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Tuesday, July 17, 2018
Pobres pessoas de quem tenho muita pena #1: alérgicos ao amendoim
Nesta vida cada um com os seus problemas, as suas limitações e as suas arrelias a vários níveis. No entanto, há dramas piores do que outros; e depois há aqueles que, não sendo *necessariamente* uma tragédia, se tornam um verdadeiro bruxedo porque privam quem deles sofre de muita coisa e causam uma série de entraves quotidianos.
Há dias, estava eu a preparar um belíssimo iogurte nórdico com manteiga de amendoim, mel e raspas de coco para o pequeno almoço (delicioso, super nutritivo, rico em proteínas e enfarta brutos) quando me lembrei das pobres pessoas que não podem comer- nem sequer provar - manteiga de amendoim. Ou amendoins ou nozes de qualquer espécie e seus derivados (que se escondem praticamente em toda a parte- basta olhar para a composição de montes de preparados mais ou menos saudáveis).
Olhem que karma, hein? Não só essas pobres, pobres pessoas estão impedidas de enfardar coisas saborosas como a "Elvis Sandwich" (uma torrada de manteiga de amendoim com geleia e bacon) um inocente snikers ou uma super inócua barrita de cereais, sob pena de incharem como um peixe balão ou arriscarem mesmo bater a caçoleta, como vivem no permanente terror de uma morte estúpida (desculpem) caso se esqueçam de verificar as letras miúdas em tudo quanto é embalagem ou menu.
Para mim, que sou uma despistada, que cresci com manteiga de amendoim antes de isso ser moda (manias que o pai trouxe dos seus tempos de estudante lá pelos EUA) e com as maravilhosas "pinhoadas" da Figueira da Foz (espécie de bolacha duríssima feita de amendoins vendidas junto às praias da Zona Centro) e que sou basicamente perdida por tudo quanto seja nozes, isso seria um castigo dantesco... e às tantas, garantia de ir desta para melhor mais dia, menos dia.
Tenho tido, desde pequena, a minha dose bem aborrecida de alergias incómodas: algumas desapareceram com os anos (passei uma fase em que só o cheiro a caril me deixava os olhos a chorar e os lábios que pareciam picados pelas abelhas ou com uma dose industrial de colagéneo) outras continuam a dar-me que fazer: ainda preciso de ter cuidado com alguns cremes e cosméticos, mesmo que sejam de marcas de luxo. Basta chegar a Primavera para ficar uma chaga, passar por um pinheiro com bicho para idem idem aspas aspas ou ser mordida por um mosquito para entrar praticamente em choque anafilático.
A onda de calor que tem varrido Londres obrigou-me a correr as farmácias para comprar um stock de "Ezalo" (que aqui só se vende na secção de viagens, já que o Verão não costuma ser tão sufocante como o nosso) e a andar coberta de repelente de mosquitos se quiser pôr um pé que seja no meu jardim. Conheço bem a penitência de passear por aí com uma "moca" de anti histamínicos em modo alma penada. Ainda assim nada me parece tão mau, nem um atraso de vida tão grande, como fazer alergia aos amendoins, a não ser talvez ser alérgico a marisco e às conchas/cascas de moluscos (outra coisa que adoro e que entra na composição de imensas outras coisas que aparentemente não têm nada a ver).
Haja coragem! A minha solidariedade e admiração vai para vós, desventuradas pessoas com intolerância às nozes. Tenho para mim que quem tem jogo de cintura para driblar essa limitação diária deve ser capaz de ultrapassar qualquer desafio que a vida lhe atire. Apostaria convosco que muitas pessoas bem sucedidas sofrerão dessa alergia: lidar com ela desde a infância só pode torná-las um prodígio de resiliência, auto domínio e capacidade de improviso. Respect.
Friday, January 15, 2016
23 pinderiquices de marca maior (Parte II)
E continuamos a nossa lista. Segurem-se que vai custar um bocadinho:
15- O guarda roupa do mau-mau, e o look "afavelado"
Tudo o que tem sido dito ad nauseam: cultivar o tipo físico "mulher melancia" ou o look "bombado" do Carlão vulgo bimbo de ginásio com direito a esteróides (ou papas que fazem músculo, vá). Depois, o mau ar obrigatório: toneladas de gel a espetar o cabelo para eles, cabelo esticadinho preto-graxa ou louro-queimado-com-chama para elas, garras multicoloridas, grandes brincos, ceroulas do demo, tigresse barata, tramp stamps, mini vestidos de lycra, calções-cueca, sapatões sintéticos com aplicações douradas, já sabemos de cor a lista.
16- "Sobrepartilhar" as intimidades nas redes sociais
Mais uma que goes without saying, mas pronto. Uma coisa é não esconder aos amigos que se está numa relação ou que se foi mãe ou pai e partilhar alguns momentos chave ou retratos que ficaram mesmo engraçados.
Outra é escarrapachar online cada beijinho, selfizinha, comidinha, fraldinha, comprinha, ceninha de ciúmes, probleminha...seja por auto-afirmação ("tenho o melhor namorado do mundo!") para "esfregar na cara de alguém" isto ou aquilo (que coisa feia!) ou por simples inconsciência, nunca é boa ideia. Para não falar nas frases de engate que além de ordinárias, gritam ao mundo "estou em desespero" e que deixam de aparecer misteriosamente quando a alminha encontra, por milagre, companhia. E no caso de namoros, nem falemos no aborrecimento que é, caso dêem para o torto, limpar toda a tralha da página e justificar a toda a gente o que é que correu mal, quando ainda há dias andavam em cenas melosas para todo o mundo ver. A moderação cabe em todo o lado, até nos facebooks da vida, e o que é demais é moléstia. Ou pinderiquice.
17- Pôr "nomes da moda" aos filhos
Tudo bem que mal por mal, antes Pombal: mais vale Martins, Constanças e Tomases em barda do que os nomes estrangeirados em moda há vinte anos atrás postos por quem nem tinha costela estrangeira, invariavelmente seguidos de um segundo nome em português mais ou menos normal mas que não batia certo, vulgo Priscila Patrícia ou coisa que o valha.
Mas se querem um nome tradicional, neutro, pronunciável, basta fazer uma coisa simplicíssima que é dar ao pequeno ou à pequena o nome do avô/bisavó/tia. Ou fazer como os romanos e se o pai for António, chamar Antónia à rapariga, por exemplo.
Existe uma engenhoca chamada árvore genealógica que é uma excelente fonte de inspiração e não faz sentido desprezar os antepassados, chamando Afonso ao crianço quando nunca ninguém na família foi Afonso, ou Beatriz à pequenota quando o pai é Pedro/Eduardo/Luís, a mãe Filipa, o avô Francisco e a bisavó até era Maria dos Anjos, da Graça, da Conceição, das Dores ou do Amparo, que é igualmente giro e não dá a ideia de ter vindo ao mundo em fornada com uma data de crianças de nome igual. Pior um pouco, a mania de pôr um segundo nome que não combina não se perdeu, por isso vêem-se híbridos estilo Martim Gabriel ou Constança Rafaela.
E sabem o que é mais irritante? É que as pessoas cujos avoengos realmente eram Salvadores, Santiagos ou Leonores e os querem homenagear dando esse nome à descendência passam por parolas que aderiram aos nomes da modinha. Conheço uns quantos casos bem de perto, ó injustiça. Se os nomes de família forem todos péssimos ou muito complicados, pode sempre recorrer-se a outra tradição: dar o nome do santo do dia ou, se por acaso calha ser dia de Santo Eleutério ou Santa Prisciliana, escolher o nome de um Santo de devoção da família ou do orago da paróquia, e.g Sebastião, Bárbara e por aí fora.
18- Maluquices de casório
Fazer de bridezilla, querer emagrecer por força para o grande dia quando sempre se foi rechonchudinha (má ideia, mais vale escolher um vestido que favoreça porque assim como assim o noivo sabe o que está a comprar, salvo seja), mudar radicalmente de visual (e.g, fazer um penteado que deixe a noiva irreconhecível) levar vestidos cai cai para a igreja, encomendar sessões fotográficas encenadas pós casório (juro! como se não bastassem as sessões medonhas durante a cerimónia e copo de água) incluindo retratos dos noivos a fingir que voam, do noivo de calças arregaçadas e em mangas de camisa no lago dos patos, da noiva a abrir a camisa ao noivo em plena praia, do noivo a subir a saia à noiva (não sei para quê: alguns vestidos são tão reveladores que até os santinhos do altar já viram tudo); casamentos temáticos com direito a bolos igualmente temáticos (em forma de mota ou de saquinhos de compras, garanto que é verídico); exigir que os convidados usem todos certa cor (ouvi falar de uma noiva que exigiu que TODOS, homens e mulheres, levassem determinado tom de rosa) ou impor um dress code ridículo e inadequado, cansar os convidados de morte com mil actividades que mais parece uma festa cultural do município ou um circo, and so on.
19- Maluquices maternais
Além da overdose de partilhas nas redes sociais acima citada, a falar de cocó verde e assim- e de fazerem questão de dizer que os filhos são índigo, sobredotados ou os mais lindos do mundo a cada ocasião- há quem caia no extremo de culpar "a sua princesa" ou o "seu príncipe" pelo próprio desleixo.
E pior, publicar frases motivacionais a dizer que as estrias/celulite/banhas são lindas e o maior dom da maternidade, que as mães que cuidam da forma são umas fúteis e umas tristes,etc. Isso e adoptar sem necessidade um corte de cabelo horrível, porque é tradição perder a feminilidade quando se põe um ser no mundo. Tudo com o apoio tácito do companheiro deprimente, se ele existe. Pinderiquicis deprimentis maximus é o nome que devia dar-se a isso.
20- Correr para as promoções/saldos/lançamentos/filas de autógrafos
Virar o Pingo Doce de patas ao ar e andar à pancada por um pack de detergente, ficar à porta da H&M à espera de uma fatiota assinada por um designer mas que não é luxo nem é fast fashion ao preço de um anel de brilhantes (não muito impressionante, mas já se compra alguma coisa por esse preço) trocar puxões de cabelo e rasteiras por qualquer bugiganga nos saldos, fazer fila no shopping para comprar um livro/disco autógrafo do cantor ou figurão de TV do momento mas achar que tudo o resto está muito caro, dormir à porta do estádio com um frio de rachar para ver uma banda que dali a meses desaparece do mapa, etc. Mas onde está a individualidade/sentido prático e do decoro/espírito crítico destas pessoas?
21- Mulheres a esgatanharem-se
Seja a bulha pública, que é pior, ou em privado, que é quase tão mau. Virtualmente ou à estalada. Por causa de um homem ou por causa de outra coisa qualquer. E ainda dizerem que essa é a única forma válida de partir uma unha, lá vem a nail art à baila de novo. E pratos para lavar, não?
22- Usar a frase "o que é bom/bonito" é para se ver
Não é só indecente, nojentinho e inconsciente: é parolérrimo. É uma excelente desculpa para a falta de recato e para as figuras tristes. É um atestado imediato de boçalidade. É...you get the point.
23 - Dizer "fostes", "o comer"...
...usar o verbo "meter" para substituir dezenas de outros e escrever "ligas-te?" em vez de "ligaste?"...e demais sopapos no idioma, gírias adolescentes fora de época e relaxarias com o vocabulário. Volta palmatória, estás perdoada.
E haverá mais, mas 23 já é muita desgraça junta....
15- O guarda roupa do mau-mau, e o look "afavelado"
Tudo o que tem sido dito ad nauseam: cultivar o tipo físico "mulher melancia" ou o look "bombado" do Carlão vulgo bimbo de ginásio com direito a esteróides (ou papas que fazem músculo, vá). Depois, o mau ar obrigatório: toneladas de gel a espetar o cabelo para eles, cabelo esticadinho preto-graxa ou louro-queimado-com-chama para elas, garras multicoloridas, grandes brincos, ceroulas do demo, tigresse barata, tramp stamps, mini vestidos de lycra, calções-cueca, sapatões sintéticos com aplicações douradas, já sabemos de cor a lista.
16- "Sobrepartilhar" as intimidades nas redes sociais
Mais uma que goes without saying, mas pronto. Uma coisa é não esconder aos amigos que se está numa relação ou que se foi mãe ou pai e partilhar alguns momentos chave ou retratos que ficaram mesmo engraçados.
Outra é escarrapachar online cada beijinho, selfizinha, comidinha, fraldinha, comprinha, ceninha de ciúmes, probleminha...seja por auto-afirmação ("tenho o melhor namorado do mundo!") para "esfregar na cara de alguém" isto ou aquilo (que coisa feia!) ou por simples inconsciência, nunca é boa ideia. Para não falar nas frases de engate que além de ordinárias, gritam ao mundo "estou em desespero" e que deixam de aparecer misteriosamente quando a alminha encontra, por milagre, companhia. E no caso de namoros, nem falemos no aborrecimento que é, caso dêem para o torto, limpar toda a tralha da página e justificar a toda a gente o que é que correu mal, quando ainda há dias andavam em cenas melosas para todo o mundo ver. A moderação cabe em todo o lado, até nos facebooks da vida, e o que é demais é moléstia. Ou pinderiquice.
17- Pôr "nomes da moda" aos filhos
Tudo bem que mal por mal, antes Pombal: mais vale Martins, Constanças e Tomases em barda do que os nomes estrangeirados em moda há vinte anos atrás postos por quem nem tinha costela estrangeira, invariavelmente seguidos de um segundo nome em português mais ou menos normal mas que não batia certo, vulgo Priscila Patrícia ou coisa que o valha.
Mas se querem um nome tradicional, neutro, pronunciável, basta fazer uma coisa simplicíssima que é dar ao pequeno ou à pequena o nome do avô/bisavó/tia. Ou fazer como os romanos e se o pai for António, chamar Antónia à rapariga, por exemplo.
Existe uma engenhoca chamada árvore genealógica que é uma excelente fonte de inspiração e não faz sentido desprezar os antepassados, chamando Afonso ao crianço quando nunca ninguém na família foi Afonso, ou Beatriz à pequenota quando o pai é Pedro/Eduardo/Luís, a mãe Filipa, o avô Francisco e a bisavó até era Maria dos Anjos, da Graça, da Conceição, das Dores ou do Amparo, que é igualmente giro e não dá a ideia de ter vindo ao mundo em fornada com uma data de crianças de nome igual. Pior um pouco, a mania de pôr um segundo nome que não combina não se perdeu, por isso vêem-se híbridos estilo Martim Gabriel ou Constança Rafaela.
E sabem o que é mais irritante? É que as pessoas cujos avoengos realmente eram Salvadores, Santiagos ou Leonores e os querem homenagear dando esse nome à descendência passam por parolas que aderiram aos nomes da modinha. Conheço uns quantos casos bem de perto, ó injustiça. Se os nomes de família forem todos péssimos ou muito complicados, pode sempre recorrer-se a outra tradição: dar o nome do santo do dia ou, se por acaso calha ser dia de Santo Eleutério ou Santa Prisciliana, escolher o nome de um Santo de devoção da família ou do orago da paróquia, e.g Sebastião, Bárbara e por aí fora.
18- Maluquices de casório
Fazer de bridezilla, querer emagrecer por força para o grande dia quando sempre se foi rechonchudinha (má ideia, mais vale escolher um vestido que favoreça porque assim como assim o noivo sabe o que está a comprar, salvo seja), mudar radicalmente de visual (e.g, fazer um penteado que deixe a noiva irreconhecível) levar vestidos cai cai para a igreja, encomendar sessões fotográficas encenadas pós casório (juro! como se não bastassem as sessões medonhas durante a cerimónia e copo de água) incluindo retratos dos noivos a fingir que voam, do noivo de calças arregaçadas e em mangas de camisa no lago dos patos, da noiva a abrir a camisa ao noivo em plena praia, do noivo a subir a saia à noiva (não sei para quê: alguns vestidos são tão reveladores que até os santinhos do altar já viram tudo); casamentos temáticos com direito a bolos igualmente temáticos (em forma de mota ou de saquinhos de compras, garanto que é verídico); exigir que os convidados usem todos certa cor (ouvi falar de uma noiva que exigiu que TODOS, homens e mulheres, levassem determinado tom de rosa) ou impor um dress code ridículo e inadequado, cansar os convidados de morte com mil actividades que mais parece uma festa cultural do município ou um circo, and so on.
19- Maluquices maternais
Além da overdose de partilhas nas redes sociais acima citada, a falar de cocó verde e assim- e de fazerem questão de dizer que os filhos são índigo, sobredotados ou os mais lindos do mundo a cada ocasião- há quem caia no extremo de culpar "a sua princesa" ou o "seu príncipe" pelo próprio desleixo.
E pior, publicar frases motivacionais a dizer que as estrias/celulite/banhas são lindas e o maior dom da maternidade, que as mães que cuidam da forma são umas fúteis e umas tristes,etc. Isso e adoptar sem necessidade um corte de cabelo horrível, porque é tradição perder a feminilidade quando se põe um ser no mundo. Tudo com o apoio tácito do companheiro deprimente, se ele existe. Pinderiquicis deprimentis maximus é o nome que devia dar-se a isso.
20- Correr para as promoções/saldos/lançamentos/filas de autógrafos
Virar o Pingo Doce de patas ao ar e andar à pancada por um pack de detergente, ficar à porta da H&M à espera de uma fatiota assinada por um designer mas que não é luxo nem é fast fashion ao preço de um anel de brilhantes (não muito impressionante, mas já se compra alguma coisa por esse preço) trocar puxões de cabelo e rasteiras por qualquer bugiganga nos saldos, fazer fila no shopping para comprar um livro/disco autógrafo do cantor ou figurão de TV do momento mas achar que tudo o resto está muito caro, dormir à porta do estádio com um frio de rachar para ver uma banda que dali a meses desaparece do mapa, etc. Mas onde está a individualidade/sentido prático e do decoro/espírito crítico destas pessoas?
21- Mulheres a esgatanharem-se
Seja a bulha pública, que é pior, ou em privado, que é quase tão mau. Virtualmente ou à estalada. Por causa de um homem ou por causa de outra coisa qualquer. E ainda dizerem que essa é a única forma válida de partir uma unha, lá vem a nail art à baila de novo. E pratos para lavar, não?
22- Usar a frase "o que é bom/bonito" é para se ver
Não é só indecente, nojentinho e inconsciente: é parolérrimo. É uma excelente desculpa para a falta de recato e para as figuras tristes. É um atestado imediato de boçalidade. É...you get the point.
23 - Dizer "fostes", "o comer"...
...usar o verbo "meter" para substituir dezenas de outros e escrever "ligas-te?" em vez de "ligaste?"...e demais sopapos no idioma, gírias adolescentes fora de época e relaxarias com o vocabulário. Volta palmatória, estás perdoada.
E haverá mais, mas 23 já é muita desgraça junta....
Monday, April 27, 2015
Ode às pessoas que precisam de arranjar uma vida
Todos somos sujeitos ao amor e ao desamor. À simpatia e ao desafecto. À amizade e à aversão. À admiração e à embirração. E ao ocasional odiozinho de estimação - temporário, que se formos pessoas equilibradas não passa de raiva, mal entendido ou de estar muito, muito zangado (a) com uma razão justa. Somos capazes de sentir estas emoções ou impressões, em maior ou menor dose, e de ser alvo de tudo isto. Faz parte da condição humana. É mesmo uma exigência sine qua non para viver em sociedade.
Na era dos social media, mais vívidos se tornam esses sentimentos, porque por enganador que o mundo virtual seja, as pessoas estão sempre presentes - e acessíveis - ainda que não em forma física; podemos perceber muito mais delas do que antigamente (quando nos limitávamos às impressões face to face e à reputação de cada um para formar um parecer). Penas que se vêem sentem-se com maior intensidade. Admirações ou amores, ainda que unilaterais, também.
Mas tudo isto é diferente de fixação.
Isso já é difícil de entender - pelo menos para mim, que sou a pessoa menos curiosa à face da terra. Se alguém não me inspira simpatia ou deixou de fazer parte do meu círculo (imediato ou alargado) por uma forte razão, quero saber o mínimo possível dessa pessoa: não sei, não quero saber, tenho raiva de quem sabe. A não ser que precise de evitar a persona non grata em causa ou que haja alguma informação vital para o meu bem estar, não podia importar-me menos o que ela faz, onde está, etc. Vou ao extremo de deixar de ir a certo sítio pelo tempo que for preciso, em modo esta cidade é pequena demais. Segundo me dizem, sou um bocado extraterrestre nessas coisas. Sempre ouvi que o ódio é como o amor, pensa-se no alvo 24 horas por dia e sinceramente, creio que isso é uma coisa um bocadinho triste para alguém fazer a si próprio (a). Uma forma de masoquismo íntimo e extremo. Se uma coisa é desagradável e não podemos mudar isso, se uma informação não é útil a não ser para nos aborrecer, ignoremo-la.
Logo, custa-me a perceber quem espia as pessoas que fizeram parte da sua vida, a não ser pontualmente por curiosidade natural, sem qualquer emoção forte. E mesmo assim, mais que fazer...
Depois, há a outra face da moeda - seres ainda mais estranhos. Vêem alguém uma vez (e muitas das vezes, vêem essa pessoa acompanhada) e criam uma fixação esquisita. Fazem gala de pasmar para a criatura em causa sempre que a encontram (no café, em eventos de amigos em comum ou virtualmente ) e lá na sua cabeça, essa pessoa ganha destaque, pensamentos, fantasias, espaço na sua vida. Se abordam o objecto da sua *muita e disforme* atenção nas redes sociais, fazem-no por dias seguidos, às vezes meses, mesmo que não obtenham resposta. E se são colocados no seu lugar zangam-se horrivelmente, com uma raiva que só visto, e dedicam-se a incomodar das formas que puderem ora virtualmente, ora movendo mexericos. Creepy.
Não percebo a relevância que estas almas atribuem a quem não se interessa por elas; a quem não lhes faz bem (nem mal, se estivermos a falar de quem simplesmente ignora) a quem nunca fez parte dos seus dias (ou fez, arrependeu-se e decidiu que já não queria tal coisa). 24 horas por dia é tão pouco tempo para acudir a tudo o que precisa de ser feito... e caso sobre tempo, há sempre tarefas que foram adiadas, tanta miséria a socorrer, tanto voluntariado a precisar de braços e cérebros.
Then again, não podemos pensar pela cabeça de quem raciocina assim...seria quase impossível, e um péssimo exercício para gastar o tempo. Que é precioso.
Saturday, April 25, 2015
Descalabro do dia: o diabo te leve vestida e calçada!
Enquanto fazia uma pesquisa das saias-lápis coloridas mais recentes para vos mostrar encontrei isto, que é como quem diz a prova de que já não se está seguro em lado nenhum. Olhem que é preciso criatividade (e as mãos erradas) para transformar a peça mais bem comportada e clássica numa ordinarice de bradar aos céus.
Eu até diria "para o mal, dá o diabo habilidade" mas como no imaginário popular o príncipe das trevas costuma ser apresentado como um cavalheiro de meios e bom gosto, que usa Prada e tudo, custa-me um bocadinho lançar as culpas ao demo mais uma vez. Não, não é necessária a sofisticada astúcia do encardido para agarrar num bocado de lycra de má qualidade, costurá-la no tamanho mais diminuto e vesti-la na rapariga com pior ar e maior derrièrre disponível. Mas que isso deve dar uma estupenda ajuda a Satanás na missão de lançar o caos por esse mundo fora e perder as almas, não duvido.
Face a atentados destes apetece-me rogar a praga da mulher do jogador (lenda deliciosamente contada por um autor que respeito muito): o diabo me leve vestida e calçada se eu entendo estas ideias. Mas não: é mais justo dizer a propósito de quem comete tais desacatos "o diabo te leve vestida e calçada, mafarrica!" Ao menos ficava o mundo limpo...
Tuesday, February 11, 2014
Há modas mesmo feias, irra!
Disse o meu adorado Oscar Wilde que a moda era uma coisa tão feia, mas tão feia, que precisava de mudar a cada seis meses. É verdade que a obsessão pelas tendências é má e que se deve considerar a máxima de Chanel: as modas passam, o estilo permanece. Sendo um esteta empedernido, Wilde era uma daquelas pessoas com tão bom gosto e tanto espírito crítico que não precisam de se guiar pelas opiniões de meia dúzia de iluminados.
Bom, eu que me atenho aos clássicos com a introdução pontual de uma ou outra novidade, de algumas actualizações e sobretudo, de novas formas de styling
considero-me, apesar de tudo, tolerante com certas extravagâncias que saem da passerelle para as ruas. Há muitas coisas que, com bom senso e um grão de sal, primeiro se estranham e depois se entranham: é o caso das ugly sweaters, por exemplo.
Mas há maluquices que são feias de doer e por muito bom gosto, bom ar, boa cara e boa figura que se tenha não há como lhes dar a volta: é o caso destes penteados apresentados pela Marni. Quando se trata de Moda não costumo dizer nunca e hesito em classificar algo como medonho ou horroroso - já que tudo é um bocadinho subjectivo e nas passerelles exagera-se de propósito - mas aqui me estreio: este penteado de elfa do Senhor dos Anéis que deu em hippie e não lava o cabelo há três semanas mete medo ao mais afoito.
Eis outro caso que prova que o gel havia de ser um produto racionado porque serve para fazer cristas à pintas, estilo Cristiano Ronaldo, e agora mais esta. Não sei o que estão a tentar demonstrar, mas suspeito que tenha alguma coisa a ver com o Movimento Anti Champô que anda para aí a atentar as almas.E isto é o resultado em modelos super simétricas, super bem vestidas e perfeitinhas. Imaginem agora o pavor em raparigas mal enjorcadas. Com sorte, é demasiado "alternativo" para pegar. Fingers crossed.
Thursday, March 28, 2013
Sócrates again?
Já não bastavam os aborrecimentos particulares de cada um.
Não me chegava a neura.
Não me bastava a enxaqueca que não faz o favor de me desamparar a loja.
Não bastava a chuva.
Não bastavam as doidices que tenho de aturar e que não lembram a ninguém.
Não chegava a crise, e as manifestações por causa disso, e a Grândola Vila Morena, Vade Retro, que diz que até o Chipre está às avessas - e quando um local mitológico, romântico e sossegado como o Chipre está nesse estado é mesmo sinal que o Olimpo anda contra nós;
Não eram suficientes as pessoas que andam por aí a dizer "o comer" e coisas assim, a destruir os tímpanos e a paciência aos outros.
Não, nada disto era suficiente. Tinha de vir o Sócrates atormentar as almas. E sem mudar de alfaiate, ainda por cima.
Vale-me que eu sou uma pessoa que vê pouquíssima televisão, ouvir muito menos, e que consegui escapar à onda de terror geral. Terror, só aquele fato. Passa-se alguma coisa com aquelas ombreiras ou com a falta delas que eu não consigo perceber. Ou há pessoas que fazem questão de parecer um chupa-chups quando vestem fato, talvez para demonstrar que têm uma grande cabeça recheada de ideias para o país. Senhor!
Sunday, March 24, 2013
Estamos entregues à bicharada. Fujam.
Smilodon (tigre-dentes-de-sabre) |
Eu cá, como sabem, adoro animais. A excepção é feita a centopeias de todos os tipos, ratazanas e a meia dúzia de espécies que enfim, lá terão o seu propósito no Plano Divino e no Ecossistema mas que me causam arrepios incontroláveis. Um facto estranho a meu respeito é que não tenho medo de coisas de facto perigosas e depois assusto-me com coisas parvas. Cada um é como cada qual, nada a fazer. A maior parte dos bichinhos mostram que a Natureza é um verdadeiro milagre, outros há que, enfim...são tão sinistros que parecem ter sido inventados no firme propósito de ilustrar contos de terror. É o caso do límulo (caranguejo ferradura) essa coisa gigante e horrorosa que anda às manadas pelo Golfo do México - lembrem-me de nunca lá pôr os pés.
![]() |
| Muito pouca vontade de ir à Índia.... |
Bem podem pregar que o sangue do bicho é literalmente azul, que a sua linhagem remonta a 300 milhões de anos e que liberta não sei quê que serve para curar uma data de doenças. Vi um documentário sobre eles, todos embrulhados aos magotes sobre as águas, e ia morrendo. Bastou. Outro que não reúne a minha simpatia é o crocodilo Gavial, coitado, que nem come humanos e diz que está reduzido a 250 gatos-pingados. Mas eu, (que até gosto de répteis) em pequena vi uma imagem muito feia de um num livro, tive pesadelos com isso e nunca mais me reconciliei com o bicho. Outros haverá (não simpatizo com hienas e abutres, mas é mais desdém do que medo) porém da bicharada actual estamos mais ou menos conversados. O pior (e esta não é a minha área de estudos, por isso perdoem-me os entendidos se eu cometer aqui uma argolada ou duas) são certos bichos pré históricos, alguns anteriores ao Homem, outros que eram alegremente caçados por este, quando a coisa não se invertia. No meu liceu havia umas réplicas admiráveis, feitas por alunos dos anos 1930 (aqueles laboratórios de ciências eram de facto qualquer coisa) e palavra, eram animais mesmo arrepiantes.
Mais tarde vi algumas ossadas num museu em Budapeste (por exemplo um animal gigante, cruzamento entre avestruz e alce, do tamanho de uma girafa) e mais pareciam criaturas de pesadelo. Enfim, mamíferos ou aves da era Cenozoica, do Éon Fanerozoico, dos períodos Paleogeno, Neogeno e Quaternário (que eu da escala do tempo geológico não percebo nada nem quero, já sou trapalhona que chegue com datas que envolvam gente) e que para abreviar eu trato carinhosamente por bichos óicos. Pois bem, uma pessoa está aqui descansadinha a pensar que o mundo já vai péssimo, mas que ao menos bichos óicos não temos, quando um grupo de cientistas resolver afirmar que anda a ver se ressuscita alguns. Meus caros senhores, não viram como acabou o Parque Jurássico? (E isso era com dinossauros, que já são pirosos que chegue). Não preferem trabalhar em avanços científicos que valham de alguma coisa aos animais que ainda por cá andam e às pessoas que bem precisam? Porque enfim, um mamute não chateia ninguém, é um elefante felpudo, e um tigre dentes-de-sabre é bonito, é imponente, tem cachet. Mas bicharada desta, tenham paciência. Se a obra de Deus, ou da Natureza, se aperfeiçoou por algum motivo foi, não é? Há alguma necessidade de criar mais problemas, há? Ou de ofender o sentido estético e a tranquilidade de uma blogger, coitada, que como todo o mundo tem direito a ter fobias que não lembram a ninguém? Poupem-me.
Tuesday, March 5, 2013
Fujam: a logomania está de volta
O alerta laranja já tinha sido lançado em meados do ano passado, apesar das vozes sensatas como a do director criativo da Hermès: a logomania do início do milénio, essa moda horrorosa que encheu os bolsos a algumas marcas para as prejudicar logo a seguir, que encheu as ruas de terrores de styling e de cópias contrafeitas, que demorou séculos a desvanecer-se e mesmo assim é o que se sabe, está a tentar voltar. Em relação a tendências sou do mais laissez faire laissez passer que há, se não gosto ignoro; mas uma vez sem exemplo apetece-me gritar "busca, busca, mata, mata, queimem tudo, kill them all, não façam prisioneiros". Não só porque é feio esteticamente falando, não só porque vai contra os meus valores pessoais ( marcas são para usufruir da qualidade, não para ostentar a etiqueta como se tivéssemos a roupa do avesso) mas porque desvirtua totalmente a ideia de requinte, ao trazer uma visão de parvenu para a indústria de moda, destituída de classe e de bom senso. Se as roupas são pensadas para arrivistas de caricatura ou gangsters que fazem corar de vergonha os verdadeiros gangsters como D. Corleone, então venha roupa de marca branca, simples e honradinha. Quem é que se quer parecer com pessoas assim? Como se não bastasse, estamos em crise - e se vestir com um luxo e cuidado aparentes é uma forma positiva de contra atacar, exibir marcas caríssimas, por sua vez, é de um extremo mau gosto. Péssimo. O fim dos tempos. Andei eu a elogiar a makeover de Rihanna, mas está visto que a menina tratou de me desiludir e zás, apareceu com este jumpsuit (Donna Karan, como é impossível não perceber) acompanhado de botins Alexander Wang. Ou é das más companhias, ou prova-se (once again) que podemos tirar a rapariga das barracas, mas nunca podemos tirar as barracas da rapariga. Mesmo que a rapariga em questão seja bonita e a sua barraca fique lá para Barbados, no meio das palmeiras.
Thursday, November 29, 2012
Coisas que me metem medo: leite com nata
| Visão traumática |
Há pouco fui fazer um chocolate quente e por uma fracção de segundo, arrepiei-me toda: pareceu-me que o leite tinha uma nata, uma malfadada de uma nata. Afinal era só um grumo de chocolate - mas bastou para me dar a volta ao estômago e disparar-me, em grande velocidade, para o passado. As natas do leite são coisa cada vez mais rara hoje em dia (para mim, pelo menos) talvez devido ao hábito de aquecer as bebidas no microondas, ou talvez porque lá em casa aprenderam depressa que as natas só tinham paralelo, no quesito de me horrorizar, obrigar-me a fazer caretas e entrar em modo gremlin, com a clara do ovo (long story, um dia conto a saga). Depois de muito blheeeeeec, de muita cena, de muito "é só uma nata, espera que eu filtro o leite, mas é preciso esse escândalo todo?" enquanto eu saltitava em pânico à volta da mesa, acharam mais prudente deixar-me tomar o pequeno almoço e lanchar da maneira que me parecia melhor. Leite frio com Ovomaltine acompanhou muitos dias da minha vida. O pior é quando lanchávamos fora, muitas vezes em casa de uma das minhas tias: ela servia sempre bolo de Ançã quentinho com manteiga e café e eu, que não gostava lá muito de comer, achava a maior das graças àquilo tudo - talvez pelo cheiro do bolo acabado de cozer, talvez pela companhia ou pelo ar puro que me abria o apetite. E a tia oferecia-me café, coisa que lá em casa, temendo ataques de mau génio, não se dava às crianças sem mais aquelas. Por mais que se insistisse que não era café, mas Mocambo, teimavam comigo que a hipotética cafeína tinha de ser cortada com leite. Leite acabadinho de ferver...e com nata. Eu tentava fazer cerimónia mas era mais forte do que eu. Lá acontecia o arrepio, o blheeec, o nata não, nata não, nata não, com o meu irmão e os meus primos a fazer coro por contágio "o quêêê, se o leite tem nata também já não o bebo!" apesar dos avisos " modera-te senão os teus primos também não querem lanchar!" e a outra tia "deixe lá, se ela não quer a nata, não quer a nata!" e já não sem quem a dizer que encontrar nata até não era mau de todo, só para nos arreliar ainda mais, o que lançava um blhec geral. Acabei por ganhar e o Mocambo ficou, a bem do sossego, que para desatinos já bastavam os tios a discutir futebol e política...
Tenho para mim que obrigar pessoas a beber tal coisa devia ser considerado uma eficaz e atroz forma de tortura, de deixar os chineses envergonhados.
Ainda hoje prefiro acompanhar bolos e coisas semelhantes com café preto, e não consigo olhar para um galão sem que me assalte a tentação de perguntar ao empregado de mesa "é sem nata, não é?". Natas só batidas, em chantilli ou em pastéis...
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