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Saturday, August 13, 2016

As coisas que eu ouço: sede como as criancinhas



Esta foi mais vista do que ouvida: ontem ia eu toda atarefada a caminho dos meus afazeres quando, ao chegar à estação que tomo diariamente, noto os guinchinhos de alegria de duas ou  três crianças muito pequenas que se divertiam a girar sobre si próprias de braços abertos (quem nunca o fez em petiz, que se acuse...). Estava um lindo dia de sol e o quadro chamou-me a atenção pela sua inocência; bem se via que  não tinham nenhuma preocupação na Terra!

E do nada, reparo que um homem novo de fato e gravata se lhes juntou: abriu os braços e girou também, sem alterar a expressão do rosto, como se aquela brincadeira fosse a coisa mais séria deste mundo. Sorri enternecida para aquilo, julgando ser um jovem pai a brincar com os filhos.



Foi tudo tão rápido que mal deu tempo para perceber que não era o caso: ele rodou um par de vezes como um derviche com aquele ar grave de quem diz "virou que se faz tarde" (ou mais literalmente, como diria a Kylie Minogue, I'm spinning around, move out of my way) e, sem interromper o movimento nem mudar de cara, saiu da dança para apanhar o metro como se nada fosse.

 Isto diz muito da capacidade desta gente de viver a seu modo e de se estar nas tintas para o que o povo pensa, como já vimos, mas acima de tudo lembrou-me de como não se tomar demasiado a sério é condição sine qua non para a felicidade ou mesmo para o sucesso.

Se a uma pessoa crescida lhe apetece brincar ou  dançar o vira (ou outra coisa qualquer) out of the blue uma vez por outra, não está escrito em lado nenhum que seja proibido ou que precisa de ter horários e lugares específicos para tal - tão pouco se ganha automaticamente um carimbo de "figura de urso"  por causa disso, mas se ganhar, azar. E  até vos digo que só não me juntei a eles porque fiquei demasiado surpreendida e  não me queria atrasar, senão era limpinho. You can dance if you want to - and you can spin if you want to, era o que mais faltava.

Friday, June 20, 2014

Há blogs que são bons exemplos: beleza com valores.


Andava eu à procura de uns penteados para me inspirar quando reparei numa blogger muito bonita, ruiva, muito sardenta e com longa cabeleira a dar todo o tipo de dicas.
  Como é sempre boa ideia aprender truques com quem partilha o mesmo fototipo, perdi um bocadinho a ler-lhe o espaço, The Freckled Fox, e fiquei encantada: embora o meu posicionamento enquanto blogger seja inteiramente outro e pessoalmente não me sinta à vontade com a ideia de expor na blogosfera a vida privada e retratar cada toilette que se veste ou cada passo que se dá (há por aí resultados bonitos, mas quanto às consequências já não sei) se é para mostrar, que se mostre alguma coisa de jeito e que seja um bom exemplo para quem lê.


 Ora, Emily - que é um dos meus nomes preferidos, por ter mais do que uma antepassada que se chamava assim e por ser bonito em todas as línguas - é uma mãe e esposa muito jovem que leva uma vida idílica ao lado do seu super paciente marido, que a ajuda com a canseira enorme que é um blog deste género, fora o resto.
   Ou seja, Emily tem projectos profissionais, mas também é uma dona de casa e mãe de quatro pequenos que são a coisa mais amorosa que já se viu.


 Não concordarei com tudo que a blogger defende (também ainda não li a fundo tudo o que escreve) mas nos tempos de frieza e materialismo que atravessamos - em que as ideias pró libertação da mulher martelam que uma rapariga pode e deve fazer tudo menos  decidir, se assim o entender, dedicar-se mais a ter uma família do que a qualquer outra coisa - a sua opção é realmente corajosa. 
 Quando vejo situações assim ocorre-me sempre aquele episódio de Sex and the City em que Charlotte se sente culpada por exercer a tão falada liberdade de escolha para formar um lar.
 Ora, se há liberdade esta deve prever que se tomem, sem julgamentos, as opções que parecerem acertadas; e se há mulheres que não querem ser astronautas nem dirigir um império, que têm ambições mais tranquilas e que preferem prescindir de alguns luxos ou tempo livre para ter mais filhos, essa é uma escolha de coração que merece tanto respeito como qualquer outra...até  porque não pode ser de todo uma tarefa fácil.
 Acima de tudo, é uma escolha que exige personalidade.

 Depois, Emily não só está orgulhosa das suas opções como ainda dá uma lição às meninas preguiçosas que andam para aí a pregar a desculpa esfarrapada "tenho orgulho nos meus quilinhos a mais e nas minhas olheiras porque tive um bebé e nunca mais fui a mesma", porque com quatro crianças, uma casa, um marido e um projecto a cargo arranja tempo e brio para estar lindíssima e sempre composta. Uma mãe não tem de ser pouco glamourosa e à beira de um ataque de nervos; como tudo na vida, não há nada que não se alcance com vontade e disciplina

 Sabe bem encontrar coisas assim na fogueira de vaidades que para aí anda - sem que haja nada contra a vaidade em si mesma, bem entendido.



Monday, February 17, 2014

Coisas que me deixam inexplicavelmente bem disposta.

                                                   

Nunca fui grande fã de desportos de Inverno; talvez porque não têm muita expressão cá - ou porque embora goste de "ir à neve" a ideia afigura-se-me sempre um bocadinho assim: uííí, já desci, tão lindo, vamos outra vez, o que ao fim de um bocado se torna algo repetitivo e porque a ideia de branco, branco, branco até onde a vista alcança me aflige- se estiver numa paisagem onde não haja mais nada para fazer senão escorregar na neve, bem entendido. Numa cidade, ou se houver uma agenda social que me permita usar casacos e vestidos bonitos (e fazer os percursos num magnífico trenó, com um deslumbrante casaco/capa estilo Rainha das Neves, isso sim!) já sou capaz de achar graça. Manias.
 No entanto, sempre tive alguma pena de não haver muitas ocasiões de patinar no gelo. Era algo que me via a fazer, se se tivesse proporcionado, muito por culpa da avó que às vezes se sentava comigo na saleta a ver as competições de patinagem artística. Um desporto que mistura movimentos de ballet, auto-domínio, moda, glamour e música tem definitivamente algo a ver comigo. Dançar deslizando por ali fora, sem peso nos pés, deve ser uma sensação de liberdade incrível.


 Isto para dizer que fiquei absolutamente siderada pela prestação avant garde deste rapaz. Para além de ter uma abordagem totalmente vogue à sua arte, não parece humano - antes uma fada ou um diabrete, uma personagem de Shakespeare ou uma sílfide, com uma pitada de toureiro e de artista marcial, tudo ao mesmo tempo. Há muito tempo que não via uma performance artística de qualquer tipo que me prendesse tanto a atenção. Haverá quem não fique fã das suas escolhas musicais - eu que não sigo exactamente Lady Gaga acho Bad Romance uma das canções pop mais comoventes da década, e...bem, o melhor é mesmo cada um julgar por si.



 Elevou-me o espírito e só me apetecia juntar-me a ele a rodopiar por ali fora (isto fantasiando, porque já não me equilibro em patins há séculos e decerto não ia ser fácil manter níveis mínimos de graciosidade, mas sonhar não custa, certo?).

Friday, September 20, 2013

Quero este bicho de estimação, se faz favor.

                       
Já se sabe que as redes sociais estão de tal maneira pejadas de imagens  de animais fofinhos a fazer o diabo a sete que já ninguém repara, mas esta chamou-me a atenção. Vi-a hoje na única revista leve que me dou ao trabalho de comprar: segundo o fotógrafo, a rãzinha viu que estava a chover, pegou na primeira coisa que estava *literalmente* à mão e fez um guarda-chuva à sua medida. Orientou o seu "chapéu" para se proteger ao máximo do aguaceiro e assim ficou durante mais de meia hora, com ar de pessoa muito importante. 
Agora imaginem os truques que eu não poderia ensinar a esta coisinha tão cuti cuti e civilizada. Acho que a podia levar comigo para toda a parte, até para sítios de cerimónia, que ia portar-se lindamente e ainda me fazia uns recados. E se for venenosa e der alergia a pessoas chatas, melhor! 

Thursday, August 1, 2013

Coimbra com bom gosto e...ideias geniais

                     
Isto não é só ter estatuto de Património da Humanidade: há que aplicar a Sabedoria a ideias úteis para o comum cidadão. Ou para pessoas com gostos exóticos (e chatos!) como os meus. Um grupo de investigadores meus conterrâneos que deve gostar tanto de tamarilhos como eu, e que tal como eu, deve estar cansado de não os encontrar em lado nenhum, teve a brilhante ideia de os...clonar
 Passo a explicar, porque como estou atrozmente cansada as minhas ideias podem não estar a fazer lá muito sentido: a tia C. tinha em casa uma linda árvore de tamarilhos, vulgo tomate brasileiro ou, como lhes chamávamos, maracujás encarnados. Como sempre fui dotada de uma grande imaginação, pensava que a Árvore do Bem e do Mal, lá no Éden, seria exactamente assim. Os pendentes escarlates nasciam ali aos cachos, maduros, deliciosos, e eu e as minhas primas gostávamos de nos sentar lá debaixo a brincar, ou à conversa, mordendo tamarilho atrás de tamarilho. Mesmo assim a árvore dava tantos, tantos, tantos que sobravam sacos deles para fazer compota (uma iguaria do outro mundo) ou para pôr numa taça com açúcar, e comer à colher. Não só o fruto tem um sabor único como está associado a algumas das melhores recordações da minha infância...
 O idílio acabou quando o meu tio, num acesso que não lembra ao mais pintado, cortou a árvore porque ela crescia muito e lhe tapava...um limoeiro. Um limoeiro, por amor da Santa! Nada contra os limões, mas limoeiros é o que mais havia por aquela terra fora. A partir daí, foi uma travessia no deserto. Só muito pontualmente os encontro, ora caríssimos (e parcos) ora nos jardins de pessoas que cometem o sacrilégio de nem sequer os apanhar, prova provada que dá Deus tamarilhos a quem não tem juízo. Há um ano corri tudo quanto era feira e loja da especialidade em busca de uma árvore-do-Paraíso para plantar. Não imaginam a canseira, os cordelinhos que tive de mexer, etc. E lá a arranjei, raquítica. Não vingou. Outro desgosto.
 Por isso, acho lindamente que estes senhores inteligentes e de gosto da minha cidade recorram a "um conjunto de plantas seleccionadas de tamarilho altamente promissoras para afirmar a produção e consumo deste fruto exótico em Portugal". Que "a partir de material vegetal proveniente de diferentes origens, designadamente da Madeira e dos Açores, onde há pequenas produções, os investigadores" tenham conseguido, benza Deus "desenvolver um método de clonagem por embriogénese somática" (processo que permite "multiplicar plantas seleccionadas") e que prometam " garantir uma produção rápida e resistente a pragas e intempéries, o que no caso do tamarilho assume grande importância, já que é uma fruteira muito sensível às geadas". Às geadas e a tudo, que o malvado do tamarilho é picuinhas que se farta. As melhores coisas são delicadas e sensíveis, já se sabe. Fico mesmo contente quando alguém decide dar-se ao trabalho de me fazer as vontadinhas. Coimbra é uma lição, pois é.


 

Thursday, July 18, 2013

You go, Nelson Mandela!

       
Nelson Mandela fez o que os homens valentes fazem: mais uma vez disse à morte "hoje não". Deu um pontapé na mafarrica, fintou-a e fez mais um aniversário. Se a prisão não o deitou abaixo, não é uma cama de hospital que o faz. Sendo certo que já viveu uma vida longa e cheia, também é justo que ande por cá mais uns anos, a iluminar as almas num mundo tomado pelo cinismo e pela falta de esperança. Aprecio a política a uma distância segura - em parte porque muito é same old, same old - mas tenho para mim que este será o último líder genuinamente amado pelo povo e respeitado por pessoas de todos os credos e nações. Um símbolo de tempos mais duros, mas também mais ingénuos, em que se acreditava numa sociedade justa e evoluída. Não sou de utopias, nem um bocadinho, nem tenho paciência para idealismos ou sonhadores inveterados. Mas de Nelson Mandela gosto, quem não gosta? A most, most happy B-Day!!!

Wednesday, June 5, 2013

Salvem os pirilampos.


                              

Ontem houve certa preocupação cá em casa quando alguém ouviu nas notícias que os pirilampos correm o risco de se extinguir.
Não encontrei a  fonte para partilhar convosco, mas de acordo com os especialistas na matéria é mesmo verdade:


"Em relação aos pirilampos, o excesso de luz artificial impede animais nocturnos que utilizem sinais luminosos de se encontrarem [e consequentemente, de se reproduzirem]. A luz artificial em excesso inibe a produção de luz nestes animais". 

Como tenho a sorte de morar num reduto campestre onde a abóbada do céu está visível em toda a sua glória e o escuro ainda é mesmo tenebroso- não obstante os dois minutos que me separam da zona mais movimentada da cidade - não dei pela falta de nenhum desses bichinhos que anunciam o início do Verão. Mas convenhamos, há que fazer alguma coisa (não faço ideia o quê) para não dificultar a vida amorosa dos coitadinhos, porque Junho sem pirilampos não tem a mesma magia. Olhar para eles transporta-me para a infância na quinta dos avós, quando preparava com os primos as caçadas (salvo seja) aos pirilampos. Não lhes fazíamos mal, mas ter permissão para andar no mato fora de horas a inventar sabe-se lá que aventuras criava um ambiente fantástico. O mundo já anda tão sem graça que é preciso não comprometer futuras gerações de pirilampos. Mais do que isso, é importante não impedir as crianças de futuras gerações de desfrutar de expedições nocturnas para observar pirilampos. Tudo bem que a maioria dos pequenos está infelizmente tão urbana, tão resguardada, tão super protegida, tão longe da família alargada que julga que um pirilampo é um peluche com olhos esbugalhados que todos os anos se vende para fins solidários; está entregue à Playstation ou outro brinquedo da moda e dificilmente tem liberdade para sair em bando depois do pôr do sol. Mas mesmo assim (ou por isso mesmo) salvem os luzi-derrièrres, se faz favor. 

Wednesday, February 20, 2013

Uma coisa que me faz sorrir...





...é ver que coisas boas acontecem a boas pessoas. Mesmo quando as pessoas em causa não são o que eu chamaria amigas, mas o que conheço delas é o suficiente para ter por elas um certo carinho ou admiração, e para saber que o sentimento é mútuo. Nem sempre as circunstâncias da vida nos permitem estar próximas de quem, noutro contexto, poderia ser nosso amigo. Mas a distinção, o bom carácter, a personalidade firme e correcta são sempre valores que me merecem estima. Ainda que não possa dizer pessoalmente "estou tão feliz por vocês" reconforta o coração ver que afinal anda o mundo concertado.

Thursday, January 31, 2013

Wishmaster

                                    
Cuidado com o que desejas - sempre ouvi e respeitei esta máxima. Acredito que a mente e as palavras têm poder, e que temos certa influência sobre boa parte do que acontece na nossa vida. Alguns dos meus desejos mais importantes realizaram-se com trabalho, esforço e uns saltos para agarrar as oportunidades a flutuar por cima da minha cabeça. Alguns valeram a pena, outros tiveram o seu papel mas não permaneceram na minha vida mais do que o necessário, ou provaram não ser tão maravilhosos como imaginava. Nem tudo o que queremos em certa altura da vida se adequa realmente à nossa maneira de ser. Mas realizar algo é sempre importante: cria em nós aquela mentalidade "eu consigo". E é preferível ter uma moldura mental vencedora ao oposto, que se torna uma verdadeiro atraso de vida...
 Claro que há desejos que ficam pelo caminho, ou que tomam outra forma. Já me aconteceu desejar, desejar, desejar isto ou aquilo...e nada (geralmente, coisas que venho a concluir mais tarde, não eram assim tão boa ideia). Outras vezes, no entanto, desejos maiores ou menores que formulo assim "no ar" sem pensar mais neles, sem lhes dar mais importância....*plim* materializam-se, ora de uma vez, ora trazendo-me sucessivamente coisas e circunstâncias semelhantes. Por vezes nem é exactamente um desejo, mas um raciocínio claro e objectivo que me ocorre, sem pressão alguma. Se por exemplo, me passa pela cabeça "ando muito fechada em casa, devia socializar" é frequente dali a  uns dias não ter para onde me virar. Ou um exemplo mais concreto: há dias tencionava escrever um post aqui no blog a perguntar às leitoras viciadas em maquilhagem, que conhecem todas as novidades, qual o bâton "da moda" que recomendam. Soube de alguns que andam a fazer a cabeça de muita gente por este mundo fashionista fora, mas precisava de conselhos para um encarnado, outro cor de camélia, que preenchessem o lugar do meu preferido que foi descontinuado (já falei dele algures por aqui). Andei com esta ideia, mas como sabem nas últimas duas semanas a correria foi muita e não pude postar tanto como gostaria. Adiei, adiei.. e eis que do nada, soube de uma perfumaria que fez uma liquidação maluca. Passei por lá e pelo preço que queria dar por um só bâton de qualidade, trouxe uma data deles nos tons e texturas exactos que desejava, simplesmente perfeitos. Hoje dei uma volta aos saldos e kazaaam, mais dois glosses encarnado escuro (um tom que adoro mas raramente arranjo) ao preço da chuva. 
 Ainda hei-de descobrir como controlar este poder mágico e usá-lo para objectivos realmente importantes, mas acho sempre graça quando isto acontece. Quanto mais não seja, não devo precisar de bâton nos próximos tempos.

Wednesday, January 16, 2013

Dancing in the street



Parece que agora é moda pôr-se a dançar ao som do Ipod no meio da rua, perante a indiferença, espanto ou simpatia de quem passa, gravar a brincadeira e colocar no Youtube.
  O vídeo fez-me sorrir, porque a ideia de fazer coisas inesperadas num cenário banal do dia a dia sempre me divertiu. Nunca participei numa flashmob (há algumas com graça, e se isso existisse quando andava no liceu talvez aderisse) mas já me aconteceu estar com outras pessoas numa festa chata, começar uma música de fazer saltar o pé, abana-se um, 
abana-se outro, um não resiste, eu não resisto e por causa disso mais alguém se atreve, pois a dança é como o riso; e dali a  nada o bicho da bailação parece contagioso e todos, novos e velhos, convidados e pessoal, desatam numa animação que quase faz voar mesas, bandejas e louça, e eis que uma reunião chocha se transforma num divertidíssimo motim, tal e qual o conto infantil

Apenas, no caso destes vídeos não há um instrumento mágico, mas um aparelhinho minúsculo...
 Quando estudei na Holanda espantou-me o à vontade daquela gente, que não se ensaiava de cantar no meio uma loja, ou em plena rua se lhe apetecesse, acompanhando a cantoria com uns passinhos de dança. Talvez seja essa descontracção, que os portugueses só têm de vez em quando, que faz falta a este país - embora os tempos não vão oficialmente para folias, um pouco de vá de folia e de trovas não fazem mal a ninguém... You can dance if you want to, you can leave your friends behind, ´cause your friends don´t dance and if they 
don´t dance well they are no friends of mine...

Havia na terra

Um homem que tinha
Uma gaita bem de pasmar
Se alguém a ouvia
Fosse gente ou bicho
Entrava na roda a dançar

Um dia passava
Um sujeito e ao lado
Um burro com louça a trotar
O dono e o burro
Ouvindo a tocata
Puseram-se logo a bailar

Partiu-se a faiança
Em cacos c'o a dança
E o pobre pedia a gritar
Ao homem da gaita
Que acabasse a fita
Mas nada ficou por quebrar

O Juiz de fora
Chamado na hora
"Só tenho que te condenar
Mas quero uma prova
Se é crime ou se é trova
Faz lá essa gaita tocar"

O homem da louça
Sentado na sala
Levanta-se e põe-se a saltar
Enquanto a rabeca
Não se incomodava
A sua cadeira era o par

Pulava o jurista
De quico na crista
Ninguém se atrevia a parar
E a mãe entrevada
Que estava deitada
Levanta-se e põe-se a bailar

Vá de folia
Vá de folia
Que há sete anos
Me não mexia

Friday, October 19, 2012

Something fabulous this way comes




É maravilhoso ter boas expectativas, boas surpresas, boas notícias e boas certezas. Estar feliz com diferentes aspectos da vida.  Há que exercitar isso para elas se habituarem a nós e continuarem a surgir. Ainda por cima, é Sexta feira. Já agradeceram as coisas boas que vos aconteceram esta semana? Eu já.


Tuesday, October 2, 2012

Das pessoas amorosas

                                          
Muitas vezes falo-vos da gente rara ou ruim com quem embirro, talvez porque infelizmente, as pessoas estranhas e malvadas dão mais nas vistas. Mas graças aos céus, também há aquelas que tornam a vida agradável e fazem o mundo mais bonito. São as que andam sempre com um sorriso e desencantam coisas giras ou engraçadas para dispor bem os outros onde ninguém mais as vê. São as que se alegram com o sucesso alheio. As que, mais do que aderir a causas que nunca viram, fazem o possível pelo próximo, têm palavras de incentivo, de consenso, de apoio; as que cuidam da sua vida e competem consigo mesmas, em vez de desafiar os outros. As que escrevem um disparate sincero, em vez de fazer copy/paste de um disparate alheio supostamente "tocante". Pessoas que tentam tornar agradável qualquer ambiente onde estejam, que elogiam desinteressadamente, que delegam com sabedoria, que sabem trabalhar em equipa e unir o talento alheio ao seu. Ou aquelas do estilo Dr. House, refilonas e mal encaradas, what you see is what you get, mas com um coração de ouro e sentido de humor. As pessoas que lêem muito, mas são capazes de pensamento próprio e de originalidade; que estão conscientes das responsabilidades, em vez de procurar os louros; que são carinhosas com quem as rodeia, porque sim; que são criativas, com uma rebeldia genial, e que nos deliciam com textos bem escritos, com ditos espirituosos, com um estilo próprio. Pessoas discretas e sensatas. E educadas, que sorriem quando lhes sorriem, respondem quando lhes falam, agradecem,  pedem licença e têm uma polidez à moda antiga, porque a velha cortesia nunca passa de moda. Aquelas que nos fazem admirá-las, que são originais, mas sabem reconhecer a criatividade e o talento nos outros e ficam contentes quando encontram uma alma irmã, pois sabem que o seu talento é único e por isso, não se sentem ameaçadas. Que têm espírito crítico sem cair num cinismo extremo. Que amam os animais e dão desconto às pessoas. Gente capaz de gerir os relacionamentos com lealdade, justiça e equilíbrio. Gente de confiança, que ainda usa a palavra de honra. Gente gira. Gente com classe. Gente boa.

I love: Muhammad Ali e Louis Vuitton

                                   
Depois de Mikhail Gorbachev, Keith Richards, Angelina Jolie, Michael Phelps, Sean Connery e Catherine Deneuve, Muhammad Ali é o novo rosto da Louis Vuitton. A imagem, captada por Annie Leibovitz, mostra o atleta em casa, acompanhado pelo neto de três anos. Esta é a mais recente campanha Cuore Values, que além do lindíssimo retrato inclui uma homenagem no site da LV e vários vídeos de tributo (ver abaixo) baseados nos discursos icónicos do lutador . Segundo Yves Carceille, CEO da marca, Muhammad é "o  epíteto de uma personalidade extraordinária" e foi "uma honra" que tivesse acedido ao convite. A presença da criança chama a atenção para o elemento da hereditariedade e transmissão, valores inalienáveis da Louis Vuitton. Pessoalmente, adoro que numa cultura ainda obcecada com a juventude se homenageiem lendas vivas, cujo brilho é imune à passagem do tempo. Não houve nenhum como Muhammad Ali , nem haverá; o seu legado transcende o desporto. É uma lenda, que inspirou outra - Bruce Lee. Um homem que marcou a sua época, um homem de causas com uma forma de pensar incrível. É daquelas pessoas raras, com um fogo dentro de si que precisa de explodir e lançar toda a sua luz sobre o mundo. Há os famosos...e há as estrelas.








Friday, September 28, 2012

Diana procura-se, ou como ainda há amores à moda antiga



Desconheço o grau de sinceridade desta história (com o que temos visto nos últimos dias, volto à boa e velha desconfiança, não vá ser obrigada a contradizer-me mais tarde) não sei se será um caso de amor à primeira vista nem como acabará, mas gosto do pressuposto. Rapaz conhece rapariga dos seus sonhos, rapariga coloca desafio impossível para ver se ele gosta mesmo dela, rapaz aceita.  Noutros tempos, o nosso herói recorreria às alcoviteiras das redondezas,  pagaria aos mendigos que por ali andassem por informações, correria as tabernas e capelinhas: hoje, serve-se das redes sociais e da câmara do telemóvel. Não tem um lenço estrategicamente caído ao chão como penhor da sua Dulcineia, mas um retrato tirado à pressa e às escuras. Não escreveu longas cartas - criou uma data de posts e ligou para os jornais. Mas é bonito ver que na era da facilidade, dos encontros fugazes e  sem significado, ainda há raparigas capazes de fazer andar um homem num virote e homens que sejam homens que chegue para se esforçarem pela mulher certa... nem que isso signifique fazer figura de parvo. Ele podia pensar " ai não me queres dar o teu contacto? naquele bar  há 100 raparigas como tu" e agir como tantos outros, que se deixam estar à espera que elas vistam as calças. Ela podia julgar vou-me embora daqui a uns dias, vamos mas é aproveitar antes que ele mude de ideias - mas foi mulher, e valente: se valer a pena, ele encontra-me. É um pouco extremo, mas gosto de ver uma rapariga que escolhe em vez de ser escolhida, e um homem que ajuda o destino. Ainda dizem isto e aquilo das francesas...o sangue gaulês não está extinto, é o que é!
O desafio colocado pela Diana fez-me lembrar as estratégias de coquetterie que as minhas avós contavam e as cruéis (e impossíveis)  provas de amor exigidas pelas donzelas medievais aos seus cavaleiros, imortalizadas em cantigas como (as muitas versões de) Scarborough Fair. Bravo, meninos!


Oh find me, find me a cambric shirt
parsley, sage, rosemary and thyme
with neither seams, nor needle work
then he will be a true lover of mine



Monday, September 24, 2012

Duas ENORMES verdades

Quem ama Rosas - chá? Eu. E as que me
ofereceram agora são LINDAS.

1 - Quanto mais penso e observo, mais confirmo que não vale a pena uma pessoa crispar-se por coisa alguma. Nunca deixa de me surpreender como as avós estão sempre certas. O que é nosso à nossa mão virá parar, sem que se corra, sem choradeiras, angústias ou malabarismos em pontas. Demora o seu tempo, segue o seu curso natural, toma os seus próprios caminhos (muito esquisitos aos nossos olhos, às vezes) mas se nos pertencer não deixa de vir. Quem ama ou deseja alguma coisa liberta-a, deixa ir, deixa correr. Se regressar a casa ou às nossas mãos por si, não é preciso mais nada. O que não for nosso por pleno direito e livre vontade, tanto faz correr como saltar, obrigar, forçar ou fazer figuras ridículas: inevitavelmente acaba por desaparecer, fugir ou despedaçar-se, porque o Universo não gosta de gente obcecada e possessiva. E até lá? É aproveitar os limões que a vida oferece e juntar champagne à limonada!

2 - Há dias, a folhear distraidamente um livro velho, reparei numa enorme verdade que por vezes nos escapa. Era qualquer coisa assim:

Há que valorizar e agradecer as pequenas alegrias e sucessos. Afinal, quantas vezes um aborrecimento insignificante é o suficiente para nos deixar mal dispostos para o resto do dia?

Ou seja,  temos que atribuir aos triunfos intermédios, aos pequenos passos bem sucedidos, aos sinais auspiciosos, às surpresas boas e aparentemente insignificantes a mesma importância que damos a um ralhete do chefe, por exemplo. Se uma maçada sem relevância alguma é suficiente para nos atormentar horas a fio, porque não hão-de coisas mínimas, mas felizes, deixar-nos com um sorriso na cara até à noite? Porque havemos de reparar mais - e investir mais energia - nas coisas más do que nas boas? É uma questão de hábito. Acredito piamente que quando estamos nervosos ou arreliados somos incapazes de atrair uma surpresa agradável, de pensar em soluções eficazes, de fazer algo que jeito tenha. E para as pessoas espirituais, há que agradecer para obter mais do que se tem. Pessoalmente, sou uma rapariga que gosta de dar graças. Por coisas óbvias que tomamos por garantidas como segurança, tranquilidade e pessoas que gostam de nós. Mas também por pequenos extras que nos dão prazer, como roupas bonitas no armário ou - como me aconteceu ontem- chegar a casa e ter um lindíssimo bouquet das minhas rosas  à espera, oferecido por uma das minhas pessoas preferidas em todo o planeta.




Friday, September 7, 2012

Happy birthday mom!




É muito bom ser abençoada com uma mãe que além desse pesado cargo (ser mãe nunca é fácil, e minha ainda por cima..requer coragem) também tem as funções de  amiga, colega de equipa em todos os projectos e aventuras, maior admiradora (mas capaz de dizer " não sais assim de casa"  e de me colocar no sítio, o que também dá muito jeito) inspiração de estilo e talismã.
 Mimos, muitos mimos, é o que ela merece.



Thursday, September 6, 2012

Já tenho Physalis no jardim...





...at last! Há lá frutinha mais saborosa, mais bonitinha e mais cuti-cuti? E tem muitas utilidades, desde enfeitar bolos a fazer uma compota absolutamente divinal. Agora é torcer para que se desenvolvam à séria os meus jovens tamarilhos, maracujás, groselhas, framboesas e mirtilos...

Wednesday, September 5, 2012

Hail Freddie: in the lap of the Gods



"I won't be a rock star. I will be a legend".

"I dress to kill, but tastefully".

"I want to lead the Victorian life, surrounded by exquisite clutter".


"What will I be doing in twenty years' time? I'll be dead, darling! Are you crazy?"

Freddie Mercury dixit

Hoje faria anos o meu querido Freddie, o músico mais amado cá em casa e talvez a única pessoa a quem eu poderia chamar "ídolo". Não porque o considerasse perfeito. Era imperfeito à semelhança dos antigos Deuses Gregos, com falhas que lhe davam graça e o tornavam vulnerável como nós. Era genial, carismático, imbuído de um talento divino, de uma centelha que ardeu com demasiado brilho,  demasiado fulgor, e que se apagou cedo demais. Freddie Mercury era uma estrela, porque não sabia ser outra coisa. Tinha o seu quê de Oscar Wilde no discurso, nos gostos, no ambiente que criava à sua volta.  Sendo de origem persa, carregava no sangue a magia dos seus antepassados. Era Virginiano, como eu e a mamã (que foi quem me incutiu a paixão pelos Queen, ainda andava eu à espera de nascer) e embora não acreditasse na astrologia, escolheu o seu planeta regente, Mercúrio, para nom de guerre. Mercúrio, o belo e sagaz mensageiro dos Deuses, protector de artistas e salteadores, o que dá e tira  a sorte, abre e fecha portas e caminhos, o único com permissão para viver no Olimpo e caminhar pelo Submundo, bom e mau, compassivo e maroto, cheio de dualidades e contradições. Também usou os signos de cada elemento dos Queen para criar o brasão da banda, mas só por uma questão de estilo. Divertia-se com a moda, com a astrologia, a arte e a literatura, brincava com todas essas referências, mas não se regia por elas. Não precisava. Era um ser de outro tempo, feito de outra coisa, eterno. Freddie Mercury brilhava com luz própria, bastava subir a um palco ou sentar-se a um piano para que a arte lhe fluísse dos dedos e a voz dos anjos se fizesse ouvir. Só tinha de ser quem era, ora raiando a Lua ora roçando a terra. Talvez tivesse pisado demasiado o chão. E os Olimpianos não gostaram, porque querem perto de si aqueles que amam. Está como sempre esteve, no colo dos Deuses. Dissimulado por uma nuvem dourada, porque é assim que Hermes - Mercúrio gosta de aparecer aos mortais.




Friday, August 31, 2012

Farinelli in the house


Saudável, meigo, com mau feitio...um ano e meio depois, eis que volta para casa para me deixar MUITO feliz. A fazer muito romrom, ainda um tanto ou quanto desconfiado e assustadiço, com medo de qualquer barulho e dos flashes (daí este retrato que não lhe faz justiça; ele está muito mais bonito do que parece aí)  mas muito mais moderado nas dentadas e pantufadas. Ou seja, civilizou-se na rua. A liberdade fez-lhe bem. É miraculoso como sobreviveu e soube voltar a casa! O Mê gato, o mê gato, o mê gato está cá, benza-o Deus! A todos os que se preocuparam, que me mandaram mensagens de apoio e torceram pelo seu regresso, o nosso muito obrigada.

Friday, August 24, 2012

Casaquinho Tartan: literalmente um mimo

De regresso de Terras de Sua Majestade, o meu querido papá trouxe-me algumas lembranças. A minha preferida foi este blazer  adorável de lã e cachemira com gola Tartan, da marca inglesa Eliz Scott. Um casaquinho escocês para uma lass com costela escocesa, portanto. Ainda por cima, quem me quiser ver em modo Nirvana... é oferecer-me algo com cachemira. Não resisto. Esta casa é uma firma familiar, que trabalha apenas tecidos da melhor qualidade 100% produzidos no Reino Unido e com mão de obra nacional . Fiquei encantada com tudo o que fazem (especialmente as capinhas e canadianas) e com a relação qualidade -preço que praticam. Vale bem uma visita se passarem por Inglaterra, mas também vendem online. Como podem imaginar, já estou a magicar combinações para me divertir com ele na próxima temporada. Algo com umas botas fabulosas, para começar. Sugestões?

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