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Wednesday, February 4, 2015

Alívio de consciência: o guarda roupa de Lucrécia Bórgia


Da próxima vez que o vosso irmão, pai, marido ou amigas disserem que vocês têm sapatos/roupa/acessórios a mais, pensem com os vossos botões que isso não é novidade nenhuma; vocês, queridas amigas, estão apenas a seguir a ordem natural da vaidade feminina desde que o mundo é mundo.

E se vos pedirem exemplos, lembrem-se do enxoval da lendária Lucrécia Bórgia quando casou (1502) com o seu último marido, Afonso d´Este, filho do Duque de Ferrara. Naquele tempo não havia "princesas" vestidas na Mango como agora, era tudo a rigor, e a jovem duquesa de 22 anos (divorciada do primeiro marido e viúva do segundo) entrou triunfalmente na cidade com uma bagagem tão impressionante como a sua entourage.


Entre outras peças (e sem considerar uma fortuna em jóias, tecidos luxuosos e peles) o guarda roupa de Lucrécia contava 200 camisas, "algumas delas no valor de 100 ducados", 84 vestidos, 20 mantos/casacos, 22 toucados, 13 cintos, 33 chinelas, 55 pares de sapatos e não sei quantos pares de mangas amovíveis (a ideia de "vestido" completo, conforme o conhecemos, é relativamente recente; em várias épocas era hábito trocarem-se as mangas, golas, debruados, saiotes ou até corpetes dos vestidos, conseguindo vários looks diferentes; um hábito que se mantém ainda hoje, aliás, na reciclagem de trajes de época para produções históricas de TV e cinema) .

Os números da roupa de Lucrécia não serão tão impressionantes se os compararmos superficialmente com - não vamos mais longe - alguns armários que nós bem conhecemos (cof cof), sem contar com o guarda roupa de it girls, profissionais de moda ou celebridades e se tivermos em conta que hoje as nossas necessidades são diferentes: temos vários tipos de casacos e usamos calças e botas, por exemplo.

Mas se considerarmos que primeiro, este era apenas o enxoval que Lucrécia levou para a sua nova casa (não imagino o que terá deixado em Roma) e que na época era tudo feito à mão, sem qualquer tipo de produção em série - algo de que mesmo quem veste exclusivamente roupa griffèe não se pode gabar hoje,  a não ser que se cinja à haute couture -  a beldade tratava-se realmente bem. 


O sogro (que era um homem bastante austero) se ficou surpreendido ou desagradado, não o demonstrou. Deu apenas ordens para que o cortejo com os baús fosse devidamente acomodado.

 No entanto, com o passar dos anos Lucrécia acostumou-se à vida simples em Ferrara, deixando para trás muitos excessos do passado. Entregou-se ao seu papel de Duquesa e às numerosas obras de caridade; o povo adorava-a. Nunca li registos de como se vestia nessa (última) fase da  vida, mas acredito que tenha atingido a sua maturidade de estilo, trajando de modo menos ostensivo, provavelmente reciclando boa parte dos tecidos que trouxera consigo inicialmente...o que só a deve ter tornado ainda mais elegante.

Ter muito e de boa qualidade é óptimo, desde que se faça bom uso disso e se evite o exagero...




Friday, August 23, 2013

Vai-te, Afonso.

                      File:PinturicchioAlfonso.jpg
But not me....
Apesar das minhas reservas iniciais, acabei por gostar da série The Borgias. Com esse tema e Jeremy Irons, tinha de arranjar maneira de gostar. Mas também não é preciso abusarem da minha paciência: escolherem para interpretar Afonso de Aragão, segundo marido de Lucrécia Bórgia (acima) e "o mais magnífico jovem que jamais pisara Roma" este mocinho simpático mas enfezado, com ar de rústico que não comeu a sopa toda...é fazer pouco da História. Ou de mim. O amante fictício que lhe arranjaram, Raffaello (inspirado, sem dúvida, no "Príncipe dos Pintores")  tinha muito mais a ver com o verdadeiro Afonso. Pobre Lucrécia - normalmente, é suposto a TV fazer as pessoas mais bonitinhas do que foram na realidade, e não o contrário. Oh, well.
              

Wednesday, June 26, 2013

E...a maldade Renascentista do Dia

"Vou rezar por ti. Rezar-te pelas barbas". 

"Sometimes goodness needs the help of a little 

badness".


Ouvido há pouco, em Os Bórgia - essa série sobre a qual ainda não tenho opinião formada, mas que me vai enchendo o olho quando a apanho, afinal se tem Borgia e Maquiavel não pode ser assim tão má. Não é uma frase histórica, que eu saiba (confesso a minha preguiça em confirmar) mas podia ter sido dita perfeitamente naquela época, quando as pessoas, por muito bem educadas ou religiosas que fossem, eram menos hipócritas, não se importando de devolver o bofetão depois de dar a outra face. Afinal a vida era, literalmente, dois dias, viver depressa, morrer cedo, ou passar a  vida  a dizer "hoje não" à Morte, uma verdadeira questão de "be bad or beware"...mas bons tempos, mesmo assim, em que não se deixava para amanhã a retaliação que se podia resolver hoje, não se engoliam tantos sapos, não existia o politicamente correcto e se vivia com estilo. Ou como eu digo sempre, nem tudo é preto e branco neste mundo, o Bem e o Mal são faces da mesma moeda, para maroto maroto e meio e (avó dixit) ser palerma e deixar-se pisar é uma ofensa a Deus Nosso Senhor. Afinal a vida sem um bocadinho de espírito, de garra, de astúcia, de joi de vivre e de mau feitio não tem graça nenhuma e não se vai - passe o pleonasmo- a lado nenhum. Claro que para fazer maldades justificadas  (ou servir de instrumento para o "mal necessário") com classe, não caindo na categoria de pessoa reles, é preciso ter honra, dignidade, sentido de justiça, subtileza e graça, etc. Mas isso é outra história.

Saturday, March 30, 2013

O que eles pensam do amor, ou a armadilha

                                      
[O Papa Alexandre) "Não tinha pensado em alertar o filho para a única armadilha do amor: o amor verdadeiro concede plenos poderes à mulher e põe o homem em perigo."

Mario Puzo, A Família

Está certo que  algumas mulheres, em particular as mulheres belas,  têm um certo poder magnetizante; e esse poder revela-se em pleno face a um amor que não seja vulgar.
 Há algum desígnio cósmico que determina as ligações raras - que faz com que fatalmente, irremediavelmente, duas pessoas que se destacam pela beleza, pelo intelecto,  pelo gosto, pela luz da sua alma, reparem uma na outra.  É quase um dever estético e moral que assim seja, que os seus destinos se cruzem, pois é desses momentos, dessas faíscas que são uma amostra do quotidiano dos deuses, que é composta a simetria do Universo, que a Roda gira, que as coisas que valem a pena nesta vida se fazem. São esses os amantes que inspiram as grandes obras, o que não significa que isso seja suficiente. Por vezes, a perfeição não chega - ou é simplesmente desperdiçada. Mas esse receio que assalta o homem que tenta ser muito seguro de si é um engano. O erro de amar demasiado para o seu próprio bem não é um exclusivo masculino. Os que amam sensatamente e com moderação perduram, os que amam demasiado caem - facto. E uma mulher sensível também sabe disso. Quando alguém a faz sentir vulnerável, mas é nessa mesma fraqueza que se encontram todas as forças; quando, por mais independente e forte que seja, está disposta a adaptar os seus sonhos; quando sente medo, mas há uma volúpia nesse receio e uma fortaleza por trás; quando as emoções se sobrepõem a todos os planos anteriormente feitos, a todos os cautelosos cálculos; quando se rebela contra si mesma e sente vontade de entregar a sua liberdade nas mãos de outrem, que protegerá e amará essa liberdade oferecida como se fosse coisa sua. Quando é assim, uma mulher sabe que está o caso mal parado. Muito mal parado. Perante esse cenário, se tiver o pensamento estratégico de um homem, recuará também. Observará o adversário. E só se renderá se vir rendição igual. Se não tiver essa frieza, está irremediavelmente perdida - nas malhas da mesma armadilha que os homens tanto receiam. Ou numa situação pior ainda, por questões de educação e hábitos seculares que todos conhecemos.
 As emoções avassaladoras e perigosas, o acto de se envolver demasiado para o seu próprio bem, não são apanágio de nenhum dos sexos. Simplesmente, o bom ou mau resultado desse encontro de titãs depende da capacidade mútua de entrega - e é a força das duas partes, a força para assumir a fraqueza, que determina o desfecho. Não é uma armadilha: é um teste de valor.

Tuesday, February 26, 2013

Em Roma sê romano, por mais triste que isso seja



É neste mundo que ele tem de actuar, e é com os homens deste mundo que ele tem de lidar e por isso, deve conhecê-los como eles são e procurar adaptar o seu comportamento ao comportamento dos outros.
 Esforçar-se por ser bom quando todos os outros são maus é procurar a própria ruína.

(O tio Nicolau tem sempre razão, ou de como ser boa pessoa neste mundo é muito complicado. Que eu sou tudo menos idealista mas considero a arte de viver no mundo, ter mundo e agir consoante o mundo sem se deixar contaminar por ele  uma das mais exigentes e extenuantes que existem...)

Sunday, April 29, 2012

Os homens mais sexy da História

Henry Cavill

Não deixemos que o pó dos séculos nos engane: as páginas da História estão cheias de sex symbols capazes de pôr a um canto os galãs dos nossos dias. Pela beleza, carisma, valentia, e pela aura de romantismo que criaram à sua volta, estes garbosos senhores detêm o direito perene ao título "Your Royal Hotness".




Alexandre Magno


 (356 -323 a.C) Filho do Rei Filipe II da Macedónia e de Olímpia de Épiro, sacerdotisa de Dioniso, tornou-se rei aos 20 anos.  Por altura da sua morte, aos 32, tinha conquistado o maior Império visto até então. A sua juventude e beleza, o mito de uma origem divina ("Filho de Zeus" ou de Dioniso, consoante as lendas) o casamento controverso com Roxana -filha de um obscuro chefe das províncias conquistadas- e as suas complexas relações pessoais fizeram dele o mito sensual de  gerações.





Vercingetorix


(72 - 46 a.C)  Rei dos Arvernos, o seu nome significa, aproximadamente, "Chefe Supremo dos Guerreiros". Carismático, louro, imponente , o jovem nobre personificava a imagem dos grandes e temíveis guerreiros gauleses.
Verdadeiro génio militar, liderou uma das maiores revoltas celtas contra Roma, acabando por ser derrotado na trágica Batalha de Alésia. 
Vendo-se vencido, rendeu-se em grande estilo: vestiu a sua magnífica armadura, montou o seu corcel ricamente ajaezado e deu três voltas ao acampamento de Júlio  César antes de depôr majestosamente as armas. Continua a ser um símbolo do orgulho francês.


Viriato


( ?-138 a. C) O "Rei- Pastor" - título conferido a líderes de origem divina na antiguidade - foi outro chefe celta que causou grandes dores de cabeça aos romanos. Exasperados, os generais romanos terão mesmo comentado " na parte mais ocidental da Península Ibérica vive um povo que não se governa nem se deixa governar!".  Os vários significados atribuídos ao seu nome relacionam-se com "masculinidade, virilidade, honra, nobreza" e com os virae, adornos usados pelos guerreiros celtiberos. Embora a sua figura continue envolta em alguma obscuridade,  predominam as descrições de Viriato como "um verdadeiro príncipe", corajoso, magnânimo, grande estratega, um homem "na flor da idade, de grande força física" e com "todas as características dos lendários Reis celtas".






D. Afonso Henriques


(1109? - 1185) O nosso primeiro Rei, O Conquistador , não poderia deixar de figurar nesta lista. Assumiu o governo com apenas 19 anos e em 1139 proclamou-se Rei - apesar do reconhecimento da independência Portuguesa só chegar em 1143. Pouco se sabe sobre o seu verdadeiro aspecto físico, embora a lenda sobre a sua espada, que nenhum outro homem conseguia manejar, e os relatos das suas façanhas nos tracem o retrato de um perfeito varão medieval.  A sua bravura e o  seu carácter férreo, intempestivo e determinado fazem o resto: não há nada mais sexy que um homem decidido.




Raimundo I de Antióquia 


(1115 – 1149) Filho mais jovem de Guilherme IX (Duque de Aquitânia e Conde de Poitiers) Raimundo tornou-se Príncipe de Antióquia numa aventura digna de romance. Como filho mais novo, era de esperar que construísse a sua própria fortuna ou se contentasse com uma vida obscura. Ao ser apontado como o pretendente ideal para a jovem Constança, herdeira de Boemundo II de Antióquia, aproveitou a oportunidade sem pensar duas vezes. No entanto, foi necessário fazer crer à mãe da noiva, a arrogante viúva e regente Alice de Jerusalém, que seria ela a escolhida. Ainda jovem e bonita, Alice corou de alegria com a proposta - e quase morreu de despeito ao saber o logro de que fora vítima. Mas teve de engolir a afronta e Raimundo, com 37 anos de idade, tornou-se Príncipe de Antióquia ao lado da sua noiva adolescente. Raimundo de Poitiers era considerado um dos homens mais fascinantes da cristandade. O arcebispo de Tiro descreveu-o como "um senhor de ascendência mui nobre, de figura alta e elegante, o mais belo dos príncipes da terra, um homem de conversa e afabilidade encantadoras, de coração aberto e magnífico para além da medida".  Dizem que tinha o hábito de, por fanfarronice, se pendurar em peso na porta do castelo, segurando o cavalo entre as pernas musculosas, o que nos dá uma ideia da sua envergadura física... Em 1148, durante a Segunda Cruzada, foi acusado de ter uma relação adúltera e incestuosa com a sua belíssima sobrinha, a célebre Leonor de Aquitânia. Após muitas aventuras - nem todas coroadas de êxito - o exuberante Príncipe morreu tragicamente  na batalha de Inab.




D. Pedro I, o Cruel ( também chamado O Cru ou o Justiceiro)


(1320 - 1367) Amado pelo povo enquanto Rei, o Príncipe  Até -ao -fim-do -Mundo-Apaixonado era conhecido pela sensualidade -  tanto antes como depois da sua trágica história de amor com a bela Inês de Castro. 
O carácter obsessivo e a extrema lealdade à sua amada conferem-lhe a allure de anti herói romântico, material para lendas. Quando a Madre Abadessa do Convento de Santa Clara, que convivera com o casal antes da morte de Inês, pediu ao príncipe que contivesse os seus furores em nome "da sua honra e do seu bem" D. Pedro terá respondido, apontando para o túmulo da amante " minha honra e meu bem estão ali". A mulher que nunca desejou ser adorada desta maneira que atire a primeira pedra...
 Curiosamente, o seu sobrinho e homónimo D. Pedro, o Cruel, de Castela - que lhe entregaria os carrascos de Inês de Castro refugiados no seu país - também viveu um amor amaldiçoado que foi a sua desgraça, com a fidalga D. Maria de Padilla.





D.Manuel I


(1469-1521) O Venturoso era um dos Reis mais afortunados e bem parecidos do seu tempo: elegante, "de boa estatura, de corpo mais delicado que grosso, (...) os cabelos castanhos,  (...) os olhos alegres, entre verdes e brancos, alvo, risonho, bem assombrado" rico e com poder quase absoluto, gostava de vestir bem e de se divertir.  Em 1498, já duas vezes viúvo e tendo jurado não voltar a casar, desposou com certo escândalo a jovem noiva  do próprio filho -  a linda Leonor da Áustria (irmã do Imperador Carlos V e filha de Joana a Louca e de Filipe, o Belo).  O Príncipe D. João, que se apaixonara pela sua prometida, teve um enorme desgosto.  D.Leonor não foi tida nem achada na decisão, mas não consta que tenha chorado a troca...






César Bórgia


(1475-1507)  Maquiavel inspirou-se nele para a sua obra imortal, O Príncipe. Filho do Cardeal Rodrigo Bórgia (futuro Papa Alexandre VI )e da sua amante Vanozza dei Cattanei, da Casa de Candia, César Bórgia foi um dos homens mais belos e influentes do Renascimento. Inicialmente destinado à carreira eclesiástica, com o assassinato misterioso do seu irmão Giovanni - crime que as más línguas chegaram a atribuir a César - colocou o seu génio militar ao dispor dos interesses da família. A relação conturbada e intensa com a  irmã, Lucrécia, e uma ligação de paixão-ódio com a famosa Caterina Sforza são apenas algumas das peripécias da atribulada vida pessoal do Duque Valentino. Com a morte do pai, perdeu rapidamente o poder. Morreu em combate em Espanha, ao serviço do Rei de Navarra.




Giuliano de' Medici


(1453-1478) Filho mais novo de Piero de Medici, irmão de Lorenzo, o Magnífico, co-governante de Florença e grande patrono das artes, Giuliano era considerado um "golden boy". Bonito, confiante, másculo e atlético, terá sido o modelo para o Marte de Botticelli - a Vénus foi a sua amante Simonetta Cattaneo de Candia, mais conhecida por Simonetta Vespuccio: eterna musa do genial pintor, parente de César Bórgia, a mais bela mulher de Florença - e provavelmente de todo o Renascimento.
Giuliano, o orgulho da casa de Medici, foi assassinado com apenas 25 anos, trespassado por uma espada e apunhalado 19 vezes. Deixou a sua noiva, Fioretta Gorini (que por morte de Simonetta, tomara o seu lugar) grávida do futuro Papa Clemente VII.







Sunday, July 17, 2011

Os Bórgia - ou seja, estou mortinha

"The Borgias" Showtime

"Los Borgia" Antena 3





Não sei o que se passa, que não há meio de a série da Showtime "The Borgias" (sucessora de "The Tudors") estrear por cá. Se continuamos assim, vou ter de recorrer à pirataria, ai vou. Entretanto (Deus salve o MEO Videoclube) consegui finalmente deitar as mãos ao filme espanhol "Los Borgia". Considerando que não é fácil agradar a uma ávida estudiosa amadora desta família como eu, a película é bastante razoável. Analisemos: temos uma Paz Vega como Caterina Sforza de esplêndida armadura, o que seria fantástico se se tivessem dado ao trabalho de lhe tingir o cabelo de louro veneziano. O argumento é bem construído, com uma cobertura apreciável dos principais acontecimentos históricos comprovados e a deixar ao nosso critério - mais coisa menos coisa -  alguns mitos: Cesar matou ou não matou o mano Giovanni? Qual era de facto a natureza do relacionamento entre Cesare e Lucrezia? (Deixado no ar através da opinião de outras personagens e de equívocos em acontecimentos públicos, embora em privado seja mostrado de forma inocente, talvez excessivamente cândida para estes meninos). Gostei do actor que interpretou Juan (Giovanni) Borgia, belo o suficiente para ser invejado por César e fraco que chegue para o fazer perder a paciência. Um Rodrigo/Alexandre simpático, charmoso, a traduzir o que este Papa (injustamente chamado o mais perverso de todos) foi realmente: um homem do seu tempo, com pecados do seu meio, mas capaz de decisões sábias e devoto à sua maneira. Não percebo o porquê de uma Giulia Farnese, La Bella, morena. Madonna Vanozza velha e sofrida não me convence.A escolha de uma actriz madura, mulata e com peito de silicone para interpretar Sancha de Aragão - justamente a única personagem importante que tira a roupa, já lá vamos - também me escapa.  Lucrécia é mostrada à luz redentora dos historiadores actuais: doce, meiga, um simples peão nas manobras da família (que pelo bem que lhe quer, até os olhos lhe tira) mas falta-lhe intensidade. Calúnia de facções inimigas ou não, da reputação de mulher fatal não se livra e uma caracterização mais dúbia, um nadinha mais sensual, seria bem vinda.
Quanto a César, só Milo Manara acertou - a versão em Banda Desenhada, apesar de um ligeiro excesso de sexo e violência, é até agora a que melhor captou a essência desta mítica famiglia. No filme o actor, apesar de carismático, não se parece com os retratos (achei-o um bocadinho cabeçudo, mas habituei-me). A interpretação satisfaz, mas queria um pouco mais de cinismo e impulsividade. É César Bórgia, o Príncipe, minha gente.
No todo, precisava-se de uma pitadinha extra de violência nos momentos certos (cortar a língua a quem insultou a família em público, naquele tempo, não era nada de extraordinário; é até um acto compreensível no contexto) e de uma dose maior de sensualidade. As únicas cenas chave de malandrice passam-se entre Sancha e César, quando a relação com Caterina Sforza terá sido bem mais interessante, cinematograficamente falando, e com Lucrécia, bastante mais amarga, estranha e intensa. Em resumo, satisfaz, mas não arrepia. Falta-lhe sal. Espero que a série complete este vazio (tem o Jeremy Irons, tem uma Giulia ruiva linda de morrer) mas não estou com grandes esperanças no César canadiano que arranjaram. Aguarda-se a versão de Hollywood, que está como as obras de Santa Engrácia.

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