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Monday, May 21, 2012

Kevin? Maeglin? Príncipe das Trevas?





Ainda não fui ver We need to talk about Kevin mas estou curiosa. Li o livro de uma assentada e não sei ao certo se é bom ou formidavelmente mau - tenho alguma dificuldade em classificar livros "novos". Precisarei de o absorver melhor numa leitura mais atenta, quando tiver tempo. Num relance, o que me ficou foi a impressão de uma prosa diferente com laivos Nabokovianos, tema apelativo e no mínimo, de uma obra interessante, a que não se fica indiferente. Seria o adolescente Kevin um psicopata ou um simples criminoso anti social? A dúvida permanece, mas uma certeza ninguém me tira: parte da sua maldade seria controlada com umas palmadas bem assentes e limites mais claros. A moderna educação, em que muitos os pais se desdobram para obter o amor dos filhos (como se isso não viesse incluído no contrato) dá muito maus resultados. Pais bananas, filho que abusa - equação simples. Mas divago.
Para além da curiosidade pela adaptação cinematográfica e da sempre elegante Tilda Swinton, o meu motivo para ir ver o filme é o protagonista, Ezra Miller, que apesar de tão jovem me parece ter uma carreira promissora à sua frente.
 Ezra, de 20 anos, teve uma educação artística (a mãe é bailarina e o pai trabalha com a Disney) canta ópera, tem uma banda de rock e já foi preso por certos actos de rebeldia - o que condiz muitíssimo bem com o seu visual.


Este rapaz tem algo que eu não chamaria beleza, na verdadeira acepção do termo. Isso poderá vir com os anos, que este género desabrocha (ou destroi-se definitivamente) por volta dos trinta. É um apelo estranho, estrangeiro, de coisa selvagem, com um fundo exótico e perigoso. Não é o tipo de exemplar cuja atracção resida na virilidade ou na estatura, nem nos traços perfeitos e másculos, mas sim em algo de misterioso e astuto, manhoso e arriscado, lânguido, ligeiramente andrógino, suspeito, felino, sombrio e quase perverso. Este tipo de beleza masculina tão específica, se nos cingirmos aos traços per se, está presente noutras celebridades um pouco mais luminosas e ingénuas, como  Ben Barnes ou Freddie Mercury na sua juventude;  mas se olharmos para além disso, só encontramos a mesma promessa de trevas em rostos tão invulgares e olhares tão intensos - ou estranhos - como  os de Cillian Murphy ou Jonathan Rhys Meyers. Há ali uma frieza de fundo, uma limpidez cruel. Características  que quando adicionadas ao efeito dramático de cabelos e olhos negros contra uma pele de neve compõem um fascínio, um magnetismo que é bonito de ver no écrã, mas aconselhável evitar na vida real se a personalidade do rapaz acompanhar o resto. 
Maeglin
 No meu vocabulário, é o que chamo beleza Maeglinesca. Para quem não está familiarizado com o imaginário de Tolkien, Maeglin é uma personagem sombria do Silmarillion, a sua maior obra. 

Era filho de Aredhel, uma princesa élfica dos Noldor e de Eol, um Elfo Escuro que a raptou - ou seduziu, vá lá - contra a sua vontade e contra todas as regras. Uma ligação irresistível, maldita e proibida, daquelas que nunca trazem nada de bom. Nasceu na floresta sem nunca ver o ar e o sol,  e 
tanto ele como a mãe viviam prisioneiros, o que lhe valeu a alcunha de Lómion (filho do Crepúsculo). Mais tarde - por iniciativa de Maeglin - ambos fugiram para a terra dos seus antepassados maternos, a cidade escondida de Gondolin. Esse acto valer-lhe-ia a morte de ambos os pais, já que o possessivo Eol não tolerou a fuga e acabou por matar a mulher, sendo executado por esse crime - e amaldiçoado o filho desnaturado antes de morrer. Não contente com isso, apesar de ser tratado como um príncipe de pleno direito entre os Noldor, Maeglin desenvolveu uma paixão obsessiva pela sua prima, Idril ("Brilho faiscante") filha do Rei Turgon. Ela era em tudo o oposto dele - alegre, cintilante, extrovertida - mas um casamento entre parentes tão chegados era considerado anti natural e por isso, Idril não aceitava o amor de Maeglin. Com a insistência dele, acabou por ganhar-lhe uma indisfarçável aversão. Quanto a ele, nada fazia para combater as suas perversas inclinações, e vendo que com súplicas e rogos nada conseguia- e que Idril se apaixonara por um príncipe dos Homens, louro e valoroso- encheu-se de ódio e acabou por vender a cidade ao inimigo com a condição de ficar com Idril para si. O resultado foi a queda de Gondolin, um verdadeiro massacre, e a sua própria morte. Assim são os homens maeglinescos - há sempre algo de patife e de facínora no seu encanto, com o potencial de virar a vida da mulher amada de pernas para o ar, ou coisa pior. Não é à toa que Ezra vai interpretar o patifório Léon Dupuis na próxima adaptação de Madame Bovary . Enough said.

Friday, May 11, 2012

Os psicopatas são desmiolados (e começam cedo)

"O pequenito tem cá uma cara de mau que é melhor trancafiá-lo e deitar fora a chave antes que seja tarde demais..."  

Recordam-se deste post? Parece que se conseguiu  um avanço que poderá ajudar a identificar os psicopatas com mais exactidão. Segundo o Público, o cérebro deles tem menos massa cinzenta do que o normal.

Cientistas britânicos e canadianos afirmam ter confirmado, pela primeira vez, que a psicopatia está associada a anomalias distintivas do desenvolvimento cerebral. (...)Os psicopatas têm um défice patente de empatia e de remorsos e usam friamente a agressividade para atingir os seus fins. Não distinguem o bem do mal, não se arrependem dos seus actos, gostam de magoar os outros. (...)

Os cientistas utilizaram a ressonância magnética para obter imagens do cérebro de 44 homens adultos que tinham cometido homicídios, violações, tentativas de homicídio ou causado ferimentos corporais graves a terceiros. Desses, 17 correspondiam ao perfil do psicopata, mas não os restantes 27. Também estudaram os cérebros de 22 pessoas não criminosas. E quando compararam as imagens, viram que os psicopatas, e só eles, apresentavam volumes de matéria cinzenta significativamente reduzidos em duas áreas: na região anterior rostral do córtex pré-frontal e nos pólos temporais. Estas duas áreas são importantes na percepção das emoções e das intenções alheias e são activadas quando pensamos em comportamentos morais (...) E as lesões nessas áreas têm sido associadas à falta de empatia, de medo, de angústia e de sentimentos de culpa e de vergonha.

Infelizmente já me cruzei com seres assim. São indivíduos com traços muito específicos, que a algumas pessoas passam completamente despercebidos, mas a outras causam uma inexplicável aversão. Muitas vezes conseguem manipular terapeutas, pois possuem um instinto para se moldar ao que os outros querem ouvir e para detectar fraquezas alheias. Alguns deles têm sido assim toda a vida; na primária eram useiros e vezeiros em arranjar intrigas entre os colegas, pôr os amigos à pancada e sair ilesos, ou ainda culpá-los pelas suas asneiras. Na idade adulta, perante a falta de talento e de capacidade de trabalho para se saírem bem, procuram satisfazer a sua convicção de "merecimento" através de golpes e esquemas. Um psicopata acha sempre que tem direito às coisas que ambiciona: seja matar, torturar, usurpar o lugar, emprego ou mesmo a vida/ identidade dos outros. E como tem a mania das grandezas, acha sempre que está além do castigo. A culpa é sempre de outrém, e se lhe perguntarem mil vezes, é capaz de inventar mil desculpas diferentes. Parasita, manipulador e mentiroso até à medula, é o tipo que arma confusão, provoca desentendimentos entre as pessoas e sai com um sorriso de orelha a orelha. Até que o "fumo" começa a ser demasiado, e alguém se lembra de que os distúrbios só começaram com a chegada do inocente, fofinho e prestável psicopata. Coincidência?

Também a Sábado aborda o assunto, explicando que os sinais começam a manifestar-se na infância, como já tinha mencionado aqui. A revista conta o caso de um mini psicopata português:

 "No jardim de infância não tinha amigos, todas as crianças se queixavam de que ele lhes batia. Mas nunca havia provas. Ele sabia como os magoar: agredia-os na cabeça, onde não ficavam marcas. Perto dos pais, ou sozinho comigo (terapeuta) parecia um santo. Era altamente manipulador. (...) Além de não sentirem empatia pelos outros, os miúdos com perturbações do comportamento também são alheios à culpa. Inteligentes, conseguem manipular as ideias que fazem deles; calculistas, planeiam as maldades para não serem apanhados”.

Numa coisa os profissionais da área parecem ser unânimes: psicopatas e sociopatas podem ser diagnosticados, não tratados. " Não há tratamento para um psicopata - as únicas pessoas que podem beneficiar de terapia são as suas vítimas". Dotados (?) de um "cérebro reptiliano" são incapazes de cooperar com os outros ou procurar obter os seus objectivos sem prejudicar ninguém. São frenéticos, com um instinto oculto de auto destruição. No fundo, detestam-se e querem que alguém os obrigue a parar.  Amigos especialistas na área confirmaram-me essa informação. "A única defesa contra um psicopata é ficar longe dele, não permitindo qualquer tipo de contacto. Pessoas assim inevitavelmente acabam na cadeia ou pior ainda".  O que nos deixa um pouco mais descansados. Ou não.
 

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