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Thursday, October 8, 2015

O flagelo do "tenho de viver a minha vida!"

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Esta semana ouvi duas histórias de gente amiga, boas pessoas honestas e trabalhadoras, que me deixaram muito zangada - ou ainda mais zangada - com estas filosofias relativistas do "o que importa é ser feliz, que a vida são dois dias", do "carpe diem", do "nada é errado se te faz feliz". Essas ideias egoístas e facilitistas de "eu mereço tuuuuudo", cheias de bovarismo e palmadinhas nas costas, de "não julgueis", que se deviam combater na base da enxada na mão (ou pano do pó) de manhã à noite, do chinelo (viva a moralidade) das trinta flexões (como no Exército) do Catecismo (já lá vamos) e se tudo falhasse, só com chicote (foi Eça de Queiroz que disse, não olhem para mim) andam por aí na boca do povo, nas redes sociais do povo, na imprensa... no firme propósito de apodrecer a sociedade pela raiz. Só pode.

Quando a moral é de elástico, perde a firmeza, dá-se um jeitinho, cede-se um bocadinho aqui e ali até que o elástico ou dá para todos os lados ou rebenta. Quando sem tem "uma mente muito aberta" o mais certo é caber lá de tudo, incluindo toda a sorte de lixo, e caírem os valores da cabeça abaixo. 

É que o Carpe Diem, sem o resto, é a desculpa perfeita para toda a pulhice e malandrice, incluindo a facadinha na cara metade. E antes de avançarmos, digo-vos já o que isso é: R-E-L-E-S. Muito reles. Não adianta dourar a pílula, que quem quiser defender galos doidos e serigaitas pode ir procurar outro blog...

 Os contos que ouvi - um no feminino, outro no masculino-  são praticamente iguais. 



#Caso 1:  um rapaz, bem casado (pela Igreja, ainda por cima) com uma rapariga de óptima família, super mimado pelos sogros que ofereceram todas as comodidades ao casal e pai de um pequerrucho encantador, fugiu com uma maluca dessas que se acham inteligentes, logo "sensuais". E agora a criança anda tristinha que só visto, de casa em casa a conviver com uma destruidora de lares, enquanto a legítima lida com o divórcio com toda a dignidade que conseguiu reunir.


"Chegou a minha hora! Tenho de viver a minha vida!"

#Caso 2: Uma mulher nos seus late thirties, com um marido impecável (ou bom demais) e dois ou três pequenos, que um belo dia decide começar a passar muiiito tempo a olhar para o telefone, a sair com as amigas em grandes noitadas, a empandeirar a prole para casa da avó, a vestir como uma desvairada (o marido devia ser santo, também...). Estava-se mesmo a ver, dali a zarpar com um Carlão do ginásio foi um pulo. Perante o desespero e estupefacção do marido, ainda teve a desfaçatez de dizer: "chegou a minha hora! tenho de viver a minha vida!". Alto lá, que fico confusa: viver como esposa e mãe não faz parte da vida? E se se referia à má vida e estroinice, mal por mal não se havia de ter lembrado disso antes, nos tempos de faculdade ou assim? O pobre coitado passou um ano sem sair de casa, deprimidíssimo, só com as crianças e a emagrecer a olhos vistos, mas como era bom rapaz (e as notas de 100 euros nunca ficam para aí a voar sozinhas, alguém as apanha) mal começou a arrebitar apareceram-lhe partidos melhores. E a adúltera descarada (sim, aqui chama-se adúltera a quem o é!) mal o Carlão deu à sola porque isso é algo que os Carlões fazem muito, contava - porque mulheres assim 
acham-se sempre irresistíveis - que se repetisse a história de Gomer

Bem se enganou, porque o marido não quis ser paspalho nem fez de Oseias...



Que as pessoas agissem assim antigamente,  quando tinham menos liberdades e eram pouco informadas, já era mau; que o façam hoje, quando a pressão social para constituir família é muito menor, têm mais anos para decidir o que querem ou não querem e ainda por cima vivem num estado laico que não obriga ao casamento religioso, é o cúmulo da irresponsabilidade. É tomar um Sacramento como quem vai ali buscar um menu ao McDonald´s, "se não correr bem as coisas desfazem-se do mesmo modo que se fazem". É que casar na Igreja é mais bonito, fica melhor nos retratos, mesmo que nunca se lá ponha os pés o resto do ano. E a desculpa gravíssima para quebrar os votos? "Já não me ando a sentir feliz".



 Como se o na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, etc, fosse só para dar mais chic à cerimónia, e o casamento fosse um parque de  diversões. Sacrifícios ninguém quer, pois - e mudando de cara metade tudo é rosas para sempre, não há dias maus. Há maior criancice? E depois o Papa é um bota de elástico e um retrógado que "se devia adaptar aos tempos" porque não "anula" casórios do pé para a mão, a bel talante de quem nem se dá ao trabalho de ler as regras antes de aceitar participar no jogo. Há tantas coisas a lamentar aqui -  a ignorância arrogante e voluntária, a vaidade extrema, a falta de valores, de estrutura moral, de amor verdadeiro, de reflexão, de seriedade - que nem vale a pena começar. 

Será que "o casamento não é um parque de diversões" devia ser frase gravada nas alianças, afixada à porta do registo e das Igrejas? É que às tantas as pessoas andam confundidas...

Wednesday, June 17, 2015

O cúmulo do desprezo, da aversão ou do desafecto é...


... estarem-se tão nas tintas, mas tão nas tintas para alguém que só vos importa saber onde essa alminha anda,  ou a fazer o quê, para assegurar que não há a mais remota hipótese de se cruzarem num evento qualquer. É que o Céu nos defenda! Era preferível ir a uma festa de zombies a tocar tambor  para os atrair mais depressa. Ou a um concerto do Tony Carreira com o Clube de Fãs do Chagas Freitas seguido de um jantar de lampreia (ou qualquer outra coisa que vos provoque ânsias) e acabar a noite a resolver equações de terceiro grau.

Arreda!
De resto, a pessoa até podia andar para aí de monociclo e com uns guizos na cabeça que era para o lado que dormiam melhor. Nem se davam à canseira de lhe atirar uns ovos nem uns balões de água nem nada. Mas como quem faz uma faz um cento... coisas ruins quanto mais longe, maior a felicidade!
  Entra-se em modo "não te quero mal nenhum; que sejas muito feliz, até ponho uma velinha por ti, de preferência a  Nossa Senhora do Desterro para que te desterre em bem para muito longe- andor violeta!".


Tuesday, March 25, 2014

A propósito da embirração do dia: cada qual no seu lugar.


E pronto, a Kim (ou como o meu irmão lhe chama, a Kardashona) e seu partenaire lá conseguiram o objectivo de deitar a Vogue abaixo, aliás, de fazer a capa da Vogue americana. Sobre o ultraje que está a fazer correr rios de tinta e a virar do avesso blogosfera, redes sociais e afins (e a fazer seguidores de longa data cancelar assinaturas em catadupa) eu já disse o que tinha a dizer. Reforço apenas que descreio para sempre de Anna Wintour - como é que uma mulher tão inteligente, com classe a rodos, tão bem nascida, tão tudo se rebaixa a isto... ultrapassa-me. Não há controvérsia, não há "discussão sobre os novos paradigmas dos média e os novos ícones" que justifique um trambolhão destes ou, para falar em bom português, uma barracada destas. 
 Enfim, uma revista que ainda hoje chamou ícone de moda a Rihanna no Facebook só pode estar desarranjada e mal governada. Valha-nos que há outras edições da Vogue bem mais sensatas (como a espanhola e a italiana) e outras publicações respeitáveis que podemos continuar a ler sem corar. 
 É o que digo sempre: isto de ser muito tolerante, muito inclusivo, muito moralmente elástico e de não julgar ninguém (coitadinha da menina, só ficou famosa à conta de um vídeo indecente, que mal é que isso tem?) descamba invariavelmente em relaxaria. E vai-se por aí abaixo. 

É o que temos - embora haja certos redutos e certos sítios onde ainda não cabe toda a gente. Nisso, há que tirar o chapéu aos britânicos, que não se acanham de barrar a entrada a "famosas" deste gabarito em determinadas circunstâncias por muito que se diga que isso é de um elitismo atroz, de um snobismo politicamente incorrecto: sem desculpas. Não corresponde aos padrões da marca, organização ou revista? É persona non grata e caso arrumado.

Mas para isso, é preciso firmeza.

 Este disparate corresponde vagamente a um péssimo hábito doméstico que anda para aí: o de chamar "princesa" e "príncipes" a tudo nas redes sociais, especialmente a pessoas que nada têm de principesco. Uma criança super malcriada? Ai, a minha princesa. Namorados mal enjorcados a caminho de uma festa da associação recreativa e desportiva de Rabanetes de Cima? Que príncipes!   A sério, moderem lá o entusiasmo. Como diria um grande filósofo que eu bem conheço, "se chama princesa a isto é porque nunca conheceu nenhuma". E assim se vai banalizando tudo, miserável e insuportavelmente...



Friday, May 24, 2013

O sexo, o amor, a paz e o perdão...

E o tio Oscar diria "parem de invocar o meu nome em vão, pindéricas desprezíveis!"
...são as coisas mais maltratadas, mais estafadas, mais fanadas e mais vitimizadas à face da Terra. Não há temas que sejam alvo de tanta foleirada junta: prestam-se a poemas de mau gosto, citações pindéricas,  pseudo prosa poética erótica de terceira categoria (daquela com imagens horrendas a querer passar por subtis, que falam em suor e outros fluidos, blhec!) imagens com ursinhos e pores - do-sol com legenda em brasileiro para passar adiante no Facebook, livros light e outros terrores da vida dos nossos dias. Em suma, o sexo, a paz, o amor e o perdão estão mesmo a jeito para as partilhas de mulheres da luta feiosas em estado de desespero e necessidade urgente  de acasalamento, para os delírios pretensiosos de escritores wannabe que não têm nada para dizer mas acham que se encherem um texto de palha, palavras caras e voltas que o tornem terrivelmente maçador e incompreensível a coisa passa por algo de "profundo" , para fazer a alegria das pessoas com pouca cultura e menos imaginação,  para gurus espirituais que querem passar por muito zen a dizer o óbvio, para que todas as personagens atrás citadas passem por santas, e outras hipóteses igualmente intragáveis. São poucas as pessoas que conseguem escrever ( ou não querendo/ sabendo escrever, citar) alguma coisa de genuíno, ou que jeito tenha, sobre estes assuntos. Quando alguém partilha frases genéricas sobre a paz, está quase sempre a regar, a falar por falar, a mencionar a paz lá nos confins de África, lá longe, onde não chateia ninguém com as suas exigências (porque a paz, como a amizade, dá trabalho). 

Queria ver essas pessoas tão "pacíficas" a lembrar-se de tais citações quando estão viradas do avesso. É o lembras...

    E se partilham sobre o "amor" raramente se dão  à canseira  de seleccionar uma frase que tenha algo a ver com o que realmente sentem, ou sequer de lhe corrigir os erros de ortografia. O perdão é outro desgraçado: toda a gente fala nele, toda a gente faz Likes a coisas fofinhas sobre o perdão com coelhinhos e passarinhos, mas quando as ofensas lhes  tocam  está o caldo entornado, quais coelhinhos, qual Cristo, qual Buda, qual cabaça!
A mania de debitar larachas só porque sim é um ataque aos próprios neurónios (e quem faz coisas dessas não pode abusar, porque não foi abençoado com muitos) e ao cérebro/sensibilidade alheios. Os atentados ao bom gosto e ao refinamento do espírito são tantos, mas tantos, que urge criar uma Greenpeace da vida para isto. Se Oscar Wilde fosse vivo, muito teria que dizer - mas esperem lá, nem Oscar Wilde escapa a ser citado da pior maneira, por pessoas que ele desprezaria profundamente. Que época esta, mon Dieu.



Sunday, April 21, 2013

Três coisas sobre o Big Brother, incluindo uma regra de styling muito maltratada

                                               

Aqui a fazer zapping (no intervalo do Spartacus, what else?) deparei-me com essa bela coisa do Big Brother (Vip? Famosos?). E tirei três belas conclusões antes de esconjurar aquele horror e lamentar cinco minutos que ninguém me devolve:

1- Eu embirro com reality shows, e este foi o pai deles todos no nosso país. A partir daí a paixão portuguesa pela brejeirice aumentou exponencialmente e nunca mais houve sossego com tanto panis et circenses . Mas será que ainda não havia pouca vergonha que chegasse, para falar como os antigos? Era preciso ressuscitarem um formato fanado? Por amor da santa, estava com uma bela salada de morangos na mão quando ouço a Teresa Guilherme falar em...coragem, Sissi, vá lá...desembuxa....não, não sou capaz. Um piropo que era qualquer coisa sobre fazer um pijaminha de ADN a alguém. Blhec. Decoro, minha gente, mas que mal vos faz o decoro?

2- Que os "famosos" que não têm onde cair mortos ou precisam de cumprir o contrato com a estação/ promover/ relançar a carreira por meios menos agradáveis se sujeitem à devassa da vida privada ainda se entende - cada um sabe a moral que recebeu e a crise está brava. Mas que alguns que (a julgar pelo que os tablóides que fazem o favor de ir avisando as almas de coisas que não interessam ao Menino Jesus, via redes sociais, vão dizendo) não estão tão mal na vida como isso se prestem a coisas destas...escapa-me. Vontadinha de aparecer? Brejeirice? Digam-me vocês, eu cá não sei.

E last but not the least, aqui vai a regra de styling que o povo teima em ignorar:

3- Meninas e senhoras, por favor: quando engordam um pouco deixem de lado os bandage dresses destapados no decote e nas pernas, reservados a mulheres magras e de  busto discreto. Assim parece muita mulher para tão pouco vestido. Devem igualmente evitar os decotes demasiado fechados e  as alças fininhas ( que engordam visualmente os braços) os cabelos apanhados à dominatrix (que realçam as bochechas) a maquilhagem excessiva e os vestidos ameninados com a cintura no estômago, que parecem rebentar pelas costuras. Não é assim tão difícil encontrar formatos que favorecem as curvas extra sem mostrar a combinação pernão, bração, grande traseiro, peito mal apoiado, mulher a sobrar por toda a parte. 

E com isto me vou. Não acredito que o Big Brother me está a inspirar palpites de styling. Good Lord, ao que uma pessoa chega.


Monday, April 8, 2013

My best friend dixit, II: tudo tem limites


"(Fulano de tal...) bate o limite do tolerável!"

Isto pronunciado de olhos em alvo entre a exasperação, o desprezo nítido e o cansaço motivado pela exposição prolongada às radiações nocivas de tais personagens. E topete? E paciência? E caridade cristã para isto? N´a pas!




Friday, January 18, 2013

Síndrome Lance Armstrong

                            
O ex ciclista superstar admitiu, com a maior transparência (ou desfaçatez?) ter recorrido a substâncias ilícitas para optimizar o desempenho durante boa parte da sua carreira. Segundo o próprio, o doping parecia-lhe, na altura, a coisa mais natural deste mundo. E por estranho que pareça, acredito perfeitamente que nesse aspecto esteja a dizer a pura verdade. 

O que mais tenho visto é gente a boicotar os próprios objectivos (a carreira, o casamento,uma relação, uma meta...) fazendo tudo o que pode para os arruinar e regalando-se a cometer, uma e outra vez, erros que vão contra as regras estabelecidas para lá chegar, sem respeito algum por quem está à volta...nem pelo que é bom para si mesmo (a) . Não pensei nisso; uma coisa não tem nada a ver com a outra; toda a gente o fazia; sou um bode expiatório; a intenção era boa; tinha tudo controlado...são as desculpas mais comuns. E depois admiram-se muito com as consequências, ou dizem que os outros é que são exagerados. É como se alguém quisesse perder peso fazendo uma dieta de fritos, bombons, bolachas e hidratos de carbono e no fim, ainda se queixasse de "engordar com o ar". 

O doping é algo que não consigo compreender. Não sou ingénua a ponto de pensar que tudo se faz honestamente neste mundo. Por exemplo, que uma editora compre milhares dos próprios discos para que cheguem ao Top - e assim fazer com que sejam ouvidos pelo público - não é louvável nem honesto. É batota sim, uma forma de corrupção num sistema cheio de lacunas. Mas o disco em si não se torna pior nem melhor por causa disso, é na forma de o promover que está a desonestidade. No caso de um atleta, em que o que se pretende provar é a sua força, resistência, destreza...é paradoxal alterar precisamente as características que estão em jogo, justamente as que os classificam como atletas de topo. No mundo da música, o doping equivaleria a um caso Milli Vanilli.  É desonrar a própria farda, desvirtuar a sua arte, cuspir sobre tudo o que se defende.

E no entanto,  há quem o faça a todo o momento, em todas as áreas da vida, e não ache nada de confuso ou contraditório nisso - não repare sequer que está a mentir, ou reconheça que o que faz é da sua responsabilidade, errado e contra as regras do jogo que representa com tanto alarde.  Há muitos Lance Armstrong por aí...e é dificílimo falar com eles, negociar com eles ou chamá-los à razão.  A falta de consciência é mesmo uma coisa complicada.

Thursday, January 10, 2013

Dúvida existencial do dia: a pena e os "coitadinhos"

                                             
Nunca perceberei, porque esses impulsos não estão no meu código genético, os Uriah Heeps da vida. Ou seja, quem usa a estratégia " tenham pena de mim" para conseguir um objectivo, uma relação, protagonismo social ou seja o que for. Em casa sempre me ensinaram " antes ser alvo de inveja que de pena" e a guardar eventuais fraquezas para a esfera privada. Logo, custa-me entender quem se humilha, rebaixa ou rasteja para alcançar determinada ambição. Do "ai coitadinho de mim que não tenho emprego, estou tão desesperado, sou tão pobrezinho" para se infiltrar numa organização, às mulheres que sofrem tudo, aguentam todas as humilhações, só para provar a um homem "sou a coisa mais dedicada que há, se sofrer tudo acabo por conquistar a piedade dele, dos amigos e da família e ele assim tem pena e casa comigo" ao pseudo famoso que conta nas revistas as desgraças da sua vida para conseguir apoios e oportunidades, essa é uma atitude que me causa uma repulsa incontrolável. Primeiro, porque me soa a falso. Quem realmente precisa de ajuda, muitas vezes esconde essa necessidade ou pede auxílio de forma limpa e reservada. Depois porque quem não tem dignidade é capaz de tudo. Os "coitadinhos" sem vergonha na cara metem-me medo - lembram-me sempre os enredos de sociopatas, estilo All about Eve: a fã bajuladora, coitadinha, desesperada e servil, que por trás das costas quer roubar o lugar de quem a ajuda e destruir todos os que finge admirar. Creepy, hein?

Saturday, December 15, 2012

Eu digo o que me apetece...ou maldade do dia


Chic? Fail!
Tento ser tolerante com quem me rodeia e posso fazer vista grossa a certas grosserias alheias, desde que sejam genuínas e não me incomodem ( até porque tenho mais que fazer do que reparar na vida dos outros). Mas se há coisa que me deixa de pé atrás é gente arrivista e trapalhona, que tenta passar pelo que não é. Irrita-me porque sim, 
dá-me enjoo, para não usar um termo mais descritivo, e não consigo estar perto...nem estar perto de quem convive com.

1 - Grosseironas de marca maior, sem um pingo de chá ou de educação, a imitar senhoras benzocas. Não é só o verniz da delicadeza que estala ao primeiro ataque histérico (e em geral, são muitos) revelando a linguagem boçal, o vocabulário do piorio, o timbre de varina e as ambições doentias; nem mesmo os tiques de mulher mal amada ou os hábitos lorpas (más maneiras, calotes dados publicamente com a maior das latas, tentar impingir as filhas ou sobrinhas a um diabo que as carregue, engraxar babosamente quem está acima, pisar quem está abaixo, exigir ser tratada por dótora mesmo que não o seja, fazer mexericos de comadre, and so on...). O próprio visual - madeixas por retocar semanas a fio, maquilhagem mal posta, mau ar disfarçado por camadas de tralha, trapinhos duvidosos - as denunciam sem dificuldade. Dá vontade de lhes dizer, amenamente: my dear, you are not a lady - deal with it. A boa educação é o pior desmancha prazeres que existe...

2- A versão juvenil das mesmas: têm um vocabulário do piorio, gostos e companhias que não passam pela cabeça de nenhuma pessoa educada, conhecem religiosamente os participantes da Casa dos Segredos, sonham casar com o Cristiano Ronaldo, frequentam todas as espeluncas com gente que Deus nos livre, têm um "livrinho preto" que parece uma lista telefónica... mas acham que se puserem um vestido de poliéster, conseguirem um diploma sabe-se lá por que artes, admirarem os trapos da Pippa Middleton, passarem pelo cabeleireiro e falarem mais baixo ninguém dá por nada. Ninguém consegue ser casca grossa num dia e outra coisa no outro. Não é possível. We can take the girl out of the trailer park, but you can´t take the trailer park out of the girl...

3 - Pessoas que sejam isto tudo, e ainda decidam criar um blog. My eyes!

4 - Tudo o que foi dito acima, mas com uma camadinha de fama e euros. Piorou.

5 - Pessoas com gosto, distinção, idade e estatuto para ter juízo, que troçam de tudo e de todos... mas  concedem conviver, trocar gracinhas, acompanhar ou ser engraxadas por criaturas desta natureza porque acham tudo muito pitoresco. Quem nasceu assim até pode não ter culpa, mas quem os atura tendo obrigação para outra coisa...mamma mia!

Wednesday, November 28, 2012

Drama, drama, drama

                                                               
Queres andar à pancada, queres? Vê lá se queres! Hás-de encontrar mulher, sua *#% piiiiiiiiii
Recentemente, quando fazia zapping à espera que começasse um programa, deparei-me com Mob Wives, esse pavoroso reality show sobre mulheres (literalmente) da luta que envergonha a comunidade italo-americana e conseguiu chatear a própria máfia - provavelmente por violar o código da omertà, mas também pela vulgaridade, baixeza e brejeirice. Esqueçam os mafiosos cavalheiros estilo Don Corleone, ou as famílias sicilianas de porte aristocrático e princípios de Robin Hood retratadas em produções como A Bela Máfia (excelente filme, já agora). Se os Sopranos já eram uma espécie de Simpsons, uma versão manhosa da Cosa Nostra sem os seus códigos de honra - e as fatiotas giras - isto é o Jersey Shore versão criminosa. Pelo pouco que percebi, só uma ou duas destas mulheres estão ligadas a mafiosos lendários (os tais que se aborreceram com o circo). Todas as outras têm maridos que são escroques, assaltantes de carteirinha, verdadeiros vigaristas manhosos. Não só o programa promove o crime como é uma peixeirada total. 
Aperto-te o gasganete, porca troia!
Estas mulheres - na maioria donas de casa - em vez de educar os filhos ou fazer qualquer coisa de jeito gastam o tempo em rivalidades, tricas, em " tu disseste isto de mim por isso vou dar-te uma traulitada" ou a dar a traulitada prometida, a arranjar intrigas e a meter-se na vida alheia, a apunhalar-se umas às outras e depois a sentar-se vezes sem conta com ar grave para dissecar esses assuntos sagrados, como se de verdadeiros negócios de milhões se tratasse.
 Qual esposa digna e tradicional, qual cabaça: é palavrões a metro (por vezes uma frase nem se ouve, tantos são os piiiiiiiiii) pancadaria russa, gestos à "barrio", esperas, tareias, gritaria, uma pouca vergonha. Qualquer palha serve para fazer um dramalhão e sem ofensa a quem trabalha, são umas autênticas sopeiras, oriundas de um meio muito ordinário. É certo que tudo isto é editado para obter o efeito escandalus maximus. Mas eu que nunca gostei de mexericos e sempre fugi de questões de alcoviteiras como o Diabo da Cruz, fico tola ao constatar que há muito boa gente - e nem toda nascida em palhas - que se dedica a este tipo de atitudes, que adora dramas, escandalozinhos, intrigazinhas, provocações e guerras disparatadas, e ainda tem a lata de levar tudo isso muito a sério. Mais coisa menos coisa, a sopeirada é igual em toda a parte. E nisso, Mob Wives tem a virtude de a colocar no seu devido lugar: pão e circo.




Tuesday, November 27, 2012

Chá de noção: erva venenosa, pior que cascavel...

É isso mesmo, filha, disparata para aí....
De vez em quando - e raramente por iniciativa minha, pois selecciono muito as companhias já para prevenir coisas destas - pessoas sem noção aparecem com o firme propósito de me arreliar, a fazer trampolinices e a declarar-me guerra na tentativa de me estragar o dia. Contra maçadas dessas, só há duas atitudes a tomar:

Hipótese a) Dar o cold shoulder, o desprezo nítido que a comédia merece, e conceder ao assunto umas boas gargalhadas, que os tempos não andam para rir e todas as ocasiões para o fazer - com siso, entenda-se - são boas.


Hipótese b) Mostrar que quem não se sente não é filho de boa gente e contra atacar com veneno e fúria igual, ou um certo número de estampilhas/lamparinas/arrochadas/ safanões/ estalos/bengaladas/bofetões/pontapés/galhetas *inserir mais termos a gosto* por aqueles costados abaixo, para não se acharem mais espertos que os outros. Ou como diria Heathcliff em O Monte dos Vendavais, "julga que me dá um soco e não leva o troco"? Sendo que armar banzés e desacatos tão pouco cristãos só em último caso, mas nunca se sabe.


Para cúmulo, vá-se lá saber que pecado terei cometido, as pessoas que embirram comigo costumam ser cabeçudas e com ausência de pescoço: por isso, mesmo que queira torcer-lho num assomo de impaciência,  tenho sérias dificuldades

Como infantilidade e modos rústicos são coisas que me matam a inspiração, impedindo-me de escrever algo remotamente decente, recorro a autores dignos de citação. E hoje só me lembro de duas coisas que falem por mim. Uma delas é a minha canção preferida de Rita Lee, Erva Venenosa:

(...) É toda recalcada
    A alegria alheia a incomoda
Venenosa 
Erva venenosa  
É pior do que cobra cascavel
Seu veneno é cruel

Se porta como louca
Achata bem a boca
Parece uma bruxa um anjo mau
Detesta todo mundo
Não para um segundo
Fazer maldade é seu ideal

Como um cão danado
Seu grito é abafado
É vil e mentirosa
Deus do céu como ela é maldosa
A outra é a pena do tio Eça de Queiroz, useiro e vezeiro em retratar infâmias, enxovalhos, tricas, pulhices e picuinhices em toda a sua sordidez. Nada mais eloquente do que expressões como "encher a cara de chicotadas", "dar bengaladas", "beber o sangue a fulano" e por aí fora....Não é nada pessoal; não há intenção de ofender, mas muita de arrancar as orelhas:


" (...) talvez me entretivesse
a rola-lo aos pontapés por esse Chiado abaixo, a elle e á versalhada, a
essa lambisgonhice excrementicia com que seringou Satanaz!"
Alencar, in Os Maias


 "Mas quando o Damaso parou defronte, no outro passeio, todo de costas para elle, ostentando rir alto com o Gouvarinho, não se conteve, atravessou a rua.
Foi breve, e foi cruel: sacudiu a mão do Gouvarinho, saudou de leve o Cohen: e sem baixar a voz, disse ao Damaso friamente:
- Ouve lá. Se continúas a fallar de mim e de pessoas das minhas relações, do modo como tens fallado, e que não me convém, arranco-te as orelhas (...)"

Carlos da Maia, idem

"- Eu venho aqui perguntar-lhe da parte do Damaso, se você hoje, n'aquillo que lhe disse, tinha tenção de o offender. É, só isto... A minha missão é apenas esta: perguntar-lhe se você tinha intenção de o offender.
Carlos olhou-o, muito sério:
- O quê!? Se tinha intenção de offender o Damaso quando o ameacei de lhe arrancar as orelhas? De modo nenhum: tinha só intenção de lhe arrancar as orelhas!
Telles da Gama saudou, rasgadamente:
- Foi isso mesmo o que eu respondi ao Damaso: que você não tinha senão essa intenção. Em todo o caso, desde este momento, a minha missão está finda..Então só intenção de lhe arrancar as orelhas? nenhuma de o offender?...
- Nenhuma de o offender, toda de lhe arrancar as orelhas... "

                              Carlos da Maia e Telles da Gama, ibidem

Thursday, November 15, 2012

Se te foge o pé para o chinelo...


Há sempre um clique, uma gota de água que faz transbordar o copo, que é diferente para cada pessoa. Cada um tem o seu ponto de ebulição. A minha paciência para com as pessoas que deixo entrar na minha vida é uma das coisas que sempre me elogiaram. Há aspectos em que falho (sou um desastre com datas e por vezes, um pouco preguiçosa) mas quanto a tolerância, deixar andar, desculpar e dar novas oportunidades sou uma campeã. Depois existem alguns antídotos para essa serenidade zen, que me fazem mandar isso tudo às urtigas em menos de um Credo, sem olhar à longevidade desse afecto ou ao quanto ele significa para mim. É como se um pesticida lhe matasse as raízes. Um deles é a persistência no erro - tenho tolerância, mas não sou santa. Chega a um ponto em que digo basta, porque odeio repetir-me, não há nada mais desgastante. Outro é a falta de lealdade e de reciprocidade, porque não tenho jeito para masoquista. Mas o maior mata -ligações, no que me diz respeito, é quando as pessoas mostram uma tendência irresistível para deixar o pé fugir-lhes para o chinelo. Quando insistem, uma e outra vez, em tomar hábitos reles, gestos reles, companhias reles. Primeiro procuro chamar à razão, porque por mais que já me tenha deparado com essa realidade, parece-me sempre incrível. Depois desiludo-me - não há nada que me cause tanta repugnância como ver degradar-se a admiração que tinha por alguém . E por fim corto laços. Consigo suportar a maior parte dos defeitos, mas esse não. Qualquer dia arranjo um sinal luminoso para trazer comigo, que diga a potenciais-pessoas-importantes-na-minha-vida: se te foge o pé para o chinelo, afasta-te da minha pessoa. Olha que eu tenho gás pimenta. O tempo que isso me poupava...

Saturday, November 10, 2012

Os fala barato da internet


Há pouco um blogger que muito aprecio, o Dexter das Confissões de uma Mente Depravada, tirou-me as palavras da pena com um texto assaz lúcido. Tenho para mim que este é um país onde se resmorde muito. Para fazer alguma coisinha de jeito hesita-se, anda-se às voltas, ninguém se atreve. Mas para rosnar e opinar, lá está o português. E quando opina um português, opinam logo dois ou três. Pior ainda, quando um atira uma posta de pescada previamente demolhada em asneira, os outros imitam-no para não ficar atrás; era o que faltava não acrescentar qualquer coisinha à peixeirada geral. 
Mais do que reflectir, neste país bitaita-se
É espantosa a quantidade de gente que adora o som da própria voz: basta ter o azar de assistir a reuniões, assembleias ou "tertúlias" neste país para perceber isso. É um costume que aterroriza, por exemplo, os ingleses (povo com os seus defeitos, mas pragmático e direito ao assunto) que incautamente, venham para cá trabalhar. Uma reunião que supostamente, demoraria meia hora, por cá arrasta-se ad nauseam: há sempre um ou dois imbecis que decidem discursar interminavelmente, bater no ceguinho, dizer mais do mesmo, não acrescentar nada à assistência a não ser um tédio assassino. Vi estas personagens na faculdade (há sempre o chico esperto da turma que decide interromper a aula para massacrar o professor e os colegas com opiniões medíocres e cheias de pormenores) e sobretudo, vi-as enquanto jornalista, em intermináveis trabalhos noite dentro: verdadeiros testes à minha paciência, à sanidade dos meus neurónios, à capacidade do meu gravador e ao espaço do meu bloco de notas. Há sempre aqueles a quem apetece berrar, em modo Su Majestad "Porque não te calas?!" atirá-los para o chão e encher-lhes a boca de papel higiénico para estancar a verborreia ou silenciá-los de forma mais...permanente. 
                                              
Nem o frio, nem as cadeiras desconfortáveis, nem o sono, nem o jantar à espera eram capazes de fechar aquelas bocarras, verdadeiros depósitos de porcaria, nem de deter aqueles enxurros de cloaca, capazes de soltar por aí a cólera e a peste. Ainda por cima, a incapacidade para ser sucinto ou para estar calado nas excelentes oportunidades para isso é directamente proporcional à escassez de inteligência e de espírito. Quem muito fala pouco acerta, lá diz o povo. Ora, para pessoas assim, a internet foi uma bênção dos céus. Dizia o Dexter que é muito desagradável abrir os comentários dos jornais online: eu já nem os abro. Do palavrão gratuito à ofensa mais gratuita ainda, passando pela imbecilidade pura e simples sem esquecer os erros ortográficos, o catálogo da mediocridade, da estupidez, oferece de tudo. Depois há o Facebook
Jesus, o que esta gente chata e amarga tem constantemente de deitar cá para fora. A possibilidade de ter quem os ouça! De se queixar! De atirar aos olhos dos outros as suas opiniões sobre a política, sobre o futebol, sobre o estado do país, sobre gatinhos e cãezinhos e piadas sem graça. Oh, maravilha da tecnologia!  E se não houver nada para dizer, escarrapacha-se uma imagem com uma frase feita. É preciso falar. É preciso dizer alguma coisa...a ânsia de protagonismo é voraz, há que alimentá-la constantemente. Por fim, temos a blogosfera. Há quem se divirta a semear bitaites em blog alheio. E dirão vocês:  a Sissi não pode falar, tem um blog onde embirra sobre tudo o que lhe apetece. A diferença é que ao blog só vem quem quer e o dono do blog pode filtrar os comentários, poupando os seus frequentadores aos surtos de patetice do vaidoso mais próximo. E se os meus amigos e conhecidos no Facebook não quiserem aturar as minhas opiniões, é só não abrir os links que lá deixo para o Imperatriz e pronto. O que difere grandemente de ver, no mural e em detalhe, a palermice debitada várias vezes por dia. 
 No entanto há uma enorme vantagem na internet: se as redes sociais permitem a esta gente com ego inchadíssimo e pouco miolo desabafar à fartazana, talvez se calem um bocadinho na vida real. Ao menos estando em casa e ao quente, confortavelmente sentado ao computador, só lê quem tem paciência e não é preciso arranjar desculpas para sair à francesa...

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