Albert Hadley, decorador favorito de Jackie Kennedy
A frase "quem diz que o dinheiro não dá felicidade não sabe onde ir às compras" já foi atribuída a tantos autores que não arrisco citar nenhum.
E embora haja alguma verdade nesta ideia, creio que seria mais justo dizer "alegria" do que "felicidade".
Isto é sujeito à opinião e sensibilidade individual, claro, mas parece-me que a felicidade é algo mais permanente.
O dinheiro permite, isso sim, o acesso a pequenas alegrias e muitas coisas que facilitam a felicidade: a maior delas será liberdade total para fazer dos próprios dias o que bem se entender.
Quem dispõe de meios está livre da maioria das preocupações mesquinhas que afligem o comum dos mortais, o que é (ou devia ser) meio caminho andado para se estar contente.
O resto depende de cada um - porque como qualquer recurso, o dinheiro é neutro e pode ser bem ou mal usado.
Há coisas que o dinheiro complementa, mas não compra nem substitui: compra uma grande casa...mas se o dono não tiver gosto, esta será provavelmente um mamarracho; paga as propinas de boas escolas, mas não garante verdadeira educação, porque isso vem de trás; compra roupas caras e tratamentos de beleza, mas não beleza, porte, bom ar e muito menos sentido de estilo.
É claro que tudo isso é polido, limado e encadernado se a pessoa tiver o bom senso de contratar quem saiba para ajudar, mas uma transformação completa entra no campo dos milagres.
Uma alma grosseira e sem sentido estético pode entrar na mais exclusiva das lojas, pedir - como tenho ouvido muito - "o mais caro que houver" - e sair de lá exactamente na mesma. O preço assegura um mínimo de qualidade, mas isso é só a ponta do icebergue.
Quem foi educado para o gosto, quem tem os olhos treinados e a sensibilidade aguçada por anos de prática e pela observação de bons exemplos, sai-se bem com muito ou pouco - seja na apresentação, na decoração da casa, ou em qualquer outra coisa.
Primeiro, porque um bonito porte e um ar racé asseguram que tudo cai como deve; depois porque saberá instintivamente evitar os artigos, caros ou baratos, de aspecto e qualidade duvidosa, comprar pelo valor real - não pelo preço de mercado - e fazer brilhar mesmo as peças mais modestas.
Quem é conhecedor (ainda que tenha vivido melhores tempos e não nade em dinheiro) sabe onde comprar (e provavelmente, os pontos de venda onde fazer aquisições de qualidade com desconto e sem alardes) escolher peças intemporais, combinar coisas antigas com novas, conhece as coisas em que deve investir ou poupar, tem um grande sentido de parcimónia, do que fica bem, da ocasião, da discrição, das prioridades - mas acima de tudo, faz valer aquilo que possui.
Mais do que qualquer coisa, as pessoas verdadeiramente elegantes têm a consciência de que a sua distinção não depende de factores externos: das flutuações da economia, da ostentação nem dos últimos figurinos (por muito agradável que seja ter acesso a eles)
mas dos seus valores, das suas opções sempre correctas, do cachet que imprimem a tudo, e de princípios morais firmes - já enunciados aqui - que se reflectem na sua atitude, na sua fisionomia, em toda a sua pessoa.
Ou seja, dos tesouros à prova de crise.
A frase "quem diz que o dinheiro não dá felicidade não sabe onde ir às compras" já foi atribuída a tantos autores que não arrisco citar nenhum.
E embora haja alguma verdade nesta ideia, creio que seria mais justo dizer "alegria" do que "felicidade".
Isto é sujeito à opinião e sensibilidade individual, claro, mas parece-me que a felicidade é algo mais permanente.
O dinheiro permite, isso sim, o acesso a pequenas alegrias e muitas coisas que facilitam a felicidade: a maior delas será liberdade total para fazer dos próprios dias o que bem se entender.
Quem dispõe de meios está livre da maioria das preocupações mesquinhas que afligem o comum dos mortais, o que é (ou devia ser) meio caminho andado para se estar contente.
O resto depende de cada um - porque como qualquer recurso, o dinheiro é neutro e pode ser bem ou mal usado.
Há coisas que o dinheiro complementa, mas não compra nem substitui: compra uma grande casa...mas se o dono não tiver gosto, esta será provavelmente um mamarracho; paga as propinas de boas escolas, mas não garante verdadeira educação, porque isso vem de trás; compra roupas caras e tratamentos de beleza, mas não beleza, porte, bom ar e muito menos sentido de estilo.
É claro que tudo isso é polido, limado e encadernado se a pessoa tiver o bom senso de contratar quem saiba para ajudar, mas uma transformação completa entra no campo dos milagres.
Uma alma grosseira e sem sentido estético pode entrar na mais exclusiva das lojas, pedir - como tenho ouvido muito - "o mais caro que houver" - e sair de lá exactamente na mesma. O preço assegura um mínimo de qualidade, mas isso é só a ponta do icebergue.
Quem foi educado para o gosto, quem tem os olhos treinados e a sensibilidade aguçada por anos de prática e pela observação de bons exemplos, sai-se bem com muito ou pouco - seja na apresentação, na decoração da casa, ou em qualquer outra coisa.
Primeiro, porque um bonito porte e um ar racé asseguram que tudo cai como deve; depois porque saberá instintivamente evitar os artigos, caros ou baratos, de aspecto e qualidade duvidosa, comprar pelo valor real - não pelo preço de mercado - e fazer brilhar mesmo as peças mais modestas.
Quem é conhecedor (ainda que tenha vivido melhores tempos e não nade em dinheiro) sabe onde comprar (e provavelmente, os pontos de venda onde fazer aquisições de qualidade com desconto e sem alardes) escolher peças intemporais, combinar coisas antigas com novas, conhece as coisas em que deve investir ou poupar, tem um grande sentido de parcimónia, do que fica bem, da ocasião, da discrição, das prioridades - mas acima de tudo, faz valer aquilo que possui.
Mais do que qualquer coisa, as pessoas verdadeiramente elegantes têm a consciência de que a sua distinção não depende de factores externos: das flutuações da economia, da ostentação nem dos últimos figurinos (por muito agradável que seja ter acesso a eles)
mas dos seus valores, das suas opções sempre correctas, do cachet que imprimem a tudo, e de princípios morais firmes - já enunciados aqui - que se reflectem na sua atitude, na sua fisionomia, em toda a sua pessoa.
Ou seja, dos tesouros à prova de crise.


