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Thursday, May 5, 2016
As coisas que ouço: ele há pessoas mesmo inconvenientes, Credo.
As regras de civilidade social nem todas são escritas na pedra, a preto e branco e letras gordas. Ainda que estivessem, de pouco ia servir porque assim como assim a maioria não se podia estar mais nas tintas para a boa educação e não segue as directrizes óbvias, quanto mais as nuances....
Mas tenho a certeza de que haverá algures uma regra implícita quanto a não mencionar, diante de um casal que ainda por cima não se conhece bem, os ex de um ou de outro. Como numa conversa que me contaram esta semana:
João: olá Frederico! Há quantos anos, blá blá, blá...olha, queria apresentar-te a minha mulher, Dora.
Dora: como está, Frederico? Prazer em conhecê-lo.
Frederico: ah...eu conheço-te! * nota bene o "tu" super agressivo* Tu não namoraste com o Filipe da faculdade X ou Y?
Assim como quem diz "tu não trabalhavas na Zara?", mas com o tom acusatório de quem afirma "tu partiste o coração ao Filipe" ou pior, "tu namoraste a turma inteira". Em todo o caso, dito como se isso interessasse ao Menino Jesus.
Yup, estou certa de que essa regra de sensatez, ou exercício de sensibilidade, devia estar nos compêndios. Algures ao lado da directriz que explica que nunca se pergunta se uma senhora está de esperanças (porque ela pode só ter engordado e é aborrecido) da que enuncia que nunca se pergunta "é a sua filha?" a um cavalheiro (porque pode ser a namorada vinte anos mais nova) e pertíssimo da regra que frisa que não é leal nem bonito ser amigo de um inimigo do amigo ou continuar em grandes amizades com os ex dos amigos, principalmente se se portaram mal (porque não se pode servir a dois senhores).
Antigos namoros - ou de resto, quaisquer esqueletos no armário e episódios "coloridos" ou embaraçosos da vida de alguém - não se mencionam a não ser que se tenha grande convivência e confiança com a pessoa e principalmente, com o casal em causa. O indiscreto que fala pode não ver mal nenhum nisso, c´est la vie e tal, hall of shame cada um tem o seu, certo; mas nem todas as pessoas são assim tão modernaças e encaram águas passadas com a mesma ligeireza, tipo num dia namora-se e no outro vai tudo alegremente para os copos como nos filmes americanos.
Tanto quanto o inconveniente linguarudo sabe, esse pode ser (e quase sempre é) um tema sensível. A relação que menciona desnecessariamente, sem pensar, pode já ter sido motivo de arrelias entre a Dora e o João, de forma particular ou por ciúmes retroactivos em relação à vida passada de ambos de modo geral. Ou ter acabado da pior maneira e deixado algum trauma/problema de consciência à Dora ou ao Filipe. Em todo o caso, as pessoas mais conservadoras encaram os seus erros com grande discrição, principalmente se estão numa relação estável. E um fala barato nunca sabe se está a abrir a Caixa de Pandora dos outros, que podem não ser assim tão open minded.
É um bocado como pôr-se a falar de mortos e tragédias a quem está doente. Há sempre modo de uma pessoa se situar sem cair em gaffes destas. Perguntar "tu não tinhas amigos na faculdade X ou y?" esclarece na mesma a impressão do "já vi a tua cara em algum lado". Mas causar confusão, constranger os outros e lançar uma eventual discórdia é muiiiito mais divertido, não é?
Em última análise, tudo isto se resume à máxima "se não tiver nada de agradável para dizer, cale-se". E essa é bem simples e categórica...
Wednesday, April 27, 2016
Do Príncipe George de pijama, e das mães que vão jantar e deixam o bebé com a ama.
Conta a Activa que a mulher do cantor John Legend foi duramente criticada por, apenas uma semana após o parto, ter saído com o marido para um jantar romântico, deixando a bebé com a ama (é no que dá partilhar nas redes sociais o que se faz ou deixa de fazer, e ganhar fãs entre as ressabiadas ao publicar retratos com celulite ou estrias). As super mães de carteirinha reagiram logo, umas dizendo que uma boa mãe não tem de pôr um pé na rua tão cedo, outras que ela devia ter levado o bebé consigo.
Está bem que uma semana é pouco tempo e eu cá não percebo muito de crianças nem simpatizo particularmente com a senhora (por causa da sua opção de mostrar as imperfeições no Twitter); mas depois de uma experiência stressante como o parto não me parece mal que uma mulher, se está bem de saúde o suficiente para sair e se PODE pagar a uma ama, saia com o marido para se distrair um pouco. São estas coisas que mantêm o romance vivo, que fazem com que uma mulher continue a ser uma mulher e não apenas "uma mãe".
Não é que ela tenha ido para a pândega toda a noite, voltado perdida de bêbeda e deixado a pequena entregue aos irmãos mais novos como algumas que para aí andam. Quanto a levar recém nascidos para um restaurante, nem comento; só se de todo não se puder evitar. Essa mania de transportar os pobres bebés para todo o lado, sem cuidado com eles nem respeito por terceiros (mania muito popular entre os portugueses, aliás; remember Miguel Sousa Tavares a ser crucificado quando disse, e com certa razão, que nem todos os restaurantes deviam ser child friendly?) nunca deixa de me arrepiar. De bebés a levar com tinta às cores no nariz nas color runs da vida a bebés a serem submetidos a fumo e música altíssima em bares e concertos, já vi de tudo.
As crianças devem aprender a socializar desde cedo, certo - mas há limites. Aliás, vimos o Príncipe William a dar o exemplo de como isso se faz, ao fazer o Príncipe George vir cumprimentar o casal Obama de roupão e chinelos antes de marchar para a cama de acordo com a sua idade: assim mandam os compêndios de boas maneiras e educação.
O resto é inveja ou pouca noção do que ditam as regras de civilidade, creio eu...
Como nota adicional, reparem que o roupão do principezinho esgotou em horas. As pessoas que não têm noção de que é um simples robe-de-chambre igual a tantos outros, e que compram o robe só porque é o "do príncipe", são provavelmente as que levam a prole para TODA a parte. Parolice much? É deixar qualquer pessoa sensata com um ataque de snobeira à moda antiga. Cruzes.
Saturday, May 23, 2015
Traditions - a propósito da relaxaria em Cannes
Ontem um texto que li recordou-me aquela canção do musical A Fiddler on the Roof, "Tradition".
Penso que as palavras do herói se aplicam a qualquer cultura, modo de vida ou época - e a vários aspectos da existência: todos somos como violinistas no telhado, tentando apanhar uma bela melodia sem cair. E como se mantém o equilíbrio? Através da tradição. Às vezes não sabemos como certas tradições começaram, mas por causa delas todos sabem o seu papel; cada um sabe o que é esperado de si.
Embora o mundo pule e avance e se mudem os tempos e as vontades (nem sempre para melhor) os procedimentos, os hábitos, os protocolos, as regras de conduta, de civilidade, de etiqueta, de vestuário, oferecem-nos um guião, uma moldura, expectativas e limites, linhas de orientação. Quem não sabe minimamente como proceder nunca estará confortável em lado nenhum. Quando todos conheciam as regras, todos sabiam o seu papel, tudo encaixava sem grande esforço. Basta pensar que se todos pusessem o próximo em primeiro lugar, como antigamente, tentando não causar incómodos, cada um de nós estaria sempre em primeiro lugar nas prioridades alheias e tudo funcionava como um relógio. Mas hoje, com o aligeirar dos bons costumes e o egoísmo que se instalou, é uma baralhada total.
Esta semana houve grande polémica porque no festival de Cannes, algumas celebridades se sentiram indignadas pela "obrigatoriedade" de usar saltos altos na passadeira encarnada. Muitas bradaram mesmo "o que eu queria era vir de sapatilhas!" ou, mais disparatado ainda, "que regra machista! Por acaso os homens usam saltos altos?". A pressão foi tanta que a organização já veio desculpar-se, dizendo que nunca houve uma determinação exacta quanto à altura do calçado.
Ora, vestido de cerimónia (ou mesmo cocktail) "pede" ou "recomenda" saltos altos - mesmo que não "exija" com todas as letras. Obviamente não têm de ser vertiginosos e poderão dispensar-se por questões de saúde ou mobilidade (eg: grávidas, senhoras com algum problema crónico ou que tenham sofrido um entorse ou intervenção mas não possam de todo faltar) havendo para essas situações sabrinas elegantes, por exemplo. Mas de preferência, usem-se - tal como as meias transparentes num casamento, mesmo de Verão.
É apenas um detalhe no todo, porém, se não nos habituamos a reparar nos detalhes, deixamos gradualmente de prestar atenção ao essencial.
Esta rebeldia gratuita, este desleixo, é mais um triste reflexo daquilo que se disse aqui recentemente: se uma cerimónia não tem um guião, não tem códigos, não tem regras, ninguém sabe a quantas anda. Vivemos numa época de descontracção, de informalidade, de facilidade, de rapidez, de vale tudo. O à vontade excessivo - de que o vestuário é só o exemplo mais visível- instalou-se em vários aspectos da vida, a começar pelos mais mundanos. E essa descida de padrões acaba por não ser divertida sequer. Há todo um sentido de ritual, uma antecipação, uma preparação alegre que se perde.
Ao ser convidada para uma festa, uma mulher tem a responsabilidade de fazer obedecer (e se possível ou necessário, elevar) os padrões. De cada convidada se espera que contribua para a beleza do ambiente. Imaginemos que uma se esquece, que outra não sabe, que outra ainda recusa adequar-se ao dress code, e assim por diante...se todas assim procederem, de ano para ano, deixamos de ter um evento especial para ficar com uma coisa igual a todos os dias. E quando se fala de Cannes - uma das últimas mostras públicas de modas & elegâncias que vai mantendo o brilho de antigamente - mais grave se torna.
Ou como diria a "Condessa" de Gencé, "a naturalidade, desafectação e a maleabilidade das regras não significam o seu abandono".
Já são tão poucas as ocasiões de usar algo especial sem parecer overdressed, que não se percebe esta birra, esta desobediência sem sentido. Todos os dias se podem usar ténis e saltos rasos, jeans e t-shirts. Porque não tirar partido dos dias extraordinários? E em última análise, ninguém é obrigada a passar pela passadeira encarnada, nem mesmo a assistir à estreia. Quem não quer, fica em casa ou pede para entrar pela porta dos fundos. O mais estranho é que muitas das que reclamam não se ralarão de usar saltos assassinos para ir à padaria...
Pressionar a organização do festival via redes sociais para aligeirar o código de vestuário não é só ridículo: é um atentado à ordem, à tradição, a tudo o que faz de Cannes, Cannes. E receio bem que tendo esta cedido a tal abuso, podemos dizer que a decadência é obrigatória. Daqui a nada, vai-se para os óscares de pantufas. Também é só o que falta: quando se vêem mini saias em baptizados, já nada me espanta.
Wednesday, July 23, 2014
Cumpram-se as regras, que é muito mais bonito e é pelo exemplo que se ensina.
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| Retrato de Cecil Beaton |
Para o bem e para o mal, vivemos numa época de descontracção, de informalidade, de facilidade, de rapidez, de vale tudo.
Desgraçadamente, acho que o nosso tempo podia ser o tempo do "quem não gosta não olha", o tempo do " não podemos ser rígidos que isso já não se usa" ou o tempo do "vai mesmo assim".
Quem procura manter certos padrões e tradições pode até ser apontado como conservador, velho do Restelo, chato ou careta (o que não é necessariamente um insulto, já o disse muitas vezes) por quem está de fora ou pior, pelos seus pares.
O hábito de vestir bem - ou vestir adequadamente- para as ocasiões é cada vez mais limitado a certos círculos, e olhem lá! Até entre os que têm a obrigação de saber a tabuada toda se vêem desleixos escusados: uns porque se estão nas tintas e outros porque, sabendo que os outros assim estarão, se sentem desconfortáveis ao cumprir os códigos by the book.
Há dias, num recital cá do burgo, só as cantoras estavam de vestido comprido de noite - no público havia de tudo, de mangas de camisa a camisolas de malha passando por calças de ganga. Nas saídas à noite é o que se vê.
O bonito hábito de usar chapéu em casamentos também vai rareando, o que é uma pena porque quantas mais ocasiões há de pôr uma capeline ou toucado? De igual modo, as mantilhas ou véus de Missa caíram em desuso - no nosso país, pelo menos - e embora haja uma nova geração que procura fazer regressar esse encantador costume (e outros quantos detractores) muitas meninas e senhoras que gostariam de o fazer hesitam, com medo de dar nas vistas.
Sobre isso não me pronunciarei porque há pessoas de direito com muito mais entendimento para o fazer, mas arrisco dizer que será mais reparado uma rapariga de véu que uma madrinha de mini saia a encaminhar um inocente para a Pia Baptismal, ou uma noiva com decote de cabaret.
O à vontade - de que o vestuário é só o exemplo mais visível- instalou-se em vários aspectos da vida, a começar pelos mais mundanos. E essa descida de padrões acaba por não ser divertida sequer. Há todo um sentido de ritual que se perde. A antecipação, a preparação para um dia diferente, fazem parte da alegria de um evento.
Paradoxalmente, saber com o que se conta e apresentar-se de acordo é meio caminho andado para estar à vontade - mas à vontade no bom sentido.
Se uma cerimónia não tem um guião, não tem códigos, não tem regras, ninguém sabe a quantas anda. É como um baile em que ninguém sabe dançar. Uma sensaboria.
Bem diz o povo: quem dos dias faz iguais, das casas faz...bom, casinhas para animais de criação.
E como se contraria tal tendência? Bom, primeiro o exemplo deve vir de cima. Quem manda, quem organiza, deve pensar na qualidade, deve providenciar para que os bons hábitos se mantenham mesmo que isso implique desagradar a meia dúzia de pessoas. Há formas delicadas de explicar tudo, e além disso só custa ao princípio.
Em Itália, não se entra nas Igrejas em certos preparos. Nas corridas de Ascot, verificando-se um acréscimo de relaxarias e extravagâncias na última década, a organização tratou recentemente de ter meninas à porta a vigiar quem não estava vestido de forma apropriada, entregando pashminas e chapéus para que ninguém se constrangesse e o evento mantivesse os seus padrões de elegância.
Depois, essa também é uma tarefa que cabe a cada um. Embora discrição e classe caminhem sempre juntas, eis uma excepção em que se dá nas vistas por uma boa causa. É preciso mostrar exemplos para que os bons hábitos se espalhem, e cultivar esses pequenos rituais. Afinal, a única diferença entre o assim-assim e o especial reside num bocadinho de atenção e força de vontade.
Friday, November 29, 2013
Certo e errado: é favor não embaraçar o Príncipe.
Já vos contei que dois cavalheiros da minha estima costumam dizer uma frase engraçada, quando o mulherio resmunga que não sabe o que há-de vestir para uma festa:
"Vai nua, que fazes um sucesso".
É uma brincadeira destinada a irritar quem já se encontra em modo barata tonta, mas há mulheres que levam o ditado à letra. E em alturas dessas é preciso ouvir o bom povo, que reza "quem dos dias faz iguais, das casas faz currais" - ou seja, até a mais espaventosa e provocante das mulheres deve saber que se andar nua (ou quase) por aí não é muito boa ideia, em dias especiais muito menos.
Especificidades de protocolo à parte (que hoje estou com pressa para estar noutro sítio) qualquer mulher de bom senso sabe que um evento de alguma formalidade e/ou solenidade não é a melhor ocasião para exibir exageros fashionistas, fantasias e acima de tudo, muita pele.
Para ter essa consciência nem é necessário conhecer a fundo as regras de etiqueta ou ser uma grande senhora, daquelas com à vontade, modéstia, graciosidade e estilo para se apresentarem confortavelmente em toda a parte. Essas vão rareando; já a sensatez é felizmente um bocadinho mais democrática.
Será?
É que eu já não digo nada. Nos tempos que correm, em que tudo é permitido, tudo anda misturado e a bússola moral - já para não falar da bússola de gosto - é coisa do tempo da outra senhora, qualquer coisa é possível, ate noivas a entrar seminuas na Igreja e toda a gente a achar muito lindo, quanto mais.
Como dizem os ingleses...oh dear, the types they let in these days. Já não se está segura em parte alguma.
E foi precisamente isso que aconteceu há dias na Royal Variety Performance, com a cantora Jessie J. a fazer o que as Rihannas, Mileys e companhia da vida fazem melhor: dar espectáculo, e pelos piores motivos: a menina, com a sem noção que caracteriza o seu género, cumprimentou S.A.R. o Príncipe de Gales nestes bonitos preparos:
E nem sequer há a desculpa de estar a preparar-se para entrar em palco, já que a seguir se mudou para um modelito idêntico (para ser franca, nem percebi porque trocou de roupa). Valha-nos que um cavalheiro é sempre um cavalheiro e sabe olhar uma senhora nos olhos, mesmo quando ela não está vestida...bem, como uma senhora. Ou quando não é uma senhora.
Claro que para cada mau exemplo, há sempre raparigas de classe que sabem adequar-se às ocasiões: Taylor Swift é capaz de usar os mini vestidos como qualquer outra, mas se dali a dias tiver uma gala no Palácio de Kensington, faz o que dita o siso e vai ao seu grande armário buscar um vestido formal e polido, como este bonito Reem Acra. Lá pelo meio houve oportunidade de subir ao palco com Bon Jovi...e com o Príncipe William, mas uma senhora é uma senhora em todas as ocasiões.
Não percebo o que será tão difícil de entender no velho adágio
"em Roma, sê romano".
Thursday, November 14, 2013
Françoise Sagan dixit: o que os cavalheiros pensam do VESTIDO CERTO.
| Diane Kruger com vestido Jonathan Saunders |
“A dress makes no sense unless it inspires men
to want to take it off you”
Françoise Sagan
Provocadoras como possam ser, há uma certa verdade nas palavras da escritora francesa: um bom vestido, como dizia Chanel, faz com que se repare na mulher. Enaltece as curvas na medida certa, disfarça qualquer pequena imperfeição. Idealmente, deve deixar quem o usa a sentir-se no céu e fazer sonhar quem o vê. Mas para isso, convém que o vestido seja...bom, vestido. Que haja tecido suficiente para hipoteticamente poder ser tirado. Um vestido-despido, que não deixa rigorosamente nada à imaginação, além de sujeitar a mulher que tem o mau gosto de o usar a comentários menos abonatórios por todas as razões, priva os cavalheiros da mais primitivas das ilusões. Se já nem smoke and mirrors restam, este mundo vai muito mal.
Saturday, August 10, 2013
Celebrar a amamentação em público? No, thanks.
Creio que não passará pela cabeça de ninguém, nos tempos que correm, dizer que alimentar um bebé não seja belo, ou absolutamente natural. Trazer o dito bebé ao mundo - ou "encomendar" a criança à cegonha, salvo seja, também é belo e absolutamente natural...como tantas outras coisas que pertencem à nossa intimidade.
Compreendo perfeitamente que por vezes seja necessário alimentar o bebé em público, em locais desprovidos de nursery ou outro aposento apropriado. Creio que ninguém dirá "está a amamentar, blheeeeec!" mas é nessas ocasiões que é de bom tom (pela mesma razão que uma senhora não experimenta roupa fora dos provadores) afastar-se um pouco e sim, usar um xaile, uma écharpe, qualquer coisa que resguarde a nudez de olhares indiscretos. Não é uma questão de se tratar de uma coisa de outro mundo, mas de modéstia, pudor e protecção, que convém a quem está num momento muito seu.
Pasmo com a ingenuidade destas pessoas. Ou pensarão que não há tarados por aí, que por uma mulher ser mãe um busto nu deixa de ser um busto nu? Conheço senhoras que recebiam piropos na rua quando estavam de esperanças, e com uma barriga bem grande, quanto mais...
Há uma certa intimidade e inocência associada à maternidade que convém preservar e decerto não convirá perturbá-la com mirones. Por fim, lembremos que nem sempre é muito estético observar o peito alheio, muitas vezes algo maltratado como todas nós, mulheres, sabemos que pode ficar - é escusado entrar em detalhes.
Logo, não é para "proteger a inocência das crianças" ou "fazer da amamentação um bicho de sete cabeças" que as mulheres se cobrem. Cobrem-se como foram ensinadas a fazer em qualquer outra situação em que se dispam. A mania de colocar feminismos exacerbados em tudo é algo que não entendo. Questão de bom senso e decoro, nada mais...
Thursday, August 8, 2013
Sinceridade x delicadeza
| A Princesa Grace e Jackie Kennedy |
Por estes dias falou-se aqui de elegância, sendo que para mim, o aspecto mais difícil da mesma é equilibrar saudavelmente o sentido de honra (sem dignidade e pundonor não pode haver elegância) com a indulgência para com os outros e a capacidade de relativizar as ofensas, rindo delas se for preciso. Afinal, quem não se sente não é filho de boa gente, mas ninguém gosta de estar perto de pessoas amargas, rezingonas, que guardam rancores por tudo e por nada. Só quem se tem em demasiada conta se melindra com facilidade. Usar de graciosidade, magnanimidade e o poder de não levar as pessoas (incluindo a si mesmo) demasiado a sério sem no entanto se tornar num alvo fácil é um equilíbrio delicado, que custa muito a conseguir.
Mas volto à mesma reflexão - a elegância, ainda que possa ser inata, exige exercício, prática e atenção constante. Antes de observar o comportamento alheio, devemos ser duplamente exigentes com as nossas próprias atitudes, o que requer modéstia e auto análise. "Sede vigilantes", diz o Bom Livro...e isso também se aplica ao saber estar no quotidiano.
Outro ponto sensível do comportamento elegante é a sinceridade, a franqueza, a honestidade. Tem sido dito aqui no IS que poucas coisas dizem tanto da educação de alguém como o saber estar à vontade em toda a parte (mesmo em meios muito diferentes daquele que habitualmente se frequenta) sem acanhamento, espanto, deslumbramento, entusiasmo ridículo, temor reverencial ou pelo contrário, arrogância, atrevimento, excesso de ousadia ou atitudes defensivas. É sempre de evitar chamar a atenção sobre si próprio. A simplicidade - desde que discreta - e a serenidade caem bem em qualquer lado. Quando na dúvida, um silêncio gracioso, um gesto de assentimento ou responder a uma pergunta com outra pergunta inócua podem afastar a mais desagradável das gaffes. Revelar demasiado é desaconselhável por várias razões.
O que nos leva ao cerne da questão: quanta sinceridade é recomendável?
Quem diz a verdade não merece castigo. Porém, em ocasiões sociais de alguma superficialidade, a melhor orientação será "se não tiver nada de agradável para dizer, remeta-se ao silêncio". Emma, a personagem de Jane Austen, dizia invariavelmente da rival com quem embirrava, Jane Fairfax "se me perguntarem, digo apenas que ela é elegante". Problema resolvido; não faltava à verdade, não caía mal e ninguém perguntava mais detalhes...
Se for mesmo impossível mascarar o que pensa sem que isso constitua uma mentira óbvia, uma resposta sincera, mas curta, que não entre em maledicências, é a única saída. Com sorte, tê-la-ão por uma pessoa espirituosa, que diz sempre o que pensa...
Caso numa circunstância igualmente superficial uma senhora diga mal de si mesma, por brincadeira, esperando obviamente ouvir o contrário ("fico tão gorda neste vestido", por exemplo) ou tenha o mau gosto de apontar falhas a outra pessoa presente ou não, o remédio é procurar, sem contradizer, um aspecto agradável que possa ser realçado...ou mudar de assunto. "Essa cor é tão rica, gosto tanto, vai tão bem aos seus olhos..." porque não há quem não fique contente por ouvir falar de si próprio nos melhores termos!
Com os nossos amigos chegados, a história é mais complexa.
Quando dizer a verdade, e quando cair na boa e velha "mentira piedosa?".
Não pretendo ser um guru na matéria, mas a experiência ensinou-me que a única resposta possível é "ambas, quando for preciso".
É de evitar magoar os nossos amigos com excesso de franqueza, mas a longo prazo, fugir à verdade não traz nada de bom a ambas as partes. Como dizem os sicilianos, "só os verdadeiros amigos nos avisam quando temos a cara suja". Muitas vezes, a única abordagem é arranjar a forma mais delicada e carinhosa de mostrar à pessoa que de facto...
- precisa de dieta
- não está a agir correctamente.
- foi ofensiva para connosco.
etc.
As verdadeiras amizades resistem às opiniões honestas ou mesmo a raspanetes, desde que haja tacto. E se não resistirem, bem...é porque não são amizades que valham a pena, trazendo desgostos mais cedo ou mais tarde.
A melhor unidade de medida para saber quando falar ou não é perguntar-se: quão insuportável é esta situação? Já dei todas as indirectas que podia sem ferir? Se sim...é altura de ser brutalmente honesto (a)!
La está: equilibrar tolerância e honestidade, perdão e jogo de cintura é um exercício complicado. Mas a tudo se impõe o bom e velho bom senso...
Tuesday, August 6, 2013
Segredos da Elegância, segundo Colette Cotti
| Burberry, 1960s "Uma pessoa pode tornar-se rica, mas tem de nascer elegante" Beau Brummell
Já vos contei que tenho um fraquinho por antigos manuais de beleza, boas maneiras e elegância. Certamente é preciso filtrar alguma informação datada mas não só têm imensa graça, pitoresco até, e deliciosas fotografias vintage, como realçam alguns aspectos básicos do saber-estar que as novas (e escassas) versões descuram. E se os compêndios forem franceses, melhor ainda: há que ter em conta o lendário je-ne-sais-quois das parisienses e não só, esse tão invejado chic sem esforço sobre o qual já se escreveram inúmeros tratados.
Sem querer maçar-vos com um post muito longo, não resisti a transcrever algumas citações que acho preciosas, e que não podiam ir mais ao encontro da minha forma de pensar. Porque ao contrário do que possa julgar-se à primeira vista nestes tempos de materialismo desenfreado, a elegância está muito mais ligada ao auto domínio, à atenção, disciplina, discrição, indiferença e graça do que ao "luxo" ou mesmo à beleza, sempre conceitos subjectivos e mutáveis.
"O dândi do século XIX ostentava uma suprema elegância, tanto nas maneiras como na apresentação. «O dandismo não é um gosto imoderado pela toilette e pela elegância material. Estas coisas não passam, para o perfeito dândi, de um símbolo da superioridade aristocrática do seu espírito» dizia Baudelaire. Que procurava o dândi? Antes de mais, opor-se ao espírito burguês, à noção do proveito material".
A elegância independe de aspectos materiais, superficiais, que vão e vêm. Uns sapatos Prada são bonitos, são elegantes e todas gostamos deles...mas são também acessíveis à mais trapalhona e desagradável das mulheres, desde que dotada de meios. Quem é elegante serve-se desses artifícios mas não se prende a eles, não deixa que eles se sirvam de si, tendo presente que "do mundo nada se leva". O materialismo foi e será (ainda que nesta época de valores diluídos) um conceito burguês, associado ao alpinismo social e às ideias estreitas.
"É impossível que uma mulher invejosa e cúpida, que um homem trivial ou vulgar tenham uma real elegância no seu comportamento; o inimigo da elegância é o espírito pequeno, mesquinho, o interesse pessoal".
"É curioso pensar que a elegância (...) nos faz pensar no passado. Esta palavra evoca o garbo (...) porque ter garbo não é simplesmente ter classe, mas também não dar demasiado apreço à sua vida, a si mesmo. Dar a vida pela honra".
Mesmo num fato coçado, ou de camisa amarrotada, um cavalheiro é sempre um cavalheiro. E uma senhora elegante não precisa de espavento, antes pelo contrário, para se fazer notar. Tão pouco a elegância se desvanece com o tempo, como certas belezas, embora exija cuidados.
"Não há graça possível sem uma bela silhueta. Se for demasiado gorda nunca poderá ser elegante, mesmo usando o mais belo vestido. Evidentemente há vários tipos de mulheres e os manequins diáfanos que apresentam a moda nas revistas não são o ideal a desejar para todas. É absurdo estereotipar-se e conformar-se com a moda actual O que é necessário é manter-se na melhor forma de si mesma.(...) Como se conserva esse peso? Querendo-o. Querer ser esbelta é consegui-lo. Não se esqueça que engordará se se desleixar e que emagrecerá se o quiser...".
O sentido de honra temperado com a indulgência para com os outros é um dos aspectos mais espinhosos da elegância de espírito. A mundanidade, o porte, a tranquilidade blasé, a gentileza para com toda a gente, uma certa altivez que não agride a que se mistura o genuíno desejo de não incomodar, de se colocar em último, constituem a fórmula delicada da elegância.
"Saibamos adaptar-nos, pôr-nos ao nível dos que nos falam, nos recebem. Respeitemos as formas de viver dos outros(...) . A elegância de espírito ajuda a comportar-se
decentemente e com nobreza, a graça ajuda a comportar-se esteticamente, para seu prazer e dos outros. Que é realmente a graça? É uma espécie de encanto, de adorno, que está ligado ao à vontade."
"Se gostar acima de tudo da beleza, da harmonia e da discrição: se fugir da vulgaridade, se souber conservar indulgência, bom senso e humor, a elegância reinará em todo o seu lar".
"O século XVIII, elegante como foi, põe em primeiro lugar o espírito, um espírito que exige grande domínio, posse de si mesmo, respeito pelos outros, que faz com que as pessoas não se tenham em conta, se pretendam leves, para nunca serem pesadas aos outros. A tolerância, o sentido de humor, a indulgência, assim como o sentido de honra são grandes motivos da elegância porque exigem uma justa noção da pouca importância que representam a nossa pessoa e as nossas dificuldades em face da morte. E onde nos conduz a essa reflexão? A um respeito pela vida, (...) pela pessoa humana, à preocupação pelos outros, à generosidade, ao desinteresse, ao desprezo pelo que é baixo e vulgar...".
É um exercício diário, uma disciplina constante, com fontes tão diversificadas como as referências de cada um, o berço, a educação em casa e porque não, a formação religiosa. Os ensinamentos Católicos são uma excelente escola de saber estar para quem está atento, por exemplo.
O que importa é ter presente que ou o refinamento vem de dentro, ou não há arrebiques que valham. E vigiar-se diariamente, com humildade e poder de observação, até que os reflexos se tornem automáticos. Afinal,
" Não há elegância no comportamento e no vestuário sem elegância de espírito".
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Wednesday, July 24, 2013
Quando precisar de um vestido frufru, já sei qual hei-de escolher.
| Zac Posen, Primavera 2013
As ocasiões de usar um verdadeiro vestido de noite são cada vez mais raras, nestes tempos desgovernados em que pouca gente, e poucos locais, se dão ao trabalho de cumprir (ou fazer cumprir) o dress code. Por vezes, nem a passadeira encarnada escapa. E se falarmos num vestido de baile ou de gala, as oportunidades de usar algo tão dramático ficam ainda mais reduzidas. Eu sou uma rapariga de vestidos, logo não me faltam vestidos de noite, cerimónia e cocktail (estes são os mais comuns) e já tive a oportunidade de usar algumas criações realmente bonitas no que toca a traje formal (um dia mostro-vos um retrato com aquele que me tocou mais a alma...long story). Mas ainda não tive necessidade de algo tão...bom, espampanante, até porque a linha que separa o espectacular do piroso é *um bocadinho* ténue. A minha ideia de algo dramático, impactante e realmente fabuloso é mais ou menos o que aparece em Cannes, não mais. Tecidos consistentes e algo pesados, brocados, alfaiataria perfeita, cores sólidas, nada muito esvoaçante. Mas caso a necessidade de um fru fru com tule e musselina se apresente, o meu ideal é este Zac Posen. A delicadeza da cor, a mestria do corpete, o piscar de olhos com uma reviravolta ao século XVIII, o aspecto feérico. Às vezes é preciso desligar o lado racional e apreciar a beleza pelo que ela é. Pessoalmente, usá-lo-ia apenas com uma cuff: um vestido assim é uma jóia tão grande que não precisa de mais nada.
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Sunday, July 21, 2013
A mania dos "dótores"
De uma maneira muito íntima e pessoal, que vale o que vale, atrevo-me a dizer o que já tenho mencionado aqui e ali: Portugal, se teve estilo em tempos, um certo panache conferido pela aura de portuguesinhos valentes à espadeirada ao mouro e a fazer negaças a Castela e companhia (bons tempos, brava gente) pela imponência do Império (no tempo do Senhor D. Manuel I, verdadeiro árbitro das elegâncias e uma estampa de homem) ou, mais recentemente, nos anos em que espiões, cabeças coroadas e a crème de la crème assentavam arraiais por Lisboa, Cascais e Estoril, hoje, como País, como povo, Portugal tem "A MANIA" - termo querido do português -e pouco mais. Estivemos lá perto, mas não estabelecemos a nossa marca como os italianos, britânicos ou franceses . Talvez pelo eterno complexo de parentes pobres, talvez pela fraca veia ou dimensão das classes dominantes, que não souberam educar o povo na cultura das coisas belas. E perdoem-me, meus caros, o português é um povo maniento. Gosta da lata polida a imitar prata, do arrivismo, do jeitinho, de engraxar com uma faca atrás das costas, do ressabiamento, do show-off, do inglês ver. É demasiado deixa andar para se polir em profundidade: quer tudo para ontem, uma engraxadela basta; e ao contrário dos italianos (desculpem se puxo a brasa à minha sardinha) que podem viver rodeados de ruínas a cair aos bocados e não tomar conta delas, mas mal ou bem os testemunhos do passado bonito são tantos que não têm outro remédio senão absorver a ideia da sprezzatura ou da bella figura, no nosso caso um bonito castelo aqui outro dali a 100 quilómetros não chegaram para apurar o instinto, o gosto e a vista. Em resumo, Portugal tem mania, tem boas intenções, tem peneiras, tem matéria prima, mas
falta-lhe disciplina, rasgo e impulso. Ainda estou à espera de ver o estilo português. Lá chegaremos.
Mas por ora, poucas coisas exprimem tanto o complexo de inferioridade do português, ou o status postiço e a martelo, como a mania de ser DOUTOR!.
Se repararem, verão que ao mencionar-se o augusto título o visado se ergue ligeiramente, num reflexo mui Acaciano e mui emproado. E vindo eu da cidade dos ditos, em que Deus nos livre que uma pessoa não seja tratada por doutora (ou licenciada, ou mestre, e ai de quem falhe no título) mesmo que não seja doutorada ou engenheiro (a), que enfim, quanto a isso não há como chamar doutor a um engenheiro, sei do que falo. Quer-me mesmo parecer - desculpem lá o modo desmancha prazeres - que com a minha cidade elevada a Património da Humanidade, pior ficaremos. Tem a sua graça entrar num evento cá do burgo onde todos são invariavelmente, ou fazem por ser, doutores, e ver como se repenicam ao anunciar - à falta de títulos mais pomposos, que se aterrar aqui um Embaixador, Bispo, Conde ou mesmo Secretário de Estado se calhar cai tudo redondo - o Sr. Dr. fulano de tal, e se for mesmo doutorado ai Jesus, é o cúmulo, ou a tratar-se por Sr. Dr. Fulano uns aos outros com tanta mesura que dá vontade de rir.
Em Coimbra será pior (ou levado mais a sério) mas é inegável que ser doutor é a ambição, o êxtase, o sonho do português. Assim que o país se viu mais vá, moderno e desenvolvido, qual foi a prioridade na educação? Não criar uma nação produtiva, forte, capaz, com uma sólida instrução para a vida prática - mas facilitar o acesso universal ao almejado Dr. atrás do nome. Criar doutores que superavam as encomendas - não fosse alguém ofender-se - sem mesmo arranjar um filtro vocacional para ver quem tinha, de facto, cultura e saber estar (que as notas não são tudo, e em algumas "escolas superiores" nem notas se exigem) para luzir o título. E como cinco anos era muito trabalho para uma coisa tão essencial para a sobrevivência como ser doutor, aderiu-se a Bolonha porque senão podia vir outra vez o Terramoto. Era certo que tínhamos o sismo, a revolução e a peste se Portugal não facilitasse aos portugueses uma "licenciatura" expresso. Quem aproveitou o negócio encontrou um filão inesgotável.
Se noutros tempos se dizia a graça "foge, cão, que te fazem barão - para onde, se me fazem visconde?" - hoje é o dótor, o horrendo dótor a martelo, a trabalhar na caixa do Continente porque não há postos chic que cheguem para tanto dótor junto, que merece o dito.
E o resultado são "doutores" burros como um urso, como se diz por cá; banalizou-se tanto o licenciado (que faz questão de ser doutor) o mestre (Mestre só Nosso Senhor Jesus Cristo e meia dúzia de iluminados) e o verdadeiro Doutor que ser tudo isto já não é garantia de se ser instruído em coisa nenhuma, quanto mais refinado ou educado, que isso vem de casa e a faculdade pouco pode fazer. As regras de conduta e de exigência - salvo alguns professores da velha guarda que ainda vão impondo respeito - aligeiraram-se de tal maneira que há quem se atreva a sentar-se perante os lentes de chinelas de praia. E os próprios "lentes", bem...digamos que eu, que sou uma pessoa respeitosa, preciso de mais do que um título académico para sentir verdadeiro respeito por alguém. E conhecendo o background, o pedigree e os actos de muito pantomineiro que vê no doutor um símbolo do seu alpinismo social, então podem crer que só lhe dou o "Dr:" entre dentes, para não ser malcriada.
Em jeito de detective, ou de graça, digo-vos mesmo que quanto maior o anel de curso, pior os antecedentes. E muitos andam por aí com uns cachuchos horrendos que mais parecem um anel de Bispo, proporcionais em tamanho à mania das grandezas e ao complexo de "carroceiro que se fez doutor".
Considerando a pouca selecção que é feita, o género de alunos que tem entrada franca e certas faunas, não sei mesmo se ter ensino superior é selo de alguma coisa ou exactamente o contrário, já que muito boa gente sai de lá mais pateta do que entrou, apenas com maiores ilusões de grandeza e pouquíssima noção do seu lugar.
Com duas licenciaturas e um mestrado a meio (tinha coisas mais urgentes a tratar e estou cada vez mais selectiva nos luxos intelectuais que me saem do bolso) embirro grandemente que me tratem por, vá, Dra. Sissi. Era só o que me faltava. Não sou doutorada, médica tão pouco. Mas num país sem meios termos, uma mulher ou é tratada por "tu" em público, ou por dótora. Maior favor me fazem se me tratarem como convém que uma senhora seja tratada - respeitosamente pelo nome, ou por menina, ou, em questões mais formais em que o estado civil não vem a propósito Sra. D., que é como eu trato as senhoras que merecem todo o respeito. Dispenso grandemente ser colocada no mesmo saco de dadas "dótoras" de primeira viagem. Mas isso dá muito trabalho, que descortinar títulos é coisa do tempo da outra senhora, não é?
Saturday, May 18, 2013
O verdadeiro cavalheiro - e os outros.
"In modern speech the term gentleman (from latin gentilis, belonging to a race or gens, and man, the Italian gentil uomo orgentiluomo and the Portuguese gentil-homem) refers to any man of good, courteous conduct".
Friday, May 10, 2013
E porque estamos no Mês das Noivas...é assim que uma noiva se apresenta, ponto.

Logo, meninas que estão a pensar contrair o Sagrado (ou mundano) Matrimónio, sugiro que ponham os olhos nisto e fujam como o Diabo da Cruz às fantasias de certos criadores que acham que para a noiva estar bonita deve parecer-se com uma caricatura brejeira, e que convidados, padrinho e todos os santinhos têm de ver aquilo que pertence aos olhos do noivo. Passar todos os dias por uma loja de vestidos que conseguem a proeza de ser demasiado espampanantes para o civil e muito reveladores para a Igreja tem o condão de me arrepiar. Corpetes transparentes pertencem à lingerie para a noite de núpcias, não ao vestido em si. Uma noiva deve ser discreta, modesta e angelical dentro do bom senso, o que não retira em nada a feminilidade necessária à ocasião. Só eliminava os brincos que a meu ver, roubam protagonismo ao resto. Há que lembrar que a cerimónia dura só um dia, mas os retratos ficam para a posteridade e não deve ser nada agradável pensar "que figura a minha, o que a moda faz" ou ouvir os netos dizer "que indecente que avó ia" daqui a umas décadas...
Saturday, April 6, 2013
Condessa de Gencé dixit: da boa educação
" Não se é bem educado à força, por compulsão, conveniência ou por mero hábito. É-se bem educado por sentimento, por vontade, por gentileza de ânimo e por disposição de carácter. Não se deve parecer bem educado- deve-se ser bem educado. Ser bem educado é, porém, uma arte - e uma arte difícil. A (...) naturalidade, desafectação e a maleabilidade das regras de boa educação não significam o seu abandono".
Tuesday, December 18, 2012
Se eu gerisse um nightclub...
...carreira que não pretendo abraçar, pois prefiro vertentes mais subtis e diurnas das Relações Públicas e uma coisa é a produção de eventos, outra coisa é tomar conta de um espaço e andar sempre feita vampira * mas não digo desta água não beberei, não vá algum árabe doido pagar-me a preço de ouro para eu organizar umas festas à minha maneira e depois ser chamada mentirosa, que os tempos não estão para graças nem para deitar dinheiro do petróleo à rua...fica a salvaguarda; nunca se sabe!*
instituía meia dúzia de regras, devidamente transmitidas a porteiros com ar de gladiadores. E uma delas era decerto não deixar entrar ninguém que viesse vestido como quem vai para a escola ou para o emprego (em empregos sem dress code instituído, porque não acredito que alguns vão trabalhar naquelas figuras). Já mencionei que gosto de ver gente adequadamente vestida para a noite e para eventos, mesmo em circunstâncias do mais casual. Não têm de ser todos hipsters, nem fashionistas, nem mesmo BCBG ou "gente bonita". Trata-se de estar adequado ao horário e ao local. E se já não é grande coisa ver os shorts de ganga à noite espaço sim, espaço sim (pelo menos essas esforçam-se lá à sua maneira por impressionar) pior ainda é olhar para as meninas de botas de montanha, jeans manhosos e casaquito de malha. A sério, não arranjam nada mais sem graça? Parece que andaram todo o santo dia com aquela fatiota. A desculpa " só gosto de roupa casual" não serve. Não custa nada trocar o cardigan por um blazer, ter umas calças escuras no armário, pôr um top bonitinho em vez da t-shirt e substituir a botifarra de dia por um salto alto ou vá, uma bailarina. E já agora, passar um pouco de pó no cara, pôr um gloss mais vivo (até a mais desastrada das mulheres sabe pôr gloss) e fazer um brushingzito no cabelo para tirar o ar "andei à chuva e a seguir vim para aqui". É pedir muito?
E pronto, com este post lá se vai a minha brilhante carreira no mundo "da night" (e eu ralada...). Não me parece que a maioria dos proprietários de nightclubs esteja disposta a aplicar nos seus espaços as políticas que ainda vão vigorando em certos clubes privados por este mundo fora, e eu ia decerto espantar-lhes a freguesia toda.
Thursday, August 2, 2012
Traje de noite, onde estás?
| E o bruxedo começou assim... |
Cenário 1
Mulheres de pumps vertiginosos, com aplicações, em plena luz do dia na calçada portuguesa (com calças de ganga, calções ou mini saias).
Cenário 2
Em bares e discotecas: homens de jeans, ténis e t-shirt estampada; senhoras de calções ou calças de ganga - ou pior, cargo - bailarinas e t-shirts de algodão. Em eventos de maior formalidade: senhoras de tigresse, saias tipo cinto, ou...jeans. Cavalheiros em mangas de camisa e sem gravata.
É certo que nos nossos dias as rígidas regras de antigamente se aligeiraram. Já não existe uma divisão tão clara entre o traje matinal, da hora do chá, de noite ou de gala . Que há uma maior versatilidade das peças - um vestido para jantar pode ser facilmente adaptado a cocktail ou a algo um bocadinho mais formal, com os acessórios adequados. Mas com tanto por onde escolher - abundância de saias lápis, vestidos, saias com aplicações, calças de cabedal, tailleurs, peplum, calças clássicas, só para nomear algumas - para quê usar à noite o mesmo que se veste para o dia? Nem nos minimalistas e despojados anos 90 se via tanta confusão de critérios. Os dress codes suavizaram-se, mas surpreende-me como - particularmente no caso de night clubs - os ténis deixaram de ficar à porta.Pessoalmente eu recuso sapatos altos e desconfortáveis para o dia, por exemplo - prefiro-os compensados ou mais baixos . Por isso, quando saio, aproveito para variar. Em última análise, não se vestir para a ocasião mostra falta de respeito pelo anfitrião (se aplicável) por quem perdeu tempo a arranjar-se (que por sua vez se sentirá overdressed, quando se limitou a respeitar o dress code) e retira todo o encanto ao acto de sair. Existem vários "graus" para o smart dressing - que será diferente num jantar solene, numa ida a um bar, no lançamento de um disco, num baile tradicional, numa gala, numa discoteca ou num festival de rock. E é perfeitamente possível estar composto com simplicidade, sem cair na vulgaridade, no overdressed nem em pinderiquices. Impõem-se sofisticação e bom senso.
Ficam alguns exemplos para ocasiões diferentes, sujeitos à sensibilidade e gosto individuais:
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