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Wednesday, October 14, 2015

O mal da "toleima" (e o que "eles" pensam disso)


Numa revista juvenil do início dos anos 1950, encontrei este engraçado texto: "O que eles pensam da toleima". O termo, aqui empregue no sentido de garridice, fez-me sorrir, pois era usado pelas minhas avós a torto e a direito. Uma rapariga ser "atoleimada" era um mal a combater a todo o custo. Nenhuma menina de juízo devia encorajar namoricos com um rapaz "atoleimado" (em boa verdade, pronunciava-se "atolaimado"). Quando éramos pequenos, se a avó achava que aquela menina ou menino não era boa companhia, zás: "parece que é atoleimado!". E pimba, estava apresentado e avaliado...

Depois, a "toleima" era palavra muito abrangente: podia significar frivolidade, mania de contar mentiras, atrevimento, hiperactividade, atitudes barulhentas, risotas excessivas ou em suma, o terrível mal da "falta de propósito". Não ter propósito era uma coisa muito feia...

A ideia ficou-me e ainda hoje repito muito a frase: "gosto pouco de gente atolaimada...".



Dizia então o texto, escrito pela mão de um rapaz chamado Ruy, a respeito das mocinhas que se tornavam ridículas com excesso de maquilhagem, de arrebiques ou de modos dengosos:

"Gosto de ver uma rapariga bem vestida, bem maquilhada, um tudo nada coquette. Não sou contra o bâton, nem contra o rouge...oh escândalo imenso! Serei eu pela vaidade? Por aquela vaidade natural (...) mas que é profunda inimiga do ridículo e do exagero?

 Os homens apreciam as mulheres bonitas e é natural que elas façam por parecerem assim (...). Muitos gostam que as raparigas se enfeitem para que, juntando à graça e à candura que as envolve um pouco de cor e arranjo exterior, assim se complete o encanto que os encanta.

 Eles sorriem de satisfação e com tolerância quando as coisas são feitas com medida, gosto e bom senso, mas facilmente passam a rir-se com desprezo quando observam o exagero em que vão caindo na maioria das vezes. Gosto, bom gosto na maneira de se vestir, de se arranjar e até no modo de falar-bom uso da inteligência até neste capítulo, que só se ocupa do figurino e da moda. Simplicidade na maneira de ser, mas não cair no desleixo. Ser bela não implica ser tola, e ser tola quase sempre implica diminuição da beleza...".

Fez-me lembrar outro aviso constante da avó: há raparigas tão doidas que até os rapazes se riem delas. E  ser alvo de troça dos rapazes, que supostamente eram mais tolos do que nós trinta vezes (ou que por serem homens, tinham menos obrigação de ter juízo) era o fim do mundo...

Pergunto-me se ainda há muitas avós a dar conselhos destes, ou rapazes que se ocupem a reflectir assim. Acredito que a maioria continua a pensar da mesma maneira, só o escreve menos vezes ou se o faz, é de uma forma mais abrutalhada. As razões para o apontar, essas vão de mal a pior - com tanta moda atoleimada que se vê às vezes!




Sunday, July 13, 2014

Espaço eu-não-quero-ser-consumista do dia.


E também não quero  fazer publicidade (se fosse publicidade uma máscara já cá cantava e não se punha o dilema, há que ser honesta). Sabem o momento, que acredito que todas os temos, em que uma rapariga diz assim para si própria...

..."tenha juízo que o toucador está a rebentar pelas costuras; só de máscaras (e quem diz rímel diz bâton, pincéis, carteiras, sombras, cintos ou outra bugiganga qualquer) há uma caixa inteira, algumas que não foram propriamente baratinhas e isto máscaras de volume todas se parecem" mas há um diabinho a dizer-nos ao ouvido que a nova máscara que saiu que faz olhinhos de personagem Anime é tão linda e tem uma escovinha tão grande e tão gira, e que vai cair lindamente nas nossas longas pestanas?

Pois, é isso que se passa.

 Confesso, a máscara de pestanas é - junto com os pincéis de boa qualidade, sombras capazes, boas bases e pós, lipstain, eyeliner gel, blush e bâtons alaranjados (estes três últimos não sei onde andaram toda a minha vida e muito menos como sobrevivi sem eles até aqui) - uma daquelas coisas a que estou sempre atenta. 

Tenho certa vaidadezinha nas minhas pestanas mas em boa verdade, qualquer rímel de volume (e não só) com um mínimo de qualidade, que adira bem, faz o truque: cílios de boneca. Sou completamente avessa a postiços, principalmente se a natureza não nos deixou destituídas, logo invisto bastante nisso - e numas boas massagens com óleo de rícino, porque o maquilha-desmaquilha não lhes dá muita saúde.

  Durante anos fui fiel ao Maybelline Volum´Express (o clássico, de embalagem azul). Era tão eficaz que a mãe me proibia de o usar para o liceu, de tal maneira as pestanas ficavam gigantes e espessas. Mas das últimas vezes que o comprei pareceu-me ter perdido qualidades. A velhinha Great Lash também é um clássico, mas fui sempre saltitando entre as marcas profissionais ou de perfumaria e algumas muito acessíveis com produtos que nada lhes ficam a dever - a Essence é um exemplo. 

No entanto, um cosmético com este tipo de efeito - volume e espessura- desperta-me sempre a tentação pateta de comprar coisas de que não preciso. Pelo que tenho visto na blogosfera, tem tudo para se tornar um novo favorito, mas entre as máscaras de volume há as que são realmente boas e as que fazem mais do mesmo.

 De modo que preciso da vossa opinião: já testaram a Miss Manga? Vale a compra para me ocupar ainda mais a cómoda de maquilhagem, ou mais ganho em ser poupadinha?


Tuesday, June 4, 2013

A futilidade é relativa

"Mataria para ser como tu" diz Mr. Ripley
"Fútil": eis um adjectivo pouco simpático que é atirado a esmo contra qualquer pessoa ligada à moda, às artes, que viva lindamente ou que tenha alguma aura vagamente glamourosa susceptível de provocar despeito. Não me interpretem mal: eu não posso com gente verdadeiramente fútil. Embirro mais do que ninguém com os blogs de trapos sem conteúdo, ou com quem não arranja nada mais elevado para fazer senão ir ao cabeleireiro ou aos nails corners da vida, e mais ainda com quem só se entretém no comentário da vida alheia porque (pobre ou rico, com berço ou sem ele) não tem coisa mais útil para passar o tempo. Then again, o "glamour" nisso tudo é algo discutível.

 Volto a bater na mesma tecla: não é possível entender de moda nem de "assuntos de sociedade" ou o que seja sem ter um bocadinho de cultura, conhecer algo de arte, de história, de literatura, e sobretudo sem ter um pouco de chá e  de mundo. E mundo, e chá, é o que falta a muito boa gente (mesmo a quem foi "comprar cultura" à faculdade) que atira o argumento da futilidade a torto e a direito sem justiça, a par com o da "falta de humildade" (do qual também saca imenso). 

 O fundamento para chamar fútil aos outros nunca varia muito: "esse nunca precisou de trabalhar" (leia-se, só eu é que sou uma grande pessoa porque tive o azar de não nascer rico; claro que caso se pilhassem no lugar de quem criticam, fariam mil vezes pior) "é uma menina do papá" (idem...e se fossem mas era trabalhar e deixassem os pais dos outros?) e por aí fora, no melhor modo de quem é invejoso e não pode ver uma camisa lavada a um pobre. Por mais culto, refinado e caridoso que seja o alvo do "projéctil da futilidade" está sempre condenado.

 E o mais giro é observarmos quem critica. São honrados lavradores, irmãs de caridade, eremitas estoicos? Não, minha gente. Daí ainda podia vir alguma lição de moral. E essa é a parte interessante. Quem tem a língua mais afiada é a gente que faz leasings (ou espera vir a fazê-los assim que puder) para não andar de pandeireita, porque Deus nos livre que o verniz muito recente se note se circularem num carocha (como muita gente bem nascida que conheço e que não precisa de passear numa bomba para se afirmar); é a seita que estoura o ordenado a recibo verde nos restaurantes ridículos "da moda" cheios de gado bravo que não interessa a ninguém nem que não goste da comida, só para ver e ser vista; que dá tudo e mais oito tostões para aparecer nas páginas "do social"; que faz instagrams cada vez que come sushi; que até prefere Coca Cola bem fresquinha (tal como eu!) mas faz-se passar por connoisseur e só bebe certos vinhos, e não fuma senão charutos embora deteste fumo. No fundo gosta dos passatempos "do povão" que se sabe e nem o esconde, mas...o pretensiosismo pode muito!

 Em última análise quem mais critica a futilidade (ou “mania”, outro termo preferido) alheia, com ganas tais como se de ofensa pessoal se tratasse, são os mesmos aspirantes a novos ricos que lambem as botas, que fazem todos os salamaleques quando um dos "fúteis" está por perto, e que venderiam a alma ao diabo para serem convidados por um deles para sua casa - e contar aos amigos, claro, que tinham estado com "fulano de tal", que de repente passa a ser uma óptima pessoa. Criticam o que tentam imitar, não passando nunca de uma cópia contrafeita, baratucha e amarga
 Se apesar de tudo isso tanta concentração em criticar o alheio os fizesse ser melhor do que os outros no seu ofício, ainda se admitia. Mas não. Na volta, cometem gaffes até na sua área de especialidade. Pior que a futilidade, desde que seja uma futilidade consciente, só a pálida imitação da mesma: a imitação invejosa e ingénua, tingida da parolice mais absoluta. E futilidades, como snobismos, todos temos.

Wednesday, November 14, 2012

Odiozinho de estimação: pseudo intelectuais


                                         
A Menina Lamparina recordou hoje um luminoso texto dos seus. Nele, aborda um tema que veio várias vezes a talhe de foice e que já tenho aflorado à ligeira por aqui: um fantasma que assombra qualquer mulher (ou homem) que assuma gostar de moda mas 
que - pasme-se - tenha dois dedos de testa e alguma cultura (condições essenciais para realmente compreender a moda, a arte, a literatura ou qualquer exercício de imaginação e de espírito). É que além dos brutos de serviço, que alardeiam aos quatro ventos ser muito responsáveis e só pensar em "ganhar a papa" porque isto está muito mau, há sempre os pseudo intelectuais de carteirinha, espécie que eu corria a insecticida, se pudesse. Contagiada pelas palavras da Menina, comentei mais ou menos isto:

Tenho um ódio de estimação pelos pseudo intelectuais. Todos eles. Os chamados "pseudo intelectuais de esquerda" com a sua hipocrisia sem limites e teorias da conspiração para tudo, que metem política em tudo, então 
tiram-me do sério...principalmente quando decidem "tomar de assalto" certas organizações que não lhes pertencem. E o pior é que de todos esses, raramente se aproveita um, intelectualmente falando. Não há nada pior do que a cultura postiça, colada à pressa. No fundo, são tão paranóicos com a opinião alheia como a pior das fashion victims. "Se não me vestir mal, não andar meio sujo, não falar sem abrir bem a boca, estilo mistura entre filósofo doido com arrumador de carros com uma moca de caixão à cova, não sou intelectual nem profundo - o horror!". A sua "rebeldia" limita-se à conformidade, a imitar os seus pares. Não têm criatividade, nem imaginação, nem capacidade para sonhar, nem sentido de estética, nem espírito, nem génio, muito menos sentido crítico ou a coragem de ser eles mesmos, de se expressarem artisticamente: são umas cassetes, uns papagaios, uns...wannabes. E isso revela pouca inteligência. É uma cinzentona tacanhez, de quem não foi habituado de pequenino a exercitar o intelecto e depois procurou compensar isso à martelada...

 Tenho pregado vezes sem conta, de viva voz e por escrito, o verdadeiro carácter da moda como arte, indústria e como fenómeno social, a distinção entre o apreciar moda e a vaidade oca. É uma cruzada, meus amigos. Atrevam-se a falar de moda, ou mesmo a não abrir a boca mas ter um certo ar "composto" e verão que há sempre um chico esperto pronto a tirar conclusões precipitadas ou a apontar o dedo. "Tu não pensas em coisas sérias!", "tu sabes lá o que são dificuldades, andas sempre tão bem vestida", ou "aquela é lá pessoa para se levar a sério, deve perder duas horas só para se arranjar" são alguns disparates correntes, que levam uns bons meses a desmentir se a necessidade obrigar a travar essa luta tão difícil. Uma palavra de aviso para as "fashionistas" que acabam a licenciatura neste momento: a "boa apresentação" pedida em alguns anúncios é conversa da treta. Numa entrevista que não seja para uma empresa ligada à indústria de moda, preparem-se para fazer penitência: "tenho interesse por roupas e sapatos, mas também gosto de outras coisas...de quê? Literatura. Não, não li o Crepúsculo...cinquenta sombras de quê? Não, não levo o trabalho a brincar...etc, etc, etc". E não precisam de se apresentar com looks elaborados, como se fossem para a Semana de Moda de Paris. Qualquer coisa que fuja ao típico "primeiro - tailleur- da -minha -vida comprado -ontem -na Zara- de -propósito -para -a -entrevista" é imediatamente detectada. O mesmo vale para os tempos de faculdade. Ser o único, ou dos poucos, elementos de uma turma de Jornalismo ou Relações Públicas que quer seguir a área de Moda e não fazer coisas "sérias" como ser repórter de guerra ou responsável de comunicação da CIA (ou de qualquer coisa mega importante e crucial para a vida humana como o fabrico de caricas ou parafusos) é um factor de atracção para olhares de lado. Haverá sempre um espertinho que se põe a debitar política ou alta finança à vossa frente, esperando enterrar-vos. 
A vantagem é que ver a tacanhez alheia em todo o seu esplendor não deixa de ser divertido - sempre me deu um certo prazer trocar as voltas às pessoas que se julgam muito espertas com esta arte de camuflagem ... ou manobra de diversão, se preferirem.


Friday, July 20, 2012

Site de moda inestimável...versus futilidade


Hoje em dia é difícil definir ou distinguir um blog de moda, no meio de milhares de imitações - ou esforços pessoais  uns bem conseguidos, outros nem por isso. Já disse várias vezes que a minha ideia de blog de moda é bastante concreta: ou bem que se compõe de looks e conselhos/dicas de profissionais (ou amadores francamente talentosos) ou que é um blog cheio de boa informação, com artigos e opinião, a recuperar uma frescura que algumas revistas da especialidade têm vindo a perder. Cresci a devorar as Elles, Marie Claires, Vanity Fairs e Vogues ( na altura, em edição estrangeira). Ainda na minha meninice apareceu a Ragazza portuguesa, que nos seus primeiros anos era fabulosa: uma revista exigente, com vocabulário rico e fotografias lindas. Falava imenso da cultura pop, de etiqueta, de como coordenar correctamente as roupas segundo o biotipo, da história da moda (e não só) e  transmitia referências, inspiração. Entretinha, mas informava. Fazia sonhar, mas educava também. Não creio que muitas teenagers pretensamente fashionistas dos nossos dias, embora disponham de uma quantidade de informação impensável há alguns anos trás, conheçam o percurso dos grandes designers, a história das principais Casas, quem foram os vultos do cinema, da sociedade e da música que inspiraram visuais chave que ainda hoje usamos,  nem as modelos icónicas como  Jean Shrimpton, Marisa Berenson, Beverly Peele, Verushka ou Penelope Tree. Gostam de roupa e maquilhagem, mas falta-lhes conhecimento. Esse é o grande e eterno busílis da questão entre os amantes da moda e os seus detractores: a moda é fútil, superficial? Não é, se a compreendermos enquanto arte ou indústria - mas passa bem por tal se os meios que a veiculam (publicações, figuras, blogs, profissionais) não se esforçarem por transmitir mais do que "saldos!" ou "comprinhas do dia". Quando é assim a moda é desvirtuada, reduz-se a um materialismo despido de expressão, de inspiração artística e em muitos casos, até de estética e elegância
 Um site que adoro, e que foge completamente a esta tendência perniciosa é o Fashionista. Faz-me lembrar as publicações da velha guarda: recheado de informação útil (de dicas de beleza a conselhos para quem deseja ter uma carreira no sector) publica as últimas novidades, mas não esquece as histórias, factos e personalidades que compõem este mundo fascinante. Essencial. 





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