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Thursday, September 10, 2015

Não se pode confiar em ninguém, é o que é.


Aqui há tempos algumas habitués cá do salão disseram-me algo que me deixou a pensar com os meus botões: que convém ir mudando de manicura/cabeleireiro de tempos a tempos, porque uma vez habituando-se aos clientes começam a fazer pouca cerimónia, a ganhar confiança, a ficar demasiado à vontade, a apanhar as fraquezas,  a piorar o serviço e a só dar atenção à freguesia mais recente.

Entretanto pus-me a cogitar se isto também não será verdade quando se trata de alfaiates, costureiras, modistas e afins. O que me traumatiza só de imaginar, pois é-me muito querida a ideia do "alfaiate de confiança". É bom ter à mão quem conhece os nossos gostos, hábitos e medidas. Não ter de explicar tudo vezes sem conta e, passe a onomatopeia, saber com o que se conta.

Pois aí está uma ideia que vai contra todas as teorias de marketing que nos impingem na faculdade, mas já se sabe: nos bancos da escola não se aprende da Missa a metade. É preciso ir lá para fora, para saber como o jogo realmente funciona.  Houve imensas coisas que aprendi "oficialmente" de uma maneira mas, uma vez atirada aos lobos no mundo real, vi que se resolviam de forma inteiramente diferente.

 Ora, segundo os compêndios o mais difícil não é captar consumidores (ou seguidores, ou fãs, etc). Isso consegue-se chamando a atenção através da publicidade ou de outros meios. Complicado é fidelizar as pessoas, manter o interesse do público alvo no meio de muita oferta. Correcto? Supostamente. 


Mas talvez isso não se aplique quando se trata de quem tem na mão - ou acha que tem - um ponto fraco do cliente. Esteticistas, cabeleireiros, costureiras (e em menor escala, sapateiros e profissionais da lavandaria) têm de algum modo reféns as coisas que os clientes mais prezam. Isto para não falar nas vulnerabilidades que cabeleireiros e esteticistas encontram, ou em quem, sem querer, vai fazendo delas psicólogas ou confessoras, embora em pequena escala.

 O certo é que não convém dar demasiado poder a quem tem nas mãos o vestido preferido, aquelas calças de griffe, a saia que é precisa para o evento no dia tal - e que se, nos tempos de "Lua de Mel"   ficavam prontas num ápice, uma vez apanhada muita confiança começam a ser relegadas, adiadas para as calendas gregas, enquanto os sacos e porta fatos de novas clientes vão continuando a chegar! Desespero autêntico para quem detesta ter as suas "preciosidades" fora de casa. É que é fácil perder-lhes o norte à medida que as semanas vão passando.

 Não custava nada - e não fazia perder consumidores, creio - dizer a quem chega de novo que se aceita o trabalho, sim senhora, na semana que vem. E despachar o que já lá está há que tempos. Assim, o que se consegue é uma valente rotatividade de fregueses (não necessariamente melhores, fora os que deixam lá a roupa e nunca mais voltam) enquanto se perdem os bons. Pode haver muita gente a precisar desses serviços, mas também não faltam ateliers, salões, lavandarias que querem fazer negócio - é quase porta sim porta sim!

A lealdade tem de ser recíproca, que diabo. Bem dizem os anglo saxónicos, a familiaridade gera desrespeito...


Wednesday, September 2, 2015

5 detalhes que as roupas actuais não têm (e que evitavam muitos faux-pas!)

Já se sabe que não se pode pedir qualidade de couture em pronto a vestir, principalmente quando falamos de fast fashion. No entanto, as roupas de antigamente tinham alguns detalhes engenhosos que hoje faltam - até em marcas de luxo - e que poupavam muitos embaraços. Em alguns artigos de alta costura actuais esses pormenores ainda se vêem, mas é mais comum
 encontrá-los nas peças vintage - tanto couture como nos vestidos elaborados por boas modistas.

 E no entanto, não estamos a falar de nada que tornasse a produção muito cara. Principalmente tendo em conta o "efeito luxo" instantâneo que acrescentam a qualquer trapinho. À falta de visão por parte das marcas, é sempre possível pedir à costureira que faça essas alterações: pode não ser prático mandar fazer isso em peças que se tenha em grande quantidade, mas que compensa, compensa .

1- Molas entre os botões da camisa



Qualquer menina ou senhora com um busto minimamente acentuado percebe esta: é um desafio manter os botões que incidem sobre o peito devidamente fechados! Por esse motivo ando sempre a bater na tecla das pregadeiras, mas às vezes um alfinete mal colocado, ou que não tenha o formato certo, pode não garantir a necessária "privacidade"... e pronto, lá se vê um pouco da lingerie ou algo mais, cruzes. Contra isso, além de mandar apertar bem as casas dos botões, convém aplicar umas molas entre eles nessa zona: problema resolvido. Como camisas são algo que quase toda a gente tem em grande número (ou devia, pela versatilidade que permitem) não dá muito jeito mandá-las adaptar todas. Não custava nada que já viessem assim, não era? Pois...

2 - Forros em condições



Já se sabe que a maior parte das roupas - especialmente vestidos e saias - assentam melhor se forem forradas, de preferência com um tecido macio que deixe a pele respirar. Principalmente se falarmos de saias ou vestidos de material vaporoso, fino ou muito maleável (como certas malhas) que adere à pele, revelando demasiado, mostrando certas gordurinhas de quem as tem ou criando volume onde ele não existe. Infelizmente, roupa bem forrada não é a norma actualmente. Arrepio-me quando vejo mulheres com vestidos de malha colados às coxas, a aumentar desnecessariamente uma data de centímetros ou a expor em grande detalhe os contornos da roupa interior. Um spanx é um remédio aceitável e aconselhável, mas nem sempre resolve tudo. Colocar forros não é das alterações mais acessíveis ou fáceis, mas vale a pena pensar nisso se gosta muito de uma peça, ou investiu bastante nela, mas não cai como deveria.


3- "Chumbos" nas saias rodadas



Um antigo (e baratíssimo) truque muito comum em saias e vestidos vintage, para evitar o indesejado "efeito Marilyn": pequenos pesos, vulgo "chumbos de cortinado" inseridos estrategicamente sob o tecido!  Sua Majestade Isabel II, invariavelmente impecável, pede sempre à sua costureira que não se esqueça deste "salva modéstia" que lhe permite sair de helicópteros ou assistir a paradas em dias ventosos sem o mínimo risco ou constrangimento. É útil pensar nisso para saias amplas, mas leves ou pouco consistentes.

4 - "Respiradouros" em vestidos justos



Esta artimanha só a vi mesmo em vestidos de alta costura e tive de fotografar para vos mostrar. Trata-se de uma abertura sob a axila, que não se nota, para evitar quaisquer apertos ou manchas indesejadas em vestidos de mangas justas feitos de tecidos porosos, caros e difíceis de limpar, como certas sedas. Truques semelhantes são utilizados em roupas de desporto ou militares (sob a forma de fechos ou aplicações, nessa zona, de pano com pequenos buracos).

5 -"Segura-alças" de lingerie




Vestidos e blusas com formatos exóticos ou desconfortáveis, que dificultem usar roupa interior adequada, são de evitar o mais possível, mas às vezes torna-se difícil manter as alças da lingerie no lugar até com decotes relativamente comuns (como o "Bardot", shoulder-to-shoulder ou coração). Isto acontece com frequência em vestidos de noite, cujos tecidos são mais pesados e /ou escorregadios. Contra isso, há dois remédios: coser sob o vestido um soutien especialmente bom, na posição certa, que suporte e não descaia (o que requer uma costureira com o poder de cálculo de um engenheiro). Mais fácil e prático ainda: mandar fazer umas pequenas presilhas por dentro dos ombros da peça, que prenda as alcinhas do soutien no lugar. É remédio santo e só exige uns centímetros de tecido e umas molas minúsculas.

Engenhocas, não acham?


Wednesday, July 4, 2012

Corte, costura, crise e fashion consciousness


Coco Chanel

Ontem passei pela costureira para ajustar uns vestidos e tive uma conversa interessante. Diz ela (confirmando algo que tenho vindo a pregar há muito) que ultimamente surgiu um regresso aos antigos hábitos de reciclagem, com muita gente a recuperar, actualizar, consertar ou modificar roupas com 20 anos. Há dias, um workshop de costura foi muito publicitado pela blogosfera e as tendências dos últimos dois anos têm apontado no sentido de misturar peças novas com elementos que já não se viam há uma ou duas décadas (saias longas, casacos estilo “Dinastia”) e fazê-lo de formas inesperadas. Um dos meus desgostos é saber muito pouco de costura, um pecado imperdoável numa família com  verdadeiros árbitros das elegâncias e mulheres prendadas. Talvez se deva a isso a minha exigência quando o assunto são tecidos, moldes, tayloring e acabamentos. Está-me no sangue e mais dia, menos dia lanço-me à máquina de costura. Até lá, prefiro confiar as minhas esquisitices a quem sabe. Por muito boa que seja uma peça de roupa, fica sempre melhor se for acertada à medida; há outras que só têm a ganhar com algumas modificações. Para não falar da construção e materiais das roupas vintage, que actualmente só se encontram no mercado over the top da Haute Couture.

A moda, como qualquer outra coisa, é afectada por fenómenos sociais: na Primeira grande Guerra as louras falsas aderiram às madeixas porque toda a água oxigenada era pouca para acudir aos feridos; durante a Segunda Guerra Mundial a escassez e a necessidade de substituir os homens no mercado de trabalho obrigaram as mulheres a adoptar materiais simples e modelos práticos. A desforra veio nos anos 1950, com o optimismo e abundância a possibilitar saias de balão que levavam metros e metros de tecidos luxuosos. A crise actual tem duas consequências: por um lado, o incremento da fast fashion, numa tentativa de manter o ritmo de consumo dos anos de vacas gordas. Por outro, a disseminação do hi-lo, da reciclagem, de uma consciência de moda de acordo com as regras de antigamente.

 Esta semana reflecti sobre o bom e mau da Fast Fashion; têm sido vários os posts do género aqui no blogue: conhecer o potencial daquilo que temos e tirar o máximo partido dos nossos recursos não só evita compras por impulso como o visual massificado. Numa volta aos seus armários, a fashionista média (entenda-se: quem compra com certa regularidade e em quantidade considerável) descobrirá sem dúvida coisas que já nem se lembrava que tinha. No meu caso, tenho encontrado tesouros que já não me recordo de onde saíram e revisto velhos amigos que ficaram guardados à espera que as tendências “dessem a volta” para regressarem ao armário sem parecer datados. Bons investimentos passados, alguns ainda com etiqueta. Mas entre os “tesouros” e a  “tralha” está o uso que se lhes dá. Basta tirar um tempo para isso e criar os coordenados certos com peças novas que inevitavelmente vão chegando. Tudo tem um lado positivo, e o da crise será um regresso aos clássicos with a twist. A necessidade aguça o engenho e vai decerto obrigar as mulheres de bom gosto a analisar os seus roupeiros, a reflectir sobre o seu estilo pessoal e a criar visuais mais planeados, com um requinte que há algumas décadas não se via. 

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