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Saturday, March 31, 2018

Haja paciência: um Hospital muito "prá frentex"




Segundo a Revista Sábado, o Hospital de Cascais está a ser alvo de protestos por tentar impor aos seus funcionários, homens e mulheres, um código de vestuário discreto e normas que deviam ser básicas para quem está perto de doentes - como, por exemplo, evitar perfumes fortes.



Para mim, que não trabalhando numa área tão ...vá, solene como a da Saúde, todos os dias estou sujeita a standards de apresentação rigorosos q.b. (e acho isso naturalíssimo) é difícil de entender como é que estes médicos/enfermeiros/auxiliares/administrativos se sentem no direito de se indignar.

Que a alguns não lhes apeteça cumprir até percebo e nem me espanta nada (já lá vamos).


Porém, que o digam em voz alta, como se esperar um mínimo de sobriedade no local de trabalho fosse alguma coisa do outro mundo; que façam queixa, que isso vá parar à imprensa e que o próprio Sindicato dos Médicos da Zona Sul venha afirmar que tudo fará "para impedir que o Hospital de Cascais se transforme numa caserna militar"...já é muita relaxaria junta. Mas afinal o que é que querem?


                                        


Para fazer tanto escândalo, será que a ideia deste staff é....


...ir trabalhar assim?

                                


Ou assim?

                                                  

Ou ainda...assim?

                               


Agora a sério, e falando da realidade que conheço melhor.


A maioria das pessoas que trabalha na indústria de moda, obviamente uma área profissional bem mais criativa do que a Saúde, obedece a dress codes (quem nunca leu/viu "O Diabo veste Prada"? O ambiente na vida real é um bocado esse, garanto). 

Quando não existe um uniforme e apenas um código de vestuário, o grau de "liberdade de expressão" varia de acordo com o segmento (o mercado de luxo pede geralmente visuais sofisticados e clássicos; marcas trendy ou alternativas permitem alguma rebeldia embora muitas sejam, por exemplo, rigorosas com as cores autorizadas) e consoante se trabalha em head office (editores, buyersdesigners, online stylists...) ou em contacto com o público (vendedores, gerentes de loja, personal shoppers residentes, vitrinistas...). Mas regras de imagem há sempre.


Staff de cosmética Gucci: dress code típico para profissionais de retalho de luxo

                       
E para os profissionais de moda que estejam em contacto com o público, esses dress codes não andam longe daquele que é proposto agora pelo Hospital de Cascais. Ou de qualquer empresa onde vigorem normas de apresentação dentro do business/corporate dress.

As regras a cumprir em lojas de departamento de luxo, por exemplo, visam não só as fatiotas permitidas, mas detalhes como a espessura dos collants (quase sempre 15 den, preto ou cor da pele conforme a casa) o cabelo (que tem de estar penteado com elegância, sempre em cores "naturais e normais", afastado do rosto e preso se for comprido) o tipo de calçado (é raro serem autorizados sapatos de fivela, botas, sandálias ou sling backs) a altura dos saltos (se possível, 5 cm ou mais) o comprimento das saias (pelo joelho ou abaixo e quase sempre, saia lápis) e ausência de jóias espampanantes, nail art, piercings ou tatuagens visíveis. 
E quem não cumprir é mandado para casa sem mais aquelas. As poucas excepções têm a ver com símbolos religiosos (uso de turbantes, hijabs, crucifixos e por aí). 


                                       


O objectivo disso é garantir um visual neutro, profissional e elegante, que não seja fonte de distracções ou de mal entendidos.

Isso pode parecer limitativo, mas tem razão de ser: quanto mais liberdade, maior a margem de erro. Mesmo em ambientes onde as pessoas têm obrigação de saber o que é adequado e favorece, há sempre quem careça de bom senso e se lembre de aparecer demasiado casual, demasiado sexy e por aí fora. Havendo certos padrões, certas normas a que todos estão sujeitos, está garantida a igualdade (evitando-se questões do tipo "se fulana pode usar mini saia, porque é que eu não posso?") e é mais certo o look de toda a equipa estar de acordo com a imagem, valores e missão da empresa. De mais a mais, lida-se com diversos tipo de pessoas, com sensibilidades, backgrounds e opiniões diferentes: num momento atende-se uma cantora pop ou o jogador de futebol, no outro o Príncipe árabe ou a velhinha aristocrática. Uns lidarão bem com piercings ou decotes, outros nem por isso. 

                         
                                         Uniformes da casa Van Cleef &Arpels


Mas falemos de outra área ainda mais corriqueira: a Estética.
 

Claro que sabemos que muitas cabeleireiras, esteticistas e manicuras não cumprem o que lhes foi ensinado nas escolas (dependendo muito da casa para que trabalham) mas é sabido que regras como "consumir drops de menta nos intervalos e evitar perfumes intensos" de modo a não incomodar a clientela com quem terão grande proximidade física, são batidas à exaustão. E tenho conhecido salões de cabeleireiro em que, embora a profissão exija roupa confortável, são de rigueur as t-shirts e calças pretas - jeans só são tolerados se forem de um denim muito escuro.



                                        
                                                   Staff dos salões de cabeleireiro Tony& Guy- Kwait


Que será então num hospital, onde as pessoas esperam um ambiente calmo e de confiança, e não o mesmo que se encontra "na noite" !

De mais a mais, basta, por exemplo, olhar para a história da enfermagem (quero dizer, depois de Florence Nightingale) para lembrar que este foi um campo em que se batalhou muito por uma imagem de respeitabilidade, criando-se por isso uma certa tradição de grande rigor no vestuário de modo a acautelar não só aspectos práticos como a higiene e o conforto, mas também a dignidade das candidatas a enfermeiras.

Qualquer enfermeira que me leia saberá como o treino era muito exigente, muitas vezes num regime de internato quase religioso (ou vá lá, concedamos - militar). Nas escolas inglesas, a "matron" era uma autêntica autoridade que tanto exigia na medida exacta das dobras dos lençóis ou na precisão ao ligar uma ferida, como na posição do toucado, no comprimento milimétrico da saia ou na postura correcta das suas pupilas. Muitas escolas de enfermagem eram verdadeiras finishing schools para as raparigas de classe trabalhadora ou média que aspiravam a uma profissão de futuro, que lhes abrisse novos horizontes, sem beliscar a sua reputação de "meninas sérias".


                           


Ora, embora os tempos tenham mudado e já não exista uma necessidade óbvia de defender a honra de enfermeiras, enfermeiros, doutores e seus companheiros contra ideias feitas, a verdade é que o uniforme (ou a bata, e o que vem com ela) deve convidar ao respeito e passar uma sensação de seriedade, de segurança. Em alemão, por exemplo, a palavra para enfermeira ainda é "Krankenschwester" - irmã dos doentes.

Obviamente uma pessoa vestir assim ou assado, tatuar-se ou não, ou o que faz na sua vida privada (desde que esta se mantenha muitíssimo privada, bem entendido) não diz do seu talento, habilitações ou paciência para cuidar de pacientes.
Porém, o simples contacto com os utentes que o exercício do ofício requer deveria ditar as normas de cada um. E não é preciso pensar muito para perceber que o que é "demasiado sexy" , garrido, rebelde, enervante para os olhos ou possa dar a ilusão de não estar limpo (ou de ser difícil de limpar) é contraproducente para quem está a tratar-se e para os familiares que acompanhem o doente. As pessoas fazem associações de ideias, gostemos ou não.

                                                  
Há lugares para exibir as tatuagens e mini saias, e lugares para as esconder. A última coisa que um médico, cheio de pressa para ver uma fila de dez doentes, precisa... é de um velhinho da aldeia a berrar que não quer ser atendido por um sótor com dragões nos braços e alargadores de orelhas. 


E convém que a médica de serviço não tenha um Carlão acidentado do tuning a
 espreitar-lhe pelo decote e a fazer trocadilhos inapropriados; ou que a enfermeira, que devia ser o anjo velando por aquela gente toda, não ouça comentários menos simpáticos da esposa do Senhor Feliciano, que teve um enfarte, por se apresentar como uma concorrente da Casa dos Segredos mascarada para o Halloween.


                                       

No entanto, não posso dizer que tanto a necessidade de o dito Hospital dar um "basta" nos exageros, como o sururu que se seguiu, me surpreendam:
sem querer generalizar nem ofender a maioria das pessoas que sabe estar com elegância e seriedade, infelizmente tenho conhecido casos de profissionais de saúde, maioritariamente mulheres (e vá-se lá saber porquê, não tão poucas como isso) que parecem fazer questão de causar embaraços à classe tanto na forma como se vestem como no comportamento em público (nomeadamente virtual).

Não atino com a relação entre tantos exemplos de ousadia (ou mau gosto) e o campo em que trabalham. Talvez o facto de lidarem com a anatomia humana e de ouvirem de tudo um pouco as torne pessoas de "mente aberta" - além do que seria conveniente? Terá a ver com algum facilitismo na admissão aos cursos superiores e com um certo descaso dos costumes de moralidade e seriedade atrás descritos que, pelo menos oficialmente, norteavam as regras de conduta em clínicas e hospitais?


                                                   
                                                Perfil de uma enfermeira no Tinder, a embaraçar as colegas


A verdade é que tenho visto coisas de bradar, que superam os enredos daquelas séries e novelas ranhosas de "médicos e enfermeiros" onde o pessoal hospitalar não faz mais nada senão urdir affairs, escândalos e dramas amorosos nos turnos da noite (programas que me deixam sempre a pensar que a ser assim na realidade... uma pessoa, se tem o azar de adoecer, está entregue a gente muito doida).


                                    

De uma especialista com consultório aberto que teimou em posar como veio ao mundo e divulgar o resultado alegremente no Facebook, sem pensar no impacto que isso teria nos seus pacientes (imagino as piadinhas de alguma clientela, e muita esposa a proibir os maridos de lá porem os pés) a enfermeiras que fazem gala de vestir como strippers tatuadas e que reclamaram com os hospitais/clínicas onde trabalhavam porque foram proibidas de usar unhas de gel- por motivos de higiene que deviam ser óbvios a quem trata de pensos, ligaduras e coisas assim - passando pela divulgação descarada nas redes sociais de comportamentos promíscuos (que a existirem, deviam ao menos ser guardados para a intimidade da pessoa e não ficarem acessíveis a quem quer ver, incluindo colegas e superiores) já me chegou de tudo um pouco.

                            


Há certas "liberdades criativas", opções de vida, formas de estar e visuais que devem ser deixados para as horas vagas - e há determinadas condutas que certas empresas ou organizações não toleram nem sequer nas horas vagas. Na era dos social media (em que tudo se sabe) são cada vez mais os exemplos de pessoas que foram dispensadas de cargos por, mesmo fora das horas de expediente, se darem a actividades, comportamentos ou discursos que vão contra a imagem e os valores da empresa/ organização que representam. E isso não é discriminação ou preconceito, nem acontece só no Exército ou em organizações religiosas: o empregador ainda tem o direito de definir o perfil das pessoas que quer associadas à sua marca.


                               

Quem quer aceita; quem toma ao pé da letra a ideia de rebeldia sempre e em toda a parte talvez deva optar por uma carreira que exija menos disciplina.

Em última análise, quem diz que "um enfermeiro não é menos competente por ter tatuagens" provará muito mais essa teoria - e o seu profissionalismo - se for discreto em relação aos seus hobbies/escolhas de estilo pessoais, sendo um enfermeiro exactamente igual aos outros e destacando-se pelo seu desempenho em vez de cultivar uma imagem de enfant terrible.

Um ofício (ao contrário de um "trabalho") é sempre um sacerdócio. E quem quer "vestir a camisola" tem de a vestir com o brio que a profissão exija. Ainda que a camisola tenha mangas compridas que tapem as tatuagens ou se pareça muito com uma bata. Noblesse oblige, o hábito faz o monge, etc, etc...

Thursday, August 10, 2017

As portuguesas serão sofisticadas?

Milu

Reparei que um inocente texto do DN acerca de uma marca brasileira de cosmética gerou acesa discussão no Facebook - tudo porque a representante da marca disse que considera as portuguesas sofisticadas. O seu comentário dá que pensar:

" É uma beleza talvez um pouco mais natural, mas não é por isso que não é beleza. Não é aquele hair brushing como as americanas têm ou aquela pele perfeita e maquilhada das europeias do norte, é uma beleza mais espontânea e tem muito chame. As mulheres aqui têm muito charme, eu fico babando. Porque é muito fluida a maneira de se vestirem. Discreta, mas com alguma coisa muito transparente, que nos encanta. É muito feminino e nós mulheres temos que assumir a nossa feminilidade. E a portuguesa, eu acho, consegue assumir a feminilidade de forma natural. Não é para seduzir alguém, porque a brasileira às vezes quer seduzir, está sempre nesse jogo de sedução. Eu acho que as mulheres mais sofisticadas, em termos de gosto, são portuguesas".


É curioso que Pierre Balmain, quando visitou o Estoril em 1959, teve acerca da mulher portuguesa uma opinião semelhante: gabou-lhe a figura esbelta, que mantinha mesmo depois de ser mãe, o apurado gosto, o perfeccionismo e a elegância discreta, sempre associados a um sentido da economia que não a deixava cair em extravagâncias. Também Beatriz Costa notava essa parcimónia, quando levava as suas amigas portuguesas às compras em Paris.


Laura Alves


Voltemos ao artigo do DN: claro que houve logo quem dissesse que sim senhor e quem apontasse o desleixo das mulheres lusas ou o seu desequilíbrio: tanto se desmazela e se deixa engordar como se enche de leggings, de tacões, de extensões...isto quando não faz as duas coisas ao mesmo tempo.

 Eu darei um pouco de razão a uns e a outros, até porque já apontei os vícios de estilo das portuguesas aqui.

A portuguesa não será a mais glamourosa, ou a mais cuidada das mulheres. Mesmo nestes tempos de maquilhagem excessiva "do Instagram para a rua" continuo a achar que a lusitana, para o bem e para o mal, se pinta menos do que a espanhola ou a inglesa. Das espanholas também lhe falta uma certa raça e salero e o gosto pelos acessórios. Não possui o chic sem esforço da francesa nem a obsessão pela bella figura da italiana ou a feminilidade voluptuosa das russas e afins. Depois, decerto não terá o "dengue", a feminilidade exacerbada da brasileira, que roça tantas vezes o vulgar.



Raquel Prates


De resto, quanto à sofisticação ou elegância, tenho acerca dos portugueses, independentemente do sexo e enquanto povo, a mesma opinião que tenho dos nossos irmãos brasileiros: não têm meio termo! Talvez isso se relacione com a velha ausência de uma classe média forte nos dois países, não sei. O certo é que portugueses e brasileiros, se são elegantes, requintados,  altivos e de belo porte, são-no muitíssimo! Mas quando são rústicos são uns brutamontes, e esses são infelizmente a maioria.


Natália Correia


E isso cai como uma luva nas mulheres: uma só socialite da velha guarda portuguesa ou brasileira (dessas com porte racé e todos os pergaminhos que pouco aparecem nas revistas) vale por uma data de it girls. Isto sem falar nas vedetas de antanho como Milu, Amália ou Laura Alves. A portuguesa, como a brasileira,  não tem área cinzenta: se é elegante, é elegantérrima.


Vicky Fernandes



Mas quando não é..

Daí a imagem da portuguesa descuidada ou da brasileira ordinareca.

Deixemos porém as brasileiras com os seus problemas, e voltemos à Pátria. A portuguesa elegante, aprumada,  possui realmente os atributos citados pelo DN e por Pierre Balmain. Não só consegue a proeza de caminhar na calçada de saltos altos sem se queixar (super poder que já abordei em detalhe aqui) como ainda mantém o atributo da singeleza e simplicidade, que é quase em si mesmo um sinónimo de elegância.



 É feminina, mas não faz por isso; mais do que tudo, é graciosa. E se possui beleza adicionada a essa elegância, melhor ainda (porque beleza e elegância nem sempre andam juntas). É certo que já ouvi portugueses e estrangeiros queixarem-se que as portuguesas andam cada vez mais ríspidas, que são antipáticas e que não fazem por agradar nem se esmeram na vaidade, mas as que não são assim, as mais tradicionais, mais sossegadas e que não dizem palavrões nem fazem o culto da mulher refilona "quem não gosta não olha", não ficam a dever nada às russas, consideradas o epíteto da feminilidade.

Num oceano de belezas artificiais, esforçando-se em demasia, ainda se vê na mulher portuguesa - ou em certas mulheres portuguesas-  uma ausência de afectação, uma transparência, uma recusa do excesso e da novidade, uma inocência e uma timidez (fruto da nossa herança Católica?) que são, sim, sofisticadas. Mesmo com ausência de arrebiques- ou talvez por isso mesmo...




Tuesday, January 5, 2016

10 dos homens mais bem vestidos de sempre (parte I)


Se a elegância feminina depende de muitos factores - a silhueta, o gosto, a originalidade - no masculino o caso é mais subtil e intrincado. Isto porque primeiro, os homens têm - aparentemente e por tradição-  menos por onde escolher;  e segundo, porque ser abertamente vaidoso não é tão desculpável neles como numa mulher...
 Um homem demasiado ralado com a aparência perde metade do seu charme varonil, mas ao mesmo tempo espera-se de um cavalheiro uma apresentação impecável e um instinto aguçado para escolher a gravata, o blazer, a camisola certa e por aí fora... numa parafernália de trajes que ao olho pouco treinado, não parecem tão distintos entre si como isso. Erro crasso: como em tantas coisas, a arte masculina de bem vestir está nos detalhes. Um homem elegante, seja em circunstâncias formais ou casuais, distingue-se de imediato entre os outros, pelo todo. Poucos conseguem esse perfeito equilíbrio, mas alguns senhores bem conhecidos são excelentes inspirações. Comecemos então pelos primeiros dez que me acorreram de imediato:

1- Clark Gable



O eterno Rhett Butler podia agradecer o imaculado sentido de estilo à sua amada madrasta, que o criou de pequenino insistindo sempre na arte de vestir como um Senhor. Homem de armas, amigo dos animais, da literatura e da vida ao ar livre, caçador e jogador de polo, o homem que derretia as pedras com o seu sorriso malandro conseguia usar as peças mais clássicas com descontraído panache, mas parecer igualmente elegante em situações casuais. Em suma, dominava como ninguém a arte cavalheiresca de estar sempre adequado, seja num salão ou no meio da selva.  A título de curiosidade, muitas das toilettes que vestia nos filmes e que tão bem realçavam a sua bela figura eram mesmo suas, o que nos dá uma ideia do seu savoir-faire...e da dimensão do seu requintadíssimo guarda roupa!

2- JFK




O trágico Presidente formava de facto um casal perfeito com a elegantíssima Jackie: influenciado pela cultura Ivy League e o meio elegante em que cresceu, tornou-se um símbolo de sofisticação descontraída.

3- Hubert de Givenchy



Conde que se fez couturier vestia as Senhoras com a perfeição que sabemos, mas ele próprio sempre possuiu- e cultivou - a bella figura.


4- Sir Michael Caine



O ultra nonchalant actor conseguiu dois feitos difíceis: trajar com tal perfeição - e elegante indiferença- que ninguém sonharia o seu berço humilde... e passar pelos extravagantes anos 60 e 70 deixando atrás de si um registo inolvidável de toilettes intemporais no mais puro estilo de gentleman inglês. A simplicidade e subtileza são tudo, em qualquer época.


5- Marlon Brando



Alcunhado "o verdadeiro rebelde de Hollywood" Marlon Brando foi (a par com James Dean, mas o meu fraquinho vai para Brando que apesar de tudo soube dosear a rebeldia e andou por cá mais tempo) um dos ícones responsáveis por muitos dos looks masculinos hoje  perfeitamente corriqueiros, mas indispensáveis: a t-shirt branca - até então considerada praticamente roupa interior- as Levi´s 501, o biker jaket....claro que, com a sua beleza exótica, também sabia usar um fato; mas só quando queria. E mais tarde tornou-se O Padrinho, prova provada de que quem é cool pode sempre sê-lo mais um pouco, mesmo que já não vá para novo.

6- Sir Christopher Lee
Um pedigree a condizer com o do Conde Drácula que tão marcantemente interpretou, uma voz incrível...e uma elegância que nunca se perdeu. Um cavalheiro nunca perde a boa apresentação, esteja onde estiver e por mais que os anos passem. Disse e repito, ninguém é mais cool do que Christopher Lee.

7- Bryan Ferry


Outro cavalheiro que representa o mais refinado estilo britânico, o músico - bem parecido, mas enigmático- nunca apareceu descomposto. Usando o mais formal dos trajes ou peças relaxadas como camisolas de ténis, Bryan Ferry está invariavelmente impecável. O facto de se considerar "uma alma à moda antiga que só por acaso se tornou uma estrela de rock" tem decerto algo a ver com a sua intrigante miscelânia entre gentil-homem e bad boy.

8- Muhammad Ali



O icónico pugilista não só se movia com uma agilidade inusitada num peso-pesado, como fora do ringue se apresentava sempre impecavelmente vestido. Com um grande sentido da elegância, sabia de cor uma das regras de ouro do bom styling: contrabalançar a sua figura imponente (1,91 e quase 100 kg) com fatos à medida - estreitos q.b, mas nunca ultra justos.

9- Paul Newman

Com os seus incríveis olhos azuis e um sex-appeal que se manteve intacto por décadas, o actor, filantropo e ás do motor racing (que ainda entrava em competições de duas rodas aos 80 anos!) usava  como ninguém os fatos sóbrios que acentuavam a sua figura atlética, mas dominava igualmente o estilo preppy para as situações casuais, sempre com serena elegância.

10- Sean Connery
Eternamente belo, com uma das vozes mais inconfundíveis de sempre e elegante nem que chovam canivetes, o grande escocês ganhou o papel de James Bond não tanto pelo seu talento ou sentido de estilo, mas porque a mulher do produtor reparou que o bodybuilder e ex Mister Universe tinha os movimentos cruéis e felinos de uma pantera - e que ninguém, a não ser talvez Cary Grant, alguma vez ficara tão bem num fato. Foi só ataviá-lo com a mais pura alfaiataria inglesa que Sean fez o resto. Apesar de ter ficado associado à sofisticação de 007, o que torna Sean Connery especial é mais intangível: a capacidade de ficar fantástico vista o que vestir, por mais que os anos passem. De mais a mais, ninguém usa o kilt como ele e isso diz tudo...







Saturday, January 2, 2016

O estilo que Deus manda


Soará estranho colocar "estilo" e o acto de chamar o nome do Senhor em vão, salvo seja, na mesma frase. Mas pus-me cá a pensar que reflectir naquilo que é correcto, elevado, esteticamente harmonioso na hora de estar e de se ataviar é meio caminho andado para a elegância, mesmo que as motivações para isso nada tenham de religioso ou espiritual (embora essa seja uma inspiração tão boa como qualquer outra). 

Poder-se-á argumentar que evil is cool, que o Príncipe das Trevas é que é, por excelência, a man of wealth and taste, como dizia o Mick Jagger. Mas não esqueçamos que primeiro, o Príncipe deste mundo era antes de tudo um anjo, o mais bonito de todos por sinal, e que aprendeu o que sabia no seu berço celestial junto dos outros anjinhos e Arcanjos. Segundo, que  (como tantas pessoas com grande sentido de estilo mas pouco miolo que eu conheço, que se dedicam cinicamente a conviver com gente grosseira por diversão) Lúcifer, figurado ou crendo-se literalmente na sua existência, adora fazer pouco dos humanos inspirando-os a vestir tudo o que é mau e a agir ainda pior. Faz, por assim ser, a troça baudeleriana - "a única vantagem do mau gosto é o prazer aristocrático de uma pessoa se rir dele". 





Daí engendrar ceroulas do demo, nail art e outros horrores para perder almas, como temos visto. A eternidade dá-lhe tempo para se entreter com disparates, e o Diabo, bem ataviado nos seus fatos Savile Row e nos seus acessórios Hermès, devorando pela enésima vez Dante e Milton (porque é vaidoso e gosta de ler sobre si mesmo) ri-se a bom rir dos homens e mulheres mortais que por aí andam semi-vestidos de lycra e poliéster, pasmando para o Jersey Shore.

 Mas ora vejamos: se a condição para a elegância é sobretudo a elegância interior, que passa mais que qualquer outra coisa por se fazer leve, por se adequar às circunstâncias, por agir sem atrevimento nem timidez,  por colocar o próximo em primeiro lugar, por usar sempre de delicadeza, agir como se nunca se estivesse realmente a sós e por não fazer de si motivo de falatório (logo, não depende tanto de conhecimentos acessíveis a quem quer aprender nem de recursos económicos) então agir e trajar com elegância é, creia-se ou não, andar como  manda não só o figurino, mas o Criador.



A Bíblia está pejada de referências quanto às vestimentas, quase todas focadas em evitar a ostentação (logo, o mau gosto) e a sensualidade grosseira (e já se sabe, é quase impossível estar elegante usando peças reveladoras em demasia). Mas vamos mais longe (os meus leitores ateus ou agnósticos que me dêem aqui um momentinho, já falo convosco). Se o Criador é Todo- Poderoso, podia muito bem ter inventado, por exemplo, o poliéster, certo? Bastava-lhe estalar os dedos. Mas não. De forma amorosa, rigorosa, pensando em tudo, criou a  matéria-prima para as fibras naturais, bonitas de ver, confortáveis, que se adequam à pele. Criou as amoreiras, os bichinhos da seda, o algodão e a lã. Depois inspirou a Humanidade a tecer. Claro que se pode argumentar aqui que foi a Natureza, inexplicavelmente perfeita, o que vai dar ao mesmo. Mas para criar fibras sintéticas já foi preciso complicar os processos, além de ter em mente propósitos menos elevados, como os custos e a facilidade.

 E voltemos ao uso que se faz das fatiotas de gosto duvidoso: a exemplo, os vestidinhos de viscose ridículos que têm o único propósito de revelar as formas, formas essas que ainda por cima nem sempre estão na sua melhor forma, passe o trocadilho. A crer em Deus, já se sabe que não atraem nada de bom. Mas não crendo, também se sabe a atenção negativa que acarretam, além de serem um convite a tudo quanto é desordenado, bagunçando assim a sociedade mais um bocadinho. Seja por obra de uma entidade inimiga, ou por acção da Humanidade sempre pronta a escorregadelas....


Wednesday, September 30, 2015

6 coisas que é melhor reconsiderar nos (ou perto) dos 30s


Vários autores muito sábios em diferentes áreas têm defendido que certas coisas só se fazem sem danos irreparáveis até aos 25 anos  - e mesmo assim, há quem tenha juízo antes dessa idade e quem se porte de forma vergonhosa. De qualquer modo, depois de passada essa barreira há tolices em que não se cai, preparos em que não se anda e atitudes que não se têm, sob pena de fazer figura de urso ou pior, escolhas erradas que custam caro. Nos 20 e muitos/ trinta e poucos ainda se é jovem, com os devidos cuidados podem ser os melhores anos fisicamente falando (porque o estilo e os gostos estão apurados e em termos de forma, já se sabe o que resulta e o que faz mal) mas já não se é um adolescente ou pós adolescente parvo. 
Está-se portanto na idade de traçar o futuro de um modo mais sólido, mais pensado e livre de tanta tentativa e erro. Por isso, há algumas coisinhas que é melhor reconsiderar, polir ou deixar definitivamente para trás. Aqui fica meia dúzia:


1- Gíria

Bué, fixe, nina, dama, puto, miga...e outros jargões regionais ou de tribos urbanas que agora não me ocorrem. Já para não falar em palavrões a despropósito e no verbo "meter" literalmente "metido" em cada frase. Quando se tem cara de adulto, vida de adulto e responsabilidades de adulto, fica um bocadinho estranho utilizá-los, pelo menos em público (as redes sociais também contam, já agora). Há outras formas mais neutras e intemporais de se ser expressivo sem parecer pouco profissional, pouco polido ou pior, desesperadamente agarrado (a) à adolescência.

2 - Flirts que não levam a lado nenhum


Cada um (a) sabe as contas do seu rosário (e a gestão que faz da sua vida amorosa de acordo com os valores que recebeu) mas com a maturidade vem uma maior clareza de objectivos e mais importante, um acréscimo de respeito pelos outros. Em todo o caso, adultos racionais não querem lidar com Peter Pans. Ninguém os leva a sério.

No liceu e na faculdade namoriscar por brincadeira ou partir corações em série pode não cair bem, mas não ser o fim do mundo; quando se trata de adultos, porém, o caso já muda de figura. Se uma pessoa é demasiado diferente de si, se não têm nadinha a ver um com o outro e não existe chance alguma de futuro, talvez seja melhor não alimentar ilusões; caso haja um envolvimento as emoções quase sempre levam a melhor e pode ser difícil sair dele, depois de ter gasto tempo e energia que ninguém devolve. E quando se sai é geralmente com lágrimas, queixas e complicações. Já quem tem um compromisso, deve honrá-lo ou libertar-se dele honradamente. E depois, é claro que há pessoas com um estilo de vida hedonista e sem compromissos, os eternos D. Juans e D. Juanas: mas até essas devem, se querem levar esse tipo de existência, juntar-se entre si. Nestas idades torna-se imperdoável seduzir fulano ou beltrano com promessas de amor quando não se faz tenção alguma de o sentir.

3 - Tatuagens, piercings e outras mudanças radicais

Esta tem muito que se lhe diga. Há pessoas com um visual e/ou estilo de vida algo alternativo que as suportam bem pela vida fora, mas é preciso ter ar para isso. 

Depois, quem já fez essas modificações mas mudou de visual e se arrependeu dificilmente se livra de tudo, logo tem de viver com elas, arranjar um meio termo e um look que as faça resultar (ou que disfarce convenientemente). O que se calhar é má ideia é, do pé para a mão, pensar numa tatuagem quando nunca fez nem quis nenhuma, fazer um piercing super indiscreto só porque saiu de um relacionamento e quer expressar por fora a dor que sente por dentro, ou pintar o cabelo de rosa clarinho assim do nada, sem saber como as suas chefias vão reagir...há um motivo para algumas dessas coisas serem chamadas "maluqueiras de miúdos". É que são mesmo. Descanse, há muitas maluqueiras divertidas que são intemporais e aceitáveis em qualquer idade. Não é preciso ir a correr recuperar o tempo perdido e assim como assim, não há nenhuma lei que obrigue a experimentar tudo.

4 - Roupas "à teenager"


Há manter um estilo fresco, condizente com a personalidade e estilo de vida de cada um (se toda a vida foi punk, não precisa de pôr a rebeldia totalmente de lado; se o seu trabalho exige esforço manual, seria ridículo fazê-lo de blazer ou saltos altos) e há parar no tempo. Quando a vida evolui mas o estilo não, isso pode passar a imagem errada ou parecer esteticamente estranho, no mínimo. É claro que quanto mais os anos passam, pior - vestir como um adolescente aos 30 e poucos pesa no visual e não dá uma ideia de sofisticação, mas não é tão mau como fazê-lo mais tarde. Porém, ainda que tenha uma carinha de bebé, a sua forma não tenha mudado quase nada, queira usar o mesmo tipo de peças que sempre usou e continuar a fazer achados na Bershka, Pull& Bear e Stradivarius (nada contra, só é preciso saber o que comprar ou não) é conveniente arranjar uma versão adulta do mesmo estilo. Já se abordaram algumas dicas para homens e mulheres por aqui, em posts como este ou este. E para as senhoras: se uma roupa a põe a pensar "será que é provocante demais?" então se calhar é mesmo.


5 - A sua pegada digital


No liceu ou na faculdade, fazer/dizer disparates nas redes sociais é mais inócuo (embora convenha ter em mente que o que acontece online fica online e nunca se sabe o futuro) mas adultos com empregos, responsabilidades, famílias, exemplos a dar e uma imagem a defender devem pensar duas vezes. Os desabafos do momento, os assuntos privados, as alfinetadas, as frases disparatadas publicadas só porque sim, aqueles instantâneos que tirou porque se sentia sexy ou estava na praia ou as grávidas são lindas mas não pensam direito, bem como os "likes" brejeiros em páginas de anedotas ou miúdas com pouca roupa deixam rasto. Deixam mesmo. Em público não se faz o mesmo que se faria com os seus botões e as redes sociais não são um diário nem um teatrinho privado para os pecadilhos de cada um. 

6 - Cair nos mesmos erros, uma e outra vez


Por algum motivo que os líderes religiosos, os cientistas, os psicólogos, os gurus new age, os bruxos e os life coaches ainda não explicaram, a vida tende a instalar padrões - ou seja, situações ou enredos semelhantes que se repetem. No campo profissional ou nos relacionamentos,  as pessoas podem ser confrontadas com o mesmo enredo várias vezes - só mudando o tempo, o cenário e os intervenientes. Talvez isso aconteça porque é normal que cada um responda às situações de acordo com a sua forma de estar, atraindo mais do mesmo. Em todo o caso, se dá por si a ser arrastado (a) para relações que não eram bem o que queria (ou a não sair delas a tempo) a recusar boas oportunidades por medo, a envolver-se só com más pessoas, a ser desiludido (a) por novas amizades ou o que quer que seja, talvez esteja na hora de fazer como naquele anúncio de Ice Tea que andava na boca do povo e gritar que algo mudou. Não quer dizer que mudando se acerte, mas pelo menos tenta-se uma abordagem diferente, porque obviamente a receita do costume não está a dar certo.

Saturday, September 5, 2015

Para eles e para elas: elegância é estar adequado.




A verdadeira elegância no vestir é algo um pouco difícil de precisar, mesmo tendo os conhecimentos certos. Vê-se e sente-se à distância, pela qualidade dos materiais e do corte das roupas, mas está muito associada ao porte da pessoa e à forma como faz brilhar o que traz vestido. Há quem tenha um ar "dispendioso" mesmo com o trapinho mais descontraído e quem pareça deslocado ou pouco à vontade (a) quando se veste "bem".

  Continuo a acreditar na velha máxima que rezava "uma senhora ou um cavalheiro 
notam-se sempre, mesmo com uma camisa amarrotada ou um casaco velho". Isto porque - pondo de parte o ar de cada um (a) , que conta muito- há ocasiões para tudo e roupas para as diferentes ocasiões. Dentro dos mais variados estilos e respeitando os diversos dress codes, há roupa elegante para ir trabalhar, sair à noite, para praticar desporto, para ocasiões sociais e formais, para estar no campo ou na praia, para uma volta descontraída na cidade ou no parque, e assim por diante.




É importante ter este conceito em mente já que há quem, quando tenta adoptar um visual mais polido e alinhado (por razões pessoais ou profissionais) pense, erradamente, que tem de estar sempre demasiado formal, vulgo "emperiquitado": cai-se então na caricatura e no ridículo, além de se ficar com um aspecto pouco natural e desconfortável.

É o caso das mulheres ainda jovens que querendo ser tomadas a sério, adoptam tailleurs pesados e vestidos "de senhora" quando até aí andavam de ténis ou micro saias todos os dias (e que levam saltos altíssimos e finos para um evento num relvado) ou de homens que passam a andar sempre de blazer, até para um churrasco numa cottage na montanha!




  Isso não é estar bem vestido: para passear no campo, no meio da lama e das ervas, finalizando o dia com uma "patuscada" que envolva levantar fumo, é mais elegante um bom par de galochas, um sports jacket ou uma parka e uma camisola de lã espessa, do que parecer demasiado rígido num casaco inadequado,  andar em ânsias porque uma silva pode deixar um arranhão no tecido, ou ainda, no caso das senhoras, atrasar toda a gente por causa de uns saltos altos que se enterram no caminho! 

 Chanel dizia que elegância é renúncia (o velho e sábio "menos é mais, que assegura um visual polido e clean) mas elegância também é adequação. Quem está adequado ao local e à assistência sente-se à vontade consigo mesmo e com o ambiente, e o à vontade - sem excessos nem atrevimentos - é um grande "quê"...




 Depois, nunca é demais realçar que para ter um visual adequado, com certa sofisticação, não é preciso transformar-se noutra pessoa. Embora toda a gente deva ter em casa alguns coordenados para traje formal ou social, não é obrigatório adoptar um estilo preppy/clássico (e dandy, no caso dos homens) para se estar bem vestido. 

Gostos não se discutem; é possível usar um estilo hipster, hippie, vintage, punk, streeetwear, edgy/fashionable, etc e estar elegante. Porém, tratando-se de visuais "alternativos" ou com certas fantasias, cair em erro torna-se mais fácil.


Este "personal trainer das estrelas" consegue um visual
elegante dentro de um estilo muito casual, recorrendo a materiais luxuosos,
 peças de bom corte e elementos simples.

 Algumas normas para isso são comuns ao trajar feminino e masculino, como vimos aqui e aqui: ter bons básicos, limitar o ruído visual, garantir que todos os "trapinhos" que se tem em casa, mesmo que tenham custado pouco, sejam de certa qualidade...

Por fim, uma ressalva para eles: como a roupa masculina - por muito que se invente - acaba por ter menos variantes do que a feminina, mais fácil se torna aos homens cultivar uma elegância intemporal; construir um guarda roupa que, mais pormenor menos pormenor, lhes possa ficar igualmente bem daqui a uns bons anos. Há uma altura na vida de um homem em que, por mais descontraído que se seja, convém deixar de vestir como um rapazinho. Um senhor também se conhece pela roupa e pelo calçado...


 Independentemente do gosto, estilo de vida e personalidade de cada um, convém conhecer o que é correcto ou não. Há detalhes que dependem do gosto pessoal e outros que são inapropriados ou dão imediatamente um aspecto deselegante.

Assim, há que evitar as gaffes que muita gente tenta fazer passar por moda: t-shirts decotadas ou em V (porque não fazem mesmo sentido), as t-shirts demasiado justas (muito menos se a intenção é mostrar os músculos) logótipos visíveis, ténis demasiado desportivos fora do ginásio (sim, mesmo com jeans...) sapatos formais (como os Oxford) com t-shirts e/ou jeans, jóias e bijutaria, jeans com gravata, calças brancas de linho fora da praia, bonés fora de contexto, roupa de praia/campo de basket/ginásio quando não se está em nenhum desses sítios...o bom senso deve estar acima das tendências, e decerto há atletas e artistas da MTV que não são para copiar, de todo.







Thursday, February 26, 2015

FOMO - a doença social da década.



A expressão FOMO (Fear of Missing Out, i.e. o medo/ansiedade de ficar de fora de alguma coisa divertida) foi cunhada recentemente, mercê de Instagrams e outras engenhocas que permitem acompanhar em tempo real o último evento mais badalado (sobretudo as fashion weeks) e/ou a tendência do momento.

 Até uma blogger bicho raro como eu, que tenha PREGUIÇA de usar o Instagram (palavra, tenho preguiça - é um luxo! ) está forçosamente a par, via feeds, das novidades. Umas cativantes ou úteis, outras nem tanto.

  Esse conhecimento que até há pouco tempo só interessava a quem fazia das modas & elegâncias profissão ou no limite, aos fashionistas mais empedernidos, ficou, de repente, acessível a todos. Mesmo aos que não têm o olho treinado para distinguir as subtilezas, para separar realidade de fantasia e o que é sensato usar/comprar/levar a sério.

  Mas a verdade é que, mesmo para quem se dedica a estes temas (jornalistas de moda, marketeers e RPs da indústria,  bloggers, stylists...) embora convenha saber o que se passa (o mais recente truque de styling, a it bag, as botas must have) deixar-se entusiasmar por tudo o que aparece é péssima política. É mau para o raciocínio, mau para o estilo próprio e para a conta bancária.

 Obviamente, todos os profissionais da área (mesmo os mais blasé) dão uma olhadela aos streetstyles que pululam por aí, tal como estão atentos na rua, ou às revistas. A inspiração é uma constante e há sempre alguém que se lembra de dar um uso a certas roupas que não nos ocorreria. São os momentos "como é que eu não pensei nisto?" seguidos do clipping das "fórmulas" que queremos experimentar.

 Acontece-me muitas vezes, principalmente se alguém dá uma "volta" inesperada a coisas que calha haver no meu armário.

 Mas nada disso nos obriga à ansiedade do "tenho de usar isto", "ainda não tenho aquilo", "fulana está a ultrapassar-me" ou "comprei esta peça para reproduzir aquele oufit giríssimo que vi não sei onde e está a estação a terminar e ainda não o levei à rua".



Paradoxalmente esses complexos lembram tempos idos, quando as tendências eram mais rígidas e havia menos liberdade criativa. É um retrocesso. Karl Lagerfeld disse e muito bem que há uma distância muito curta entre ser trendy e ser pindérico. 

 A ansiedade, o deslumbramento, a constante comparação com os outros, a competição, o desejo de impressionar, de agradar, de estar actual, não podem denunciar mais insegurança. Poucas coisas revelam tanto desespero. É um estado de espírito que merece o descaso (ou até o desdém) de quem realmente dita as tendências - e boa parte desses movers & shakers, dessas it girls, 
ditam-nas inconscientemente... ao estarem-se, muitas vezes, nas tintas para o que é trendy. Pessoas que possuem verdadeiro estilo dificilmente se surpreendem ou caem num deslumbramento provinciano. Possuem a liberdade da recusa.

E não esqueçamos a outra face da moeda - das casas de moda que de forma muito inteligente "plantam" a última carteirinha da sua criação, ou o último sapatinho, na it girl ou blogger que sabem que será mais fotografada. É um win-win: a marca ganha buzz e no dia seguinte, haverá milhares de seguidoras a encomendar cegamente a mesma coisa. A it girl aumenta a sua colecção sem custos e sorri por dentro de tanta histeria... porque é a sua magia, o seu estilo, o seu gosto, que torna a peça apelativa: provavelmente, causaria o mesmo impacto com um substituto obscuro herdado da tia avó, comprado na colecção anterior ou  desencantado nos saldos.

Haverá sempre opinion makers e seguidores. Haverá sempre pessoas inspiradoras. Mas ser um seguidor cego é a antítese do estilo ou da individualidade.

Isto aplica-se a tudo, não só à moda: à vida social, aos feitos académicos, ao status, à posição profissional, às visões políticas, etc.

Ao FOMO, ao receio de ficar de fora, contrapõe-se o remédio do JOMO - Joy of Missing Out. A gloriosa alegria de ficar de fora: de faltar ao evento overrated e overcrowded. A alegria de recusar graciosamente um convite porque tem um lugar (provavelmente menos popularucho e mais íntimo) onde ir. A alegria de se abster de dar a sua opinião no assunto do momento, discutido ad nauseam nas redes sociais. A alegria de não responder a um argumento estúpido só para não ficar calado quando todos atiram o seu douto parecer. A alegria de não investir recursos num vestido ou acessório que mais trinta pessoas irão usar só para o retrato. A alegria de negar subscrever publicamente uma causa que até não lhe diz nada, só porque é suposto. 

Elegância é recusa, e isso exige personalidade. A personalidade de dizer que o Rei vai nu, que a ideia/máxima/peça do momento é uma carneirada...mas é essa rebeldia, essa independência mental, que ganha seguidores, porque a multidão tem de seguir sempre alguma coisa. Ter opinião própria e segui-la é a última rebeldia e o luxo supremo.






Thursday, February 19, 2015

Os 7 pecados da Fast Fashion



É inegável que a explosão das cadeias de fast fashion trouxe benefícios - variedade a preços acessíveis e um acompanhamento em tempo real das tendências (que permite usar ou testar a "novidade do momento" sem gastar muito). Além disso, como temos visto, algumas marcas evoluíram em termos de qualidade.

Comprar certos básicos ou fantasias nas cadeias high street não só é divertido como  tem vantagens até para quem prefere e pode investir em peças de designer: desconstrói um look demasiado certinho, nouveau riche ou previsível e contribui para o tão cobiçado "effortless style" das Kates e Caras deste mundo.

E por fim, como já foi dito, há certas coisas simples ou passageiras em que não vale mesmo a pena esbanjar. A chave está no equilíbrio e no smart shopping.

   Porém, para tirar partido das Zaras e H&M da vida, há que fugir de 7 transgressões:

1- Tentação
  É normal (principalmente em época de saldos) entrar numa Zara (à procura do vestidinho que estava no lookbook) ou na Primark (para comprar aqueles tops básicos 100% algodão ou calças de Yoga ao preço da chuva) e ficar tentada com as peças coloridas e baratíssimas no expositor ao lado. Afinal, que mal tem gastar uns trocos insignificantes?
 O remédio é respirar fundo e ver a composição na etiqueta. Se o material for fraco, faz mal sim senhor: essa peça nunca vai ter o ar certo e lá porque foi barata, não tem de o gritar aos quatro ventos, além de ocupar espaço precioso no guarda roupa. Se for razoável, experimente - pode tratar-se de um achado. Mas pense que quando dá por si gastou cem euros. Se visitar três lojas e fizer o mesmo, aí tem o preço de uns sapatos de qualidade. 

2- Edições especiais

Ainda guardo com muito carinho algumas peças das primeiras edições de designer convidado da H&M: eram lindas, bem executadas e tínhamos a sensação de estar a comprar um pouco de magia por meia dúzia de tostões. Depois o fenómeno banalizou-se; não deixou de ser interessante mas os preços subiram e a qualidade desceu. Duzentos euros por uma peça de fast fashion não é carne nem é peixe, não importa a assinatura: o material e a execução não se comparam. Por pouco mais, nem que seja em outlet ou saldo, pode comprar algo realmente luxuoso, de qualidade superior... com a vantagem de não ver trinta pessoas com a mesma peça e de não passar pela tortura das filas e empurrões, que são a antítese do luxo. Se é fast fashion é para ser baratinho, ponto final.

3 - Calçado e marroquinaria

Este é sempre o aspecto 
que geralmente compensa um investimento maior e o calcanhar de Aquiles nestas marcas. Mind you, há coisas compensadoras em pele na Zara a nível de sapatos (para não falar nas lojas mais mid-range da Inditex, Uterqüe e Massimo Dutti) e calçado de festa em cetim aceitável em sítios como a Parfois ou a Mary Paz (sejamos honestas: sapatos de cetim são sempre frágeis. De Zara a Prada, desde que o molde seja estável, não há uma diferença abismal dos mais exclusivos para os mais modestos). Mas também há muitos sapatos pesados, mal desenhados ou de material inferior em algumas cadeias, para não falar nas carteiras. Modere-se o entusiasmo (faça as contas ao que poderia comprar se investe com muita frequência em pares a cinquenta euros) e não aceite nada que pareça duvidoso só porque é engraçadinho.


4- Vigilância
Acompanhar a par e passo (e fazer wishlists...e partilhá-las no blog ou redes sociais...) cada novidade dos lookbooks destas marcas pode ser mau para a ansiedade, para o guarda roupa e para a carteira. Primeiro, porque o barato sai caro: como foi dito atrás, os meios empregues em frequentes compras "acessíveis" ao preço de colecção podiam ser canalizados para aquisições que vai usar para sempre. A partir de certa altura da vida, convém ter algumas coisas de melhor qualidade no armário. É um sinal de maturidade de estilo, além de saber bem usar algo mais exclusivo uma vez por outra. Segundo, porque é impossível (e desnecessário) acompanhar o ritmo dos constantes lançamentos. Vai haver sempre alguma coisa que lhe parece mais interessante do que aquelas que já comprou. Para contornar isso, é bom prestar atenção apenas ao tipo de peças que colecciona (pessoalmente não resisto a um sheath dress bonito, seja de que marca for) ou de que realmente precisa. Outra dica é, se algo lhe interessar, experimentar logo: por vezes é uma desilusão.

5 - Casacos
Não quero dizer que não apareçam bons agasalhos destas marcas - um dos meus anoraks preferidos é um da Zara, encarnado, que para ali anda desde o liceu  fartinho de ser usado mas tão impecável como no primeiro dia em que o trouxe e não fica a dever nada a outros colegas com mais pedigree. Mas foi uma sorte: muitas vezes, não compensa comprá-los antes dos saldos. Atenção também ao corte (alguns só parecem bem no manequim) ao material exterior (muitos tendem a ganhar borboto) e ao forro (se um casaco está barato e é de lã, pode ser boa ideia mandar-lhe trocar o forro sintético por um natural e mais durável). Em todo o caso, um sobretudo é um investimento sério e mais vale ter um bom do que três medianos, por isso pense bem.

6 - Costuras
Isto já é mais raro acontecer, mas por vezes há desgostos - especialmente em certos vestidos. Claro que não se espera uma qualidade de griffe, mas ninguém quer andar na rua com a saia descosida de alto a baixo ou com botões a saltar!
 Verifique bem estes aspectos antes de sair da loja - principalmente em outlets. 

7 -Destempero

Em tudo é preciso equilíbrio: ponderar se as compras periódicas nestas lojas estão a acrescentar algo de bom ao seu visual ou pelo contrário, se ter demasiada quantidade lhe está a atrapalhar o estilo e a arrumação. Se não se sente culpada quando sai do centro comercial, óptimo: está a usar a fast fashion a seu favor. Caso contrário, pode estar a cair num vício de estilo. Para o remediar, uma boa técnica é pensar nas peças de que realmente necessita (uma carteira boa, uma gabardina clássica) ou em compras mais luxuosas que gostaria de fazer, e elaborar uma lista. Mantenha-a presente e passe a poupar para esses artigos - ou a procurar uma forma de os adquirir com um bom desconto.











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