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Thursday, July 23, 2015
Duas Vénus dos anos 50
A década de 1950 representa, em termos de padrões de beleza, o supra-sumo da feminilidade. Enalteceu a figura feminina que une mais consenso entre homens e mulheres, por um apelo cultural e biológico.
E também a mais intemporal: busto e ancas definidos, ombros bem modelados e uma cintura estreita representaram o ideal em muitas épocas e culturas diferentes, talvez por serem simultaneamente o mais próximo do natural e uma hipérbole da silhueta da mulher.
São os famosos "três S": a tradicional curva da beleza, a curva serpentina do mistério que provoca um efeito devastador quando uma mulher caminha. Ou o velho ditado vitoriano: "a cintura de uma mulher deve ser tão fina que caiba nas mãos do homem que ela ama".
Muitas it girls encarnaram, na época do New Look, esta imagem romântica , de lendas como Brigitte Bardot, Elizabeth Taylor e Marilyn Monroe, passando por celebridades do tempo como Bettie Paige e Mamie Van Doren, sem esquecer as manequins de alta costura como Dovima e Suzie Parker.
Porém, eram as pin ups que o representavam de forma mais detalhada, mais tangível: e algumas eram mesmo conhecidas não só pela beleza como um todo, não só pela figura de ampulheta da moda, mas por este ou aquele atributo: era o caso de Betty Brosmer, "a rapariga com a cintura impossível"...
...e Vikki Dougan, conhecida como "the back" cujas costas e derrièrre eram tão perfeitos que viriam a inspirar, nos anos 80, a curvilínea Jessica Rabbit.
Vikki desapareceu do olhar público com um rastozinho de escândalo; Betty continua lindíssima e como sempre foi uma mulher de negócios, co-fundou uma bem sucedida e pioneira revista feminina de fitness (a sua cintura era atribuída não só a genética e exercício, mas a uma grande habilidade no corset training). De qualquer modo, ficou o ideal. A curva em S que nunca passará de moda...
Thursday, November 13, 2014
Beleza vem em vários tamanhos, mas não a destruam.
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| Myla Dalbesio para Calvin Klein |
A polémica do cartaz da Victoria´s Secret - que entretanto se viu obrigada a alterar o slogan do soutien para conter a fúria de certas consumidoras - veio confirmar uma tendência que já se vinha verificando em todo o seu exagero: a obsessão pela suposta "beleza real" e o "ugly is the new pretty".
Sobre isso, muito já foi discutido por aqui. E se não há nada contra a diversidade nas modelos, actrizes ou caras conhecidas convidadas para representar esta ou aquela marca, é notório que a se está a perder o foco na beleza (independentemente do tamanho dessa beleza) que devia ser o que importa quando se fala de moda ou simplesmente de roupa.
Tanto a Calvin Klein como a Vogue viram na controvérsia do momento uma oportunidade - um verdadeiro filão- e decidiram contentar o público. As "gordinhas" estão unidas, querem um lugar ao sol e são uma parte do mercado demasiado poderosa para ser ignorada. Afinal, o cliente tem sempre razão.
A CK respondeu às exigências de duas formas: primeiro, usando uma modelo "cheiinha" - embora não o suficiente para ser considerada "plus size" dentro da indústria de moda, o que por sua vez também gerou polémica - na sua mais recente campanha.
Myla Dalbesio é uma bela rapariga que, vestindo o tamanho 40, é demasiado grande para ser considerada uma modelo standard e demasiado pequena para o nicho das modelos plus size. A julgar pelas imagens da campanha parece-me que ela emagreceu para este trabalho e que vestirá um bocadinho mais do que isso habitualmente, mas é irrelevante para o caso:continua a ser um tamanho ou dois acima das modelos habituais da marca. Nem assim o público ficou satisfeito, mas acho que o resultado está impecável.
Segundo - e aqui começa o problema a que me refiro - a lingerie Calvin Klein esteve envolvida no editorial pós-bebé, sem photoshop, da lindíssima Lara Stone para a System Magazine:
Já a Vogue fez outro tanto, com um editorial protagonizado apenas por modelos mais cheias e de busto generoso.
Em teoria, estas ideias até têm a sua razão de ser - tenho conhecido bons fotógrafos que sempre me disseram que quando há boa luz e a pose certa, não é preciso photoshop, ou é preciso muito pouco; só o suficiente para que a lente dura da máquina capte o que o olho humano vê sem acrescentar os desnecessários e míticos cinco quilos ou linhas onde elas não existem.
A questão negativa aqui é que ambos os editoriais retrataram as modelos no seu pior: as imagens são cruas, quase feias.
Que esteja na moda mostrar vários padrões de beleza, de forma mais inclusiva e de modo a que mais mulheres se identifiquem com o que vêem, tudo bem. A moda sempre teve mais a ver com aspiração do que com identificação, mas nada contra.
Que mulheres "comuns" façam capa de revista ou figura de cartaz de vez em quando, até representa uma quebra da monotonia.
Porém, o propósito da lingerie é esconder o menos bonito e realçar os pontos fortes - aqui não vejo isso. Nem onde está a necessidade de em nome da "beleza natural" não passarem uma escova no cabelo das modelos. Aposto que todas elas andam mais penteadas em casa, de pijama, do que nas páginas da revista.
Não se pode aplaudir uma tendência cegamente só porque é inclusiva. Creio que daqui a uns anos se vai ver isto pelo que realmente é: caprichos de artista desejoso de chocar.
Num provocante ensaio para a BBC que devia ser obrigatório ver, "Why Beauty matters", o filósofo Roger Scruton atreveu-se a questionar o culto moderno à fealdade e o deserto espiritual a que isso conduz, interrogando-se se não haverá uma forma de o belo e o "real" coexistirem em harmonia. Ficam as suas palavras para governo de cada um:
Wednesday, September 17, 2014
A Vogue foi comprada por uma data de rappers, só pode.
Não há outra explicação para, depois de uma Kardashian na capa e outras tropelias (começo sinceramente a perder a conta a tanto disparate) publicar agora um artigo a anunciar "a madrugada do traseiro".
Bom, o problema nem é o artigo em si: se um fenómeno existe, é natural que os media o assinalem.
Também não é a questão racial que o público apontou em massa no twitter, dizendo que só agora é que a revista se dignou a reparar numa coisa que já por aí anda desde o início do Milénio, e antes.
Nisso estou de acordo com a Vogue, vá: se por aí andava era um conceito underground, circunscrito a certas cenas musicais e determinados ambientes menos, bom...bem vistos. Se só agora se tornou mainstream e supostamente aceitável, é natural que só agora determinadas publicações concedam dar-lhe tempo de antena.
Acrescente-se que as mulheres africanas não podem queixar-se de não estar bem representadas na Vogue - a lindíssima Lupita é o exemplo mais recente de uma mulher de classe para todas as audiências - mas ficam, elas e todas as outras, mal representadas quando se fala no fenómeno do traseiro à escala global.
O que me chamou a atenção no artigo foi a total ausência de espírito crítico, de julgamento estético ou moral - aliás o quase louvor - perante algo que vai completamente contra o que a Vogue sempre defendeu. Porque uma coisa é o regresso (cíclico) desta ou daquela figura feminina. Era previsível e desejável que as curvas voltassem a estar em voga, não como padrão único mas numa perspectiva mais realista de a beleza e a harmonia existirem em vários tipos.
Há beleza em todos os géneros de silhueta, desde que devidamente vestida e com classe - das Caras e Kates às Belluccis, Vergaras e Uptons passando pelas Queens Latifahs e até, porque não, Iggy Azaleas deste mundo. A questão não é a circunferência dos glúteos per se. Nada contra o big booty, tudo contra este exagero medonho e boçal.
O problema é o contexto grosseiro e aberrante com que isso é apresentado e o mau exemplo que transmite que - mais do que tudo - contraria a exigência, elegância e rigor que a Vogue devia representar.
A Vogue era a revista que ditava tendências, não a revista que se dobrava humildemente a elas, aos ecos da rua. Nunca foi uma revista from the people, for the people. A sua missão era determinar os padrões (elevados, elitistas mesmo) a que era suposto aspirar, não era ser cúmplice aquilo que supostamente devia desprezar ou contrariar.
Se a própria Vogue baixa os padrões e coloca a fasquia a este nível, não sei como pode inspirar alguém. Ou pode - mas não na direcção daquilo que era a Vogue. Passo.
Tuesday, August 12, 2014
Anatomia e análise do look "favela"...porque alguém tem que o fazer.
O visual mainstream passou (ou anda perto) do extremo de magreza de finais dos anos 90/inícios do milénio - quando a figura recta, arrapazada e de ancas estreitas era a tendência vigente- ao exacto oposto.
Lembro-me de quando Beyoncé Knowles e Shakira começaram a fazer sucesso com as suas pernas roliças e derrièrres generosos exibidos em roupas reduzidas que até então eram apanágio das raparigas estilo Kate Moss (ou pelo menos mais para o esguio, como Jennifer Anniston). Na altura achei estranho; a visão estética (e de comportamento) tradicional rege-se pela velha máxima "uma rapariga de pernas fortes fica demasiado provocante de mini saia" - isto pondo de parte se é ou não proporcionalmente correcto ou se fica bonito ou feio. Já dizia Jorge Amado, pela voz de Tieta do Agreste "mini saia não combina com as minhas abundâncias".
É claro que muitas raparigas brasileiras fizeram orelhas moucas ao grande mestre se é que o leram de todo, como veremos.
Mas enfim, como tudo o que é ditadura cansa foi refrescante, por um breve tempo, ver que as mulheres começavam a aceitar outros padrões de beleza que não contrariavam completamente as suas formas naturais.O pior veio depois, num exagero brutal e quase sórdido à vista.
Não se podia prever que a "moda das popozudas" (acho que ainda não há nome no nosso português para isto) se espalhasse das favelas da nossa antiga colónia e dos guetos dos Estados Unidos para a Europa.
Alguns antropólogos defendem que nas zonas pobres o padrão de beleza é sempre roliço, enquanto nas áreas urbanas de maior prosperidade a mulher ideal é esguia e elegante.
A ser verdade, a obsessão actual por curvas exageradas (ou exageradamente expostas) é um reflexo da crise que começou com o 11 de Setembro.
Bom, eu não sei se a culpa é da crise, de horrores do estilo piri-piri-piradinha, bicicletinha não sei das quantas ou se devemos processar Kim Kardashian pelo sucedido, mas actualmente quase se pode classificar social e/ou moralmente uma mulher pelo tipo de exercício físico que faz.
Ou seja, se uma certa camada da sociedade pratica pilates, yoga (ou outras modalidades "normais") na tentativa de obter abdominais perfeitos ou o polémico thigh gap (o espaço entre as coxas característico das manequins), as "popozudas" são rainhas dos agachamentos para "engrossar" as pernas. Ou seja, fazem o tipo de rotina normalmente recomendado a quem é exageradamente magra e precisa de ganhar massa muscular.
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| Normal |
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| "Piriguete" ou "popozuda" |
Se uma mulher "normal" fica aterrorizada com a retenção de líquidos...estas se calhar festejam os centímetros a mais. É comum ver muitas delas a exibir celulites por aí, sem problemas. O objectivo não é parecer atlética - é parecer provocante ou como dizem no Brasil, "gostosa".
*pausa para enjoo...*
O resultado é sensivelmente isto (o exemplo é brasileiro, mas infelizmente já se aplica completamente à realidade nacional):
Este padrão "estético" (*grande ponto de interrogação*?) é acompanhado de constantes updates nas redes sociais e de determinados visuais e comportamentos já abordados em posts anteriores: no Brasil está associado ao submundo do funk, por cá anda de mãos dadas com danças e ambientes semelhantes,embora de forma menos organizada - o tuning, a kizomba, e assim por diante.
Basicamente, estas bonecas de feira parecem uma cabaça de pernas curtas, calções minúsculos e cabelo preto-graxa esticadinho, com feições grosseiras, grandes brincos e grandes unhas (assustador, hein?).
Nota bene que esta humilde análise nada tem a ver com condenar as curvas femininas, que estão na moda e muito bem: afinal, a muitas mulheres é mais fácil e natural definir e tonificar formas arredondadas do que conseguir uma silhueta rectilínea (que por sua vez também não deve ser condenada em acusações histéricas de culto à anorexia).
Chegou a temer-se que o padrão demasiado andrógino se impusesse de novo como reacção a esta subcultura de implantes de silicone no traseiro, mas a resposta foi mais temperada: houve um regresso gradual às curvas elegantes, como já foi visto aqui e aqui . A indústria de moda rendeu-se finalmente (e novamente) a figuras femininas e bem delineadas como Lara Stone. E essas são as curvas naturais da mulher, perfeitamente patrícias, que transmitem sofisticação e não ferem a vista.
O que está mal, estética e socialmente, é a promoção de um visual grosseiro, de uma sensualidade bestial e forçada, da objectificação de partes do corpo e de todo um mau gosto, de associações negativas, de moral duvidosa e de uma certa promiscuidade que o culto deste visual transmite.
Não estamos no Brasil nem no Bronx; graças aos céus o mundo ainda não se transformou num bairro da lata gigante; logo, é no mínimo estranho que imagens boçais destas se espalhem por aí sem que ninguém aponte o ridículo nem explique às pessoas de onde tais fenómenos possam ter vindo...
Saturday, March 29, 2014
Preconceito ou sensatez?
Facto da vida: existem tantos modelos de roupa como tipos de silhueta. Mais do que nunca, hoje fabricam-se peças adequadas a toda a gente (pode ser complicado encontrar tamanhos muito pequenos ou muito grandes mas conhecendo bem as marcas, onde comprar o quê e tendo uma costureira capaz tudo se arranja). Porém, não há uma chave mestra, um modelo universal; nem tudo fica bem a todas. Nem a mais esguia das it girls parece perfeita com toda e qualquer fatiota; tenho-o dito aqui vezes sem conta que mais do que o tamanho ou o peso, importa conhecer o tipo de corpo que se tem.
As mulheres mais elegantes - modelos, actrizes, ícones de moda - não dependem só dos seus dons naturais, de uma disciplina de beleza severa ou de toilettes luxuosas para brilhar. Todas elas sabem (ou pagam a quem sabe) exactamente o que as favorece e o que devem evitar. Usam apenas o que lhes cai maravilhosamente e deixam de parte o que assenta "assim assim".
Na minha modesta opinião, esse é um dos conselhos de estilo mais preciosos: pode-se variar e acompanhar as tendências, certo; mas sem nunca perder de vista as proporções, o fitting, a estrutura, os tecidos, a silhueta e os comprimentos mais lisonjeiros, rejeitando categoricamente os outros.
Simplificando, cada uma deve abster-se de usar aquilo que não é ideal para si. A roupa deve favorecer e adaptar-se a quem a veste; não é quem veste que tem de se adaptar à roupa.
O que cai "mais ou menos" ou "não fica mal de todo" não faz falta nenhuma, por mais que seja bonito ou esteja na moda: lá dizia Coco Chanel,
"Elegância é recusa".
Não lhe fica a matar? Evite, esconjure, venda, doe. O seu roupeiro agradece e o seu visual também!
Mas actualmente - e vejo estas discussões a aparecer a toda a hora em certas publicações e blogs de moda internacionais - parece haver uma pressão generalizada para que se aplaudam as raparigas "plus size" que se "atrevam" a vestir coisas habitualmente consideradas impróprias para quem é mais gordinho. Ser "fashion victim" - ou seja, usar o que está na berra mesmo que assente mal - está a deixar de ser apontado como negativo e é louvado como um acto de coragem, sob a bandeira "abaixo o body shaming" e "as raparigas rechonchudas podem usar tudo, até mini saias e crop tops, porque ninguém deve ter vergonha do próprio corpo".
Foi o caso do visual acima, que gerou acesas discussões na página de Facebook do site Refinery 29 a propósito deste (assaz tendencioso) artigo. A actriz na imagem foi aplaudida pelo autor do texto porque, sendo "baixinha e cheiinha", com uma barriga menos perfeita, se atreveu a usar um crop top. Grande festa- as "rechonchudas" podem usar crop tops sim senhora, anunciaram deleitados. Uma leitora/blogger secundou logo o argumento, sugerindo este visual de fugir:
Pessoalmente, o look da actriz não me agride, mas era escusado ou podia, se tinha mesmo de ser, ter levado outra volta: é demasiado apertado, esborracha-lhe os braços e os ombros, não faz grande coisa por ela. Quanto à blogger em causa, é uma rapariga bonita - qual é a necessidade de expor precisamente as partes do corpo que devia disfarçar, de atropelar as proporções e de se pôr mais mal feita do que é na realidade só para mostrar que "também pode"? O que é que a beleza ou a auto estima de alguém ganham com esta "democratização forçada"?
A meu ver, nada. Sou completamente a favor do regresso das curvas com classe, mas há maneiras de tanto as "curvilíneas magras" como as "curvilíneas rechonchudas" tirarem o maior partido das suas formas. As "rechonchudas" não podem (ou não devem) usar TUDO, tal como as magrinhas com mais ou menos curvas, ou as altas, ou as baixinhas, não podem ou não devem usar tudo o que os designers se lembram de inventar. Não se trata de "vergonha" ou de chamar gordo a ninguém; trata-se de não ser preciso vestir o que fica mal (ou menos bem) quando há tanto por onde escolher, só para combater um alegado preconceito ou para alinhar cegamente com a moda vulgar dos "grandes traseiros, grandes coxas e venha lá seu compadre que o que é abundante é para se ver" iniciada por Kardashians e companhia.
Quando se trata de estilo, como em tantas outras coisas, não convém que o politicamente correcto tolde o elementar bom senso e o sentido estético. Ou, como eu não mando nada, "vistam lá o que quiserem mas depois não se queixem".
Friday, December 20, 2013
Momento injusto da semana:a vingança das "gordinhas"
Sabe-se que a Mango vai lançar uma colecção especial, com mais de 400 peças, dirigida às meninas mais redondinhas - ou antes, aos tamanhos maiores. Boa ideia, excelente. O problema? A julgar pela imagem quer-me cá parecer que a cápsula (400 peças é uma grande cápsula, mas pronto...) está recheadinha, pejadinha do tipo de vestidos (sheath dresses, slip dresses por baixo do joelho, e por aí) que eu tanto adoro. E vai ser tudo em tamanhos grandes, logo ficarei a ver navios.
Estão as "rechonchudas" vingadas - coisas giras que os tamanhos pequenos não podem vestir. Se calhar é justo, mas francamente qualquer a confusão de padrões na indústria de moda é das poucas coisas que me aborrecem na dita. Porque é que um vestido para mulheres "com curvas" tem de vir SÓ em tamanhos grandes? E as mulheres magras que têm curvas, estilo Dita Von Teese, Eva Mendes, Penelope Cruz, Scarlett Johansson e por aí fora?
Se parassem de confundir as mulheres é que era bom - mas tem de se começar por algum lado. Lá chegaremos.
Wednesday, November 20, 2013
Sophia Loren dixit: spaghetti (de viver, amar, comer, emagrecer, etc)
"Everything you see, I owe to spaghetti"
Quem por aqui passa sabe que defendo as curvas femininas mais do que ninguém. No entanto, não subscrevo artigos patetas deste género, a confundir "curvy" com "plus size" - as duas coisas não andam necessariamente juntas: há raparigas magras com muitas curvas e raparigas gordinhas sem nenhuma - a perpetuar o mito de que Marilyn Monroe vestia o 42 quando é sabido que usava um pequeno 36 e com discursos de celebridades a advogar "gordura é formosura, e as mulheres normais são rechonchudas", entre outras tonterias.
Desculpem lá, mas o "normal" se não é a modelo de high fashion altíssima e magríssima, também não será ser assim para o gorducho: mais de metade das mulheres com quem convivo diariamente vestem entre o 34 e o 38, logo das duas uma - ou os padrões impossíveis vieram todos para as minhas bandas ou andam a vender-nos ideias algo confusas, no mínimo.
Textos assim, cheios de wishful thinking, não só chamam redonda a quem está longe de o ser como colocam no "tamanho" uma ênfase que só complica.
O que importa é a beleza, a harmonia da forma, as proporções, o biótipo e vestir de acordo. Tudo o resto é subjectivo.
E Sophia Loren, como boa italiana, sabe umas coisas sobre isso: as mulheres não devem matar-se com dietas. Quando era jovem, a actriz era algo magricelas: foi precisa uma dieta romana com muita pasta, muito azeite e bom vinho para ficar como a conhecemos.
É preciso descobrir a "dieta" que funciona com o organismo de cada uma - em geral, será a que nos dá energia, não provoca flutuações de peso nem mal estar. A uma mulher a farinha fará mal, a outra serão os doces, outra ainda pode parecer que engorda quando afinal precisa é de perder líquidos. É necessário ouvir o corpo, conhecer o próprio metabolismo para encontrar a alimentação e o exercício adequado. Aceitar a própria beleza e deixar-se ir. Hoje, a eterna screen siren recomenda que se coma, mas não muito. Comer um pouco disto, um pouco daquilo sem encher demasiado o estômago, e movimentar-se. Ou seja, provar de tudo e não ficar sentada, à espera que as temidas calorias façam das suas e amoleçam o corpo. E se ela o diz, quem se atreve a duvidar?
Dizem que as italianas e as francesas dificilmente engordam porque sabem comer e têm joi de vivre. Vivem, riem, barafustam, rodeiam-se de coisas belas, encolerizam-se, amam, perdem, apaixonam-se. Nada emagrece tanto como um verdadeiro desgosto de amor, daqueles que deixam marcas no corpo e na alma. E por vezes, o próprio amor também emagrece porque se perde o apetite, além de dar boas cores. O mesmo acontece com o entusiasmo ou qualquer outra emoção forte. A comida não faz estragos quando é "derretida" com as alegrias, preocupações, idas e vindas da vida.
Não, as mulheres não deviam matar-se com dietas. Precisam é de voltar a viver com alguma intensidade e deixar de parte celebridades tontas que não falam noutra coisa senão no peso. Sinceramente, a conversa das Jennifer Lawrences deste mundo e de quem as aplaude e as acha muito inspiradoras, já me enfada. Saiam para comer spaghetti sem dó. E a seguir be italian, e venham contar-me alguma coisa.
Friday, October 18, 2013
A Revista Elle e as "gordinhas": a história do Velho, do Rapaz e do Burro.
Andava eu para assinalar aqui que reguapa ficou Penelope Cruz na edição da Elle dedicada às mulheres de Hollywood (abaixo) quando rebentou a polémica e zás, lá tive de mudar a direcção do post.
Sucede que entre as actrizes convidadas para embelezar as páginas da revista estava Melissa McCarhty. Era de esperar que o público ficasse feliz por, para variar, ver uma mulher "reboludinha" na capa de uma revista de moda, certo? Pessoalmente acho que a actriz ficou muito bonita e com um styling fabuloso. Não caindo no exagero, é refrescante ver que ocasionalmente as publicações da especialidade deixam de lado os padrões convencionais/ideais para dar protagonismo a mulheres com quem leitoras de todos os tamanhos se possam identificar.


Mas como sempre que o assunto "gordinhos" ou "peso feminino" vem à baila cai o Carmo e a Trindade, desta vez não foi diferente. E houve muitas feministas, essas senhoras zangadas com o mundo - e não só - a mandar vir furiosamente porque, imaginem... enquanto outras actrizes, como Reese Witherspoon, usaram modelos mais reveladores, os stylists taparam Melissa McCarthy com um *belíssimo* casaco, "obrigando-a a cobrir-se só por ser gorda" (por essa ordem de ideias, as mulheres mais esguias têm obrigação de se destapar só porque são magras, não?).
Vamos por partes: a própria revista esclareceu que a actriz teve uma palavra a dizer no outfit que lhe coube demonstrar: Melissa pode efectivamente não se sentir bem com menos roupa. Nem todas as "rechonchudas" são Beth Dittos em potência, assim como nem todas as mulheres "magras" estão à vontade para se despir e nem todas as raparigas de traseiro grande são Kim Kardashians da vida.
Segundo, estamos no Outono. Nada mais natural que uma revista de moda apresente casacos. E este ano os casacos oversized estão por toda a parte. Facto interessante, os big coats assentam melhor em pessoas altas e magras ou em pessoas fortes (confesso que com o meu tamanhinho que não é exactamente de respeito, me marimbei para a regra e já tenho uns quantos, mas isso é assunto para outros carnavais).
Em última análise, a revista não era obrigada a escalar uma actriz plus size para a edição, certo? Ainda não chegámos ao cúmulo de ter quotas para coisas tão parvas- acho!
É claro que há imensos vestidos que uma mulher com a silhueta de Melissa pode usar - um sheath dress de bom tecido e manga comprida faz maravilhas por curvas grandes ou pequenas, e ainda é capaz de as criar onde não existem. Um vestido espartilhado (Queen Latifah em Chicago acode-me imediatamente à ideia) ou um tailleur calculado devidamente seriam escolha igualmente válidas. As opções eram muitas e fosse eu a produtora de serviço, talvez não escolhesse aquele casaco tão fofinho que apetece tocar.
Mas dizer que obrigaram a convidada que eles próprios escolheram a encafifar-se em roupa só porque cometeu o sacrilégio de, sendo "gorda" aparecer numa revista de moda...isso beira o ridículo. E faz com que as publicações continuem a escolher o caminho seguro das modelos, actrizes e it girls do costume para evitar interpretações matriarcais, desvairadas e filosóficas. Se a "diversidade" dá nisto, na velha história do Velho, do Rapaz e do Burro...I rest my case.
(E aqui entre nós que ninguém nos ouve, dou incontáveis graças por ter desistido da ideia de frequentar Estudos Femininos. Imaginem os disparates que não me iam meter na cabeça. E já agora, alguém me explica como é que as feministas, que supostamente são muito superiores a estas coisas e não lêem revistas de moda, estão sempre em cima do que a indústria de moda faz ou não faz? Just thinking).
Wednesday, September 11, 2013
A minha "modiste" dixit...
...ao ver que as provas feitas às saias que lá deixei foram inúteis, pois as malvadas continuavam a flutuar à volta da cintura (é o stress e a má raça, fazer o quê?):
- Olhe lá não emagreça mais! Se uma mulher não tem curvas, um homem não se estampa!
Bem dito, bem dito...sou toda a favor da silhueta hiper-feminina, embora "estampar-se" não seja o primeiro verbo que me ocorre. Será que a ambicionada figura em "S", com as três curvas primordiais causadoras daquele efeito va-va-vooom que felizmente voltou a estar na moda, são uma ancestral armadilha feminina para subjugar os todo-poderosos cavalheiros à força de choque? Se é...bela e subtil partida que vos pregamos, meninos.
Just thinking.
Tuesday, December 11, 2012
Os vestidos fabulosos de Dita Von Teese
Quase todas as mulheres têm um modelo de vestido que sabem que lhes fica a matar (se ainda não têm, deviam encontrá-lo). Quantas de nós não procuram, a cada temporada, mais exemplares "d ´O Vestido" (ou Dos Vestidos) para juntar ao seu acervo pessoal? E quem não gostaria de poder criar uma colecção inteirinha baseada nos seus modelos preferidos? Ora, poucas mulheres percebem tanto de vestidos - e conhecem o que lhes fica bem - como Dita Von Teese. Para mim, ela é um dos ícones de estilo mais inspiradores da actualidade. Tem a figura de ampulheta perfeita, com curvas q.b, mas esguia o suficiente para um porte elegantíssimo. Está sempre em excelente forma. Orgulha-se da sua pele de porcelana (haja quem se oponha à ditadura do bronzeado e dê a conhecer os encantos da beleza clássica). Aparece invariavelmente impecável. Mantém a classe quando a sua profissão lhe dá todas as desculpas para não o fazer, o que significa que consegue um equilíbrio quase impossível. Quase casou com Marilyn Manson e quando se cansaram um do outro, lutou com ele pela custódia dos gatos (ora aí está um atestado de fofura indelével). Tira o melhor partido da sua beleza original. A Rainha do Burlesco é, acima de tudo, a prova de que uma senhora é sempre uma senhora em toda a parte.
| S.A.R A Princesa Marie-Luise Von Sachsen e Liz Goldwyn marcaram presença no lançamento da colecção em Melbourne - e ambas vestiram o "Follow me Dress" em preto e encarnado, respectivamente. |
Em parceria com a cadeia australiana David Jones, Dita lançou a colecção-cápsula Muse. Esta edição muito limitada é constituída por cinco peças (quatro vestidos e um casaco forrado a tule) e baseada nos vestidos mais icónicos do seu guarda roupa, com formatos clássicos, allure retro, materiais excelentes e atenção ao detalhe ao melhor estilo couture. O preto predomina, para que a beleza simples do modelo realce o encanto da mulher que o usa. Tenho peças semelhantes a todas estas - acho mesmo que um guarda roupa não está completo sem elas - mas nunca são demais. Vejam a colecção e digam-me se não é de uma santa cair no pecado da cobiça:
Monday, November 19, 2012
Christina precisa de stylist mandão, Taylor Swift não
Não sei qual dos visuais é pior: se o vestido Modas Milu, fatiotas para casório em Vila Onde Judas Perdeu as Botas - aliás, Pamella Roland - que além de não trazer nada de novo e de não ser adequado a este tipo de evento não faz nada por ela, se o corpete que escolheu para subir ao palco. O peso de cada um é com cada um: se ela se sente bem estando mais roliça só tem de abraçar o facto e procurar roupas que a ponham bonita, com um ar confortável. Talvez deva pedir ajuda a Queen Latifah ou Christina Hendricks, que estão quase sempre fantásticas.
Em sua defesa, poucas celebridades acertam quando o assunto é o dress code para galas da indústria de música. Umas optam por vestir como se fossem para os Óscares, outras procuram dar nas vistas pelos piores motivos: é uma salganhada. Em eventos deste género, o estilo clássico parece deslocado e piroso, mas demasiada irreverência pode dar um ar reles ou poluído ao visual. Galas destas são a ocasião ideal para uma certa ousadia, sem comprometer a elegância: mini vestidos, jumpsuits, smokings femininos, peças em pele ou vestidos de cocktail ousados, que não caem bem em circunstâncias de maior requinte e sobriedade. Taylor Swift conseguiu esse equilíbrio delicado e foi, para mim, a menina mais elegante da noite: tanto o Zuhair Murad dourado que usou para a red carpet como a pequena maravilha de inspiração gótica com que subiu ao palco são uma perfeição. Este último é um vestido icónico: tem o noir, tem o barroco (duas tendências poderosas nesta temporada) é fantasioso, edgy e arrojado, mas está esplendidamente feito e pensado à medida. Devo dizer que me desdobrei para encontrar o autor da obra, mas não tive sorte...alguém sabe?
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