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Tuesday, April 22, 2014

De fazer chorar as pedras.


Há uns quantos aspectos em que não correspondo ao estereótipo feminino: uma delas é a minha impaciência para prolongar as compras ad aeternum, outra é a dificuldade em me comover até às lágrimas com as notícias, ou com filmes, canções e livros. 
Pôr-me a chorar não é tarefa fácil- e ainda bem, porque raramente choro mas quando choro estou como o outro do Amor de Perdição, sou um chafariz. 

 Depois há certas coisas-que-me-lembram-cá-de-coisas, ou que fazem vibrar uma cordinha interior por nenhum motivo especial, e que não consigo ler, ouvir ou ver porque choramingo mesmo, não consigo evitar.

 O meu irmão, que anda muito em contacto com a parcela de sangue espanhol que nos corre nas veias, lembrou-se de começar a ouvir esta cantora extrordinária;  e como gosta de pôr a música alto, eu que andava no andar de cima nos meus afazeres não pude impedir que as notas e as palavras me chegassem. Não se faz isto à minha pessoa. Já tenho dito que não sou exactamente uma romântica no sentido convencional do termo - velinhas e ursinhos e coraçõezinhos - mas enfim, a genética manda e pode e quanto às ideias de romantismo e ultra romantismo de outros tempos, bem.... 

Depois, fui educada na filosofia "uma mulher nunca se desmancha nem perde o seu tempo com quem não presta", logo não me posso identificar com a protagonista da canção, que diz mais ou menos "volta a qualquer preço, meu querido";  só que enfim, uma coisa é o que uma mulher faz, outra é o que vai lá por dentro.

 E pronto, não aguento cantigas de amor desesperado entoadas com tanta expressão, com tanta intensidade. Tive de pedir que se baixasse a música, porque não gosto de esborratar a pintura...oh sorte!

Horas que pasan con la agonía de una muerte lenta / vuelve el silencio a vestirme de oro mi santo / vuelve el recuerdo de mis abuelas a hacerme fuerte en la espera  / Ay si tu volvieras...
Si tu volvieras te vestiría de oro mi santo / callaría las cosas para que tu puedas oír mi canto desesperado...

                                           



Friday, November 30, 2012

Princesa de Éboli, ou "nunca enfureças um homem poderoso"

Doña Ana de Mendoza y de la Cerda, Princesa de Éboli, Duquesa de  Pastrana e Condessa de Mélito (29 Jun. 1540 – 2 Fev 1592) era - apesar de alegadamente um acidente de esgrima a ter deixado cega uma vista, o que lhe valeu a alcunha de La Tuerta (A Zarolha) - uma das mais belas damas de Espanha. 
 Outras fontes afirmam que não era realmente zarolha, apenas vesga, e que por vaidade usava com tanta graça  uma pala no olho direito. Nunca teremos a certeza: o que ficou para a história foi a sua formosura, acompanhada de um grande sentido de estilo e de gosto pelo luxo, de dimensões só comparáveis à sua queda em desgraça. 
Educada pela mãe, doña Catalina de Silva, filha dos condes de Cifuentes, desde cedo deu mostras de vivo espírito e inteligência, condições necessárias para representar a nobre família dos Mendonza, já que era filha única. Recebeu a educação que se destinaria a um filho varão: era uma esplêndida amazona e possuía uma cultura invulgar, interessando-se inclusive pela magia e esoterismo.  Os conflitos entre os progenitores - motivados pelos escândalos galantes do pai, D. Diego Hurtado de Mendoza - ajudariam a moldar a sua forte personalidade: orgulhosa, vibrante, de ânimo varonil e altivo. Com apenas doze ou treze anos de idade casou, em 1553, com um fidalgo portuguêsD. Rui Gomes da Silva, ministro e amigo afeiçoado de Filipe II de Espanha. A influência de D. Rui junto do soberano era tal que lhe foram concedidos os títulos de Grande de Espanha e Príncipe de Éboli, uma cidade no Reino de Nápoles. Por essa razão, era chamado Rey Gomez (uma corruptela de Ruy Gomez). O casal teria dez filhos ao longo dos anos. Entretanto, a beleza e vivacidade da princesa incendiavam a corte: a sua pele branquíssima, os traços correctos, a figura esbelta e modos encantadores, cheios de graça e sedução, viravam cabeças, tornavam-na popular. A jovem Isabel de Valois, terceira mulher do Rei, não ficou indiferente ao carisma de Ana: as duas tornaram-se tão amigas que a mãe da Rainha consorte, Catarina de Medici, chegou  a enviar presentes à Princesa. Porém, esta proximidade também permitiu que Filipe II  - então um jovem com menos de 30 anos, de bonita figura e grandes olhos azuis - se enamorasse perdidamente da Princesa de Eboli. Rezam as más línguas que Ana de Mendonza o detestava em segredo e que a régia paixão não seria correspondida.
Fossem quais fossem os sentimentos da Princesa, não havia como contrariar os desejos do monarca. O affair terá acontecido no maior secretismo, e D. Rui passou para o outro mundo sem se aperceber da dupla traição. Desgostosa, Ana encerrou-se num convento - mas o seu carácter vaidoso e soberbo não se coadunava com as regras. Acabaria por regressar aos seus domínios, depois de lançar a confusão no mosteiro com os seus desmandos e exigências. Regressou à vida pública após três anos de reclusão. Foi então que se cruzou com o substituto do defunto marido junto do Rei, Antonio Perez - e  o encontro com o jovem e atraente Secretário revelar-se-ia fatal para a princesa. Rezam os rumores que os dois, igualmente jovens, belos e ambiciosos, se envolveram num romance que terá chegado aos ouvidos de Filipe II. Ciumento, dominador, o Soberano terá urdido uma intriga política de tal forma intrincada - implicando o casal em acusações de tráfico de segredos de Estado e no assassinato de Juan Escobedo, antigo protegido do Príncipe de Éboli - que durou mais de dez anos, até ao fim da vida de ambos. Os dois foram presos sem acusação formada; Perez foi torturado e condenado à morte, escapando por várias vezes da prisão com a ajuda de amigos e partidários leais. Morreu em Paris na mais absoluta miséria, sem nunca obter o perdão real. Quanto à Princesa de Éboli, morreria em prisão domiciliária, na sua casa de Pastrana.
  O relacionamento entre a Princesa de Éboli e o Senhor das Espanhas nunca foi comprovado pelos historiadores, mas é apontado como causa provável para a perseguição de que a infeliz beldade seria vítima: Rei ou não, só um homem despeitado, possessivo, ferido no seu orgulho de amante atraiçoado, poderia proceder com tanto furor, com raiva incansável. 















Tuesday, November 20, 2012

Get the look: Inverno + Kate Moss


La vida en imágenes de Kate Moss: abrigos de pelo
A Vogue España de Dezembro (digam-me what´s not to love nas revistas de moda de nuestros hermanos! Ainda estou para descobrir) tem como director convidado Mario Testino, que comme d´habitude trouxe consigo a sua musa, Kate Moss, para uma edição totalmente inspirada na cultura espanhola. 
E fazerem o mesmo por cá, mmm? Era bonito. Online, já está disponível uma galeria com os looks mais marcantes da mítica modelo. Tenho dito que para mim, Kate Moss é uma das poucas it girls da nossa época que ficará na história. Foi a cara dos anos 90 e fez como poucas a transição para o novo milénio. Mistura uma singular habilidade para se antecipar - ou mesmo lançar - tendências com um perfeito sentido de equilíbrio e noção dos clássicos. Raramente a vemos com um look, por mais antigo que seja, que pareça datado. Reinventa-se e actualiza-se, mas sempre com uma linha condutora. Senão, atentemos neste visual boho baseado nos anos 70 que usou em 2003, e que pode perfeitamente ser vestido agora. Tem o casacão de peles (check!) tem a bota elegante - nem demasiado chunky, nem demasiado desconfortável (check!) a calça skinny -  um item clássico que andou esquecido mas que sendo tão prático veio, conquistou e vai ficar, apesar das variantes mas largas (check!); uma clutch de ar vintage e um lenço de seda. Jovem e simples, mas elegante, esta é uma das "receitas" que aprecio bastante quando estou preguiçosa: basta um top bonitinho para criar uma toilette informal, ideal para saídas com amigos. Cabelo solto e rebelde, e já está. Este ano tenho um novo casaco do género, em branco, para juntar à minha colecção de statement-coats, mas adorava um de pêlos longos e brilhantes como esse da imagem...

Thursday, August 9, 2012

E ontem foi assim...

Muito calor, muito passeio por praças batidas do sol, em terras de touros e sevilhanas. Os cavalos andaluzes são um espanto. E os trajes de flamenca, vistos de perto, dão vontade de ter um! Sempre os achei demasiado espampanantes, mas...que femininos, que elegantes, que perfeitos que são! Qualquer mulher se deve sentir guapa com aquelas lindas mangas, as cinturas vincadas e os decotes arredondados. O pior é... que ia eu fazer com tal fatiota? No entanto, não digo que não me passe pela ideia encomendar um vestido com inspiração de salero...
 Como é meu costume, aproveitei para visitar todas as ermidas e capelinhas que encontro. As imagens são tão bonitas que acordam a devoção à mais empedernida das almas. Achei curiosíssima esta representação de Jesus sobre um burrinho. É muito agradável ver um povo que não esquece a sua fé nem as suas tradições, por muito citadino que se torne e por mais feios que os tempos andem...

Tudo isto me recorda o poema de Júlio Dinis:

Ai, quem me dera em Sevilha,
 Onde a travessa espanhola 
Sob a elegante mantilha 
As negras trancas enrola...

Thursday, August 18, 2011

Get medieval, ou a viagem perfeita


Meu dito, meu feito. Foi só arrumar as malas, perdão, alforges, e rumar a terras Transmontanas. Como se os brigantinos soubessem que eu ia passar por lá, armou-se um arraial medieval onde nem faltaram caretos e justas de homens valentes (ainda os vai havendo por este reino!). As palavras voam céleres e eis que em terras da Hispânia, Sanabria se engalanou também para se embriagar na boas cantigas de amigo, na deliciosa música celta, no colorido de gibões, espadas e estandartes. Eu tracei armas. Eu cantei com jograis as melodias gaélicas dos meus antepassados. Eu, Sissi de mi gracia, volteei em viras de antanho, banhei-me em lagos assombrados, rezei e comovi-me em Santiago, fiz votos de buena dicha a coloridas noivas espanholas nos portais de Salamanca. Nunca se volta igual de Compostela, diz a voz do povo. Mas que uma jornada repentina, não planeada, possa ser mais-que-perfeita, isso dá que pensar.

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