.

 Resumindo: não querem ser "wife material", não querem ser boas esposas, mas querem um óptimo marido?

*Pausa para sorriso maquiavélico, encolher de ombros incrédulo, revirar de olhos e face palm*


Criaturas do Senhor: não dá, não funciona!



Mas perguntarão vocês, porquê dar ao post o subtítulo "basic b***ches"? 

Simples: o  conceito de "basic b*tch"  banalizou-se na cultura pop para definir uma rapariguinha fútil,  cabeça de vento, instruída mas sem grande cultura nem bom gosto, que adopta todas as tendências do momento sem pensar se lhe vão bem, que só ouve e lê o que é comercial, que compra todas as ideias superficiais que os media lhe impingem. 




Em suma, uma alma sem referências, nem refinamento,  nem personalidade, que mal arranha a superfície. Creio bem que o termo se aplica lindamente à noção que muitas mulheres hoje têm acerca do seu papel num relacionamento: querem o "boneco" e o status de casadas perante a sociedade; mas só superficialmente, sem sacrifícios, sem trabalho. Adoptam, sem pensar e nos aspectos mais importantes das suas vidas, o que meia dúzia de jornalistas amarguradas com a vida lhes impingem nas revistas femininas e sites feministas. Num bovarismo desbragado, acham que tudo lhes é devido. Esperam ser tratadas como princesas quando se comportam como peixeiras (sem ofensa às peixeiras que se fartam de trabalhar e muitas serão óptimas esposas). São, em suma, básicas. Mas acham-se o máximo, pensam que merecem tudo,  exigem ser vistas como jóias raras e preciosas. 


 OK, continuem a acreditar nisso- que a Miranda lá está contente, bem casada, mimada e irritantemente feliz. 

 Nota: continuaremos a analisar este "fenómeno" por outros ângulos na segunda parte deste post, porque é muita "basiquice" junta para dizer tudo num só!



Monday, March 21, 2016

16 coisas que só bloggers entendem


Como dizem os brasileiros, "quem nunca?"


1- A sensação "estarei a escrever para o boneco?"



2- Ou de repente, o feeling oposto "tenho de ter cuidado com o que ponho aqui, que isto está  a ficar muito povoado". Um blog deixa de ser um espaço para desatinar à vontadinha e começa a tornar-se assim uma coisa pública, embora uma pessoa não saiba ao certo como nem porquê.



3- Receber MUITOS comunicados de marcas que esperam promoção sem ao menos dar a testar o produto ou convidar a blogger a conhecer o conceito, eu sei lá. Alguns com temas que não se adaptam minimamente ao conteúdo que produzimos.  Hello, não falta assunto para escrever. Uma pessoa sensata não recomenda coisas que não conhece, muito menos baseada num press release chapa-4 enviado a toda a imprensa e blogosfera. E em última análise, em alguns casos é muito "venha a nós". Lata, anyone?




4- Haver sempre uma alma que se sente atingida pelo que escrevemos, por mais brando e inocente que até seja o texto,  e não só fica danada como se mostra TODA triste. Se as carapuças servem enfim, mas quando as pessoas ficam tristinhas há assim um remorsozito.



5- Receber aqueles emails ou comentários que nos aquecem o coração e fazem uma blogger sentir que salvou o dia. Ou que torna o dia de alguém mais animado.



6 - A impressão de já conhecer bem quem nos lê, mesmo que vivam do outro lado do oceano. E vice versa, quando um seguidor ou seguidora nos envia um artigo porque já sabe que nos vai interessar ou motivar comentário/post. Great minds think alike.


7 - Rir enquanto se escreve...e depois achar piada quando comentam "o que eu me ri com isto". E pensar que às tantas, os guionistas de stand up comedy podiam caçar talentos na blogosfera. Ou que temos alguma vocação para palhacitas em part-time.



8- Começar a ver por aí expressões características nossas (e de outros bloggers) que até aqui ninguém utilizava *momento twilight zone*.


9- Escrever um post só por carolice, achando que não interessa a ninguém, e ter um eco enorme; escrever outro que achamos interessante e actual e ...nah, nem por isso.


10 - Às vezes, só às vezes, pensar "devia marimbar-me para a qualidade e fazer um ego blog ridículo só com pseudo sessões fotográficas de moda". Não necessariamente com retratos muito bons nem corrector ortográfico. É que uma pessoa nem é de intrigas, mas vê-se cada disparate com milhares e milhares de fãs que ou é tudo comprado, ou anda tudo doido.




11 - Ficar arreliada se alguém se inspira em trabalho nosso (nada de mal nisso, toda a gente o faz e essa interacção é um dos encantos da blogosfera, mas a César o que é de César) ou faz um post a propósito de um nosso sem deixar o devido link para referência nem dizer " fulana de tal mencionou isto e também gostaria de dizer da minha justiça"

E ficar em modo "digo alguma coisa, ou deixo passar?". Já não falo de batatadas à conta de supostos plágios que por aí se vêem na blogosfera, às vezes com razão outras sem, em modo paranóico (principalmente quando uma blogger menos conhecida acusa outra mais famosa de copiona, em modo "tanta reputação e afinal copia os outros esperando que ninguém note").

 Mas se imitação é a maior forma de elogio e o acrescentar um ponto ao que outra blogger disse faz completamente parte do jogo, as boas maneiras cabem em todo o lado. Um post não tem menos valor por o mote inicial ter sido dado por outro blog. Não temos de ser as masterminds por trás de todas as ideias do planeta; elaborar a partir do que foi escrito por outrem e assumi-lo não só é a coisa mais normal do mundo (escritores, cientistas, todos o fazem) como prova inteligência e boa educação. O "finjo que foi ideia minha e ninguém vai reparar" não engana ninguém e cai mal. Não há necessidade.


12 - Escrever um texto enquanto o diabo esfrega um olho (às vezes parece que já estão escritos dentro da nossa cabeça e é só psicografá-los)...e depois perder imenso tempo à procura das imagens certas para o ilustrar. Argh.



13 - Sentir que o blog é um tamagochi. Mas menos barulhento e mais trabalhoso. E sorrir quando um amigo nos diz que vai começar um blog, o que é óptimo, mas já se sabe que a maioria desiste pelo caminho. Como deixavam morrer os tamagochis. Then again, eu dei o meu tamagochi para adopção porque não aguentava ver o bicho sempre a finar-se, o que não sei se prova amadurecimento ou que tenho mais jeito para inventar/partilhar conteúdo escrito do que para limpar caixinhas de areia virtuais.


14 - Férias, fins de semana e datas especiais para as outras pessoas são só isso mesmo (ou vá, agora há a obrigação implícita de partilhar alguma coisa no Facebook ou no Instagram, senão para muita gente é como ir a Roma e não ver o Papa). Mas para quem bloga é uma aflição. Ir de férias e a internet não ser lá grande coisa? Que contrariedade. Preguiça de Domingo ou mais que fazer? E o blog, e o blog? Devia inventar-se um nome específico para o stress da blogosfera. Depois, há o reverso da medalha:  por muito rápido que se escreva e até nem custe muito, há sempre quem pense "esta não faz nenhum, não tem vida, só pode". Não é assim. Só que há quem perca duas horas da sua vida que ninguém lhe devolve a fazer as unhas de gel ou a ir a jogos de futebol e há quem tenha outros hobbies.

15 - As pessoas esperarem que tenhamos sempre opinião sobre tudo. Estilo "o que é que pensas disto, hein?". A contar com algo extremamente espirituoso, sarcástico e divertido, e nós "bom...nada?" ou estarmos para lá de Bagdad quanto ao assunto. 
Chama-se a isso ter opinião segmentada, ou seja, ter uma posição forte sobre algumas coisas e neutralidade quanto a outras. Não, não se chama, inventei agora. Mas às vezes andamos mais distraídos, ou um tema não nos apaixona, ou temos o modo "sarcasmo" desligado. It happens.



16 - Ter MUITA dificuldade em não vir contar a correr certas situações ridículas que ouvimos, com medo que alguém venha a reconhecer-se no post ou a sentir-se identificado com a história. Que tentação. Os dedinhos a saltar, o texto a correr na cabeça, uma vontade de desabafar gigante porque o tema está mesmo a pedi-las, mas seria aborrecido ou mesquinho fazê-lo. Naquele dia, pelo menos. Must...fight...Satan.

Thursday, March 17, 2016

Bem prega Soror Sissi, põe like no que ela faz, não faças o que ela diz?





O mais giro de ter um blog é que - seja um Pequeno e Médio Blog ou um grande blog - 
vai-se criando uma comunidade. É como um clube onde se juntam pessoas com ideias semelhantes ou que, ainda que não concordem em todos os aspectos, se interessam pelos mesmos temas.

Quando chamo "salão" a este cantinho é mesmo o que sinto: que já conheço quem passa por cá e que quem lê já me conhece também. Um blog não vive sem os seus leitores. E sobretudo não vive sem habitués (obrigada! obrigada! obrigada!). 

Ora, quando se trata de uma página com ideias como as desta, um pouco caretas e que fogem ao mainstream, acontece muito aquilo que já temos discutido: há quem diga "gosto muito de ler, mesmo que não concorde com tudo" e "aqui dizem-se coisas que as pessoas até pensam mas não afirmam com medo de ferir susceptibilidades" ou ainda "nunca tinha reparado nesse aspecto; vai-se ficando insensível até alguém apontar que isso não é normal". Se calhar também há quem se ofenda e nunca mais cá volte, mas esses raramente comentam por isso fico-me numa abençoada ignorância, já que detesto debater...

Como também já comentei algures, fico contente com isso porque é exactamente o que penso em relação à maioria das páginas que aprecio. Gosto delas porque dão eco às minhas próprias ideias ou porque precisam coisas que já me tinham passado pela cabeça mas não sabia bem que nome lhes dar. Mesmo que não esteja de acordo com tudo o que lá se escreve. O que interessa é despertar consciências, dar forma às coisas, estar atento ao que se passa - fazer um pouco de tertúlia, em suma, de preferência com bom humor.



Quando aqui se aponta o ridículo, é no espírito de não ir com a carneirada sem questionar, vulgo "ei! Já repararam nisto? Já viram que toda a gente acha isto bonito, ou normal, mas se calhar não é bem assim?".

Mas depois há outro tipo de amigo/seguidor/leitor que me intriga. É o que concorda com tudo, acha imensa piada, diz que sim senhor, até partilha para os amigos (e nós agradecemos) mas depois vai e faz exactamente o contrário. 

Atenção: não que tenham de me dizer que sim a tudo ou fazer como eu acho melhor, Deus me livre; o blog não é uma democracia mas isso limita-se à decisão sobre os conteúdos, não ao que as pessoas fazem com eles depois. Ninguém pretende criar um movimento, nem uma seita, nem ter um exército de cyborgs (bom, isso teria graça mas dominar o mundo há-de ser uma canseira e uma sensaboria: se toda  agente se portasse bem, depois troçávamos de quê?). Só me parece esquisito. 


Há quem considere engraçadíssimo que aqui se faça pouco das unhacas ou da ostentação pateta de comida, por exemplo, mas depois não resista a exibir o último verniz gel com bolinhas que pôs (ou pior, "meteu") para a última jantarada de sushi com as "migas". E eu olho e fico assim, O_O, desculpem lá o boneco. 

Já houve até quem, seguindo atentamente o Imperatrix, estando careca de saber como aqui se pensa - e segundo disse,gostando muito do blog - ficasse muito magoado quando, por uma daquelas coincidências, aqui se criticou algo em que por acaso essa pessoa tinha estado envolvida. Era de estranhar, quando a dita iniciativa estava mesmo a pedi-las...

Têm-me dito "o pior é que quem precisava de ler alguns textos teus não passa por cá". Certíssimo. Mas que quem lê e está de acordo faça precisamente o oposto, das duas três: ou tem uma grande capacidade de rir de si mesmo (a), o que é fantástico, ou acha-me graça mas não me leva a sério (o que não faz mal nenhum; também não me levo demasiado a sério, que isso é sinal de grande ego e pouco tino) ou está a gozar consigo próprio (a), ou comigo, nem sei.

É claro que eu preferia não fazer zangar ninguém com este post. Só estou a reparar, como reparo em tudo, por uma questão de coerência...


Thursday, July 2, 2015

Será este um blog simpático para as mulheres?


Ponho esta questão hoje não porque alguém mo tenha dito - mas porque a semana passada estive a analisar algumas discussões tidas em (e sobre) outros blogs e plataformas. 

E são sempre as mesmas: certas mulheres nunca estão satisfeitas. O mínimo uso da liberdade de expressão, a mais remota e inócua brincadeira que sugira que uma mulher "lave a louça" é logo um princípio de machismo, o mesmo princípio que leva a que as mulheres sejam lapidadas em paragens menos (olha o politicamente incorrecto a saltar-me dos dedos) civilizadas. Depois, qualquer patetice é louvada, por frívola que seja, desde que tenha um ar panfletário e ponha umas brejeirices e más criações lá no meio.

 Mas se o mesmo site publica um texto sobre moda ou qualquer outro assunto "de mulherio" aí gritam que perdeu a seriedade, que se transformou numa revista feminina igual às outras. E acabam sempre à batatada à volta do mesmo: eu é que sou radical e feminista, tu és menos feminista do que eu, umas feministas cor de rosa outras feministas da velha guarda que dizem que não era isto que se pretendia no tempo delas,  fora as outras que vêm dizer que feminismo não é nada disso, é só defender os direitos das mulheres (nesse caso "machismo" será defender os direitos dos homens?). E não se tiram disto.

Passo. A essas senhoras todas, digo mais uma vez duas palavrinhas: Margaret Thatcher. Que estava demasiado ocupada no poder para debater patetices sobre o poder, e nunca precisou de se descabelar no parlamento para provar nada. Nem tinha medo de lavar a louça. Ou de usar bâton e saias. 

É que quem não deve não teme. E nenhuma mulher de sucesso, satisfeita com a sua vidinha (seja ela modelo, cientista, autora, dona de casa, esposa, mãe ou uma combinação de várias) tem tempo para se ofender com tolices, ou medo de lavar um par de meias.

Mas fiquei cá a pensar comigo "Céus - as leitoras e autoras destas páginas, que ficam furiosas com qualquer coisinha que lhes cheire a sexismo devem detestar o que faço, caso passem por cá". Não que eu deseje debater com essas senhoras - nem elas comigo, espero, porque creio que não sairia grande luz dali: cada uma ficaria na sua em modo je suis Charlie, com sorte. Os debates cansam-me. Mas pronto, constato que sou realmente extraterrestre. Não a única por aí, mas bastante extraterrestre para o modelo vigente.

O Imperatrix é lido maioritariamente por quem se identifica ou acha graça a estes princípios (até porque quem que nunca deixou de acreditar em certos valores começa a  perder o receio de soar "antiquado" ou exótico ao afirmá-lo) e por pessoas que não concordando, respeitam. Tenho também o cuidado de não ferir ou melindrar, pelo menos deliberadamente. Interrogo-me, ponho em causa, comparo modelos de comportamento, questiono se as mulheres do meu tempo estarão  a equilibrar saudavelmente as liberdades que conquistaram com aquilo que convém à sua felicidade - e à felicidade das gerações futuras. 

Já me têm perguntado se não receio a controvérsia. Não penso nisso, pois a mesmice faz-me mais confusão... tão pouco tenho pretensões a outra coisa que não seja reflectir cá comigo e convosco, como numa roda de amigos.

É que reparem, estas publicações abertamente "para mulheres, mas que não são a publicação feminina normal" em vez de enaltecerem com naturalidade os feitos de mulheres - na ciência, na política, na diplomacia, na literatura - e de alertarem para os problemas realmente graves, com seriedade e compostura, dedicam-se a debater miudezas. Se uma mulher deve maquilhar-se, ou se é errado fazê-lo porque " isso é uma forma de procurar a validação masculina". Se são justos os padrões de beleza. Se uma mulher tem direito a andar por aí por depilar, toda descabelada, com trapos que a fazem parecer uma bruxa...e ainda assim ser considerada linda. E eu pergunto...isto interessa a alguém?

Isto é tão redutor como pensar apenas em modas e arranjos domésticos.

 A postura de Hillary Clinton, esperando que votem nela "para ser a primeira mulher Presidente" (um boneco a mais, portanto) é mais um exemplo desta confusão. Andam desde 1900, pelo menos, a "lutar" (detesto a palavra, mas seja) para serem vistas como iguais na vida pública. E em vez de quererem conquistar votos pela simples competência, por serem eventualmente o melhor candidato...aí já lhes dá jeito a diferença. Aí já vemos o jeitinho feminino a aflorar: "votem em mim- primeiro as senhoras". Não digo que está certo ou está errado, mas note-se a hipocrisia.



 Perante tal cenário, é  preciso estar consciente de que qualquer perspectiva mais "tradicional" (ou realista, se quiserem) do comportamento, papel ou poder feminino será bastante alienígena no mar da blogosfera e de outras plataformas virtuais "para mulheres". 

Atenção, não me estou a queixar - até ver ninguém foi antipático comigo, antes pelo contrário, embora suspeite que algumas ideias aqui expostas não me vão trazer grandes louvores. 

Seria muito mais fácil conformar-me com o guião que se tornou obrigatório apesar do discurso enfadonho e constante sobre a *suposta liberdade* feminina: ou seja, dizer "dispam-se em público, digam palavrões, percam toda a compostura sempre que tentam expor um ponto de vista, sejam promiscuas, porque isso é que é ser mulher no sec. XXI e juro que a vida vos vai correr lindamente". Quem promete tal, fá-lo na perspectiva das audiências. Afinal, é muito mais simples dizer o que as mulheres "modernas", como maioria estereotipada, querem ouvir - por muito pouco que isso ajude alguém, por muito patetas que esses conteúdos sejam.

Mas tenho para mim que há por aí muita publicação em crise precisamente porque muitas leitoras estão cansadas do mesmo disco riscado...

 Em 1945, Pio XII (um Papa, que tal esta? Perdida por um, perdida por mil) dizia às mulheres que tinha chegado a hora delas. "A vida pública precisa de vós". E longe de recear o alargamento da vida feminina,  chamava a esta mudança na sociedade "uma disposição da Divina Providência" ou seja, que se estava a acontecer, por algum motivo era. Mas também, com grande sensatez, alertava que era difícil conservar o espírito de independência nos limites razoáveis.

 Ao ver mulheres formadas a defender disparates irrelevantes como se fossem coisas muito sérias, penso se não se ultrapassou há muito esse limite...

 Quando as mulheres deitam a perder os seus pontos fortes - o bom senso, a elegância, a sensibilidade, a beleza, a perspectiva maternal do mundo, o mistério, a delicadeza, a força discreta,  a subtileza - para dizerem tolices e tomarem as dores de causas disparatadas, quando berram ao quatro ventos "alto lá que sou mulher, mas só quando me dá jeito" acho muito difícil que nos levem a sério. Mas isso sou eu que acho, no uso daquela "liberdade feminina" que existe para cada uma fazer dela o que entender.
 










Tuesday, May 26, 2015

A propósito dos Globos de Ouro: há criticar como stylist...e há ser desagradável.




Eu estava para não me pronunciar de todo sobre os Globos de Ouro. Costumo fazê-lo só se algum detalhe/vestido me chamar a atenção ou se pudermos tirar alguma lição, em termos de estilo, do evento, porque a televisão me passa bastante ao lado. Reparo apenas como se apresentaram pessoas minhas conhecidas, e olha lá...

Isto para explicar que alguns zunzuns que li me fizeram mudar de ideias. Vou então dizer de minha justiça: não para avaliar as toilettes, não para defender ou apontar gaffes a qualquer convidada, mas para analisar o comportamento de quem avalia, por vezes levianamente.

Pondo de parte nacionalismos gratuitos e escusados, a César o que é de César: se nas mais mediáticas galas internacionais as coisas já não são o que foram, chega a ser disparatado que bloggers, stylists, jornalistas de moda, et cetera portugueses- com mais ou menos propriedade para opinar - se ponham com demasiadas exigências, com ares de rainha ultrajada, perante os esforços nacionais.

 Há que elevar os padrões nas ocasiões certas? Isso sem dúvida, defendo mais que ninguém que não honrar o dress code é um vício imperdoável; mas ser mais papista que o Papa, salvo seja, pode transformar uma crítica equilibrada numa anedota e pôr em causa o profissionalismo de quem faz esse juízo (se estivermos, claro, a falar de críticos com algum conhecimento de causa ou experiência/formação nesse sentido). 

 Se é para chamarmos o Papa a estes assuntos, lembremo-nos sempre, antes de opinar, da grande humildade de Clemente XI:  "fazei-me prudente nos conselhos!". 

 Há formas pertinentes - dentro do estilo de cada um, do mais sereno ao brincalhão - de fazer crítica de moda. E há formas inconvenientes, grosseiras e que nada acrescentam de tentar a mesma coisa. Podemos apreciar mais ou menos o discurso: o que interessa é se a crítica é estruturada e fundamentada.

  Há dias o stylist Nuno Tiago, do blog Polícia da Moda, foi notado nas redes sociais por "arrasar" (era este o termo, ou exagero semelhante?) uma apresentadora. Ora, fazer uma crítica justa a um vestido que está torto e reparar no styling (em termos de penteado) não é arrasar quem quer que seja, muito menos quando se percebe realmente de fitting e alfaiataria, como é o caso. Tais críticas, por mais que sejam ditas em tom de graça, são construtivas e bem vindas.

 Afinal é esse o trabalho do stylist, ou do crítico de moda: ao estudar e avaliar o visual alheio, tem de isolar o mais possível o seu gosto pessoal (que é sempre relativo) e deter-se nos critérios que importam: nas proporções, na adequação ao dress code e às tendências (não estar na última moda não é necessariamente um defeito, mas não convém que um visual pareça "cansado" por ter sido já muito visto recentemente, ou datado), na qualidade dos tecidos, no fitting, na alfaiataria, na riqueza dos detalhes, na harmonia e impacto do conjunto, nas cores (se é uma cor clássica ou do momento, se favorece a pele, traços e cabelo de quem usa) no styling (o penteado, makeup, calçado e acessórios) etc. 

Só esses aspectos interessam para uma crítica feita com profissionalismo, que sirva para governo da visada e para ensinar o público que lê ou vê o comentário. O gosto de cada um, as tentativas de fazer humor gratuito, são irrelevantes.

Um visual pode não fazer o nosso género, mas se está bem conseguido, tem bom ar, favorece quem vestiu e não atropela nenhuma regra de elegância, é isso que tem de  se ter em conta e ponto final. É lícito dizer "fulana não costuma acertar, mas desta feita saiu-se bem" ou vice-versa, mas deixemos de lado simpatias e mesquinhezas.

 Pois bem- sem querer dizer nomes, pois sabem como sou avessa a tolices desse género- deparei-me com um blog (amplamente publicitado via anúncios nas redes sociais) da autoria de alguém com alguns pergaminhos académicos aos quais juntava formação em personal styling. Ao ver tanta insistência, 
segui a página por curiosidade: gosto sempre de conhecer o trabalho que se vai fazendo por aí e se a pessoa tiver obrigação para escrever correctamente, tanto melhor.

  Entretanto o blog em causa dedica um post aos Globos de Ouro...e não direi que fiquei surpreendida ao ver a crítica pueril, no mínimo, que escreveu: da adjectivação com termos brasileiros menos polidos, usados como se fossem nossos, ao redutor "este vestido é uma piroseira porque sim!" ou chistes do género "parece um guardanapo", a apelar à  piadinha fácil, era o costume. O costume que dá mau nome aos bloggers e o costume que granjeia aos profissionais de moda, mesmo aos mais sérios, a reputação de fúteis e desmiolados. Em última análise, serenidade e elegância cabem em toda a parte. Que cliente gostaria de contratar um(a) stylist que classifica as outras (potenciais clientes também, e pessoas com quem essa blogger parece querer vir a cruzar-se em certos círculos) de "foleiras"? Quem quiser ouvir de si... 

Foi, em suma, um discurso de rapariguinha de shopping,  baseado apenas na sua opinião e (entremos, uma vez sem exemplo, em modo ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão) no seu gosto pessoal que, se tivermos em conta os critérios atrás descritos e só esses, eu classificaria de questionável. E como este há imensos!

 Sejamos sérios, rigorosos e sobretudo profissionais nos conselhos...porque fazer crítica de moda tem mais que se lhe diga do que cortar na casaca. 





Friday, April 17, 2015

5 personalidades que teriam blogs a não perder #1


O fenómeno da blogosfera permitiu que escritores talentosos saíssem do anonimato, que as celebridades ficassem mais perto dos seus fãs e que numerosas it girls e gurus de estilo ganhassem protagonismo. Sabendo que muitas figuras da política, sociedade e literatura deixaram trabalho escrito (e decerto, algum por publicar) podemos imaginar que, vivessem hoje, não deixariam de ter uma forte presença virtual. Afinal, quem escreve sabe que o que às vezes fica numa gaveta como rascunho para um livro ou conto, pode dar excelentes posts na linguagem mais breve (e possível de editar ou actualizar a qualquer momento) de um blog.

Sem dúvida estas personalidades teriam muitos seguidores, eu incluída. Haverá muitos mais, em várias categorias (a blogger escandalosa, o blogger rock star, o blogger de política...) mas comecemos pelos primeiros 5 que me ocorreram: 

1 - Beau Brummel, o guru de estilo masculino

Considerado o cúmulo da elegância no período da Regência em Inglaterra, Beau Brummel, o dandi dos dandis, foi tão influente que algumas das suas ideias quanto ao vestuário masculino ainda perduram. Os homens devem-lhe muito do traço do fato actual, revolucionado (e simplificado) por este ícone de moda no movimento que passou à história como "A Grande Renúncia Masculina". Hoje, continuaria a dar cartas e ia decerto incendiar o Lookbook. Brummel também tinha mau feitio, e sem dúvida as suas picardias com outros famosos alimentariam muito sururu nas redes sociais: embora tivesse origens modestas e andasse constantemente aflito de dinheiro graças ao seu estilo de vida luxuoso, era tão arrogante que teve o topete de insultar o Príncipe Regente, chamando-lhe "gordo" na cara. Que seria na era do Twitter!


2 - Lina Cavalieri, a it girl e beauty blogger

Considerada a "mulher mais deslumbrante do mundo" (com justiça, eu acho) a vendedeira de flores que foi actriz, cantora lírica, it girl e princesa dedicou-se, no fim da sua carreira, a uma coluna de beleza nos jornais. Até escreveu um livro sobre o assunto, que ainda hoje é um sucesso de vendas. Entre  dicas de maquilhagem e partilhas no Instagram das suas toilettes,  presença em festas e maridos célebres e os milhões de visualizações dos seus tutoriais no Youtube, podemos facilmente imaginar o triunfo...


3 - Lord Byron, o blogger de viagens

Figura incontornável do Romantismo, o belo Lord Byron teve uma vida tumultuosa, assombrada pelas maldições e esquisitices da sua família. Amantes, excessos, corações partidos, drogas e escândalos contribuíram para o mito de poeta genial, mas atormentado. Para lidar com os seus demónios interiores Byron viajava incansavelmente, escrevendo aos seus amigos com descrições ora encantadoras, ora sarcásticas daquilo que via pelo caminho. De Lisboa e Sintra, que adorou, disse "estou muito feliz aqui, pois adoro laranjas" e relatou como aprendia os palavrões dos fidalgos do tempo. Blogs de viagens não me dizem muito, mas o de Lord Byron seria soberbo, decerto.


4 - Sãozinha da Abrigada, a blogger Católica

O relato da vida desta virtuosa menina de boa sociedade que morreu de tifo aos 17 anos e deixou o legado de várias obras solidárias deu um curioso livro escrito pela sua mãe, testemunho do estilo de vida no Portugal dos anos 30 que não só relata as impressões íntimas da família como as festas, modas e hábitos do tempo. Sempre achei muita graça, por exemplo, ao facto de a considerarem "santinha" e "antiquada" por, ao contrário das raparigas da sua idade, ter vergonha de usar "fato de malha" (fato de banho) na praia, o que lhe valeu fazerem-lhe o estribilho: lá vai a São/embrulhada no roupão. Actualmente em processo de beatificação, no seu tempo de vida Sãozinha mostrava uma sensibilidade fora do comum e uma maneira singular de pensar e escrever. Como mantinha livrinhos de notas, não seria estranho que escrevesse um blog de virtudes femininas onde registasse as suas impressões, do estilo "os meus paizinhos, julgando dar-me grande presente levaram-me ao Casino do Estoril. Se lá fui com pouca vontade, com muito menos fiquei de lá voltar...".

5 - Eça de Queiroz, o blogger de sociedade

É quase escusado explicar esta: não só o genial romancista deixou para trás trabalho inacabado e rascunhos que casavam lindamente com o formato de um blog, como as suas crónicas de costumes e a forma acutilante como retratava um Conselheiro Acácio, um Dâmaso, uma Luizinha deixam entrever viciantes posts a alfinetar tudo e todos, sempre no propósito de edificar e polir os portugueses, nem que fosse "à bordoada". Provavelmente escreveria sob o pseudónimo João da Ega e o blog chamar-se-ia As Memórias de um Átomo ou a Corneta do Diabo. Também consigo imaginar que muitas mulheres não apreciariam o modo como ele as ia criticar: da forma de caminhar ao carácter, passando pelas toilettes "aburguesadas, pouco frescas e honestas" haveria decerto quem o tratasse de machista para baixo, ao que ele responderia, só para as arreliar, "que o dever de uma mulher era cozinhar bem, amar bem, ser bela e ser estúpida". Só as Marias Eduardas da vida iam escapar. Memórias de um Átomo ia gerar um buzz incrível...e ser chic a valer, de certeza.

Tuesday, July 29, 2014

Momento "ai se eu não fosse uma senhora"


Aquele momento em que descobrimos um blog infinitamente mais divertido do que o nosso. E nos consolamos a pensar que enfim, somos gente muito séria, muito contida, muito queque, pronto, e temos um mecanismo de auto regulação super sónico. Além disso, bem...o nosso blog não é anónimo e ainda que tivéssemos jeito e vocabulário para escrever barbaridades tão engraçadas, não só nunca mais nos olhávamos ao espelho como tínhamos a família ( o meu irmão, ai!) e um certo Cavalheiro à perna a gritar que isso não são coisas que uma senhora escreva, ad nauseam. E digo eu que costumo exclamar que digo tudo o que bem me apetece. Bom, *QUASE* tudo. Falta-me um bocadinho assim.

Wednesday, July 16, 2014

Ladies and gentlemen, we have a winner!


Tal como prometido, que eu não gosto nada de suspense nem de protelar, a roda andou esta manhã e já temos um vencedor ou antes, uma vencedora. A Raquel Lima foi contemplada com o cheque presente da Spartoo. Resta-me desejar boas compras a esta nossa amiga e agradecer a todos a participação.
  Quem não teve sorte desta vez, esteja atenta (o): para a semana temos um passatempo diferente, que isto os sorteios do IS são como tudo na vida: "não há fome que não dê em fartura".



Friday, June 20, 2014

Há blogs que são bons exemplos: beleza com valores.


Andava eu à procura de uns penteados para me inspirar quando reparei numa blogger muito bonita, ruiva, muito sardenta e com longa cabeleira a dar todo o tipo de dicas.
  Como é sempre boa ideia aprender truques com quem partilha o mesmo fototipo, perdi um bocadinho a ler-lhe o espaço, The Freckled Fox, e fiquei encantada: embora o meu posicionamento enquanto blogger seja inteiramente outro e pessoalmente não me sinta à vontade com a ideia de expor na blogosfera a vida privada e retratar cada toilette que se veste ou cada passo que se dá (há por aí resultados bonitos, mas quanto às consequências já não sei) se é para mostrar, que se mostre alguma coisa de jeito e que seja um bom exemplo para quem lê.


 Ora, Emily - que é um dos meus nomes preferidos, por ter mais do que uma antepassada que se chamava assim e por ser bonito em todas as línguas - é uma mãe e esposa muito jovem que leva uma vida idílica ao lado do seu super paciente marido, que a ajuda com a canseira enorme que é um blog deste género, fora o resto.
   Ou seja, Emily tem projectos profissionais, mas também é uma dona de casa e mãe de quatro pequenos que são a coisa mais amorosa que já se viu.


 Não concordarei com tudo que a blogger defende (também ainda não li a fundo tudo o que escreve) mas nos tempos de frieza e materialismo que atravessamos - em que as ideias pró libertação da mulher martelam que uma rapariga pode e deve fazer tudo menos  decidir, se assim o entender, dedicar-se mais a ter uma família do que a qualquer outra coisa - a sua opção é realmente corajosa. 
 Quando vejo situações assim ocorre-me sempre aquele episódio de Sex and the City em que Charlotte se sente culpada por exercer a tão falada liberdade de escolha para formar um lar.
 Ora, se há liberdade esta deve prever que se tomem, sem julgamentos, as opções que parecerem acertadas; e se há mulheres que não querem ser astronautas nem dirigir um império, que têm ambições mais tranquilas e que preferem prescindir de alguns luxos ou tempo livre para ter mais filhos, essa é uma escolha de coração que merece tanto respeito como qualquer outra...até  porque não pode ser de todo uma tarefa fácil.
 Acima de tudo, é uma escolha que exige personalidade.

 Depois, Emily não só está orgulhosa das suas opções como ainda dá uma lição às meninas preguiçosas que andam para aí a pregar a desculpa esfarrapada "tenho orgulho nos meus quilinhos a mais e nas minhas olheiras porque tive um bebé e nunca mais fui a mesma", porque com quatro crianças, uma casa, um marido e um projecto a cargo arranja tempo e brio para estar lindíssima e sempre composta. Uma mãe não tem de ser pouco glamourosa e à beira de um ataque de nervos; como tudo na vida, não há nada que não se alcance com vontade e disciplina

 Sabe bem encontrar coisas assim na fogueira de vaidades que para aí anda - sem que haja nada contra a vaidade em si mesma, bem entendido.



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