Recomenda-se:

Netscope

Showing posts with label closet. Show all posts
Showing posts with label closet. Show all posts

Monday, October 19, 2015

Quando é que uma mulher tem sapatos a mais?


Ontem fizeram-me essa pergunta enquanto punha em ordem parte dos meus e respondi automaticamente: "quando não prestam". 

E é a pura verdade, pois além de  "quantos sapatos tem?" ser uma pergunta bastante atrevida para se fazer a uma rapariga e a que é difícil responder, o excesso - ou não - varia consoante o espaço disponível, as necessidades, gostos, hábitos, estilo de vida e orçamento de cada uma.
Assim, "quando não prestam" é o melhor critério. Já se sabe que há vários tipos de sapatos na vida de uma mulher, aqueles que é sensato ter sempre à mão ou comprar com mais frequência, os que permitem caminhar sem estragar bons momentos e os que são à prova de erro quando se trata de favorecer a figura. O que não nos faz felizes não deve ter lugar, nem os sapatos que cronicamente magoam. Tal como as pessoas que só causam aborrecimentos por muito elegantes que sejam, devem sair de cena para não voltar, ainda que isso cause uma certa pena...


Os sapatos ai -Jesus que já estão para além de toda a reparação, por muito bons amigos que tenham sido, também merecem reforma. E de resto, tudo o que tenha sido um mau investimento: os pares muito datados ou que sejam - e pareçam - de fraca qualidade, pois uma Senhora também se conhece pelo calçado, os sapatos dizem muito de quem os calça e se um vestido modesto passa, sapatos com mau ar arruinam imediatamente um visual.

Logo ao calçado - como a tantas áreas da vida -  pode aplicar-se esta máxima infantil, mas eficaz: não presta. E se não presta e está a ocupar um espaço que faz falta para tantas outras coisas, guardar para quê?

Wednesday, July 22, 2015

Aquelas peças "que não têm jeito nenhum"...mas para nós têm, oras.


por aqui se falou várias vezes naquelas peças que não resistimos a comprar cada vez que aparecem à venda... porque nos ficam bem, são úteis, combinam com o resto do "enxoval" e nem sempre estão disponíveis nas lojas. Isto é muito saudável, desde que se saiba lidar estrategicamente com a táctica.

Mas dentro dessas, há uma categoria ainda mais especial de corrida: AQUELE vestido preto (de todos os vestidos pretos que temos) AQUELES sapatos (entre uma data de pares com o mesmo modelo) AQUELE casaco...percebem a ideia. Já nos acompanharam em milhares de situações sem desiludir e continuam bons como novos, que até parece bruxedo. Assentam sempre na perfeição e nunca causam desconforto.

Temos umas quantas coisas do mesmo género, mas em caso de emergência, viagem, perante uma situação em que precisamos de nos sentir seguras e confiantes, ou face ao dilema "o que é que eu levo?"...zás, lá vamos nós buscar o ai-Jesus. O mais disparatado é que entretanto até se compraram outras versões do mesmo, em alguns casos mais luxuosas e mais caras...mas não é bem a mesma coisa.

Cá em casa até arranjámos um petit nom parvo para essas peças sem nada de especial, mas indispensáveis: o "kido" (querido) casaquinho, as "kidas" sandalinhas, a "kida" carteirinha...percebem a ideia. "Oh não, lá vai ela outra vez com as kidas calcinhas"; "alguém viu os meus kidos botinzinhos?", "por favor, há que dar algum descanso ao kido vestidinho"...etc.

Isto acontece, creio, mesmo a quem não costuma repetir toilettes. Embora eu tenha um ou dois "uniformes" ou silhuetas de eleição, raramente os componho exactamente com as mesmas peças. 



 E no entanto, lá anda o kido vestidinho (um sheath dress preto que a Zara fez duas estações e não repetiu; juro que um dia mando fazer uns dez iguais, em várias cores e tecidos, porque se se estraga vou ficar muito infeliz!) as kidas botinhas matadoras (Casadei, para os dias em que é preciso sacar das big guns) as kidas calcinhas (uma edição especial da Mango estilo amazona que me assentam como nenhumas outras num tecido fabuloso, logo a Mango que nem costuma ser grande coisa em calças!) a kida clutchzinha (uma chain bag Pierre Cardin, vintage); os kidos botinzinhos e os kidos slingbackzinhos (Zara, os dois) a kida saiazinha de Verão (uma Dolce & Gabbana em sarja azul escura). 

Houve ainda um top que até ganhou nome próprio: a camisola maravilhástica. Eu e a minha prima comprámos uma cada, na Bershka. A dela lá se estragou, a minha ainda ali anda mais para memória futura do que outra coisa, mas que ficava fabulosa, isso ficava. Era um simples top preto de manga a 3/4 com um decote em V de ombro a ombro. 

E não esqueçamos uma túnica preta dos anos 70 que a mãe usou, eu usei...um dia não demos com ela. A avó, farta de tal velharia e depois de muito ameaçar, cheia de razão, atirou-a para a lareira. Calou-se bem caladinha e deixou-nos andar à procura dela  para cima e para baixo. Só mais tarde soubemos o destino da valente veterana, de quem nem nos pudemos despedir... 

E o mais sem jeito nenhum: no meio de um número disparatado de camisas de várias cores e feitios (pois acho que nenhum top substitui uma camisa; uso-as de mil maneiras diferentes e só me livro delas se encolherem ou mancharem) há duas ou três da mesma loja, sem marca conhecida, branco sujo, de um algodão acetinado normalíssimo e com leves riscas, com manga a 3/4...que me dão com quase tudo. Anónimas mas altaneiras e sempre impecáveis, não mancham, não borbotam, não encolhem, não enrugam, fazem sempre boa cara e combinam com todos os coordenados em que precise de uma camisa por dentro ou atada à cintura. Tenho-as há tanto tempo que não sei de onde vieram e sobreviveram a todas as triagens camiseiras...vá-se entender!

 Não há nada de mal nisto, pois lá diz o ditado:



Só é preciso sensatez para reconhecer quando realmente uma peça já está tão fanada que não cumpre mais a sua função. Nessa altura há que substitui-la por uma nova versão (ou mais), deitar fora a original e recordá-la como ela. O mais certo é ter sido tão retratada em diferentes momentos que jamais será esquecida. Ando a tentar convencer uma amiga a dar a paz eterna a dois pares iguais de kidas sandalinhas que - apesar de ela ter comprado uma dezena de sandálias parecidas e melhores entretanto, e de o sapateiro ter dito que nem pensar, não se mete a arranjar tal coisa outra vez, não vale a pena - ela não consegue deitar fora. Freud que explique?

Tuesday, July 14, 2015

Decreto- Lei do Farrapo

Para dar maior seriedade a isto, temos aqui a fashionista e mulher de leis Amal Clooney.

Uma vez que aqui o blog se chama Imperatriz Sissi e já tem uns anitos, quase dá para tratá-lo como uma mini organização com regras próprias. Um reino, um país, um império, precisam de leis - mesmo que se trate uma pequena nação virtual. Nunca elaborei os estatutos do Imperatrix, mas com tantos posts que andam para aqui, bem podia.

Ora, ao escrever o último texto sobre organização e arrumação, ocorreu-me criar o primeiro Decreto -Lei cá do sítio. Se calhar não fica bem feito porque Direito não é a minha especialidade, mas é o que temos (then again, tenho conhecido tantas advogadas com um parafuso solto, sem ofensa a todas as outras, que mais vale assim). Este primeiro Decreto -Lei, como outros que se seguirão, é útil cá para os meus botões, mas creio que poderá dar jeito em vossas casas também...



Decreto - Lei nº 1/2015, de 14 de Julho

Ministério do guarda roupa

O Decreto - Lei nº 1/2015, de 14 de Julho, que estabelece o regime aplicável à tralha inútil que qualquer apreciadora de moda acaba por acumular, visa criar normas para agilizar a limpeza e organização dos armários das leitoras e amigas do Imperatrix. Assim, considerando que a responsabilidade originária pela confusão é da falta de atenção das consumidoras, prevê-se que estas zelem sartorialmente pelo cumprimento do disposto neste diploma.

Artigo 1º

Objecto

O presente diploma procede à alteração do estado confuso dos armários, seja no quesito de roupas, sapatos, acessórios ou outras bugigangas.

Artigo 2º

Responsabilidade das proprietárias

De modo a cumprir-se o estabelecido no artigo anterior, é necessário que cada proprietária se responsabilize pelo conteúdo do seu closet, independentemente do seu tamanho ou condições mais ou menos ideais de arrumação, sem deitar a culpa aos saldos que estavam tão baratinhos, ao facto de ter engordado ou emagrecido, à ilusão "um dia ainda vou vestir isto", à falta de gavetas, cabides, varões ou a qualquer outro pretexto.

Artigo 3º

Cabe à pessoa responsável - eventualmente com a ajuda de um stylist ou outra entidade habilitada para o efeito - discernir, sem demora e de forma esclarecida, aquilo que utiliza e não utiliza, favorece e desfavorece, foi ou não um bom investimento, precisa de arranjo ou não tem utilidade, logo deve ser encaminhado para quem lhe possa dar uso.

Artigo 4º 

Norma complementar

Para efeitos do disposto no artigos 2º e 3º, a proprietária deve experimentar, uma por uma e sem se escusar com a preguiça ou a falta de tempo, rigorosamente todas as peças antes de tomar uma decisão, de modo a evitar guardar peças bonitas que afinal não cabem, estão grandes ou precisam de ajustes, limitando assim o número de artigos em pousio no armário. Esta norma aplica-se com maior rigor a tops, jeans, calças, saias, vestidos e calçado. Os acessórios deverão ser sujeitos a um exame rigoroso para determinar a sua qualidade, intemporalidade, utilidade e estado de conservação.

Artigo 5º 

Contraordenações e coimas

Constitui uma contraordenação grave qualquer falta ou atropelo aos passos anteriores,  com a aplicação de coimas que vão de ter o quarto constantemente desarrumado a não saber o que vestir pela manhã apesar de o armário rebentar pelas costuras, passando por não saber quantos tops pretos tem e sair à rua mal enjorcada porque não encontrava umas calças capazes ou com uns sapatos que afinal torturam os pés, etc.

Entrada em vigor e disposições finais

 1- O presente diploma anti farrapos entra em vigor imediatamente após a sua publicação.
 2 - É fortemente desaconselhado comprar mais coisas até ter cumprido o disposto nos artigos anteriores.

Ministério do Guarda- Roupa, 14 de Julho de 2015



Friday, June 26, 2015

Os "ai Jesus" do armário - boa ou má ideia?





Ontem li um artigo (que, confesso a minha frustração, não encontro para colocar aqui o link) sobre os básicos que algumas celebridades não dispensam - aquelas peças que compram repetidamente. Jessica Alba, por exemplo, não resiste a botins e arranja sempre uma desculpa para trazer mais uns, porque lhes dá imenso uso. 

E acho que todas as mulheres sofrem um pouco desse complexo: há sempre um determinado artigo - ou mais -  que procuramos sem querer quando entramos numa loja (mesmo que lá vamos para comprar outra coisa) e que está invariavelmente na lista das nossas prioridades.

Tenho amigas que coleccionam casacos de couro (pessoalmente, os que tenho bastam-me a não ser que apareça um achado espectacular). Outras, sapatos - gostam tanto que os trazem nem que não lhes sirvam (uma vez ouvi uma senhora dizer "não os calço, mas adoro olhar para eles"; acho isso um desperdício , mas cada uma sabe de si). E há quem se perca por carteiras, lenços, jóias...

 Pessoalmente, consigo citar os meus ai -Jesus de olhos fechados, mas são quase todos básicos: saias lápis e calças cigarrette. Skinny jeans (de preferência vintage) azuis escuros ou pretos. Sheath dresses. Gabardinas boas. Sobretudos de qualidade. Tops brancos, pretos e com breton stripes. Camisolas de caxemira. Pumps ou scarpins em preto e nude. Botas compridas de pele preta. Camisas brancas de todos os feitios.

Há mais, mas estes são o top dos tops e caem no tipo de peças que costumo recomendar "compre quando há e pode, não quando precisa". Afinal, nunca estão à venda quando necessitamos mesmo deles. Um exemplar a mais dá sempre jeito. Há sempre algum que está para lavar, para passar, para arranjar. São o "esqueleto" do guarda roupa, a partir do qual se desenvolvem os coordenados de todos os dias. Sabemos que funcionam quando temos pressa.

 Mas como garantir que este hábito trabalha a nosso favor e não se torna um vício de estilo, que consome espaço e recursos? Principalmente agora,  com os saldos à porta e as tentações a luzir para as consumidoras!

1- Certificando-nos de que estamos a comprar essas peças porque nos ficam realmente bem, e não por medo de vestir outra coisa. Há muitas senhoras que acumulam túnicas, por exemplo, porque acham que "disfarçam a barriga" sem pensar que há alternativas e por vezes, sem olhar à qualidade das mesmas. Na dúvida, informar-se ou consultar um stylist capaz.

2- Assegurando que estamos a comprar versões boas das peças que apreciamos; um vestido de um tecido fraco nunca cai decentemente, nem que tenha o formato certo; mais vale comprar dois razoáveis do que ter uma data deles que não resultam como devem; nem sempre se acerta à primeira e descobrir as lojas especializadas nos nossos básicos pode levar o seu tempo!

3- Há que garantir que (sempre que possível) TODAS as peças estão lavadas, passadas, operacionais (botões, bainhas...) e prontas a utilizar porque senão, não servem para nada.

4 - De tempos a tempos, dar uma olhadela às dezenas de t-shirts, calças, etc...do mesmo modelo que tem em casa, para ficar com uma noção daquilo que não precisa de comprar, do que já viu melhores dias, do que precisa de intervenção ou do que foi uma má aquisição (e.g: aqueles skinny jeans de ganga desconfortável que evita sempre vestir, os botins que eram do modelo certo mas são instáveis, etc).

5 - Fazer o esforço de, dentro do estilo que aprecia, introduzir uma variante às peças preferidas com algo fresco e diferente: ex., se já tem várias saias lápis pretas que servem na perfeição, talvez deva investir numa de pele, ou numa saia com alguma roda para variar.

  Agindo assim, estará a fazer investimentos inteligentes, que são úteis a longo prazo, e não a "comprar por comprar" com o inevitável sentimento de culpa, vulgo "ai, outros sapatos iguais!", evitando também julgamentos "o quê, outro vestido preto?" lá em casa, etc, etc, etc...


Friday, June 19, 2015

Auditoria do roupeiro: 7 técnicas avançadas


Provavelmente tem feito as limpezas periódicas ao guarda roupa de acordo com as mais eficazes regras de organização; já se livrou de tudo o que pudesse remotamente dar qualquer "ar de principiante" ao seu visual e tenta manter por perto apenas o que acrescenta alegria à sua vida.

 Porém, há sempre aquelas peças de que até gostamos, que têm piada por qualquer razão e que embora não sejam usadas, continuam a ocupar espaço precioso e a complicar o dia-a-dia. Está então na hora de usar tácticas avançadas de auditoria para avaliar se esses "monozinhos" que causam dúvidas estão ou não de acordo com os seus planos de closet impecável.

Vejamos então:

1- Roupas maçadoras que precisam de 1001 truques para assentar




Embora algumas dicas de styling permitam "dar a volta" a certas peças, o processo de vestir deve sempre ser simples: se um vestido não pode ser usado sem um spanx/cinta/saiote, mais uma pregadeira para garantir que os botões não se abrem e AINDA um cinto....mais vale mandar arranjá-lo de vez. Caso ache que a qualidade não compensa a ida à costureira, ponha-o no caixote das doações ou reciclagem.

2- Formatos que não funcionam em si



Uma compradora sensata sabe que deve ser implacável e cingir-se à variedade de modelos que mais favorecem a sua silhueta. No entanto, há sempre um artigo que escapou - porque foi uma pechincha de uma marca excelente, porque o tecido era lindo...mas depois sente-se sempre menos confiante quando pensa em vestir essas coisas.

Nestes casos, só tem três opções: , se dispõe de algum espaço extra, arranjar maneira de as fazer funcionar (ex: reservar "aquele" vestido curto e largo para usar SÓ com meias pretas e botas compridas que tapem tudo, etc) .
, mandar adaptar ( jeans boot cut sem graça dão uns belos relaxed skinnies; um vestido largueirão de belo tecido antigo pode facilmente tornar-se num sheath dress numa boa modista) , oferecer a quem tenha um tipo de corpo adequado a essa peça. Um top muito fechado pode "engordar" uma rapariga que tenha um busto maior mas ficar fantástico na sua prima que é mais esbelta de tronco, embora as duas vistam o mesmo tamanho. Ela ganha um top, a menina ganha espaço, everybody´s happy.



3 - Comprimentos que não a favorecem



Para cada mulher há a medida certa de calças, mangas e saia/vestido (em todos os comprimentos: a midi de uma pode ser sobre o joelho e a de outra bastante mais abaixo, e assim por diante).  Uma vez descobertas as proporções ideais para si, resta-lhe não ter no armário nada que fuja a isso. O que estiver curto ou comprido mande adaptar, já que subir ou descer bainhas é uma alteração que sai barata (e se não sobrar tecido, pode sempre aumentar o comprimento de uma saia cosendo uma barra de outro que combine, renda ou bordado inglês) .


4 - Tecidos fraquinhos

Já aqui se falou  sobre isto e nesse quesito não há muito a fazer. Os tecidos naturais são sempre preferíveis, embora também haja diferentes graus de qualidade nas fibras sintéticas - por vezes, até marcas melhores optam ocasionalmente por alguns materiais desses simplesmente porque têm o comportamento certo para aquilo que se pretende. Se uma peça tem um tom/feitio/padrão bonito mas o tecido não cai como deve, se fica colado à pele ou não a deixa respirar, se é desconfortável/áspero/molengão/gelado no Inverno/abafado no Verão, se pica (isto pode acontecer com algumas lãs, atenção) se não fica no lugar, amarrota, ganha pêlo, borboto ou deforma...já sabe, liberte-se disso sem dó porque nunca vai ter remédio.

5 - Tecidos, padrões e cores que não resultam


Outro critério a ter em conta nos tecidos é a forma como funcionam no seu corpo (ou não). Os vestidos de jersey, por exemplo, ficam fantásticos em quem tem menos cintura e ancas esguias, mas não favorecem tanto mulheres cintadas e curvilíneas. Se não conseguir remediar o problema acrescentando um forro, considere desfazer-se. Depois há cores que simplesmente dão má cara
 ( principalmente se usadas perto do rosto) estampas inadequadas...
Se algo não a faz sentir bem, por algum motivo é.


6- Decotes estranhos


Já se sabe que um decote pode fazer ou arruinar uma toilette. Os que forem muito abertos ou fechados são fáceis de modificar (abrindo-os , ou, pelo contrário, acrescentando um corte de cetim ou renda no lugar certo) se um top ou vestido valer a pena. Porém, há outros - o corte império, por exemplo - que são mais complicados. Se uma peça é bonita mas não tem espaço para acomodar tudo (por exemplo, um decote que achata o peito com um soutien normal e o destapa completamente se usar um almofadado) passe-a adiante.

7 - Camisas, vestidos, t-shirts e tops que encolheram inexplicavelmente "aquele bocadinho"
Sabe, os que se compraram no tamanho exacto mas perderam uns centímetros chave na máquina de lavar. É por uma unha negra, mas já não estão confortáveis: o vestido sobe, a cintura não fica onde deve e aperta o peito; a t-shirt comprime desconfortavelmente sob os braços; a camisa não fecha bem...
 Não vale a pena conservar tais coisas porque mesmo que emagreça não pode alterar a sua estrutura óssea...e se uma peça encolheu, muito dificilmente voltará a assentar nos mesmos sítios. 


Monday, June 8, 2015

Zen ou senso comum?


Quando um problema é posto à luz do dia, a solução tem por força de aparecer; e não é possível guardar um rio dentro de um aquário, por muito grande que ele seja, por mais boa vontade que haja.

Ocorreu-me isto a propósito de libertar espaço para arrumações, mas acho que se aplica a tudo. Na vida, como nos armários, nunca há condições ideais. Dava sempre jeito ter mais meios, mais tempo, dados mais completos, mais certezas, mais segurança, mais margem de manobra - mas só tirando a tralha (ou os factos) para fora das estantes, sem dó, piedade nem medo, é possível ver tudo com olhos de ver, enfrentar o touro e equacionar uma solução. Quem procura, acha. Ou como dizia Picasso "eu não procuro; encontro".

Depois, por pouco que apeteça, por difícil e trabalhoso que seja, é preciso aligeirar a bagagem, deitar coisas fora, livrar-se do que já não serve. Porque se guardarmos tudo - sejam jeans que não assentam ou estão fora de moda mas um dia pode ser que sim, livros que nunca lemos mas podem vir a dar jeito para consulta, engenhocas que pareciam boa ideia mas nunca usámos, bugigangas que nos ofereceram e não servem para nada ou emoções fora de prazo (receios, cicatrizes, ligações negativas, compromissos tóxicos) - nunca vai haver espaço suficiente para circular e para arrumar devidamente as coisas de sempre que nos fazem bem e as coisas novas que vamos trazendo para casa. 

Nada de zen aqui, mas o sossego que garante não está à venda em lado nenhum...


Friday, May 1, 2015

A melhor dica para saber o que deitar fora ou não (segundo uma especialista)


A japonesa Marie Kondo é uma "organizadora de casas profissional" tão capaz que vendeu mais de dois milhões de livros e foi considerada pela Revista Time uma das personalidades mais influentes este ano. Nunca subestimemos o poder da organização na era do consumo fácil! 

 Pelo que já li sobre ela, concordo com muitas das suas ideias para aquisições conscientes e um guarda roupa (ou um espaço de forma geral) mais ordenado: ao arrumar, começar sem medos, porque quanto mais cedo melhor, sem se acobardar com o tempo que vai demorar; encarar sem receios toda a "tralha" que se juntou em casa (ou como eu costumo dizer, tudo para fora das estantes, gavetas e cabides até não restar pedra sobre pedra!);  ter uma consciência exacta do que queremos antes de fazer qualquer compra; saber exactamente qual vai ser a utilidade do produto na nossa vida em vez de comprar só porque "tem piada"; não trazer para casa nada que não sintamos uma necessidade ou vontade  IMPERIOSA de ter...

Porém, há uma máxima desta guru da arrumação que eu considero absolutamente genial ...e fácil de aplicar, tanto na hora de ponderar compras como ao limpar a casa. É pegar nos objectos e pensar: "isto transmite-me alegria?"




Já temos falado nisto por aqui, aliás, e aplica-se particularmente a roupas e sapatos. 

 Ou por remorso ("dei não sei quanto dinheiro por isto e nunca vesti") ou por culpa ("é horrível, mas foi a minha avozinha que me ofereceu") tendemos a agarrar-nos a objectos que não nos fazem felizes. Segundo Marie Kondo, e eu subscrevo, o nosso espaço pessoal só devia ter coisas que transmitissem alegria: o vestido que temos sempre vontade de usar, o livro raro que adoramos reler, a antiguidade que andámos anos para encontrar, os sapatos que estamos mortinhas por levar à rua.



Não o vestido que se usou naquele jantar "romântico" que afinal só trouxe aborrecimentos, a bugiganga oferecida pelo ex-que-veio-do-inferno nem as sandálias que se usaram para lhe dar o merecido pontapé de saída; ou o casaco que se costumava levar para o antigo escritório, de que até não se gosta assim muito e que agora causa um certo constrangimento interior porque remete para aquele emprego para esquecer onde se foi super infeliz. Tudo o que canse a alma, tudo o que seja vagamente deprimente ou sem graça, deve ser deitado fora ou - se estiver em boas condições- ser encaminhado para outro destino. Talvez faça alguém feliz!

 Conserve-se apenas o que provoca entusiasmo, que enche os olhos, que acrescenta beleza, que evoca boas recordações ou achamos que "deu sorte"  (se não for um item velho, estragado e cansativo de ver, que começa a causar um certo "incómodo" cá por dentro).

Menos é mais - no mínimo, mais espaço para circular, mais repouso para os olhos, mais arrumação, mais harmonia, mais facilidade para encontrar o que é preciso sem perder tempo, mais consciência daquilo que é importante, mais área livre para preencher com as coisas (físicas ou intangíveis) que realmente têm significado. Fácil, não?

Monday, April 20, 2015

Limpeza de closet: 4 maus investimentos que devem sair da sua vida



Ao fazer as necessárias - e periódicas - limpezas de guarda roupa (como já falámos, duas por ano raramente bastam, principalmente a quem vai comprando regularmente, algo cada vez mais normal no reinado da fast fashion) há sempre reflexões interessantes.

Nada põe tanto em perspectiva os próprios hábitos de consumo - ou os alheios, se estivermos a ajudar outra pessoa a organizar-se-  como ver TODO o acervo fora do armário (e uma divisão em modo Revolução Francesa). 

 Como a Primavera já chegou e é suposto toda a gente deitar mãos à obra a bem do visual e da bolsa, há que ser implacável com o que já não tem lugar na sua vida.

 Aqui fica um pequeno perfil dos "empata armários" que podem andar a complicar a sua existência, para os identificar mais facilmente:


Livre-se:

1- Dos extremos. Sabemos que a moda é cíclica, mas raramente uma tendência regressa exactamente como se usou há X anos atrás porque a experiência ensina alguma coisa, tanto aos criadores como aos consumidores. Nos últimos anos, os casacos com ombreiras voltaram a ver-se, mas sem os exageros dos anos 80. Neste momento as cinturas descaídas estão a querer regressar (não em substituição mas como alternativa aos modelos subidos)- porém, dificilmente voltarão os desconfortáveis jeans estilo Britney Spears, que faziam meio mundo mostrar a roupa interior. Se uma peça for extravagante, quase caricatural, mas de boa qualidade ou vintage, veja se a pode modificar na costureira; caso contrário, liberte-se dela, fazendo voto de não gastar muito neste tipo de artigos a partir de agora.

2- De tudo o que pareça demasiado "adolescente". O ditado nunca voltes ao lugar onde já foste feliz devia ser uma máxima de estilo depois dos 25 anos. As calças com demasiados feitios ou aplicações, os " pequeninos tops de sair" (veja aqui uma solução para reciclar os que tem mesmo pena de mandar embora), os vestidinhos curtos, divertidos e descaradamente low cost...envelhecem o visual, fazem-no parecer mais "barato" e ocupam muito espaço. Está na altura de substituir tudo isso por peças que embora possam ser parecidas, tenham melhor qualidade e um ar mais sólido e sofisticado. Convide as suas primas teenager ou filhas de amigas para herdar o que lhe deixa boas recordações e/ou doe à Paróquia, ONG...

3- Das "experiências de laboratório": padrões, cortes e texturas que até se usaram, mas tiveram o seu momento e agora parecem datadas. As túnicas e tops-túnica demasiado longos de há 5/6 anos atrás (não se voltarão a usar tão compridos), os saltos exagerados, hiper compensados e super coloridos (actualmente vê-se um pouco de tudo, mas com um "ar" mais moderado do que há uns anos atrás) etc.

4- Das carteiras, cintos e sapatos de menor qualidade: a experiência ensina que é preferível ter menos peças, mas poder confiar nelas de olhos fechados. O bom calçado/boa marroquinaria dá sempre o "polimento" certo a um look, e vice-versa. Embora haja sapatos razoáveis em algumas lojas de fast fashion (e.g: Zara) é sempre bom fazer as contas: com o que investe em seis pares a preço de colecção, podia comprar um só, de uma marca fiável, que a a vai acompanhar muitos e bons anos. Já outras lojas, como a Mango, são óptimas a fazer calças clássicas e vestidos mas raramente acertam no calçado. 
  Livre-se daquilo que não adora e vá pensando num upgrade.

Boa limpeza!




Wednesday, February 4, 2015

Alívio de consciência: o guarda roupa de Lucrécia Bórgia


Da próxima vez que o vosso irmão, pai, marido ou amigas disserem que vocês têm sapatos/roupa/acessórios a mais, pensem com os vossos botões que isso não é novidade nenhuma; vocês, queridas amigas, estão apenas a seguir a ordem natural da vaidade feminina desde que o mundo é mundo.

E se vos pedirem exemplos, lembrem-se do enxoval da lendária Lucrécia Bórgia quando casou (1502) com o seu último marido, Afonso d´Este, filho do Duque de Ferrara. Naquele tempo não havia "princesas" vestidas na Mango como agora, era tudo a rigor, e a jovem duquesa de 22 anos (divorciada do primeiro marido e viúva do segundo) entrou triunfalmente na cidade com uma bagagem tão impressionante como a sua entourage.


Entre outras peças (e sem considerar uma fortuna em jóias, tecidos luxuosos e peles) o guarda roupa de Lucrécia contava 200 camisas, "algumas delas no valor de 100 ducados", 84 vestidos, 20 mantos/casacos, 22 toucados, 13 cintos, 33 chinelas, 55 pares de sapatos e não sei quantos pares de mangas amovíveis (a ideia de "vestido" completo, conforme o conhecemos, é relativamente recente; em várias épocas era hábito trocarem-se as mangas, golas, debruados, saiotes ou até corpetes dos vestidos, conseguindo vários looks diferentes; um hábito que se mantém ainda hoje, aliás, na reciclagem de trajes de época para produções históricas de TV e cinema) .

Os números da roupa de Lucrécia não serão tão impressionantes se os compararmos superficialmente com - não vamos mais longe - alguns armários que nós bem conhecemos (cof cof), sem contar com o guarda roupa de it girls, profissionais de moda ou celebridades e se tivermos em conta que hoje as nossas necessidades são diferentes: temos vários tipos de casacos e usamos calças e botas, por exemplo.

Mas se considerarmos que primeiro, este era apenas o enxoval que Lucrécia levou para a sua nova casa (não imagino o que terá deixado em Roma) e que na época era tudo feito à mão, sem qualquer tipo de produção em série - algo de que mesmo quem veste exclusivamente roupa griffèe não se pode gabar hoje,  a não ser que se cinja à haute couture -  a beldade tratava-se realmente bem. 


O sogro (que era um homem bastante austero) se ficou surpreendido ou desagradado, não o demonstrou. Deu apenas ordens para que o cortejo com os baús fosse devidamente acomodado.

 No entanto, com o passar dos anos Lucrécia acostumou-se à vida simples em Ferrara, deixando para trás muitos excessos do passado. Entregou-se ao seu papel de Duquesa e às numerosas obras de caridade; o povo adorava-a. Nunca li registos de como se vestia nessa (última) fase da  vida, mas acredito que tenha atingido a sua maturidade de estilo, trajando de modo menos ostensivo, provavelmente reciclando boa parte dos tecidos que trouxera consigo inicialmente...o que só a deve ter tornado ainda mais elegante.

Ter muito e de boa qualidade é óptimo, desde que se faça bom uso disso e se evite o exagero...




Saturday, December 20, 2014

Closet organizado em 3 passos


Por aqui já se falou muito em gestão de guarda roupa e respectivos truques, mas como o tempo arrefeceu bastante nos últimos dias - e precisei de deixar mais à mão os agasalhos maiores - lembrei-me que todo o processo se pode resumir a três passos simples - quase uma linha de montagem!

 Isto aplica-se tanto a quem faz uma organização periódica/sazonal do armário (ou armários/quarto de vestir, para as fashionistas menos espartanas) como a quem decidiu tratar do assunto a sério pela primeira vez. Afinal, nada como entrar no novo ano com tudo em ordem.

Dedicar uns dias à tarefa  é trabalhoso, mas poucas coisas facilitam tanto o quotidiano...


1 - Limpeza e triagem

É impossível arrumar sem perfeita consciência de tudo o que se tem em casa. Por muito assustador que pareça, é preciso esvaziar estantes, gavetas e varões. Depois há que separar por peças (vestidos, camisolas, saias, sapatos) e dentro disso, escolher o que gosta e não gosta, o que nunca usou mas quer usar ou aquilo que (seja franca consigo mesma) nunca há-de vestir na vida, e o que está em condições ou não. 

Outro critério importante para definir o que vai ou fica é a qualidade (composição, marca) e utilidade das peças. Separe dois montes: um para o que quer guardar,  outro para aquilo que precisa de levar outro rumo (doado a instituições, oferecido a amigas, encaminhado para lojas vintage/2ª mão ou posto nos contentores apropriados, porque muitas ONGs angariam fundos vendendo roupa e sapatos para reciclagem).

 Por fim, a parte pior - experimentar (sem batota!) TUDO aquilo que decidiu manter, para saber o que pode pôr em circulação imediatamente e o que precisa de arranjo, ajuste ou reforma. Não pendure nada que não esteja pronto a usar ou não assente na perfeição. Se um vestido ou calças ficaram demasiado pequenos mas espera emagrecer, arranje uma caixa para as suas "roupas de magra" e guarde-a na arrecadação, nunca no closet.

2 - Arranjos e aquisições



Leve à costureira, à lavandaria e ao sapateiro tudo que precise de coser botões, subir ou descer bainhas, consertar alças ou fechos, apertar, alargar ou transformar- incluindo o que comprou há séculos nos saldos mas ainda tem a etiqueta porque era M e você veste o S. Pequenas alterações fazem uma diferença enorme e por vezes, não se justifica comprar novo porque já tem em casa peças de melhor qualidade, que devidamente modificadas satisfazem a mesma necessidade.
 Esta também é a fase de comprar de adquirir  itens mais trendy para actualizar o seu enxoval e algumas peças que estejam a faltar ou que precise de substituir, nomeadamente básicos . Como um guarda roupa completo é sempre um work in progress e raramente se encontra nas lojas tudo o que queremos de uma vez, é uma boa ideia fazer uma lista de compras e pendurá-la no interior do armário. Assim vai ter presente o que é mais importante comprar quando dá uma volta pelo centro comercial, em vez de perder a cabeça com algo que não será tão útil.


3 - Distribuição



Separar roupa, calçado e acessórios de sair/formais das coisas de todos os dias; distribuir as calças por tipo (skinny, flare, chino, cigarrette) e por tecido (denim, fazenda, etc) e por fim, deixar à vista a roupa de Inverno ou versátil, que dá para vestir todo o ano (como os vestidos de manga comprida em algodão espesso) e guardar à parte aquilo que só serve mesmo para o tempo quente.
 Também poderá montar coordenados de sair ou para os dias de pressa e deixá-los pendurados, prontos a vestir.
Não se esqueça de pôr à mão (e à vista) todas as peças que jurou usar mas nunca levou à rua. Faça com o seu armário o que faz com o frigorífico e a despensa: o que foi comprado há mais tempo deve ser arrumado à frente, para não ser esquecido.



Monday, August 18, 2014

Domine o seu guarda roupa com 3 mandamentos simples, segundo a Elle americana

Grace Kelly
"(...) buy less stuff, but of a higher quality; (...) shop less often, but in larger batches; and (...) be sure that each purchase plays a necessary role." 

Embora algumas revistas de moda abandonem cada vez mais os artigos "a sério"  - ou seja, as peças de bons jornalistas ou escritores que me fizeram ganhar o hábito de ler estas publicações e que tanto me fascinavam nelas desde muito nova (seja interpretando tendências a fundo, resumindo e explicando as novidades, recordando ícones ou dando uma interpretação pessoal sobre determinadas experiências de estilo) - ainda aparecem textos com pés, cabeça e conteúdo que merecem atenção.

 A Elle é uma das poucas que, mau grado algumas cedências bem escusadas, nos presenteia com crónicas e reportagens à antiga, mantendo uma certa qualidade que a tornou na minha favorita durante os primeiros anos. E a edição americana não desilude.

Neste artigo da poetisa e ensaísta Meghan O´Rourke sobre limpeza do closet (para o adaptar não só a uma nova fase da vida, mas ao verdadeiro "eu" de cada uma) são resumidos, numa frase apenas, os três pilares a ter sempre presentes para construir o "enxoval" perfeito:

1- Comprar menos, mas de melhor qualidade;

2- Comprar com menos frequência, mas em lotes maiores;

3- Assegurar-se de que cada nova peça desempenhará um papel útil/necessário.

Estes passos  já têm sido apontados aqui no IS, mas para que se vejam resultados na prática convém memorizá-los e tê-los em mente a cada ida às compras.



Marilyn Monroe

 Peças de melhor qualidade não só ficam na memória porque representaram investimento (logo, não corre o risco de as deixar abandonadas pelos cantos) como duram mais, têm um ar composto e não enrugam nem se enchem de fios soltos,  pêlos, borboto e partículas sem que se saiba como. Assim minimiza-se o efeito "um armário cheio de porcarias e nada para vestir".

- Se de cada vez que compra trouxer em quantidade as peças que lhe fazem mais falta (seja calças pretas simples, t-shirts básicas, bons vestidos ou lingerie adequada) vai evitar correrias de última hora e compras por impulso, além de ter sempre em casa o que lhe é necessário e não passa de moda.

- Tudo o que se compra deve funcionar/combinar com o que já existe em casa e /ou ter um propósito. Uma bela gabardina abaixo do joelho resulta bem sobre quase tudo; uns sapatos coloridos servem para ocasiões especiais ou para animar toilettes excessivamente sóbrias, desde que tenham um modelo discreto;  uma saia estampada preta e branca é mais útil do que uma de padrão extravagante, pois servirá para usar com as suas camisas brancas clássicas, t-shirts pretas estilo bailarina, blusas pretas, camisolas de malha, etc, etc.

 Ou seja, antes de ceder à tentação há que visualizar a quantidade de conjuntos que pode fazer com determinada peça, e/ou a necessidade que ela vai preencher na sua vida.

Fazendo disto um mantra não haverá tantas situações de remorso, confusão e recursos "torrados" em tralha inútil, prometo.








Sunday, July 20, 2014

Dúvida existencial do dia: como seria em Versailles?


Nas últimas semanas, andei a dar conta das idas e vindas *finais, espera-se* dos meus armários. 
  Como tenho vindo a partilhar convosco, há cerca de dois anos atrás foi decidido que ia ficar com a noção perfeita de todas as minhas peças e acessórios. 

Afinal, só há duas maneiras de tirar o máximo partido de um guarda roupa: sendo do mais espartano que há, ou tendo muitas coisas bonitas e boas, mas... à vista e em uso. Nestas coisas não se pode servir a Deus e a Mammon; é fácil, se não formos criteriosos, cair na confusão e no desperdício (que numa época de crise mais do que mau gosto, chega a ser pecado).

Como tinha mudado de casa recentemente, havia muitas coisas encaixotadas e - por artes que só os apreciadores de modas & elegâncias compreendem -  a colecção foi sempre crescendo, foi precisa alguma força de vontade, muito método, um certo desprendimento (houve imensas peças a ser oferecidas a amigas, passadas adiante ou doadas, porque convém que os objectos circulem) umas quantas trocas de móveis, mas...acho que está mesmo quase.  

Claro que, como qualquer tarefa doméstica (e esta é um pouco mais glamourosa mas não deixa de ser um trabalho de dona de casa como qualquer outro) é um esforço permanente, mas estando criadas as condições certas (gavetas, estantes, varões e um lugar destinado para cada categoria) torna-se muito mais fácil.

 Com um bocadinho de sorte, vai estar tudo criteriosamente catalogado como eu gosto: carteiras e sapatos de festa num armário, vestidos de dia e de noite noutros, e assim por diante. 

O objectivo, que recomendo a quem anda a organizar o seu roupeiro, é "conseguir escolher uma toilette para o quotidiano em cinco minutos e uma formal em menos de dez".
  E embora dê a trabalheira por bem empregada, neste momento o meu quarto (e aposento-adjacente-que-não-serve-senão-para-guardar-casacos, carteiras e calçado) vai a caminho de parecer um camarim, ou o closet de uma revista muito ocupada. 

 No meio disto tudo dei por mim a pensar que a Rainha Marie Antoinette tinha três quartos para guardar o seu magnífico enxoval. Três? Considerando que a rígida etiqueta da corte a obrigava a comprar 36 vestidos por estação - fora casacos, capas e o resto, suponho - mas que ela adquiria muitos mais (nada de estranho, pois era suposto mudar-se três vezes por dia e não repetir nenhum visual....) e que o volume das fatiotas do tempo, com todas aquelas anquinhas, era considerável... ou algo me escapa, ou preciso da receita de tão perfeita arrumação ou... Versailles é para meninos .

Tuesday, July 15, 2014

Cuidado com as arrumações, ou memorial de uma birra monumental.


A tardia vinda do Verão tem sido aproveitada  para reorganizar e redistribuir alguns móveis, de modo a maximizar o meu tempo e recursos com a maior eficácia -
leia-se, deixar de me desesperar porque as clutches de sair, por exemplo, estavam numa prateleira demasiado alta ou porque os cintos se sobrepunham e davam comigo em doida. 

Conselho de amiga: não comprem demasiados cintos. Mesmo escolhendo só os de melhor qualidade, tendem a acumular e a enrolar-se uns nos outros e...enfim, já estão em pequenas gavetas separadas mas cheguei à brilhante conclusão de que aquilo que me faz falta para ser feliz é um closet igualzinho ao da Vogue, e mesmo assim havia de haver muita movimentação de charriots!

Andei a fazer serão nisto, toda entretida, e lembrei-me de que estas operações sazonais de arrastar e mudar móveis eram frequentes lá em casa quando eu era pequena. Volta e meia redecorava-se para arejar e arrumar de uma forma que desse mais jeito. 

 Levava-se o dia todo nisso e era muito engraçado porque quase sempre ia descobrir coisas de que já não me lembrava, ou reutilizava algum móvel perdido no sótão (uma vez fiz de uma estante velha uma casa de bonecas, com ajuda da avó). Todos participávamos nesta actividade de família - às vezes com ajudas, e o meu tio preferido que tinha jeito para a bricolage vinha dar uma mão e tudo -  e eu nunca me aborrecia.

 Mas houve uma vez (tinha eu uns sete anos, atenção!...) que os meus pais acharam que o meu quarto, que era bastante grande, precisava MESMO de umas alterações valentes. Não me recordo já o que era, mas foi uma "volta" de alto a baixo. Sei que chegámos ao fim do dia exaustos como é natural...e ainda não tínhamos terminado. Só me lembro de ver no chão uma pilha gigantesca de livros e cacarecos.
 Sendo amiga de ter tudo em ordem, não gostei nada de andar a tropeçar em toda aquela tralha e como estava cheia de adrenalina nem dava pelo sono que tinha.

 Mas claro,a mãe percebeu e como era natural, mandou-me para a cama, que amanhã havia mais

Pois sim! Embirrei que era incapaz de dormir com tudo aquilo à volta da cama, e que já que estava lançada queria tudo arrumado e limpo, que não me ia deitar coisíssima nenhuma. Quando me mandaram calar e obedecer desatei numa choradeira que só visto, eu que nem era de fazer berreiros, como se me tivessem dado um grande desgosto. Ameaçaram-me com um bom correctivo se não me calasse, apagaram a luz e fecharam a porta...e eu ainda a soluçar como se fosse uma coisa muito grave, até que caí para o lado.

 Lembro-me de acordar de manhã sem perceber porque tinha feito uma cena tão grande. Afinal, no dia seguinte completou-se o trabalho num instante. 

Isto do instinto fashionista- super-organizado não convém que se junte a birras de sono....

Monday, July 14, 2014

Pequena Lei de Murphy do dia: "guardado está o vestido..."

Vestidos icónicos: o "Vestido da Vingança" de Diana de Gales e o modelo Versace que tornou Liz Hurley famosa

Já tenho recomendado por aqui uma das minhas máximas para compras e organização do guarda roupa: "compre quando aparece e pode, não quando precisa".  E como eu não sou uma rapariga "faz como eu digo, não faças como eu faço" se encontro algo do género que me agrada, que já sei que resulta e que não passa de moda, trago para casa. Assim, quando de facto me é preciso um calçado assim ou uma saia assado, escuso de andar em compras apressadas...que quase sempre dão asneira. 
 Fica mais barato - e poupa  stress - ter várias opções disponíveis prontas para entrar em acção a qualquer momento;  e acaba por ser curioso fazer um "shop your closet" literal quando é necessário.

 Por essa razão acontece-me muito ter no armário alguma roupa ainda com as etiquetas, sobretudo vestidos. 
Não porque me esqueci deles ou não tencione usá-los, mas porque a ocasião ainda não se apresentou.   

 Mas às vezes há um certo vestido, ou um certo outfit, que fica no cabide durante um tempo invulgarmente longo. Num dia penso em usá-lo mas acabo por optar por outro, ou chove e já não dá, ou - sucedeu mais que uma vez- o fecho que até tinha sido verificado pela costureira avaria e tenho de o mandar arranjar...enfim, por uma razão qualquer o uso dessa peça vai sendo adiado sucessivamente, até de um ano para o outro porque lá diz o estribilho, so many dresses, so little time.

 Porém, tenho verificado que quando isto se dá, geralmente é bom presságio: o vestido que não foi à rua quando planeado, que anda muito tempo à espera da sua vez, acaba quase sempre por ser luzido numa ocasião bem mais feliz e memorável. Adequa-se aqui o ditado popular "guardado está o vestido para quem o há-de vestir".

 Chamo-lhes "os vestidos da Sorte" e faço por os voltar a usar quando preciso de muito bons agouros...pergunto-me se isto acontece a mais pessoas, mas estou quase certa de que não sou a única.

 Claro que também existe a regra oposta: se gosto muito de uma toilette e calhou usá-la numa situação que não correu bem, há que "quebrar o enguiço" e voltar a levá-la à rua, com alguma pequena alteração (um cinto, uma jóia ou outro calçado) para que não se torne um "vestido da má sorte" que fique associado a recordações menos felizes. E geralmente funciona.

 Há que manter um bom feng shui em tudo, até no armário...



Friday, April 18, 2014

Arrumações de Primavera: truques de quem passou o dia nisso.


Gina Lollobrigida


A cada Primavera, as revistas de moda publicam artigos a incitar à  limpeza sazonal do guarda roupa, com as costumeiras dicas. Pessoalmente, acredito que duas "voltas" por ano são insuficientes para manter à vista, e na melhor ordem, o conteúdo do armário (tudo depende da colecção e estilo de vida de cada um) mas há quem faça menos do que isso: 
 diz um estudo (estudo que deve ter sido feito muito por baixo, eu acho) que em média, cada mulher tem no seu armário cerca de 500 dólares em roupa, calçado e acessórios que nunca usou. E arrisco dizer que todas essas mulheres passam ocasionalmente pelo dilema lendário "não tenho nada para vestir!".

 Já aqui o disse, nos posts onde partilho os truques que fui descobrindo em muitas sessões de limpeza estratégica e organização do closet, que muita quantidade - principalmente se não estiver devidamente catalogada e ordenada - equivale a confusão e desperdício. Mas como ninguém é de ferro, trata-se de priorizar e gerir as peças que tanto adoramos, para tirar o melhor partido delas e ter um guarda roupa realmente completo, de qualidade e sobretudo à mão, tanto para o dia a dia como para ocasiões especiais. Aqui vamos:

                                                 Mito: arrumar por cores

Este é um conselho que aparece muito nas publicações da especialidade, e pergunto-me sempre como é que pode ajudar alguém...num armário bastante preenchido e nem sempre com a iluminação ideal, a última coisa de que se precisa é andar numa estante cheia de camisolas todas pretas, numa verdadeira caça aos gambuzinos, confundir um vestido de trabalho com um de noite, ou coisa que o valha. Com excepção das t-shirts (que podem estar separadas por manga comprida e tank top ou manga curta, lisas e estampadas) o melhor é arrumar por géneros. Vestidos de cocktail/noite/gala para um lado, vestidos versáteis no meio, vestidos de trabalho ou de dia para o outro; calças separadas por categoria: jeans (skinny numa fila, flare noutra, e assim por diante) chino e clássicas ou cigarrette de fazenda, etc.

Verdade: menos é mais- prefira a roupa com significado.

Por muito tentadora que seja a constante oferta da fast fashion - e por mais que algumas  dessas marcas tenham evoluído - aplica-se a máxima easy comes, easy goes. As compras de pouco compromisso não nos obrigam a pensar muito nelas e, a não ser que preencham uma necessidade e/ou sejam realmente bonitas (já me aconteceu) correm o risco de ficar esquecidas. 

As lojas high street são boas para duas coisas: básicos (como t-shirts, calças de malha) que não vale mesmo a pena comprar mais caro, e para usar a tendência da estação sem investir muito. Não quer dizer que não se encontre na Zara um daqueles vestidos-muito-baratos-para-usar-com-uns-sapatos-muito-caros que, surpresa - até saem bons e duram anos, ou um belo casaco de cabedal. É tudo uma questão de conhecer os tecidos e os detalhes, que variam em qualquer marca. Mas chega-se a uma fase da vida em que convém ter algumas coisas de qualidade superior e um bocadinho mais exclusivas. Depois, a bem da arrumação, é preferível ter dois bons casacos clássicos do que dez baratuchos, comprados por impulso, que não servem as necessidades e nunca terão o ar certo.

                     
Verdade: vista-se para a pessoa que gostaria de ser...mas não se esqueça de quem é.

Nos livros de gestão, aparece muito o conselho "não se vista para o cargo que tem, mas para aquele que gostaria de ter". Dressing the part, investir na bella figura, não só é importante em termos de marketing pessoal como uma boa fonte de inspiração - além de nos orientar nas compras, porque um bom guarda roupa não se constrói com um "banho de loja" de um dia para o outro. 

Certo. 

Mas tanto nas compras (que já estão feitas, e agora é lidar com elas...) como na arrumação, é preciso priorizar de acordo com o estilo de vida que se tem neste momento. De igual modo, é boa ideia conservar no guarda roupa apenas as coisas que lhe servem actualmente: aquelas que pretende voltar a vestir "quando voltar ao seu peso ideal" devem ser arquivadas até nova ordem (ou mandadas alterar). Trabalhe para o corpo que gostaria de ter mas vista-se para aquele que tem, porque ninguém lhe dá outro e não vale a pena andar desconfortável...

 Num cenário ideal, um bom guarda roupa contém apenas as peças e acessórios tried-and-true, ou seja, aquilo que se sabe que cai a matar, que vai com o seu tipo de corpo e de beleza, que é à prova de dúvida. Ninguém é infalível, mas conhecer-se facilita imenso e dá outra segurança. Isto consegue-se com informação, opiniões de confiança e alguma prática.

 As peças de que precisa com mais frequência devem estar sempre à vista - mas é conveniente ir "rodando", e deixar à mão aquelas que pretende usar nos próximos tempos.

 Se vai a muitos eventos, reserve um espaço para as toilettes mais formais ou festivas: as clutch de sair não podem estar misturadas com os sacos e carteiras de todos os dias; o mesmo vale para os sapatos de cetim ou com aplicações. Não só convém que estejam num canto à parte para facilitar a escolha da toilette, como, uma vez que são mais delicados,  isso diminui o risco de se danificarem de cada vez que entra e sai do armário à pressa para tirar aquelas botas.

 Sempre que possível, conserve os sapatos em dust bags- isso também dá imenso jeito quando viaja! O mesmo vale para porta -fatos, que devem estar acessíveis e podem ser usados, semi-abertos, para resguardar vestidos bordados ou com contas.



 Dito isto, só me resta desejar-vos Happy Spring Cleaning!






Textos relacionados:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...