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Thursday, August 16, 2012

Nem Vénus escapa ao Photoshop

Cherubs still need work: Jean-Auguste-Dominique Ingres's Venus Anadyomene, 1848, is one of the painter's most celebrated works at the Musée Condé, Chantilly, France
A Vénus de Jean-Auguste-Dominique Ingres, antes e depois
A artista plástica italiana Anna Utopia Giordano criou o "Projecto Vénus" e submeteu algumas das maiores obras de arte representando esta Deusa ao Photoshop. Embora os critérios de beleza tenham variado ao longo dos séculos, sempre achei que algumas versões, como a de Boticcelli ou a de Velazquez, têm uma beleza intemporal. Quando muito, precisariam apenas de uns retoques ligeiríssimos para deslumbrar, sem questões, os mais exigentes pelos séculos dos séculos. Simonetta Vespucci, por exemplo, a musa de Botticelli, era uma beldade para ninguém apontar defeitos. Anna Utopia reduziu o tamanho dos membros, "levantou" alguns traseiros, aumentou bustos, definiu cinturas e reduziu barriguinhas. Um makeover à própria Deusa da Beleza...
    Se em alguns casos, a brincadeira resultou - a divindade ganhou um ar mais saudável e uma beleza consensual - outras imagens, uma vez reduzidas ao size zero, ficaram totalmente desproporcionais. O que me deixa na dúvida: ou a autora não tem noções de anatomia (estranho, dada a sua profissão) ou pretendeu satirizar os exageros dos programas de edição de imagem. Felizmente, no tempo de Rafael, Sandro Botticelli e Ticiano não existiam tais engenhocas, e podemos apreciar os originais em toda a sua glória...

                     Centre of attention: The Birth Of Venus (1879), by William-Adolphe Bouguereau, at the Musée d'Orsay, Paris - and the modern 'size zero' version
                              A Vénus de William-Adolphe Bouguereau ficou muito bem....


Keeping afloat: The Birth Of Venus (1863), by Alexandre Cabanel - hanging in the Musée d'Orsay, Paris - is slimmed down dramatically in the 21st century
                         A de Alexandre Cabanel não precisava de tanto...

Wieight watchers: This 'before and after' shot shows a fuller-figure in The Power Of Venus, by Richard Westall, private collection. In Giordano's version, Venus looks like she relaxing after a gym session
                          A Vénus poderosa de Richard Westall está bem bonita.

Reclining and shrinking: Venus Of Urbino (1538), by Titian, in the Uffizi Gallery, Florence. Once again, Giordano has concentrated on the modelling industry 'problem areas' of stomach, thighs and breasts
  À de Ticiano, bastava tirar a barriga...o peito ainda vá. Mas que se passou na parte inferior?

Flattering mirror: Cupid might be wondering why he didn't get the Photoshop nip and tuck in Giordano's updated version Venus And Cupid, by Diego Velazquez (1648), at the National Gallery, London

                            Alguém me explica qual era o defeito da Vénus de Velaszquez?

Glamorous Venus: Giordano's version of The Sleeping Venus (1625-30), by Artemisia Gentileschi, looks more like a 1940s calender girl. The original hangs at the Barbara Piasecka Johnson Foundation, New Jersey
             A Vénus de Artemisia Gentileschi exagerou na dieta....se a pintora sonhasse ia aos arames!

                          No wrinkles: Even the folds of the sheet have been smoothed in Giordano's version of Venus Playing With Two Doves (1830), by Francesco Hayez, at the Cassa di Risparmio di Trento e Rovereto
                                Já a de Francesco Hayez é uma rapariga equilibrada.

            
                                        E a Simonetta é linda de qualquer maneira...


Sunday, April 29, 2012

Os homens mais sexy da História

Henry Cavill

Não deixemos que o pó dos séculos nos engane: as páginas da História estão cheias de sex symbols capazes de pôr a um canto os galãs dos nossos dias. Pela beleza, carisma, valentia, e pela aura de romantismo que criaram à sua volta, estes garbosos senhores detêm o direito perene ao título "Your Royal Hotness".




Alexandre Magno


 (356 -323 a.C) Filho do Rei Filipe II da Macedónia e de Olímpia de Épiro, sacerdotisa de Dioniso, tornou-se rei aos 20 anos.  Por altura da sua morte, aos 32, tinha conquistado o maior Império visto até então. A sua juventude e beleza, o mito de uma origem divina ("Filho de Zeus" ou de Dioniso, consoante as lendas) o casamento controverso com Roxana -filha de um obscuro chefe das províncias conquistadas- e as suas complexas relações pessoais fizeram dele o mito sensual de  gerações.





Vercingetorix


(72 - 46 a.C)  Rei dos Arvernos, o seu nome significa, aproximadamente, "Chefe Supremo dos Guerreiros". Carismático, louro, imponente , o jovem nobre personificava a imagem dos grandes e temíveis guerreiros gauleses.
Verdadeiro génio militar, liderou uma das maiores revoltas celtas contra Roma, acabando por ser derrotado na trágica Batalha de Alésia. 
Vendo-se vencido, rendeu-se em grande estilo: vestiu a sua magnífica armadura, montou o seu corcel ricamente ajaezado e deu três voltas ao acampamento de Júlio  César antes de depôr majestosamente as armas. Continua a ser um símbolo do orgulho francês.


Viriato


( ?-138 a. C) O "Rei- Pastor" - título conferido a líderes de origem divina na antiguidade - foi outro chefe celta que causou grandes dores de cabeça aos romanos. Exasperados, os generais romanos terão mesmo comentado " na parte mais ocidental da Península Ibérica vive um povo que não se governa nem se deixa governar!".  Os vários significados atribuídos ao seu nome relacionam-se com "masculinidade, virilidade, honra, nobreza" e com os virae, adornos usados pelos guerreiros celtiberos. Embora a sua figura continue envolta em alguma obscuridade,  predominam as descrições de Viriato como "um verdadeiro príncipe", corajoso, magnânimo, grande estratega, um homem "na flor da idade, de grande força física" e com "todas as características dos lendários Reis celtas".






D. Afonso Henriques


(1109? - 1185) O nosso primeiro Rei, O Conquistador , não poderia deixar de figurar nesta lista. Assumiu o governo com apenas 19 anos e em 1139 proclamou-se Rei - apesar do reconhecimento da independência Portuguesa só chegar em 1143. Pouco se sabe sobre o seu verdadeiro aspecto físico, embora a lenda sobre a sua espada, que nenhum outro homem conseguia manejar, e os relatos das suas façanhas nos tracem o retrato de um perfeito varão medieval.  A sua bravura e o  seu carácter férreo, intempestivo e determinado fazem o resto: não há nada mais sexy que um homem decidido.




Raimundo I de Antióquia 


(1115 – 1149) Filho mais jovem de Guilherme IX (Duque de Aquitânia e Conde de Poitiers) Raimundo tornou-se Príncipe de Antióquia numa aventura digna de romance. Como filho mais novo, era de esperar que construísse a sua própria fortuna ou se contentasse com uma vida obscura. Ao ser apontado como o pretendente ideal para a jovem Constança, herdeira de Boemundo II de Antióquia, aproveitou a oportunidade sem pensar duas vezes. No entanto, foi necessário fazer crer à mãe da noiva, a arrogante viúva e regente Alice de Jerusalém, que seria ela a escolhida. Ainda jovem e bonita, Alice corou de alegria com a proposta - e quase morreu de despeito ao saber o logro de que fora vítima. Mas teve de engolir a afronta e Raimundo, com 37 anos de idade, tornou-se Príncipe de Antióquia ao lado da sua noiva adolescente. Raimundo de Poitiers era considerado um dos homens mais fascinantes da cristandade. O arcebispo de Tiro descreveu-o como "um senhor de ascendência mui nobre, de figura alta e elegante, o mais belo dos príncipes da terra, um homem de conversa e afabilidade encantadoras, de coração aberto e magnífico para além da medida".  Dizem que tinha o hábito de, por fanfarronice, se pendurar em peso na porta do castelo, segurando o cavalo entre as pernas musculosas, o que nos dá uma ideia da sua envergadura física... Em 1148, durante a Segunda Cruzada, foi acusado de ter uma relação adúltera e incestuosa com a sua belíssima sobrinha, a célebre Leonor de Aquitânia. Após muitas aventuras - nem todas coroadas de êxito - o exuberante Príncipe morreu tragicamente  na batalha de Inab.




D. Pedro I, o Cruel ( também chamado O Cru ou o Justiceiro)


(1320 - 1367) Amado pelo povo enquanto Rei, o Príncipe  Até -ao -fim-do -Mundo-Apaixonado era conhecido pela sensualidade -  tanto antes como depois da sua trágica história de amor com a bela Inês de Castro. 
O carácter obsessivo e a extrema lealdade à sua amada conferem-lhe a allure de anti herói romântico, material para lendas. Quando a Madre Abadessa do Convento de Santa Clara, que convivera com o casal antes da morte de Inês, pediu ao príncipe que contivesse os seus furores em nome "da sua honra e do seu bem" D. Pedro terá respondido, apontando para o túmulo da amante " minha honra e meu bem estão ali". A mulher que nunca desejou ser adorada desta maneira que atire a primeira pedra...
 Curiosamente, o seu sobrinho e homónimo D. Pedro, o Cruel, de Castela - que lhe entregaria os carrascos de Inês de Castro refugiados no seu país - também viveu um amor amaldiçoado que foi a sua desgraça, com a fidalga D. Maria de Padilla.





D.Manuel I


(1469-1521) O Venturoso era um dos Reis mais afortunados e bem parecidos do seu tempo: elegante, "de boa estatura, de corpo mais delicado que grosso, (...) os cabelos castanhos,  (...) os olhos alegres, entre verdes e brancos, alvo, risonho, bem assombrado" rico e com poder quase absoluto, gostava de vestir bem e de se divertir.  Em 1498, já duas vezes viúvo e tendo jurado não voltar a casar, desposou com certo escândalo a jovem noiva  do próprio filho -  a linda Leonor da Áustria (irmã do Imperador Carlos V e filha de Joana a Louca e de Filipe, o Belo).  O Príncipe D. João, que se apaixonara pela sua prometida, teve um enorme desgosto.  D.Leonor não foi tida nem achada na decisão, mas não consta que tenha chorado a troca...






César Bórgia


(1475-1507)  Maquiavel inspirou-se nele para a sua obra imortal, O Príncipe. Filho do Cardeal Rodrigo Bórgia (futuro Papa Alexandre VI )e da sua amante Vanozza dei Cattanei, da Casa de Candia, César Bórgia foi um dos homens mais belos e influentes do Renascimento. Inicialmente destinado à carreira eclesiástica, com o assassinato misterioso do seu irmão Giovanni - crime que as más línguas chegaram a atribuir a César - colocou o seu génio militar ao dispor dos interesses da família. A relação conturbada e intensa com a  irmã, Lucrécia, e uma ligação de paixão-ódio com a famosa Caterina Sforza são apenas algumas das peripécias da atribulada vida pessoal do Duque Valentino. Com a morte do pai, perdeu rapidamente o poder. Morreu em combate em Espanha, ao serviço do Rei de Navarra.




Giuliano de' Medici


(1453-1478) Filho mais novo de Piero de Medici, irmão de Lorenzo, o Magnífico, co-governante de Florença e grande patrono das artes, Giuliano era considerado um "golden boy". Bonito, confiante, másculo e atlético, terá sido o modelo para o Marte de Botticelli - a Vénus foi a sua amante Simonetta Cattaneo de Candia, mais conhecida por Simonetta Vespuccio: eterna musa do genial pintor, parente de César Bórgia, a mais bela mulher de Florença - e provavelmente de todo o Renascimento.
Giuliano, o orgulho da casa de Medici, foi assassinado com apenas 25 anos, trespassado por uma espada e apunhalado 19 vezes. Deixou a sua noiva, Fioretta Gorini (que por morte de Simonetta, tomara o seu lugar) grávida do futuro Papa Clemente VII.







Wednesday, January 25, 2012

O presente envenenado de Botticelli

The Story of Nastagio degli Onesti first episode by Sandro Botticelli

Boccaccio, no seu Decameron (um dos meus livros preferidos) conta a história de Nastagio degli Onesti e a Caçada Infernal. Rejeitado pela sua amada, Paola Traversari, o jovem Nastagio retirou-se, pesaroso, para a floresta. Enquanto meditava nas suas penas de amor, surgiu-lhe uma aparição terrível: uma bela jovem nua, perseguida por um cavaleiro enraivecido e os seus cães de caça. Atarantado, o rapaz ainda agarrou um ramo para defender a donzela, mas o caçador precipitou-se sobre a vítima caída, assassinou-a e atirou o coração da infeliz aos mastins.
Nastagio não teve tempo para se refazer do pânico sem que a mulher se levantasse e a horrorosa cena se desenrolasse novamente: tratava-se de um casal de almas penadas. O cavaleiro tinha sido em vida amante da donzela, que o desprezava; a paixão desmedida teve um fim trágico, por isso ambos ficaram condenados à danação eterna. Até ao fim dos tempos, a jovem seria perseguida numa caçada fantasma pelo amante atraiçoado, que teria de a matar, uma e outra vez, sem descanso.
Ao regressar a casa, Nastagio teve uma ideia: convencer a família da namorada soberba a comparecer a um piquenique no pinhal, para testemunhar a assustadora visão.
Apavorada pela aparição tétrica, Paola, que temia um destino semelhante, aceitou finalmente casar-se com Nastagio.
   Sandro Botticelli pintou quatro magníficos painéis que ilustram este conto fantasmagórico, encomendados por Lorenzo di Medici, O Magnífico. A obra seria um presente para o casamento do sobrinho, Gianozzo Pucci, com Lucrecia Bini.
Dizem as más línguas que o pintor amava a noiva e por isso escolheu precisamente este tema para o painel (que originalmente se destinava à cabeceira da cama nupcial) com intenções de amaldiçoar o enlace. Verdade ou não, reza a história que o presente ficou exposto na sala de estar.

Friday, March 4, 2011

Das ruivas

Julianne Moore (de sangue escocês, já a vimos com todas as nuances de ruivo possíveis)


O cabelo ruivo foi objecto de fascínio e temor ao longo dos séculos. Em determinadas épocas e locais, serviu como uma pobre mas eficaz desculpa para condenar mulheres por bruxaria. A Rainha Isabel I, que herdou do pai, Henrique VIII, as melenas louro alaranjado em vez dos famosos cabelos negros da sua progenitora, ajudou a popularizar  a tendência dos cabelos estilo labareda.


Ticiano e Botticelli foram alguns dos artistas  que utilizaram tons entre o dourado e o cobre para adornar as madeixas de Vénus, ninfas e Graças. O famoso " louro veneziano" era na verdade um strawberry blonde, louro acobreado.O ruivo natural - geralmente acompanhado de pele branca e transparente, sardas, pestanas claras e olhos que vão do castanho ao azul pálido ou verde água -  é por vezes difícil de definir. Vagueia entre o laranja vivo, castanho avermelhado (por vezes quase bourdeaux, o famoso auburn) louro acobreado, avelã acobreado e encarnado. Esta variedade pode ser confusa para quem, como eu, herdou de antepassados celtas um cabelo avermelhado ma non troppo. Durante anos debati-me com essa questão: é louro? É castanho? É ruivo? Conforme as fases da vida, o clima e as épocas do ano.
 Na minha família, quase todos oscilam entre vários tons de louro e pele extremamente clara. Tenho uma tia ruiva e vários primos cenoura-vivo. Herdei um cabelo louro escuro (nem é louro, nem é castanho, é um dourado assim assim) que foge para o alaranjado à primeira oportunidade que lhe dão, olhos avelã, pestanas brancas e uma pele pálida, translúcida, extra sensível, que não tem a brancura láctea e rosada das louras nem o branco magnólia das morenas claras - ou seja, uma trabalheira para encontrar maquilhagem que me preste. No Verão, só apanho um ligeiro dourado com muita água benta e sardas com fartura no nariz e nas bochechas.  Ao longo da minha vida, experimentei várias cores, porque gosto de variar e porque me chateava que tentassem adivinhar de que cor era, afinal, o meu cabelo. Aprendi depressa que preto é para esquecer (aparecem todas as minhas veiazinhas azuis e os olhos parecem avermelhados) castanho não se mantém e o único louro que permanece inalterado nas minhas melenas é o louro esbranquiçado, champagne/ açúcar, vá-se lá saber porquê.
 Se não o posso vencer, junto-me a ele - viva o meu cabelo Ticiano. Graças a Deus, a caça às bruxas já lá vai há muito tempo.

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