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Thursday, June 11, 2015

As duas faces da Honra



A frase do intelectual, filósofo e político romano, considerado um "pagão justo" (logo, uma pessoa séria) é bem verdadeira: a honra é a recompensa da virtude. Por vezes, é mesmo a sua única recompensa

É que é preciso não confundir honra (dignidade, orgulho legítimo, proceder honestamente, recusar-se a ir contra o brio e a consciência) com honras mundanas e vaidades.

  Uma coisa é a honra, outra são as honrarias; mesmo nos cenários e círculos onde a honra e a virtude deviam ser apreciadas acima de tudo o resto, há quem afrouxe nos seus princípios: para ser louvado, para manter a popularidade, para obter algo que lhe falta ou em nome da diplomacia exagerada. Cai-se então em tibieza, descendo ao raciocínio prático (embora sórdido)  "honra e proveito não cabem no mesmo saco".

 Muitas grandes personagens recusaram honrarias em nome da honra. Prescindiram do seu conforto, do seu estatuto, do amor, da felicidade ou da própria vida para não comprometerem os seus princípios, para se manterem fieis àquilo em que acreditavam: São Thomas More perdeu a cabeça (mas não o bom humor, nem a compostura) por ser um homem honradíssimo. A Princesa de Lamballe era uma mulher de honra e uma amiga fidelíssima, encontrando por isso um destino pior ainda. E em casos menos extremos, a Princesa Zinaida, que foi desprezada pela Czarina por não lhe dizer o que ela queria ouvir; ou a linda actriz Rita Hayworth, que se viu em grandes trabalhos com o ex marido por recusar vergar-se às suas infidelidades e exigências para se converter ao Islão.


S.Thomas More, Princesa De Lamballe,
Princesa Zinaida e Rita Hayworth

 Outra citação atribuída a Cícero complementa esta ideia: "habilidade sem honra é inútil" ou seja, o que é alcançado por meios menos limpos volta sempre para assombrar quem se serviu de esquemas ou truques. Veja-se o mau exemplo do nosso ex primeiro ministro...ou das mulheres que para conservar um homem se rebaixam a grandes papelões. Até poderão obter o que desejam, mas a que preço! À custa de que fantochadas, de que figuras tristes! E na maioria das vezes, com que consequências - já que acaba por se perder tudo na mesma, não conservando sequer o bom nome e a integridade.


Cícero e Tomás de Kempis
 Tomás de Kempis deixou bem claro o mais importante para quem preza, acima de tudo, olhar-se ao espelho pela manhã: "verdadeiramente grande é aquele que a seus olhos é pequeno e avalia em nada as maiores honras. De nada te serve adquirir ou acumular bens exteriores, mas muito te aproveita desprezá-los e desarraigá-los do coração. Isso não se entende somente do dinheiro e das riquezas, senão também da ambição das honras, e do desejo de vãos louvores porque tudo isso passa com o mundo".

 As recompensas devidas a cada um pelos seus méritos, se justas,  não deixarão de aparecer, embora possam tardar (porque tudo o que é bom é difícil).

Não vale a pena virar-se do avesso nem comprometer valores de base para agradar a quem tem "a faca e o queijo na não". Quem admira, estima ou ama alguém, não lhe pede a desonra em troca de honrarias. E se o faz...


Tuesday, October 15, 2013

Citação da noite: dá-lhe, Donatella!



"The right attitude and dress can make any woman feel

 beautiful. 

Cleopatra, Marie Antoinette, Josephine 

Bonaparte, all of them had such confidence in their style.

 They understood their power. Always lead, darling, never 

follow!".


Ok, eu não tenho a certeza se a citação é mesmo da Donatella ( já comentei que Versace, embora tenha coisas óptimas, está longe de ser a minha Casa de eleição) mas é-lhe atribuída na série que estou mortinha por ver, House of Versace.



 Além de eu ser suspeita, e do óbvio (o estilo inglês é imbatível, os franceses serão sempre os franceses, mas para acrescentar aquele ooomph e para um culto à beleza, nada como os italianos e a sua filosofia da bella figura) as dinastias de moda italianas têm aquele sentido de família, de clã, que me é tão caro, e o seu quê de mafioso  (não estou a brincar, lembram-se da viúva negra da Gucci?) que lhes dá imensa graça.

 Quanto à frase de Dontatella/Gina Gersham, não podia ser mais verdadeira.

Uma mulher de estilo conhece o seu poder. Está consciente do seu apelo. E sabe exactamente como o usar. 







Wednesday, June 12, 2013

Difamação, violência psicológica e coisas que já eram velhas na China do século XVII



"(...) às vezes bastam poucas palavras difamatórias para comprometer as boas relações entre duas pessoas que teriam todos os motivos para estar sempre de acordo. Pode tratar-se de um príncipe e do seu mais fiel ministro, ou um pai e um filho, ou um marido e uma esposa, ou um irmão ou uma irmã;  as coisas acontecem sempre da mesma forma. Uma insinuação maldosa de uma terceira pessoa pode trazer rapidamente o rompimento. Como poderia um fútil mexerico de alcova separar Hsi-Men da sua (...) esposa, mulher digna e acima de qualquer suspeita?"

 Lanling Xiaoxiao Sheng, Chin P´ing Mei (1610)

Gosto de romances de costumes. E este de que já vos falei, e que todo o mundo devia ler em vez das 50 Sombras de Não sei quem, está recheado de lições para bem viver (e de cenas para adultos, para quem aprecia). É acima de tudo um livro muitíssimo bem escrito, com personagens deliciosamente desenvolvidas (como a minha vilã preferida, a incompreendida Lótus de Ouro) e com reflexões que, como se pode facilmente comprovar, não passam de moda. Está claro que os mexericos, a difamação e a violência - inclusive a violência psicológica, que ao contrário dos mitos urbanos não é mais "fofinha" e "inofensiva" do que a física - sobre as mulheres têm hoje outro enquadramento. Nenhuma mulher, por mais firme que seja a sua personalidade, está livre de encontrar um Hsi-Men da vida ou coisa pior, que lhe transforme a existência num inferno, ou um apaixonado volúvel que acredite em tudo quanto o vento lhe traz, com consequências dramáticas. Mas os tempos são outros e os meios de defesa também, por muito que as coisas tristes não mudem com a paisagem, nem com o passar dos séculos.












Friday, April 12, 2013

Quando duas das minhas musas se juntam...

                                          Kate Moss at the amfAR Inspiration Gala in Sao Paulo, Brazil
...o resultado só pode ser inspirador. Cada uma no seu estilo próprio - e as duas lindas, de maneiras diferentes -   Dita Von Teese e Kate Moss conseguem um feito: estar sempre imaculadas. Assim se usa um vestido comprido para uma gala, sem cair em exageros nem em desleixos. Ou como dizia mademoiselle Chanel, vista-se mal e notarão o vestido. Vista-se bem e notarão a mulher. 

                                  Kate Moss at the amfAR Inspiration Gala in Sao Paulo, Brazil

Tuesday, March 26, 2013

Unworthy, ou do abrir os olhos

                                             
Glaber: Why? Ilithyia: Because you are not worthy of an heir. You are not worthy of me. Glaber: Have we drifted so far? From the love we once held? Ilithyia: It’s a speck upon distant shore. Too small to draw notice. Glaber: I will hold my child in my arms. And you will play part of dutiful mother and wife. Ilithyia: I will not. Glaber: You will do as your husband commands! Ilithyia: Then I pray Varinius gives them with softer voice! Glaber: Varinius? Ilithyia: My father dissolves our marriage in favor of more promising opportunity. I return with him to Rome at the close of the games. Glaber: You conspire against me? Ilithyia: We do what we must in face of growing disappointment. Glaber: I’ll have words with your father- Ilithyia: To what end? He allowed you my hand only because I begged with teary eye, wet with thoughts of love. They now stand dry. A desert deprived of rain. Glaber: Is there nothing left between us? Ilithyia: Memories, only. Yet, they too shall fade.
Glaber: Why? 
Ilithyia: Because (…) you are not worthy of me
Glaber: Have we drifted so far? From the love we once held? 
Ilithyia: It’s a speck upon distant shore. Too small to draw notice. 
Glaber: You conspire against me? 
Ilithyia: We do what we must in face of growing disappointment. 

Glaber: Is there nothing left between us? 
Ilithyia: Memories, only. Yet, they too shall fade. 


Ou como diria o nosso grande bardo Sérgio Godinho,

às tantas, aos poucos
 às tantas, aos poucos 
eu fui percebendo 
às tantas eu lá fui tacteando 
às cegas eu lá fui conseguindo 
às cegas eu lá fui abrindo os olhos.


Por vezes, por mais que se desenrole um novelo, o fio continua, e continua, e continua. Levando a pontas, áreas do labirinto e nós górdios que uma pessoa não imaginou nem nos seus sonhos mais febris. Ficção? Quem precisa dela? A realidade é bem mais complexa, e já não se sabe o que imita o quê, quem imita quem, nem quem foi o dramaturgo. All the world is a stage. Right.



Saturday, March 23, 2013

Saturday, March 16, 2013

Pensamento do dia: com muita dignidade...


"Se você agir sempre com dignidade, pode

não melhorar o mundo, mas uma coisa é

 certa: haverá na Terra um canalha a

 menos."

(autor não confirmado)

Ninguém é santo e nem sempre é possível agir com perfeição e nobreza férrea. Mas podemos fazer o mínimo para deslizar por aí de face limpa e com um certo estilo.  Evitar a pulhice, a pandilhice, o atrevimento, a malandrice, a cobardia, a graxa, o abjecto acto de se safar, de dar um jeitinho, como fazem os escroques, está ao alcance de todos, qualquer que seja o berço ou a educação que se recebeu. Ser um bom malandro é um privilégio de muito poucos e exige coisas como um espírito infantil, um grande coração, instinto de Robin dos Bosques, agilidade, encanto e quase sempre, um grande pedigree. Todos os outros são apenas malandros. Malandros que se desenrascam. Malandros que fazem pela vida. Não importa o preço dos vestidos ou dos fatos, o valor do relógio, o bonito carro, o porte treinado, o cargo prestigiante que se ocupa - muitas vezes, à custa das manobras mais sórdidas - o fundo turvo e grosseiro está lá, sempre disposto à vénia. C´est tout.

Wednesday, March 6, 2013

Pensamento do dia: amor e realpolitik

"Os partidários incondicionais  e dedicados, quando desiludidos, tornam-se os piores adversários: na política, como no amor, não se suporta ser decepcionado".

Edouard Balladour, in "Maquiavel em Democracia"

Tuesday, February 26, 2013

Em Roma sê romano, por mais triste que isso seja



É neste mundo que ele tem de actuar, e é com os homens deste mundo que ele tem de lidar e por isso, deve conhecê-los como eles são e procurar adaptar o seu comportamento ao comportamento dos outros.
 Esforçar-se por ser bom quando todos os outros são maus é procurar a própria ruína.

(O tio Nicolau tem sempre razão, ou de como ser boa pessoa neste mundo é muito complicado. Que eu sou tudo menos idealista mas considero a arte de viver no mundo, ter mundo e agir consoante o mundo sem se deixar contaminar por ele  uma das mais exigentes e extenuantes que existem...)

Monday, February 18, 2013

Pensamento do Dia: o verdadeiro poder feminino

                                      
Não podia concordar mais com esta frase de autor anónimo. Ou, pondo de parte a hipérbole, com George Bernard Shaw "clever and attractive women do not want to vote; they are willing to let men govern as long as they govern men". Não é que uma mulher não saiba liderar, combater, manobrar intrincados enredos políticos e tudo o resto tão bem como eles. Leonor de Aquitânia, Caterina Sforza, Iolanda D´Anjou, Elizabeth I, só para citar algumas das grandes mulheres que mais admiro, conseguiram-no admiravelmente. Mas cada uma à sua maneira - a it girl apaixonada e indomável, a virago crudelíssima, a regente sensata, a Rainha Virgem - fizeram-no sem perder um pingo da sua feminilidade e sedução (por muito que se dissesse o contrário). Muitas vezes, nem é preciso tanto esforço. Em última análise, uma mulher não precisa de se descabelar pela (suposta, relativa e de utilidade duvidosa) igualdade absoluta. Our power lies somewhere else. Muitas vezes nas trevas, no lado lunar, nos bastidores a mexer os verdadeiros peões, enquanto os guerreiros dão a cara. A noite, Lua, as cavernas e a água, sempre mutável, sempre adaptável e imprevisível, são os elementos femininos por excelência. Combater as sombras? Para quê, se podemos fazer uso delas?

Wednesday, August 1, 2012

Citação do dia: da inveja


Não há nada mais constrangedor - mas apesar de tudo, mais cómico- do que partilhar o mesmo espaço com um invejoso. O invejado senta-se serenamente, sem querer fazer alarde de si mesmo nem provocar o ressabiado. Mas este! Cada palavra que o outro diga é motivo para gargalhadas fora de contexto; contradiz o suposto rival  sem quê nem para quê; finge que o ignora, mas bebe cada palavra que diz. Se não o pode superar pelo prestígio, pela beleza ou pela forma de estar, procura fazer espavento da sua inteligência, olhar para o lado, interrompê-lo. Se não consegue levar a melhor sobre a influência do outro, ostenta as suas posses, puxa por todos os galões de que se lembra, prepara mentalmente argumentos para o apunhalar pelas costas. Mexe-se na cadeira como um esquilo histérico, esboça grandes gestos para que reparem nele. Em suma, faz uma verdadeira figura de urso, que a uma pessoa perspicaz não merece mais do que um erguer de sobrancelhas...
As mulheres são particularmente hábeis nestes números desesperados, mas os homens não escapam a figurinhas assim:

"Saruman não tardou a ter inveja de Gandalf, e essa rivalidade acabou por transformar-se em ódio, mais profundo ainda porque era oculto, e mais amargo porque sabia, no íntimo que o caminhante cinzento era quem tinha maior força exercia maior influência (...) apesar de esconder o seu poder e de não desejar medo nem reverência. Saruman não o reverenciava, mas começou a receá-lo (...) por isso, tratava Gandalf com menos respeito do que aos outros sábios, e estava sempre pronto para o contradizer ou apoucar as suas opiniões; secretamente, no entanto, anotava tudo quanto ele dizia (...) e imitava-o à socapa".

Tolkien, Contos Inacabados

Tuesday, January 10, 2012

Frase do dia

Oded Fehr
"Se vives em pecado e Deus não te castiga, mau sinal é"
 (Santo Agostinho) 

Ou em bom português, Deus tem um grande sentido de humor e guarda-as bem guardadas para atirar no momento certo, no segundo exacto, nem mais nem menos, como quem diz " não perdes pela demora".

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