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Thursday, January 17, 2019

A saga dos farnéis ("pega na lancheira e vai levar o almoço ao pai", lá dizia a outra).

John Montagu, 4º Conde de Sandwich


O farnel para crianças e adultos (e tudo o que envolve arranjá-lo) é quase uma instituição na cultura anglo saxónica- e especialmente acarinhada no Reino Unido, onde a tradição do pic nic continua viva e de boa saúde.


Piquenique nas corridas de Ascot


Ao contrário dos portugueses [que embora se vão aos  poucos (re) acostumando a trazer almoço de casa ou comprar qualquer coisa no supermercado em vez de ir sempre a restaurantes, ainda são demasiado peneirentos para fazer da lancheira um hábito] os britânicos não se acanham de comer as suas sandwich onde quer que seja. 

Ou não fosse esta a pátria da sanduíche, invenção atribuída a John Montagu, 4º Conde de Sandwich, nobre senhor que nasceu aqui bem perto de mim em Chiswick e que, não querendo interromper os seus jogos de cartas, mandaria pôr carnes frias dentro de um pão!



 Passem junto ao Selfridges perto da hora de almoço e verão muito executivo de fatinho italiano (ou melhor, Savile Row) descontraidamente sentado num parque ou num vão de escada, mofando a sua marmita enquanto goza o ar fresco com o maior à vontade. Se estava bom para o Senhor Conde de Sandwich está bom para eles, digo eu.
 Por aqui na velha Britannia há (felizmente, mas já lá chego) toda uma indústria paralela dedicada à  preparação da lancheira. Supermercados, bazares, tabacarias e até farmácias vendem tudo o que é necessário para facilitar a vida às mães e esposas (ou pais e maridos a quem também calha a fava na época da igualdade) que enfrentam diariamente esse trabalhinho de Hércules.


Executivos gozando a paparoca e o sol em Hyde Park

  De tupperwares descartáveis (porque ninguém quer, garanto-vos, chegar ao fim do dia e abrir uma lancheira com caixas cheias de restos de molho malcheiroso e peganhento e bananas esmagadas, blhec) e zipper bags a miniaturas de queijos ou pacotes mini de batatas fritas, nachos, barritas de proteínas, bolachas de aveia ou pipocas e outros snacks (com ou sem glúten, com ou sem sal, a escolha é infinita e envolve toda a espécie de modernices saudáveis, como vagens de ervilha secas e temperadas) passando por tacinhas invioláveis com ovos cozidos (cozê-los não custa, mas embrulhá-los de modo que não se esborrachem é um horror) ou snacks de sushi.... a variedade é infinita.




Resumindo, todas as manhãs há, por este país fora, milhares de estantes a serem reabastecidas e arrumadas meticulosamente unicamente a pensar na inevitabilidade do farnel. Tenho para mim que se quem produz miniaturas disto e daquilo e saladas ou sanduiches embaladas fizesse greve por uns dias, tínhamos uma revolução à francesa ou uma revolta dos coletes em terras de Sua Majestade.

A palavra "farnel" pode ser um bocado rústica, pitoresca e antiquada nesta era das paparocas gourmet e lancheiras bonitinhas para Pinterest ver (embora "farnel" evoque imagens apetitosas de cestas a abarrotar de queijo, broa, azeitonas e outras coisas boas depois de um passeio no campo). Porém,  não me ocorre chamar-lhe outra coisa. Primeiro, porque "almoços/lanches empacotados" é uma tradução um bocado redutora para a subtil, extenuante e rotineira (mas nunca repetitiva) arte de "packing a lunch".




 Segundo, porque embora eu seja um ás da cozinha (modéstia à parte) e fique horrorizada só de pensar nos assomos das feministas que se recusam a fazer sanduiches e até empunham cartazes a dizer isso, às vezes fico tão farta de planear, fazer e empacotar almoços e lanchinhos que lhe chamo farnel por mera delicadeza, para não insultar a coisa de "bucha" - palavra rude que a boa gente da lavoura empregava mas que até já ouvi dizer numa roda de fidalgos em festa de cerimónia para designar, com toda a ausência de dita cuja e o maior desrespeito e impaciência, os canapés gourmet emproados e finórios que teimavam em não chegar. Foi um episódio muito libertador, mas ainda não consigo chamar "bucha" ao farnel porque me lembra uma criada que conheci e que cozinhava lindamente mas tinha o vício de roubar coisas parvas, como panelas. Adiante.



Pessoalmente, ao fim de quase dois anos a embalar dois farnéis - um para o senhor meu marido e outro para mim-  cansei-me de andar com a minha comida atrás e achei mais prático passar na farmácia Boots ou coisa que o valha e comprar conforme me apeteça. Não me compensa a maçada nem o carrego. Mas ele, ai que não tem tempo para parar, e que lhe sabe mil vezes melhor o que a sua esposinha lhe arranja... e já agora se forem sanduiches, wraps ou saladas preparadas pela dita esposinha amantíssima e não compradas feitas, melhor. 

Haja paciência e amor aos magotes! 

É sabido que os cavalheiros, por norma, evitam a maçada de comprar comida se puderem: quando o meu irmão viveu em Trás-os -Montes preferia carregar o carro com mercearia (da despensa lá de casa)  e tupperwares com comidinha da mamã para congelar todos os fins de semana, só para não se deslocar ao supermercado nem à padaria (que ficavam a dois passos). Go figure. Porém, sejamos justos: não me admira que os homens arranjem desculpas e que as feminazis, essas preguiçosas, protestem que não lhes apetece fazer sanduiches nem embrulhar farnéis. É que realmente fazê-lo deixa de ser divertido quando se torna uma obrigação diária.



Para cada imagem bonitinha de packed lunches gourmet no Pinterest,  há todo um manancial de textos, por essa internet fora, cunhados pela pena de donas de casa desesperadas com as malvadas das buchas, farnéis, lancheiras e marmitas!

E convenhamos: depois de um dia cansativo (em que provavelmente já se passou várias vezes pelo trabalho mental de ensaiar o que comprar e arranjar para pôr na lancheira) ou de manhã, ainda estremunhada, a última coisa que apetece é estar de pé na cozinha a empacotar pasta carbonara, salada de frango com mel e mostarda, tostas à Elvis (bacon, manteiga de amendoim e geleia) sandochas de perdiz com queijo roulè e molho agridoce picante ou sushi feito em casa, fruta lavadinha e pronta a comer num zipper bag (se não comer fruta noutras horas, ao almoço e ao lanche não falha) e outros petiscos, mais os sumos, os snacks, os talheres descartáveis, guardanapos e por aí fora, tudo devidamente selado com papel de alumínio, película aderente, elásticos, etc.




Isto se tudo correr pelo melhor e se não acontecerem incidentes deprimentes como o presunto (o raio do presunto que aqui só vem cortado fininho, fininho, separado por delicadas lâminas de plástico)  colar-se inevitavelmente aos dedos. Depois uma pessoa vai a sacudir a mão e zás, lá entorna um frasco de pickles pela banca fora. Ou, ao tirar do frigorífico uma caixa de queijinhos fundidos daqueles da Vaca que Ri, a caixa dar um piparote inexplicável pelo ar e estatelar-se, acabando uma pessoa, cheia de pressa, a fazer puzzle de queijinhos para a conseguir fechar outra vez, com o desenho do bicho virado para nós a fazer troça. É caso para chamar nomes, rogar pragas e desatar aos pontapés aos tachos. Parece coisa pouca, mas valha-nos Santo Ambrósio na forma do paciente mordomo Ambrósio do Ferrero Rocher.


Lancheira da lendária casa de mercearias finas Fortnum & Mason, fornecedora da Coroa


 Complicado também é encontrar lancheiras de lona do tamanho certo: quando as acho, encomendo várias porque duram pouco e as que se vendem por aí costumam ser bastante acanhadas para caber todo o pic nic, bebidas incluídas. As da Fortnum & Mason (acima) têm o tamanho quase perfeito, embora as latas e garrafinhas fiquem um bocadinho apertadas.

Em suma, este é um óptimo treino de pachorra e destreza para quem ainda não tem filhos (e convém mesmo que se treine, porque com criancinhas mais complicado se torna o processo: toda a vida recordei com carinho e nostalgia os lautos almoços que a  senhora mãe me preparava, apenas para descobrir - precisamente quando há meses me queixei do bruxedo que é tratar disso - que ela se descabelava com as marmitas e que nem sabe onde arranjo tanta paciência. Lá se foi a minha infância idílica).

Por fim, nem comecemos com as sugestões "deles", ou a ausência das ditas:



Passa uma mulher a vida a fugir de pretendentes indecisos como o diabo da Cruz, apenas para casar com um todo decidido e sem meias tintas... que depois de dado o nó responde invariavelmente "tanto me faz...eu gosto de tudo" ou "o que a minha adorada decidir está bem" (com galanteios é que nos enganam) quando lhe perguntamos o que quer levar para o almoço!


Nada disto me faz descrer das alegrias do lar, reparem; mas que se pense "hurra, nada de arranjar lancheiras" assim que entramos de férias, diz muito de quão divertido é isto. Se tiver filhos que reclamem do que lhes arranjo, estão bem arranjados, passe o pleonasmo- passam a embrulhar o próprio almoço que é um mimo. Palavra de honra. Amanhem-se.

Wednesday, October 10, 2018

Casamento: a nobre arte do "cá nos havemos de arranjar"


Cindy Crawford e Rande Gerber

 Há tempos reparei em duas frases sobre a vida de casal que me deixaram a pensar. A primeira, do filme "Cavalo de Guerra" traduz algo que decerto passa pela cabeça de muita esposa por este mundo fora (principalmente daquelas que têm a seu lado homens bons mas impulsivos, que às vezes fazem disparates). 



Quando o desastrado marido da personagem de Emily Watson lhe pergunta se ao fim de tantos anos de casados ela não está já fartinha dele, a resposta dela é sublime:
"Posso detestar-te mais, mas nunca hei-de amar-te menos".
 

Ela sabe o homem corajoso e esforçado que ele é - apesar de ter voltado da guerra traumatizado e com uma perna doente, o que o leva a refugiar-se na bebida e a tomar decisões menos benéficas para a família. Conheceu o esplêndido rapaz que ele era antes disso, por quem ela se apaixonou e com quem escolheu casar mesmo quando ele regressou danificado e uma sombra de si próprio. E como é uma mulher forte e sensata, escolhe fixar-se nisso (nesse lado que ela conhece, nesse amor e nas qualidades que ele conserva) em vez de se concentrar nas dificuldades que têm passado juntos.
 Nem sempre se gosta, todos os dias, das pessoas que se ama. Amar-nos uns aos outros mesmo quando não estamos lá muito amáveis (ou estamos mesmo em modo detestável) é parte essencial do tecido de uma família.


A segunda lição veio nada mais nada menos que dos Simpsons- que a brincar, a brincar, nos vão dando dicas para um casamento sólido há mais de vinte anos!

Num daqueles  episódios em que há um flashback para os tempos de namoro da Marge e do Homer, ele fez uma daquelas asneiras monumentais em que é useiro e vezeiro. E apesar de a peripécia ser grave, capaz de deixar qualquer noiva em parafuso e de pé atrás, a boa da Marge decide ir para a frente com o casório, dizendo-lhe:

"Temos uma vida inteira pela frente
 para corrigir esses problemas".


Ora aí está uma grande verdade: bem diz o povo "quem pensa não casa". Eu acrescentaria que não casa quem pensa demasiado. A minha avozinha também repetia sempre "o casamento é uma carta fechada" e "amanhã Deus dará".



 Certamente há defeitos de carácter tais, ou relacionamentos tão tóxicos e incompatíveis, que dificilmente têm remédio por mais que as pessoas até pareçam gostar uma da outra: é o caso da violência, da infidelidade e de outras questões graves. Em situações dessas, mais vale recuar e procurar a  felicidade noutro sítio, especialmente quando só uma das pessoas parece esforçar-se para levar a relação a bom porto. E nem falemos dos casos em que só uma parte está interessada (ou continua a investir porque afinal já desperdiçou não sei quantos anos e mais vale *tentar* casar com o diabo que se conhece do que com o que não se conhece) e a outra vai deixando andar à falta de melhor. Se é assim, direita, volver! Abortar missão e para a frente que atrás vem gente!


Porém, quando não é assim; quando um casal realmente se adora, quando tem aquela cumplicidade e compatibilidade que é difícil de encontrar e se as coisas funcionam APESAR DESSA QUESTÃO INCÓMODA, então trata-se apenas de limar arestas, ao estilo "a mulher educa o marido e vice versa". E isso não se consegue de um dia para o outro... portanto é melhor armar-se de paciência, não encher o sótão de macaquinhos, arranjar um saco cheio de confiança mútua e dar um grande salto de fé, repetindo os mantras "cá nos havemos de arranjar" e "a seu tempo lidamos com isso".



Entrar num casamento conhecendo a jóia que se tem ao lado e os polimentos de que ela necessita é, a meu ver, uma atitude mais madura e bem preparada do que caminhar para o altar aos pulinhos, no impulso da ilusão, apenas para levar um grande balde de água fria pouco depois e desistir à primeira (e inevitável) tempestade. Afinal, não há relação perfeita, por muito maravilhoso que um casal seja e por mais apaixonado que se mantenha.  Porém, a boa notícia é que se vai ter de lidar com a pessoa todos os dias e enfrentar montes de desafios grandes e pequenos, o que fará com que as questões mesquinhas se vão diluindo. Uma vida inteira é muito tempo, e o tempo- mais os afazeres do dia a dia- é um santo remédio.

Alguém muito sábio disse que o amor não é só um sentimento: é uma escolha diária. Mas também é feito de muita paciência e esperança para um permanente "logo se vê".

Thursday, May 19, 2016

A "panelinha" não tem nada a ver com o testo.




Diz o povo (eu farto-me de citar o povo, porque temos um povo super sábio) "quando se faz uma panela, faz-se o testo para ela". Logo, cada um passa a vida à procura do seu "testo" ou seja, da sua outra metade que lhe cai na perfeição como a tampa de origem de uma panela ou tacho. Quem cozinha sabe que há testos que saem do lugar e são uma maçada quando a fervura levanta.


 Até encontrar o seu "testo" -  que por sua vez anda igualmente por aí algures, em busca de recipiente que lhe sirva -  toda a gente é uma panela sem cobertura. Ou mal tapada. Incompleta. Desemparelhada. O testo da sua panela é uma expressão menos lamechas do que dizer "a alma gémea" ou "a metade da laranja". Nunca ouvi namorados a  referirem-se uns aos outros como "minha panelinha mais linda" ou "meu testinho fofo que nunca salta" mas é capaz de resultar.

Porém, o povo faz outra alegoria com panelas: diz-se que duas pessoas muito cúmplices e muito unidas, cheias de cochichos (seja para bem ou para mal) estão "de panelinha". 


Ora, quando duas amigas, ou dois amigos, ou duas pessoas da mesma família têm grande união, partilham tudo, conspiram constantemente, são unha com carne ou seja, quando "estão de panelinha", pode acontecer que uma delas se ressinta se a outra encontrar "o testo para a sua panela". De repente, o melhor amigo ou amiga, a irmã, prima inseparável ou a prole apaixona-se, decide juntar os trapinhos e - pelo menos numa primeira fase - começa a estar menos disponível. Não é que tenha segredos ou deixe de lado as outras pessoas que fazem parte da sua vida, mas o amor - e o planear de uma vida em comum - é por natureza bastante absorvente.


 E se por acaso o "testo" escolhido não for do inteiro agrado de quem se ressente, pior um pouco - sendo que, a partir do momento em que ocupa plenamente o seu lugar e começa a tomar muitas atenções à "panela", há muito poucas hipóteses de vir a agradar por mais que se esforce.

  Zás, está o caldo entornado:  a "panelinha" desfaz-se, ou quase, por ciúmes do testo e da panela. Por sua vez, a "panela" deixa de se sentir à vontade para fazer "panelinha" ou partilhar confidências porque não está para ouvir constantes reparos, críticas, cobranças e recriminações. É um a dizer "tu  não ligas a ninguém desde que tens par " e o outro a responder, já a ferver pelo fogão fora "mas que bicho te mordeu? devias estar feliz por mim, pois sabes que não fácil encontrar testo que me servisse". É a panela feliz a contar "o meu testo é tão querido" e a ex-panelinha, de ressabiada, a ser mordaz "vê lá se o testo é de barro...".



Mas a verdade é que nada disto tem ponta por onde se lhe pegue: o facto de o testo e a panela estarem finalmente juntos não tira, porque nunca poderá tirar, o lugar das "panelinhas". Há coisas que cabem à cara-metade, há outras em que os amigos e a família são insubstituíveis. Em última análise, qual é a piada de uma pessoa se apaixonar se não pode partilhá-lo com cúmplices, dar detalhes, contar minúcias, pedir conselhos, em suma, "fazer panelinha"?

 De resto, quem se quer bem tem de pôr a felicidade do outro em primeiro lugar: a panela que encontrou o testo, não deixando de valorizar o resto do seu clã (ou neste caso, trem de cozinha); e a "panelinha" ajudando no que puder o casal sem "meter a colher", oferecendo o seu apoio para o que der e vier sem pragas do estilo "depois não venha cá chorar quando correr mal", dando o desconto a quem anda entusiasmado (pois é muito cruel ser desmancha prazeres) e pensando construtivamente que não está a perder uma pessoa, mas a ganhar mais uma. Afinal, para fazer um banquete (ou uma grande família) são precisas panelas e testos, panelinhas, faianças, talheres, pratarias....


Tuesday, May 10, 2016

Chris Hemsworth: é de homem! #2


Já se sabe que o Homem a sério, o Homem Alfa, o que toda a mulher pediu a Deus mesmo que não admita, é sempre desembaraçado seja em batalha, face a um carro avariado ou na cozinha (reflexo de caçador ou de soldado que sabe sobreviver na selva); vai atrás do que quer, não se acanha numa emergência, em caso de uma dita cuja a sua resposta é "eu trato disso" e tão depressa levanta halteres como é um querido com as crianças



E a actriz espanhola Elsa Pataky sabe disso porque nesse quesito lhe saiu a sorte grande: afinal, é muito bem casada com o arquétipo da masculinidade, o Thor, ou vá, Chris Hemsworth, Thor no cinema, que lhe deu três bebés amorosos e que em tudo prova ser um homem de família. Veja-se esta imagem mais linda:



Ora, há dias Elsa mostrou ao mundo via Instagram como está orgulhosa do marido que lhe coube, e por boas razões: a filha do casal, India Rose, fez anos e por qualquer motivo, a padaria recusou desencantar um bolo-dinossauro à última hora. Não tinham tempo nem para atender o Thor, que não está acima dos meros mortais quando o assunto é bolos. De modo que Thor arregaçou as mangas, trocou o martelo pela batedeira e deu uso aos músculos para literalmente pôr as mãos na massa. O resultado foi um dinossauro de chocolate bastante sofrível, que passe o trocadilho até envolveu pintarolas, fazendo a alegria da pequena aniversariante e derretendo a esposa felizarda:



Homem que é homem salva sempre o dia, ou pelo menos tenta. E faz a sua mulher dizer "meu herói" até nas mais ínfimas coisinhas...







Saturday, April 4, 2015

O meu irmão dixit #2: seitas de cosméticos


O meu querido irmão daria um blogger muito melhor do que eu. Além de escrever muito bem, entre os rasgos de bom senso e as tiradas acutilantes... é cada pérola!

Mas como se recusa terminantemente a tal coisa (mesmo a escrevinhar um "guest post" aqui no Imperatrix)  tenho de me contentar em reproduzir uma por outra. É pena porque ele seria uma bela contraparte minha, mas a falar de coisas como muscle cars. Imaginem uma versão masculina deste blog, atrevendo-se a bradar não contra as Bimbies, mas contra carrinhos de família super fashion (e ecológicos! e com mudanças automáticas!) do estilo Porsche Cayenne, esse sacrilégio que não faz sentido nenhum.

 Ou a dizer que o futebol, o desporto rei, é uma coisa com a mesma dignidade de compra e venda de gladiadores (já aqui vos falei das nossas intermináveis discussões sobre romanos, que desaguam em comparações dessas...). Tenho um Jeremy Clarckson em casa, em versão um bocadinho mais discreta.

  Se sei estas coisas dos snobismos de quatro rodas, que me deram muitíssimo jeito recentemente durante uma apresentação de carros de luxo onde devo ter sido das poucas marketeers de saias a saber de antemão quase tudo o que ia ser dito, a ele o devo, embora eu não torcesse o nariz a um Porsche Cayenne (é fácil de conduzir e alto o suficiente para eu ver o que se passa e estar fisicamente acima dos brutos que fazem ultrapassagens perigosas; o dandismo automóvel que se dane).

 Ora, está-se mesmo a ver que vendas agressivas, tipo seita dos colchões e dos batidos, são coisa que lhe fazem ferver o sangue tanto como a mim. 

E, maçadíssimo por ver tanta gente que até aqui era razoavelmente normal aderir a uma dessas marcas de cosméticos de venda directa hiper motivadoras, que põem os seus fiéis a bombardear incessantes frases de auto ajuda no Facebook acompanhadas das recompensas supremas para os que seguem e espalham a sua palavra, tudo feito com uma eloquência e devoção de deixar a um canto o mais agitado Pastor da América Profunda, sai-se com esta:


 «É que estes, em vez de investirem em publicidade e pontos de venda...investem em melgas! E depois fazem-lhes uma lavagem ao cérebro com frases do estilo "desistir é para os fracos!". Pois..."consegue o que tu queres"...a vender bâtons. »

Nem digo mais nada...


Thursday, March 12, 2015

Mães, avós, ou...grilos falantes?

A programação estilística das mães, avós e outras figuras maternais uma coisa profunda, quase freudiana. Haverá mulheres que conseguem sacudi-la (para o bem e para o mal) ou rebelar-se, mas é difícil- principalmente quando a influência foi boa.




Quer na apresentação, quer nos modos, sempre me foram transmitidas certas regras que seria difícil deletar, ainda que quisesse. Cada mulher terá as suas, mas as minhas passaram por cuidado com o blush que és muito branquinha, calçado raso de ar masculino só em casa - e mesmo sabrinas é um sarilho para passarem na "censura", costas sempre direitas, olha como caminhas, sai do sol e uma atenção criteriosa a roupa que pareça "interessante" mas duvidosa em termos de estética clássica. 

Misturar padrões jamais e o colour blocking é para ser encarado com um grande grão de sal, por mais que eu mostre lá em casa coloridas inovações de street styling, ainda que no espírito eu não usaria, mas está giro. Ficou enraizado e nada a fazer...

 Mas por vezes atrevo-me de maneira mais descontraída a uns pequenos assomos de rebeldia. Ontem, cansada de andar que até fazia impressão, decidi calçar ténis sem ser só para ir ali abaixo à loja e dar uma volta até ao Largo de Camões. Nada de especial, mas de ténis, com um top knot e de cara quase lavada, deliciei-me a pensar que nem a minha avozinha me reconheceria...

 Pois bem, estava à porta da Igreja, nem mais, e a sola de borracha escorrega num degrau. Faux pas de quem não costuma usar calçado desse na cidade e está mais habituada aos saltos, ou foi o demo que me empurrou? Não caí, mas no esforço de me segurar fiquei abalada das costas.

  Voltei dorida e a pensar de mim para mim se seria obra do Tinhoso, que não gosta de lugares sagrados, ou castigo por desobedecer às regras de estilo da famiglia. A consciência pesada nunca nos deixa, é o que é...




Wednesday, October 22, 2014

Tem um irmão? Ouça-o!


Ser rapariga e ter irmãos rapazes - mais novos ou mais velhos não importa, porque eles acham sempre que mandam assim como assim - é ter um comando para-paternal sempre por perto.

 É que eles são muito protectores, pelo menos os irmãos que eu conheço (ter um e mais uma data de primos com irmãs qualifica-me para falar do assunto, vá).
 Por vezes, mesmo que o pai não seja extra rigoroso na conduta de uma rapariga, o irmão, mais actualizado quanto às últimas modas e comportamentos, terá algo a dizer nos critérios "não gosto que irmã minha frequente esse sítio", "essa amiga não é boa influência", "ela vai sair assim à rua?", ou , mais importante, "esse rapaz não presta".

 É que sendo homens, eles têm acesso a informação (vulgo, conversas masculinas) que nós não temos e a subtilezas que nos escapam. Certas roupas, hábitos ou companhias em que as mulheres, por certa ingenuidade, não vêem maldade alguma, para eles - que falam uns com os outros e sabem o que se diz e a impressão que essas coisas causam - têm outro contexto.  Por isso, a visão da realidade dos irmãos e o conselho deles não é de desprezar.


 Por exemplo, eu nunca fui fã de tatuagens. Era uma daquelas coisas que achava graça ver nas outras pessoas mas nunca me passou pela ideia aderir. No entanto, a única que me parecia resultar realmente bem no corpo feminino era nos rins: achava que ficava bonito e que é uma zona que se esconde facilmente. Comentei isso com o meu irmão, ao ver passar uma rapariga que por acaso era bastante elegante. Pois bem, desenganou-me logo ali: O quê, um tramp stamp??? E se eu por acaso sabia o que era um TRAMP STAMP. Não, não sabia, nem sonhava o que era isso: nós mulheres, mesmo as mais bem comportadas e a quem nunca ocorreria aparecer em público em preparos mais provocantes, tendemos a apreciar as coisas só pelo seu efeito estético. Não temos a mesma malícia, nem estamos a par do que eles dizem uns aos outros. Fiquei informada que aquela tatuagem correspondia  a um "selo de galdéria" - e cheia de pena das mulheres que não tinham irmãos para lhes ensinar o que isso era. Se calhar houve imensas a tatuar um "tramp stamp" sem saber a conotação da brincadeira.

 Já mencionei aqui que se uma toilette me deixa dúvidas quanto à sua correcção e bom ar, o tira-teimas é o meu irmão: não percebe nadinha de moda nem quer, mas tem um bom gosto extremo e um olho apuradíssimo para a subtileza. É que eles sabem, têm um  instinto fantástico; acima de tudo reconhecem o que gostariam de ver numa rapariga para levar a sério, e aquilo que os homens gostam de ver...mas no mau sentido.

 Pois bem, essa protecção fraternal é especialmente activa quando se trata dos namorados das irmãs. E segundo este artigo, não há nada mais seguro do que a opinião dos irmãos quando se trata de apresentar um pretendente à família.

 Sendo a versão masculina de nós e estando destituídos de envolvimento emocional ou de expectativas em relação à pessoa, eles vêem aquilo que nos escapa. Um pai terá essa percepção, certo, mas o pai é o primeiro alvo da bajulação natural num pretendente, ou da "operação-desarmar-potenciais-sogros" . Ele tentará agradar ao pai, lisonjeará a mãe, será amoroso com as irmãs, avós e tias mas se calhar vai descuidar-se perante o irmão que não é, afinal, a autoridade máxima da família, e mostrar-se a ele tal como é. Em última análise, todos os homens sabem ser malandros, ou pelo menos terão amigos malandros (é preciso um para reconhecer outro) logo o irmão vai detectar mais facilmente qualquer sinal de pantominice.

 Onde os pais verão um homem que possivelmente vai tentar tornar a filha feliz - e terão o raciocínio toldado por ver a sua menina tão contente - e as irmãs ou amigas poderão achar que ela teve imensa sorte, um irmão terá uma data de grãos de sal e vai avaliar o homem tal como ele é, independentemente de se apresentar sob o título ou capa de namorado da irmã.

 Certo é que para um irmão consciente, nunca homem nenhum será perfeito para a sua maninha querida e poderá surgir o complexo "o meu irmão embirra com qualquer um!" mas vale sempre a pena dar ouvidos. Talvez ele não acerte a 100% no seu profiling, mas saberá distinguir o indeciso, o fraco, o engatatão, o atrevido, o fura vidas, o vaidoso, o egoísta, o ciumento. Depois é somar isso ao seu próprio instinto e às evidências. O parecer fraternal deve contar pelo menos 50 pontos em 100 na aprovação da pessoa em análise.

 Quem não tem irmãos, poderá pedir a um primo com quem tenha crescido (e de preferência, que tenha irmãs) que se voluntarie para o papel. Antes prevenir...


Thursday, July 17, 2014

Acontece muito cá em casa.


Mãe: *chamando do jardim ou do andar de baixo*  Então?
Eu: Sim, mãe? Então o quê?
Mãe: Nada, não sabia de ti.

E vá lá... vá lá, que quando eu era pequena, o guião era isto:

Mãe (e quem diz mãe diz pai, avó, tia...): Sissi!
Eu:  *quieta a ler ou a brincar com qualquer coisa* Sim?
Mãe: Que fazes?
Eu: Nada, porquê?
Mãe: Estou-te "a ver" muito calada!

Pois, e em Sissinês estar muito calada podia eventualmente - repito, eventualmente - significar que estava a inventar alguma brincadeira perfeitamente inócua, como sobrepor três bancos para tirar os cosméticos da avó e descobrir a última fórmula da  pedra filosofal, mexer em ervas potencialmente venenosas para as minhas experiências de alquimista (nunca provei nenhuma - era uma cientista, não era cobaia) pendurar-me pelos pés no balouço, ir brincar ao Indiana Jones para o mato e levar uma faca do dito pedida emprestada (piu) à colecção de canivetes dos militares lá de casa, cair do cavalo abaixo por achar que podia levar mais longe as indicações do instrutor porque enfim, me achava com jeito para artista de circo, deitar fogo à arrecadação noutro teste em busca de avanços para os males da Humanidade, fazer experiências com a sopa que estava a ser preparada no fogão sem dizer nada a ninguém acrescentando-lhe um ingrediente inusitado (como grãos de milho seco) só para ver como ficava e assustar toda a gente ao jantar porque viam aquilo e julgavam que ali tinha andado um bruxedo qualquer, pendurar-me numa oliveira às nove da noite com o meu primo e um microfone de brincar na mão a fazer discursos "políticos" para a freguesia "arrependam-se, que os extra terrestres vão invadir a terra!" atirar ovos a quem passava na rua (acertava sempre ao lado de propósito, era só para ver a cara das pessoas a olhar para cima muito espantadas/indignadas) ligar para Nova Iorque e perguntar se as Tartarugas Ninja estavam, eu sei lá.

 Uma pessoa comete uma faltazinha e está cadastrada para o resto da vida, só vos digo isto...



Friday, June 20, 2014

Há blogs que são bons exemplos: beleza com valores.


Andava eu à procura de uns penteados para me inspirar quando reparei numa blogger muito bonita, ruiva, muito sardenta e com longa cabeleira a dar todo o tipo de dicas.
  Como é sempre boa ideia aprender truques com quem partilha o mesmo fototipo, perdi um bocadinho a ler-lhe o espaço, The Freckled Fox, e fiquei encantada: embora o meu posicionamento enquanto blogger seja inteiramente outro e pessoalmente não me sinta à vontade com a ideia de expor na blogosfera a vida privada e retratar cada toilette que se veste ou cada passo que se dá (há por aí resultados bonitos, mas quanto às consequências já não sei) se é para mostrar, que se mostre alguma coisa de jeito e que seja um bom exemplo para quem lê.


 Ora, Emily - que é um dos meus nomes preferidos, por ter mais do que uma antepassada que se chamava assim e por ser bonito em todas as línguas - é uma mãe e esposa muito jovem que leva uma vida idílica ao lado do seu super paciente marido, que a ajuda com a canseira enorme que é um blog deste género, fora o resto.
   Ou seja, Emily tem projectos profissionais, mas também é uma dona de casa e mãe de quatro pequenos que são a coisa mais amorosa que já se viu.


 Não concordarei com tudo que a blogger defende (também ainda não li a fundo tudo o que escreve) mas nos tempos de frieza e materialismo que atravessamos - em que as ideias pró libertação da mulher martelam que uma rapariga pode e deve fazer tudo menos  decidir, se assim o entender, dedicar-se mais a ter uma família do que a qualquer outra coisa - a sua opção é realmente corajosa. 
 Quando vejo situações assim ocorre-me sempre aquele episódio de Sex and the City em que Charlotte se sente culpada por exercer a tão falada liberdade de escolha para formar um lar.
 Ora, se há liberdade esta deve prever que se tomem, sem julgamentos, as opções que parecerem acertadas; e se há mulheres que não querem ser astronautas nem dirigir um império, que têm ambições mais tranquilas e que preferem prescindir de alguns luxos ou tempo livre para ter mais filhos, essa é uma escolha de coração que merece tanto respeito como qualquer outra...até  porque não pode ser de todo uma tarefa fácil.
 Acima de tudo, é uma escolha que exige personalidade.

 Depois, Emily não só está orgulhosa das suas opções como ainda dá uma lição às meninas preguiçosas que andam para aí a pregar a desculpa esfarrapada "tenho orgulho nos meus quilinhos a mais e nas minhas olheiras porque tive um bebé e nunca mais fui a mesma", porque com quatro crianças, uma casa, um marido e um projecto a cargo arranja tempo e brio para estar lindíssima e sempre composta. Uma mãe não tem de ser pouco glamourosa e à beira de um ataque de nervos; como tudo na vida, não há nada que não se alcance com vontade e disciplina

 Sabe bem encontrar coisas assim na fogueira de vaidades que para aí anda - sem que haja nada contra a vaidade em si mesma, bem entendido.



Thursday, October 24, 2013

You go, superavozinha!

                          
Quando era pequenina, gostava de me sentar com a avó C. numa saleta que havia lá em casa a ver televisão: ela apreciava  ver filmes de terror e até sabia imitar os truques do David Copperfield (habilidade que lamentavelmente, sempre se recusou a ensinar-me porque "um mágico nunca revela os seus truques").
  Isto era ao serão, mas durante a tarde um dos programas que não perdíamos era a série Superavozinha (acima). Não me recordo do enredo, mas era qualquer coisa sobre, como o título indica, uma avozinha com super poderes que andava (voava?) de bicicleta.
 Revendo agora a imagem, a protagonista tinha bastante estilo (tartan e boné escocês) e não me parece tão idosa como na altura, mas isso são detalhes. 

Como ambas tínhamos jeito para inventar histórias - acho que foi dela que herdei isso - no fim criávamos aventuras em que a minha avó era a Superavozinha, a espalhar o bem, a justiça e uns socos merecidos nos heróis e vilões da vida real que conhecíamos.

 Talvez por ser abençoada com avós tão cheios de vida e de personalidade, que me ensinaram tanta coisa, a questão dos idosos é algo que me aflige bastante nesta sociedade obcecada, mais do que com a juventude, com uma adolescência pateta.
  Ora, por estes dias, li a notícia de uma superavozinha verdadeira que me deixou muito bem disposta: Ana Baptista, senhora de 87 anos que saltou do segundo andar para salvar uma amiga (de 82) que estava presa num incêndio.
 Não percebi bem os detalhes da proeza, mas ambas escaparam sãs e salvas. 
Por vezes as pessoas tendem a esquecer que a saúde falha a velhos e a novos, mas que a "antiguidade" de cada um, só por si,  significa muito pouco. Quando há gana, coragem e amor ao próximo, a adrenalina dispara no momento certo, dando super poderes inesperados. E uma mulher de força é sempre uma mulher de força. Nem que tenha cem anos em cima. 

Monday, September 16, 2013

Momentos em que sabemos que temos a melhor família do mundo.

                                             

1- Sentadinhos a ver o Dexter. A detective Morgan, irmã do protagonista, descobre que o seu maninho santinho é um serial killer justiceiro nas horas vagas.
Viro-me para o meu irmão e pergunto: "que farias perante um imbróglio destes?". E ele muito sério, sem hesitar: não te denunciava!
 Pouco ético, se calhar. Mas há lá prova de lealdade mais fofa, mais cuti cuti? Bem , cuti cuti não será a palavra certa. Porém... a intenção é tudo.

2 - A mãe, muito cautelosa, como quem pisa ovos: Sissi...não te mexas. Tens um besouro nas costas! E eu (que tinha sentido qualquer coisa, mas não fiz caso) : está bem, tira-o daí...
Não sou coca bichinhos com bichos, passe o pleonasmo. Bom, a não ser que os bichos sejam....CENTOPEIAS. Já vos disse que odeio, abomino, tenho fanicos, fico fora de mim com esse animalejo horroroso. É uma das pouquíssimas coisas à face da terra capazes de me meter medo.
Adiante: lá se tirou o "besouro" e vejo a autora dos meus dias a pisar o chão furiosamente. Estranho, muito estranho, já que cá em casa a política zen para com insectos é atirá-los para a rua...a não ser que se trate, claro, de CENTOPEIAS.
Só depois da ameaça morta e bem morta é que ela, toda assustada, coitadinha, me disse a verdade. Tinha MESMO uma centopeia nas costas. É bem certo que o que mais tememos tende a materializar-se, mas misericórdia! Saltar-me para as costas é estar a pedi-las! Convidar o extermínio! É muita lata, muito descaramento, provocar o inimigo, a Némesis. 
Mas admirável  foi que a senhora minha mãe, que fica tão horrorizada como eu com estes pequenos mostrengos, mantivesse a calma para meu bem. É certo que eu ia entrar em pânico (vá: em histeria completa) desatar aos saltinhos e fazer pior. Nem me atreveria a tirar a t-shirt com medo que aquela coisa me tocasse no rosto.
O amor dá coragem para tudo...



Saturday, March 9, 2013

Aerofobia ao cubo

A mãe da Sissi vem aí? Accionem medidas de emergência!
                          
Conta a S* que o namorado tem medo de aviões e que por isso mesmo, ganhou o gosto a ver programas sobre desastres aéreos. E quem percebe a contradição muito bem, quem é? A minha pessoa, que já lida com as esquisitas formas de sublimação de uma mãe com caso agudo de areofobia desde que se conhece por gente. Vá lá que a mamã, coitada, até tem desculpa. Tinha ela seis anos, e estava a brincar tranquilamente num cenário idílico da Beira Alta, quando uma avioneta lhe passa por cima da cabeça, bate contra as árvores e vai despenhar-se mais adiante, ficando em fanicos. O piloto, coitado, foi desta para melhor ali mesmo e a criança que viria a ser   autora dos meus dias ficou em estado de choque. Em vez de a levar ao psicólogo -  que naquele tempo não havia cá dessas contemplações com os pequenos -  o avô, que era um grande brincalhão e adorava voar (perdia-se por tudo o que tivesse motores e andasse rápido)  divertia-se a levar a família a espectáculos e festivais aéreos. A coitadinha corria a esconder-se debaixo dos carros logo que se ouvia o rosnar dos jactos e era um castigo para sair de lá, por mais que a família a chamasse literalmente de joelhos. E qual é a coisa mais lógica que uma mulher com uma aerofobia do piorio faz a bem da sua tranquilidade mental? É casar e ter filhos com um oficial da Força Aérea, pois. Mas a fobia da mamã, valha-nos, não é das piores: só é accionada se ela própria estiver no avião. Relativamente aos outros tem um medo normal, pelo que até encorajou o papá nos primeiros saltos de pára - quedas e voos tácticos, via telefone. Chegar-se a coisas com asas é que não. Mas claro, com esse estilo de vida é impossível não viajar uma vez por outra. De modo que eu, ainda sem idade para aturar filmes desses, tive de sofrer maus bocados, vulgo hospedeiras a colocar-se estrategicamente à frente do nosso lugar, para que os outros passageiros não julgassem que aquela senhora estava a choramingar por saber alguma coisa que eles não sabiam, que havia uma bomba no avião ou coisa parecida, e se amotinassem todos. Ou quando uma hospedeira húngara, trombuda como só uma húngara sabe ser e de sotaque esquisito, nos trouxe toalhas quentes para as mãos, a mãe percebeu que eram para pôr na cabeça e zás, achou que íamos todos morrer e que aquele era um último conforto para aguentar a pressão atmosférica ou algo do género. Não, a fobia não desaparece com umas valentes horas de voo. Nem sequer quando um familiar nosso sobrevive a um acidente de avião aparatoso e mediático. Nem acenando com férias na Malásia ou recepções em Marrocos (tudo convites recusados, digam-me se isto são coisas que uma senhora no seu perfeito juízo se negue a fazer para não passar umas horas numa "lata de sardinhas"). Planear uma viagem é uma complicação, em suma. E por mais que eu lhe diga "se cair caiu, que quem morre no ar vai direitinho para o céu" ou "que parvoíce"  não há maneira. Como eu própria não gosto muito de voar (detesto a pressão atmosférica, a desidratação, o facto de estar fechada e sim, há um vago receio de que não corra bem) desenvolvi técnicas: pensar no destino e não na viagem, mentalizar-me de que vou passear, apreciar a comida, ou, como prefiro viajar pouco mas decentemente, os mimos da classe executiva...truques baldados. Tem medo, tem medo, tem medo, e já ameacei que não há mais negas e que da próxima vamos e vamos mesmo, nem que ela se entretenha sei lá, a rezar o terço ou tome meio frasco de valerianas e um cocktail qualquer e seja o que Deus quiser, se tiver um surto finjo que não a conheço e caso arrumado. 
  Há dias então, tivemos aqui uma cena linda. Estava um vento horrível, alerta laranja e até julguei que fossem novamente cair árvores. Eis que passa um helicóptero mesmo por cima da nossa casa, o vento empurra-o para baixo e as pás bloqueiam, com um barulho esquisitíssimo. Ergui a sobrancelha e fui ver o que se passava, porque se caísse não passava do jardim e no pior dos cenários, ficávamos com um decor ao melhor estilo The Walking Dead. Acabou por não ser nada - bom para a tripulação e para o meu sossego, pois se o pior sucedesse não faltavam aí quantos jornalistas há a registar o acontecimento, a espreitar pelas janelas e a pisar-me as alfaces, as roseiras e os coentros, coisa que não me convinha nem um bocadinho. Entretanto, a minha pobre mãe sobe as escadas, branca como a cal, "ai que me vai dar uma coisa, ai que desta vez foi quase"...
...e no meio disto tudo, não há filme, notícia ou documentário sobre desastres de avião que ela não devore, interessadíssima. Mas isso é para quê? Para ficar com mais medo? Para encarar de frente e ao detalhe o cenário dantesco? Para ter desculpas razoáveis e cientificamente comprovadas que a impeçam de voar de todo? Go figure.

Saturday, February 16, 2013

E a seguir, chá!

                              
De cerimónia. Com convidados do senhor meu pai. E eu com esta cara de sono, a fazer conversa e a dar o meu melhor para, mau grado a toilette compostinha, não passar pela ovelha ranhosa da família. Se me pilho na cama, até julgo que é mentira. Alguém tem um controlo remoto do MEO para passar o dia adiante a uma velocidade mais razoável? Grata!

Sunday, January 20, 2013

As coisas que eu ouço: creme efeito "Crepúsculo"



Os homens desta casa não usam brilhinhos. Já lhes bastam as ideias luminosas...
                                 
Por estes dias estava eu minding my own business no meu quarto, quando ouço o mano chamar por mim.

-SISSIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII!

Exclamação seguida de imprecações inquietas, de quem vê um bicho horrível ou leva com pó de comichão em cheio na cara. 

- Eu não quero este creme! Não acredito que me deixaram aqui esta porcaria, já tinha dito que o tirassem daquiiiii! Arghhhh, vou lavar a cara.

A namorada lá foi acudir-lhe.

  - Sissi, tens aí outro creme hidratante? 
Fui buscar um creme qualquer, já intrigada com tanta aflição. Que produto podia causar tal horror?
Era este,


que a mãe comprou para ela e foi parar ao lavabo de Sua Excelência não sei por obra de que santo.

- Mas que mal tem o creme, afinal?
- ´Tás a gozar? Saí com isso para a rua e essa coisa tem BRILHINHOS. Ao sol parecia um vampiro do Crepúsculo! - responde ele de lá, muito indignado e cioso da sua rotina simples, masculina, ponho-alguma-coisa-na-cara-para-não ficar-tipo-lagarto, sem picuinhices essas.

Julgava eu que o creme em causa tinha ácidos de frutos ou coisa parecida, como outros produtos para dar "luminosidade" à pele, que já tenho comprado. Afinal a fórmula, à semelhança de outras que chegaram ao mercado recentemente, tem pigmentos luminosos, nacarados - efeito que eu aprecio bastante. Fui ver, a textura parece-me boa e o perfume suave, por isso já que ele não quer fica para mim, se a minha pele reagir bem. Não sou fã do Crepúsculo mas gosto de brilhinhos, e de andar luminosa por aí...




Thursday, December 6, 2012

A árvore perfeita x a árvore "tuning"

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Ontem chegou-se à bela conclusão de que temos de comprar uma árvore de Natal: a que veio o ano passado já está crescida demais e devidamente alojada no jardim, porque nesta casa preferem-se árvores verdadeiras que se possam plantar mais tarde. E com isso, lembrei-me que a "árvore suplente"  deu o triste piu...e da história da dita cuja.
Já vos contei que o senhor meu irmão é o arbiter elegantiarum cá de casa. Quando tenho uma dúvida de gosto a respeito desta ou daquela fatiota, ou de um objecto de brique a braque, ou de outra coisa qualquer, a opinião final é dele, porque apesar de ostentar um quase desprezo pela moda - é um clássico, o meu maninho - e de nunca ter passado os olhos por uma publicação do género a não ser para dizer se as modelos são bonitas ou feias, tem um olho de águia para distinguir as nuances mais subtis. Se algo roça, ainda que por infinitas décimas, a ostentação,a foleirada ou a vulgaridade, ele sabe apontar o erro melhor do que ninguém. Ainda há dias foi o fim do mundo a propósito de umas calças Dolce& Gabbanna que se atreveram a aparecer por aqui. É uma espécie de Sissi em versão masculina, mas mais acutilante e mais crítico, sem a minha tolerância para certas originalidades...
Por exemplo, embirra com os programas de talentos. Diz ele que a palavra de ordem agora é "mostra o teu talento!"  tenham as pessoas talento ou não, e que agora toda a gente se quer mostrar a cantar, a dançar e a fazer books. Ainda não se debruçou sobre o fenómeno dos blogs de moda mas quando o fizer, aguardem - vai valer a pena. Também detesta a moda dos golfinhos. Não que tenha nada contra os bichos em si (ele adora animais) mas acha que tanta fofura, e tanto amor por uns mamíferos que parecem peixes e estão sempre a rir e a dançar tem alguma coisa de esquisito e não é lá muito decente. Aliás, já ando a prometer; nos bastidores, um post "o meu irmão embirra com" há algum tempo.
 Digo-vos isto para que façam uma ideia do que foi quando, há dois anos, cedi a um impulso da minha criança interior e trouxe para casa uma pequena árvore branca, de plumas, que dava voltinhas, com luzinhas LED a mudar numa miríade de mil tons. Eu própria concordei que era uma "árvore" um pouco pindérica -mas o Natal  tem o seu quê de kitsch e a ceder a certas ligeirezas uma vez por ano, que seja pela altura das Festas. Afinal, o que importa é que seja em forma de pinheiro e tenha Luz, muita luz, para celebrar o nascimento do Deus Menino e o regresso do Sol. Pois sim! Travou-se de razões comigo, que nunca tinha visto coisa tão feia nem tão horrorosa, porque para ele pinheiro de Natal tem de ser um pinheiro verde, com cheiro a resina, mui celta ou mui germânico, e tradicional e mais nada. Eu a argumentar com a neve, e que "parecia uma árvore das fadas" e ele qual árvore das fadas qual cabaça, que o que aquilo parecia era uma árvore tuning. E está claro, ele embirra com o tuning (e eu mais ainda) . Foi olhem para aquilo às voltas, oh valha-me Deus, mas que grande foleirada, e nem me salvei com a desculpa " ao menos esta não larga agulhas nem o gato lá vai arrancar as bolas e os enfeites" porque a engenhoca desatou a largar plumas pela casa toda, com a devida ajuda do gato, claro está, muita ingenuidade minha achar que um felino vê um mobile e não vai lá perceber o que se passa. De modo que teve de vir uma segunda árvore, enfeitada com a tradicional trabalheira e os adornos do sótão da avó: a árvore tuning ficou como suplente para dar luz extra e andar às voltinhas - não se pode ceder a tudo. Mas no Natal passado "aquela coisa tuning feia de meter medo" deu o teco. Não quero acusar ninguém mas não me tiram da cabeça uma certa teoria da conspiração...

Friday, September 7, 2012

Happy birthday mom!




É muito bom ser abençoada com uma mãe que além desse pesado cargo (ser mãe nunca é fácil, e minha ainda por cima..requer coragem) também tem as funções de  amiga, colega de equipa em todos os projectos e aventuras, maior admiradora (mas capaz de dizer " não sais assim de casa"  e de me colocar no sítio, o que também dá muito jeito) inspiração de estilo e talismã.
 Mimos, muitos mimos, é o que ela merece.



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